Moments
1 Capítulo 1
Notas iniciais
1º
Narrador: “Nasci para fazer meu próprio destino. Apesar de nunca ter acreditado na sua existência. Fui criada para conseguir menos, mas minha verdadeira criação me inspirou para mais...
Maria Mariana (Francyne) lendo no chão em uma casa pobre.
Mãe de Maria Mariana: -Fazendo o que, filha?
Maria Mariana: -Lendo...
Mãe de Maria Mariana: -Onde conseguiu esse livro?
Maria Mariana: -Sinhazinha Assucena, ganhei hoje.
Mãe de Maria Mariana: -É bom ter conhecimento, minha filha... (Maria Mariana interrompendo)
Maria Mariana: -Mas o papai diz que mulher tem que casar...
Mãe de Maria Mariana(sentando no chão): -Todos dizem, mas nós devemos fazer o que nos faz feliz.
Maria Mariana: -Eu quero escrever. Um dia fazer um livro como esse. (abraçando o livro)
Mãe de Maria Mariana(passando a mão no cabelo da filha): -Então estude para isso.
2º
Na escola, passando várias cenas e rápido. Assucena explicando, alguns alunos e Maria Mariana no meio. Em cada cena as crianças mudam, menos Maria Mariana que vai sempre crescendo junto com Assucena. Obs.: Na última das cenas rápidas aparece Maria Mariana como Ana Clara e Assucena como Ana Beatriz.
Quando em um dia Maria Mariana falta e Assucena pergunta a um aluno.
Assucena: -Aconteceu algo com Maria Mariana?
Aluno: -Os pais dela morreram.
Assucena: -Como assim?
Aluno: -Minha mãe quem falou, o pai de Maria trabalhava com o meu.
Assucena (surpresa): -Por hoje é só. Podem ir.
Os alunos saem da sala e Assucena pega suas coisas.
3º
Na casa de Maria Mariana. Ela está sentada dentro da casa e Assucena entra na casa.
Assucena: -Dá licença.
Maria Mariana(olha para a porta, chorando): -Sinhazinha...
Assucena: -Fiquei sabendo...
Silêncio na casa, as duas choram.
Maria Mariana: -Eles estavam na casa da minha tia, e a casa pegou fogo... perdi os três.
Assucena: -Foi quando?
Maria Mariana: -Ontem.
Silêncio na casa.
Maria Mariana: -Eu os amava mais que tudo. Meu pai era grosseiro, mas minha mãe era uma flor. Apesar da diferença, os dois se amavam... é como se uma parte de mim também tivesse queimado naquele incêndio... talvez o melhor fosse que a outra também queimasse...
Assucena (abraçando Maria Mariana): -Imagino o quanto sofre, mas não diga isso. Eu estou aqui para te ajudar.
Maria Mariana: -Eu tenho que abandonar meu sonho...
Assucena: -E o que vai fazer agora?
Maria Mariana: -Trabalhar, talvez em casa de família... não sei.
Fugêncio(Rennan) entra na casa.
Fugêncio(tirando o chapéu): -Sinhazinha Assucena?
Assucena:-Eu preciso ir agora, o que precisar pode contar comigo.
Assucena saindo e depois Fugêncio sai.
4º
Na casa(rica) de Assucena estão: Sinhá do Céu(mãe), Coronel Antônio Francisco(pai), Assucena de Jesus e Malvina(empregada fofoqueira).
Coronel Antônio está ouvindo rádio enquanto sua mulher costura. Assucena de Jesus aparece na sala.
Assucena: -Pai, posso conversar com o senhor?(mãe para de costurar e olha para Assucena)
Coronel Antônio: -Ora, mas fale logo!
Assucena: -É que eu tenho uma aluna que está passando por um problema... (pai interrompe)
Coronel Antônio: -E o que eu tenho com isso?
Assucena: -É que ela é muito esforçada e perdeu os pais faz pouco tempo... (pai interrompe)
Coronel Antônio: -Mas fale logo, menina!
Assucena: -Ela poderia trabalhar aqui em casa.
Coronel Antônio: -E a Malvina? Ela é perfeita! Veja só: Malvina!!!! (Coronel gritando)
Malvina aparece na sala.
Malvina: -Chamou, senhor?
Coronel Antônio: -Está vendo? Para que outra?
Assucena: -Ela está só, pai. Sem trabalho, sem dinheiro, sem família... é mais nova que eu!
Coronel Antônio(se levantando da cadeira e com a mão no ombro da filha): -Não posso fazer nada. Também comecei assim e olha só o que temos hoje! Sou o maior plantador de maracujá da cidade!
