Acordei com um estrondo de guitarra. Lidya estava de pé ao lado do aparelho de som.

— Bom dia, preguiçoso. — Ela disse. — Isso é por ter me acordado às seis e meia ontem.

— Você é uma peste.

Ela riu, alto e com gosto.

— Nada como começar o dia com uma pequena vingança.

Fiz uma careta. Por mais que eu amasse minha esposa, detestava quando ela dava uma de vingativa. Ou seja, quase sempre.

— Você me paga.

— Ui, que medo! Se é tão machão assim, por que não se vinga agora?

— Porque não estou com vontade. Estou com sono. Agora cala a boca, peste.

Ela riu, debochando de mim.

— Covarde. Está é com medo de me enfrentar.

Eu me levantei. Sabia que não devia cair naquela provocação, mas não conseguia evitar.

— Ah, é? Vou te mostrar quem é o covarde, mulher!

Ela riu e começou a correr pelo quarto, fugindo. Eu a persegui. Ela saltou sobre a cama, jogando um travesseiro na minha cara.

— Toma essa, machão! — Comemorou, rindo.

— Isso não vale, sua chata.

Ela mostrou a língua para mim, rindo como uma garota travessa.

— Sem regras, amor.

Finalmente consegui derrubá-la na cama e comecei a fazer-lhe cócegas até que ela implorou clemência. Ela conseguiu me empurrar com as pernas, mas não se levantou. Estava corada e arfante.

— Seu ... Babaca.

— Que você adora.

— Se não fosse tão gostoso, eu acabaria com você. — Ela disse, ficando por cima de mim e me dando um selinho.

— Como se fosse conseguir. — Retruquei, envolvendo sua cintura com os dois braços.

Ficamos naquela posição, ela com metade do corpo em cima de meu peito, ambos os braços apoiados no colchão e meus braços envolvendo-a com firmeza.

— Se eu fosse juíza, te daria uma nota cinco em combate.

— De seis?

— De dez!

— Você é uma mulher cruel. — Reclamei, e ela riu.

— Sou mesmo. — Concordou, sedutora. — É a coisa que você mais ama em mim.

— Uma delas. — Confessei.