Moments by Ares

9 A pior briga de todas


Lidya me encarou e, apesar de tentar manter a fachada de altivez, eu pude ver as lágrimas em seus olhos.

A raiva me possuía, e eu sabia que não conseguiria me controlar. Para minha surpresa, Lidya riu. Um riso curto, debochado.

— Pare com isso, Ares. Sabe que não vai me machucar.

Num movimento rápido, prendi-a contra a parede, mantendo a adaga pressionada sob seu esterno, quase furando a pele. Ela prendeu a respiração, numa rara demonstração de fraqueza.

— Ainda acredita que não a machucarei? — Sussurrei em seu ouvido.

Quando me afastei um pouco, vi que seus olhos demonstravam apenas calma. Eram verdes e profundos, como uma floresta inexplorada.

— Sim, acredito.

Pressionei a adaga um pouco mais, e ela ofegou de surpresa.

— Por que não acaba logo com isso, então?

— Está implorando clemência, princesa?

— Não, Ares. — Ela respondeu simplesmente. — Estou desafiando você. Vá em frente, se tem coragem.

— Eu farei. — Asseverei num rosnado. — Não me provoque, Lidya!

— É exatamente o que estou fazendo. — Ela me encarou com aquele olhar provocador. — Você não consegue.

Ela segurou minha mão com as suas, pressionando tanto a adaga que fez um corte superficial em sua pele.

Nós nos encarávamos, em um confronto silencioso. Assim que afrouxei a pegada ao redor da adaga, Lidya soltou minha mão. Joguei a adaga do outro lado da sala e abracei minha esposa.

— Por um momento, realmente pensei que ...

— Não. — Ela respondeu, convicta. — Você jamais me machucaria, e ambos sabemos disso.

— Mas e se algum dia ...

— Nunca, Ares.

Um longo silêncio caiu entre nós. Aquela mulher me deixava maluco, e eu queria matá-la, mas, ao mesmo tempo, amava aquela peste com tanta intensidade que doía, e preferia morrer a deixar que se ferisse.