Sinhá do Céu(se levantando da cadeira): -Ora! Mas deixe de ser ignorante, Francisco! Ela é uma menina... Filha, ela pode vir.
Assucena: -Sério?
Coronel Antônio olha para Sinhá do Céu sem gostar muito do que ouviu.
Coronel Antônio: -Amanhã vamos buscá-la.
Assucena abraça o pai.
5º
Passado uns três anos, aparecem Assucena e Maria Mariana caminhando em direção a casa.
Assucena: -Não acredito que logo casarei! (empolgada)
Maria Mariana: -Mas se ainda não tem pretendente...
Assucena e Maria Mariana param de andar e Assucena vai para a frente de Maria.
Assucena: -Ainda... isso porque não completei quinze anos. Mas essa semana é minha festa e com certeza aparecerá alguém!
Maria Mariana: -Espero que seja alguém a sua altura.
Assucena: -Claro que será! Papai vai procurar algum banqueiro, delegado ou os filhos deles...
Maria Mariana: -Não era dessa forma que eu queria falar... quando disse a "sua altura" quis dizer que fosse gentil e adorável como sinhazinha é.
Assucena(abraçando Maria Mariana): -Você que é! Por favor, para de me chamar de sinhazinha. Somos irmãs agora.
Coronel Antônio aparece com os capangas.
Coronel Antônio: -Assucena, sua mãe está te chamando para sair. Maria Mariana, ela disse que limpasse o móvel da cozinha outra vez.
Assucena sai empolgada. Fugêncio olha para ela.
Maria Mariana(de cabeça baixa perto do Coronel): -Estou indo, Coronel Antônio.
6º
Maria Mariana chega na casa e Sinhá do Céu chega na cozinha onde já estava Malvina.
Sinhá do Céu: -Maria Mariana, filha, aprenda a arrumar bem uma casa! Onde vamos conseguir um casamento para você assim? Sem arrumar um móvel sabe!
Maria Mariana(de cabeça baixa): -Farei novamente, Dona Sinhá.
Sinhá do Céu: -Assim espero.
Sinhá do Céu sai da cozinha. Enquanto elas conversavam Malvina ficava olhando. Quando Sinhá do Céu sai, Malvina olha para ver se ela foi mesmo e fala enquanto Maria Mariana está limpando o móvel.
Malvina: -E ainda te chama de filha.
Maria Mariana: -O que eu posso fazer, Malvina? Eles me ajudaram muito.
Malvina: -Ajudaram? Eles te fizeram de escreva esse tempo todo!
Maria Mariana: -Fala baixo. Se descobrirem que estamos insatisfeitas nossa situação só vai piorar.
Malvina: -Insatisfeitas, você fala tão bonito...
Maria Mariana(sorrindo, sem graça): -Por causa disso?
Malvina: -Não só, mas outro dia... todos os dias você aparece com palavras bonitas e falando sempre certinho. Nasceu para viver como escrava não.
Maria Mariana: -Não somos escravas, Malvina.Mas fico grata pelos elogios.
Malvina: -Olha só. Com uma "educadeza" dessas! Merece isso não! Não merece mesmo!
Maria Mariana: -Nem você.
As duas riem e Sinhá do Céu entra na cozinha.
Sinhá do Céu: -Qual o motivo de tantas risadas?
Maria Mariana: -Malvina ia caindo...
Sinhá do Céu: -Então da próxima vez, Malvina, caia e aproveite para limpar o chão com suas lágrimas. Estão aqui para trabalhar e não para sorrir.
Malvina e Maria Mariana: -Sim, Dona Sinhá.
Sinhá sai da cozinha.
Malvina: -Sou burra, mas entendi que ela queria que eu chorasse.E tô aqui para chorar é? Bruxa velha! (raiva)
Malvina e Maria Mariana começam a rir, e Maria Mariana tenta fazer Malvina parar.
7º
Sinhá do Céu no quarto junto com Assucena.
Sinhá do Céu: -Quero que você vá amanhã lá na Mãe Joaquina se benzer, para tirar todo olho gordo, é melhor assim para garantir que arrume logo um noivo no dia do aniversário.
Assucena: -Eu tenho medo dela, mãe. Sozinha não vou!
Sinhá do Céu: -Medo de que? Ela vai te fazer bem!
Assucena: -Não vou só, mãe!
Sinhá do Céu: -Então vá com Maria Mariana, já que ela é tão culta assim como dizem não terá medo de te acompanhar! (ironia)
Assucena: -Maria Mariana!!!
Maria Mariana entra no quarto.
Maria Mariana: -Chamou, Sinhazinha?
Assucena: -Sim, eu que... (Sinhá do Céu interrompe)
Sinhá do Céu: -Ela quer que você a acompanhe lá na Mãe Joaquina. Tem coragem de ir?
Maria Mariana: -Claro que tenho.
Sinhá do Céu: -Melhor assim.
7º
Malvina: -Mãe Joaquina? Está louca?
Maria Mariana: -Qual o mal nisso? Ele é benzedeira,não é?
Malvina: -É, mas dizem que ela tem umas coisas no meio do trabalho. (assustada)
Maria Mariana: -Que coisas?
Malvina(assustada): -Do nada ela começa a falar com uma voz estranha, prevendo o futuro!
Maria Mariana(sem dar importância): -Aham, até parece!
Malvina: -Não acredita? Verá hoje!
Maria Mariana: -Se ela realmente faz isso, qual o problema?
Malvina: -Você já viu? A voz dela muda!
Maria Mariana: -Você já viu?
Malvina:-Não.
Maria Mariana(olhando para Malvina): -E como sabe disso?
Malvina: -Me disseram!
Maria Mariana: -Então, quando te disserem pergunte se eles já viram ou só ouviram falar também! (saindo da casa)
Malvina: -Cuidado!
Maria Mariana: -Tá!
8º
Assucena e Maria Mariana na frente da casa de Mãe Joaquina.
Mãe Joaquina sai da casa: -Sabia que vocês viriam.
Assucena: -A senhora previu?
Mãe Joaquina(sorrindo): -Não, sua mãe me disse.
Assucena: -Ah...
Mãe Joaquina: -Vamos começar?
Assucena: -Vamos.
Mãe Joaquina pegando uns matos enquanto as meninas conversam.
Maria Mariana: -Não é assustadora, está vendo?
Assucena: -Não tanto...
Mãe Joaquina com uns matos na mão balançando e batendo em Assucena: -Sai olho gordo! Sai daí! Prote...(momento em que Mãe Joaquina muda)
Mãe Joaquina solta os matos e coloca a mão na cabeça de Assucena: -Você! Cuidado com o que tanto quer! Alguém destruirá seu sonho!
Mãe Joaquina aponta para Maria Mariana e vai chegando perto dela: -Ahhh, você! Será a dona do segredo que mudará sua vida... mas antes disso, conseguirá justiça!
Quando ela termina de falar cai no chão. Assucena fica assustada e se afasta enquanto que Maria Mariana vai tentar acordá-la.
Mãe Joaquina ainda está mudada e abre os olhos: -Maria, ajude-me! (desmaia)
Maria Mariana assustada, mas tentando acordar Mãe Joaquina e Assucena ainda distante.
Assucena: -Vamos embora!
Maria Mariana: -Não podemos deixá-la assim!
Assucena: -Isso já deve ter acontecido antes!
Maria Mariana: -Não vamos!
Mãe Joaquina se acorda, já normal: -Maria...
Maria Mariana: -Como sabe meu nome?
Mãe Joaquina: -Eu não sei... (se levantando e Maria Mariana ajudando)
Assucena: -Podemos ir agora?
Alguém atira perto por ali e algo se mexe. De repente aparece Mãe Joaquina com uma arma na mão.
Mãe Joaquina: -Eu meto a bala no que vir por aqui!
Maria Mariana acha uma faquinha no chão com as letras: FF.
Assucena: -Vamos?
Maria Mariana(escondendo a faquinha): -Vamos. Obrigada, Mãe Joaquina!
Mãe Joaquina(de longe): -De nada, Maria!
9º
Maria Mariana e Assucena no quarto dela. Maria arrumando o quarto.
Assucena: -Próximo ano, nossos pais vão fazer uma festa igualzinha a minha para você.
Maria Mariana: -Eu não sei se quero casar...
Assucena: -Como assim, não sabe? Não precisa querer, tem que casar!
Maria Mariana: -Por quê?
Assucena: -Porque depois fica velha e ninguém mais te quer! Quer ficar para titia, é isso?
Maria Mariana: -E o que é velha para você?
Assucena: -Depois dos 16 já tem que está casada!
Maria Mariana: -Não acho que uma pessoa de 18 anos seja velha...
Assucena: -Está ouvindo o que diz? Mariana, olhe só(sentando com ela na cama), eu te ensinei muitas coisas, mas talvez ainda não tenha dito que as mulheres precisam casar... (Maria Mariana interrompe)
Maria Mariana: -Precisam ser feliz!
Assucena: -E como pode existir felicidade fora dos padrões que temos?
Maria Mariana: -Se fizermos nossa felicidade! (Se levantando da cama) Por que ser subordinado ao que dizem se eu posso criar minhas próprias regras?!
Assucena: -Regras precisam ser cumpridas!
Maria Mariana: -Eu sei disso, e até concordo com algumas, mas não com a de que mulher é para casar!
Assucena: -Aceite isso! Mamãe ficará brava se te ouvir questionando sobre isso!
Maria Mariana: -MINHA MÃE, respeitava minhas opiniões! (sai do quarto)
10º
Inácio e Fugêncio estão andando pela fazenda, quando Fugêncio ver Assucena de longe.
Fugêncio: -O Coronel pediu que você fosse observar os trabalhadores.
Inácio: -Mas o seu pai não já está lá?
Fugêncio: -Ordens são ordens!
Inácio: -Vou lá. (saindo)
Assucena sentada lendo um livro.
Fugêncio: -Sobre o que o livro?
Assucena: -Sobre um idiota que não deixava a filha do patrão em paz! (fecha o livro com raiva e se levanta para sair)
Fugêncio pega no braço dela.
Assucena: -Poderia me soltar?
Fugêncio: -Não! O que aconteceu, hein? Por que tanta ignorância?
Assucena: -Ahhh, então quer gentileza? Pode me soltar, por favor? (ironia)
Fugêncio solta.
Assucena: -Melhor assim, o que você quer?
Fugêncio: -Casar com você!
Assucena(rindo): -Casar? Comigo?
Fugêncio: -Sim, vou pedir a sua mão na sua festa ao seu pai!
Assucena: -Não se atreva ou eu...
Fugêncio: -Ou você o que? Os seus trabalhinhos sujos, quem fazia mesmo? Ahh é , eu!
Assucena: -O filho do banqueiro vai pedir minha mão, tenho certeza. Não se atreva a atrapalhar!
Fugêncio: -Por que que ele vai fazer isso mesmo? Quero que se lembre que da mesma forma que matei a noiva do filho do banqueiro posso matar outras pessoas também...
Assucena: -Não venha com suas ameaças... meu pai acreditaria em mim e não em você!
Fugêncio: -Se ele puder te ouvir quando estiver morta, talvez... (sínico)
Assucena: -Fique longe de mim! (saindo)
11º
Na festa de Assucena.
Malvina servindo na festa: -Ainda bem que te deram folga hoje.
Maria Mariana: -Querem me apresentar, para o próximo ano eu conseguir um noivo.
Malvina: -Ou querem dar uma de bonzinhos, mas quem não tem vez na vida? Eu!
Maria Mariana: -Não fica assim...
Alguém pede algo a Malvina.
Malvina: -Ó lá, tô indo...
Maria Mariana: -Vai lá.
Malaquias: -Tem certeza disso, filho?
Ester: -Sabemos que está sofrendo com a morte da sua noiva...
Carlos Joaquim: -Tenho. Será bom, assim esquecerei a Judite.
Ester: -Só queremos que esteja feliz.
Carlos Joaquim: -Obrigado.
Fugêncio pede para falar com Coronel Antônio.
Fugêncio: -Coronel, gostaria de falar com o senhor.
Coronel: -Fale logo, rapaz!
Fugêncio: -Sua filha, Assucena, procura um noivo... e, bom... eu também... (sem graça)
Coronel: -Procura um noivo?! (surpreso)
Fugêncio: -Que isso, Coronel? Tá me estranhando é? (raiva)
Coronel: -Que isso digo eu! Você chega aqui dizendo que quer um noivo! Te vi nascer, rapaz!
Fugêncio: -Na verdade procuro uma noivA! E quero pedir a mão da sua filha.
Coronel(rindo): -Isso é uma piada?
Fugêncio: -Não, Coronel. Estou falando sério.
Coronel(rindo): -Quanto mais você fala, mas engraçado fica!
Fugêncio: -Quero me casar com a sua filha!
Coronel(sério): -Onde já se viu um capanga meu casado com minha filha? Nunca! Olhe para lá (apontando para Carlos Joaquim), o filho do banqueiro, companhia perfeita para minha filha! Não um puxa saco meu, como você! (saindo).
Malaquias, Ester e Carlos Joaquim.
Malaquias: -Está na hora. Vamos lá no Coronel?
Carlos Joaquim: -Vamos, pai.
Ester(com a mão no ombro do filho): -Tem certeza, filho? Não quero que se arrependa depois...
Malaquias: -Ela é uma bela jovem, Ester. Por que se arrependeria?
Ester: -Eu não sei se gosto dessa menina...
Carlos Joaquim: -Tudo bem, mãe. Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo...
Ester: -Só quero seu melhor.
Carlos Joaquim: -Eu sei disso. (sorrindo e saindo com o pai)
Maria Mariana e Florinda(Maria Clara, que era convidada do baile. Florinda era amiga de Assucena).
Florinda: -Estranho...
Maria Mariana: -O que?
Florinda: -Assucena ainda não recebeu nenhum convite de noivado...
Maria Mariana: -Como você sabe?
Florinda: -O Coronel só conversou com os capangas... e não com o filho do banqueiro.
Maria Mariana: -O que o filho do banqueiro tem com isso?
Florinda: -Como assim? Não sabia que Assucena gosta dele?
Maria Mariana: -Não... mas não significa que por isso ele também goste dela.
Florinda: -Mas depois do que aconteceu com a noiva dele... tenho certeza que deve está procurando um casamento.
Maria Mariana: -Pode ser...
Florinda: -E também, por que o Coronel convidaria ele e a família para a festa se não quisesse algo?
Maria Mariana: -Não seja por isso. Estamos aqui e o que temos com o Coronel?
Florinda: -Não, nós somos amigas de Assucena, é diferente. O Coronel nem fala direito com Malaquias.
Maria Mariana: -Florinda, você deveria deixar um pouco a vida das outras pessoas.
Florinda: -Está me chamando de fofoqueira?
Maria Mariana: -Estou sim. Onde já se viu? Sabe mais da vida de Assucena que a própria.
Florinda: -É diferente, sou amiga dela...
Maria Mariana: -E do Coronel também?
Florinda sai com raiva.
Coronel Antônio estava só quando chega Malaquias e o filho dele. Obs.: Sinhá do Céu estava por perto.
Malaquias: -Coronel Antônio, finalmente posso falar com o senhor.
Coronel Antônio: -Então fale, Malaquias. Estou aqui.
Malaquias: -Meu filho gostaria de pedir a mão de sua filha. Fale Carlos Joaquim!
Carlos Joaquim: -É isso, Coronel. Gostaria de me casar com a sua filha.
Coronel Antônio: -Não se... (Sinhá do Céu interrompe)
Sinhá do Céu: -Seria um prazer tê-lo em nossa família. Um moço educado com seu filho, Malaquias.
Coronel Antônio: -Céu, estamos conversando.
Sinhá do Céu: -Eu sei. Por isso estou aqui também, vamos conversar juntos.
Malaquias: -E o que me diz, Senhora?
Sinhá do Céu: -Claro que permitimos, como disse, será um prazer tê-lo em nossa família.
Malaquias sorri para o filho que não demonstra emoção nenhuma, enquanto que o Coronel olha sério para a esposa.
12º
Na casa do Coronel. Coronel e esposa no quarto com a porta meio aberta.
Coronel(com raiva): -Já disse que não concordo com essa ideia!
Sinhá do Céu: -Ela o ama!
Coronel: -Não quero saber! Já disse que não gosto dele!
Sinhá do Céu: -Ele é de uma família rica, é educado, conseguiria arrumar um melhor?
Coronel: -Conseguiria sim!
Sinhá do Céu: -Mas ele não apareceu primeiro, então nossa filha irá se casar sim com o filho do banqueiro!
Assucena entra no quarto.
Assucena: -Por que não me disseram que Carlos Joaquim pediu minha mão?
Coronel: -Estava ouvindo atrás da porta, Assucena?
Assucena: -Não, estava passando por aqui quando ouvi o que a mamãe falou. (feliz e abraçando a mãe)
Sinhá do Céu: -Não se fala mais nisso dentro desta casa!
Coronel: -Já dis... (Sinhá do Céu interrompe)
Sinhá do Céu: -Vamos falar dos preparativos do casamento?
Coronel: -É claro que não!
Sinhá do Céu: -Então não tenho mais o que falar!
13º
Coronel Antônio e os capangas.
Coronel Antônio: -Não gosto do filho do banqueiro...
Fugêncio: -Pensei que ele fosse perfeito para sua filha, não foi o senhor quem disse? (ironia)
Coronel: -Inácio, sai daqui, vá fazer alguma coisa.
Inácio(sem entender): -Sim, Coronel. (saindo)
Coronel: -Aquilo foi uma forma de dizer que eu queria uma pessoa rica para minha filha, ele foi o primeiro que vi, mas não gosto da ideia.
Fugêncio: -Sua filha gosta mesmo dele?
Coronel: -Parece que sim... o pior é que Céu aprova!
Fugêncio: -Isso porque dentro daquela casa quem dá as ordens é a Sinhá sua esposa.
Coronel: -Algum problema com isso? (raiva)
Fugêncio: -É que o Senhor Coronel é tão grosseiro com todos, mas recebe ordens de mulher...
Coronel: -Me respeite e respeite Céu! Ela manda mesmo, se eu não tenho problema com isso, você não tem motivo para ter também!
Fugêncio: -Eu só falei, Coronel...
Coronel: -Não quero saber, vá atrás do Inácio!
Fugêncio: -Sim, Coronel. (saindo)
13º
Fugêncio procurando Inácio e encontra Assucena lendo.
Fugêncio: -Ora se não é a noivinha?
Assucena: -Me deixa em paz!
Fugêncio: -E por que eu deixaria?
Assucena: -Porque eu quero!
Fugêncio: -Não gosto de ser usado, deveria saber...
Assucena: -Já disse para me deixar em paz!
Fugêncio: -Sabe o que eu fiz por você? Para receber isso?
Assucena: -Não obriguei ninguém!
Fugêncio: -Não me obrigue a tomar certas atitudes...
Assucena: -Ameaças novamente?
Maria Mariana chega.
Maria Mariana: -Algum problema, Sinhazinha?
Fugêncio: -Não deveria estar trabalhando?
Maria Mariana: -Pergunto o mesmo para você? O Coronel não iria gostar de ver um capanga conversando com a filha dele!
Fugêncio: -Não se meta aqui!
Maria Mariana: -Então fique loge da gente!
Fugêncio saindo.
14º
Dia do casamento de Assucena. Ela preocupada no quarto e entra Maria Mariana.
Maria Mariana: -Me chamou, sinhazinha?
Assucena: -Sim, eu preciso te falar umas coisas...
Maria Mariana: -Pode falar.
Assucena: -Preciso te falar, mas tem que me prometer que não contará a ninguém. Meus pais não podem nem sonhar no que eu vou te dizer.
Maria Mariana: -Fale logo, assim me deixa preocupada!
Assucena: -Fugêncio está me ameaçando.
Maria Mariana: -E por que ele faria isso?
Assucena: -Por que eu pedi para que ele matasse a noiva do filho do banqueiro.
Maria Mariana: -Você o que? (surpresa)
Assucena: -Precisava falar para alguém. Estou tão aliviada agora!
Maria Mariana: -Aliviada?! Ouviu o que disse?! Você matou uma pessoa!
Assucena: -Não matei não! Quem matou foi o Fugêncio!
Maria Mariana: -Porque você mandou!
Assucena: -Mas não fui eu que fiz!
Maria Mariana: -Ela estaria viva se você não tivesse mandado fazer isso!
Assucena: -Você vai me ajudar ou ficar me acusando?
Maria Mariana: -Te ajudar em que? Olha só para você, está feliz sobre a morte de alguém!
Assucena: -Eu amo o Carlos Joaquim!
Maria Mariana: -Você não ama ninguém! Nem a si mesmo!
Assucena: -Pensei que pudesse confiar em você!
Maria Mariana: -Pensei que você fosse decente! (saindo do quarto quando Assucena fala)
Assucena: -Eu sou, só não fiz por mal! (Maria Mariana volta)
Maria Mariana: -E matar alguém você faz por bem? “A não era minha intenção mandar o Fugêncio matar a pobre moça.” (ironia)
Assucena: -Para!
Maria Mariana: -Por que Fugêncio fez isso?
Assucena: -Por que ele me ama, e eu disse que casaria com ele... agora tá me cobrando isso!
Maria Mariana: -E por que não casa?
Assucena: -Está louca? Eu amo o Carlos Joaquim!
Maria Mariana: -Fazendo o rapaz sofrer?! Isso é o seu amor?!
Assucena: -Sai do meu quarto! Hoje é o dia do meu casamento, pensei que você fosse me ajudar, passar a mão na minha cabeça e tentar me fazer melhor, não me colocar para baixo!
Maria Mariana: -Não ajudo assassinos!
Assucena: -Eu te dei minha família! Te ajudei e quando peço só isso, cadê você para me apoiar? Pensei que fóssemos amigas...
Maria Mariana: -Acredite em mim, se eu não fosse sua amiga não diria isso!
Assucena chora e Maria Mariana sai do quarto.
15º
Maria Mariana chega na cozinha onde já estava Malvina.
Malvina: -Você e Assucena estavam brigando?
Maria Mariana: -Não foi nada.
Malvina: -É uma nojenta mesmo né? Te chama de irmã e nem pra ser madrinha do casamento ela te chama.
Maria Mariana: -Malvina, temos muito o que fazer. Vamos logo...
Assucena entra na cozinha e Maria Mariana fica séria olhando para ela.
Assucena: -Eu só queria que soubesse que te amo!
Maria Mariana continua sem falar e Malvina fica olhando a conversa.
Maria Mariana: -Malvina, por favor, nos deixe sozinhas.
Malvina: -Ah, claro. Nem percebi que estavam conversando... (saindo)
Assucena: -Eu sei que o que fiz foi errado, meu único medo era de que alguém comprovasse isso. Se eu te disse, foi porque sabia que você iria me dizer o certo, e... por mais que tenha doloroso foi o certo.
Maria Mariana: -Não queria ser rude com você, mas não esperava algo assim...
Assucena: -Você vai ao meu casamento?
Maria Mariana fica em silêncio.
Assucena: -Por favor, me desculpa.
Maria Mariana: -Não peça desculpa para mim, Assucena. Peça ao seu noivo.
Assucena: -Já disse que me arrependo, mas por favor, preciso que você vá. Preciso saber que você não está com raiva de mim...
Maria Mariana(abraçando Assucena): -Não estou com raiva de você, e é claro que vou para o seu casamento. Mas quero que fique claro que eu me decepcionei com você.
Assucena(chorando): -Eu também estou.
16º
Estão todos na Igreja. Quando entra a noiva.
Duas mulheres conversando baixinho. Mulher 1 é encalhada e Mulher 2 viúva.
Mulher 1: -Olha só o vestido dela.
Mulher 2: -O do meu casamento foi muito mais bonito... Ah, o seu não posso falar né? Você ficou para titia...
Mulher 1: -Ao menos não enterrei meu marido...
Mulher 2: -E nunca vai. Não conseguirá nenhum!
O casamento acontece e alguém grita: -Cuidado!
Todos olham para trás. Alguém atira na noiva e o Coronel corre para tentar pegar quem atirou, quando o Coronel corre percebe que foi Fugêncio e para surpreso.
17º
Na delegacia chega o Coronel. Está o delegado lendo com os pés na mesa.
Coronel: -Delegado!
Delegado(se assusta): -O que aconteceu, Coronel?
Coronel: -Precisamos pegar um assassino!
Delegado Justino: -Como?
Coronel: -Alguém atirou em minha filha e eu sei quem foi! Vamos atrás dele!
Delegado Justino: -Vamos! Vamos! (Saindo apressado junto com o Coronel)
18º
Os dias passam, e o Coronel ainda não apareceu.
Maria Mariana limpando os móveis.
Sinhá do Céu: -Onde será que está meu marido? Um mês e nada dele aparecer, sem minha filha e um assassino solto por aí. Tenho medo do que possa ter acontecido...
Silêncio.
Sinhá do Céu: -Soube como está a fazenda?
Maria Mariana: -Disseram que não muito boa...
Sinhá do Céu: -Exatamente! Será que Jorge(pai de Fugêncio) não pode fazer nada?
Maria Mariana: -Eu não sei, Sinhá. Se quiser, posso conversar com ele...
Sinhá do Céu: -Ora, você é uma menina. O que pode fazer?
Maria Mariana: -Pensei que talvez conversando...
Sinhá do Céu: -Não pense. Limpe!
Maria Mariana: -Desculpa, Sinhá.
19º
Maria Mariana indo em direção a plantação.
Malvina: -Você ouviu a bruxa, deixe para lá.
Maria Mariana: -Não posso deixar a fazenda afundar.
Malvina(para e Maria Mariana também): -Eles não merecem isso.
Maria Mariana: -Não por ela, mas os trabalhores, o Coronel também...
Malvina: -Mariana, não acho uma boa ideia...
Maria Mariana: -Só achar nunca te trará a certeza.
Maria Mariana sai e Malvina fica.
20º
Maria Mariana na plantação onde está Jorge.
Maria Mariana: -Olá, senhor.
Jorge: -Maria Mariana, certo?
Maria Mariana: -Sim.
Jorge: -Você que fica na casa, não viu meu filho não?
Maria Mariana: -Seu filho?
Jorge: -Sim, Fugêncio Figueiredo.
Maria Mariana(surpresa, fala baixinho): FF...
Jorge: -Como?
Maria Mariana(disfarçando): -Nada... ahn... bom... eu vim aqui porque estou preocupada com a fazenda.
Jorge: -Eu também, ela está afundando e eu não posso fazer nada...
Maria Mariana: -Realmente não pode fazer nada?
Jorge: -Sim.
Maria Mariana: -Mas...
Jorge: -Menina, desculpa te dizer, mas a fazenda daqui a pouco afunda.
Maria Mariana: -Afundar, de vez?
Jorge: -Sim.
Maria Mariana: -E os trabalhadores e a Sinhá?
Jorge: -Nós teremos dias difíceis...
Maria Mariana fica séria.
21º
O tempo passa e a família rica está pobre, e a Sinhá está deitada em uma cama doente.
Maria Mariana(remédios na mão): -Sinhá, trouxe seus remédios.
Sinhá: -Eu não quero mais! Sem filha, seu meu marido! Estou só! Já posso morrer!
Coronel entra no quarto e Maria Mariana e Sinhá ficam surpresas.
Coronel: -Morrer logo quando eu chego?
Sinhá: -Antônio!!!
Coronel: -O que houve mulher, que está deitada pálida?
Maria Mariana: -Ela está doente, senhor.
Coronel: -Sabe o que foi?
Maria Mariana: -Sim, o médico veio e ele disse que era uma gripe forte...
Sinhá: -A fazenda faliu.
Coronel: -Não vamos falar sobre isso. Prometo que vou dar um jeito. Agora tome os remédios...
Sinhá e Coronel ficam no quarto e Maria Mariana sai. Na sala está o Delegado Justino.
Maria Mariana: -Desculpe, não sabia que estava aqui. Quer que eu chame o Coronel?
Delegado: -Não precisa, eu vim com o coronel.
Maria Mariana: -Desculpe, mas onde estavam por todo esse tempo?
Delegado: -Estávamos atrás do assassino de Assucena...
Maria Mariana: -E acharam?
Delegado: -Não, por todo esse tempo nós procuramos e nada...
Maria Mariana: -Será difícil encontrar agora.
Delegado: -Se encontrarmos.
22º
Coronel na sala preocupado e Maria Mariana sentada na mesa escrevendo.
Coronel: -Céu já está boa, mas a fazenda...
Maria Mariana: -Não tem mais jeito não é?
Coronel: -Pouco tempo que eu passo longe e acontece isso?
Maria Mariana: -Bom, você e Fugêncio davam as ordens... e os dois sumiram...
Coronel: -Fugêncio não apareceu?
Maria Mariana: -Não.
Coronel: -Não sei o que fazer, precisamos de dinheiro e não temos quase nada.
Maria Mariana(termina de escrever): -Eu não disse nada, mas vou publicar um livro.
Coronel: -Como?
Maria Mariana: -É, eu já mandei e eles já publicaram. Logo recebo por isso.
Coronel: -Você quer ser escritora? É isso?
Maria Mariana: -Não só quero, como já sou.
Coronel: -Sabe que acho uma loucura isso, não é?
Maria Mariana: -Sei, mas também sei que não vai reclamar porque é o único meio de sairmos do buraco...
Coronel: -Faça o que quiser, Maria.
Maria Mariana: -Então continuarei escrevendo.
23º
Os dias vão passando e a vai mostrando a vida deles melhorando e Maria Mariana com roupas mais elegantes. A família com vários cuidados com Maria Mariana. Malvina também passa a ter uma boa vida junto com Maria Mariana. Enquanto essas cenas passam o narrador fala.
Narrador: “O tempo passou, o Coronel e a Sinhá faleceram. Malvina ainda está viva, com uma boa vida, lembro-me como se fosse hoje de suas palavras antes de sair da minha casa: “Finalmente, graças a você.” Foi tudo o que ela me disse, chorando. Engraçado o modo como ela atribuiu a minha amizade como o sucesso que ela conseguiu. Talvez eu só precisasse de alguém exatamente como eu, sem medo de tentar. Minha mãe, com certeza teria orgulho de mim agora, vendo que me tornei escritora. Meu pai, com o tempo se acostumaria com a ideia e Assucena, bom... eu sou a única pessoa viva que guarda seu segredo. Este é o meu melhor livro, mas que nunca será publicado. Não, eu não fiz a promessa, apenas pedi para que ela falasse mais rápido possível o que aconteceu. Consegui o que quis porque ignorei todos me dizendo que era errado e segui o conselho mais certo que já recebi... como que alguém que nunca teve conhecimento como minha mãe pudesse agir da forma mais correta. Ela simplesmente me disse que eu faria o que quisesse e foi tudo o que fiz. Até agora.”
“Ela simplesmente me disse que eu faria o que quisesse e foi tudo o que fiz. Até agora.” <
Maria Mariana: -Fugêncio? (assustada)
Fugêncio: -Acho que tem algo que me pertence, inclusive meus segredos...
A imagem fecha e ouve-se um tiro.
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