Notas iniciais
Spoilers de A Cura Mortal!!!!!

Katherine P.O.V.:

Tínhamos chegado à cidade, ou melhor, o que sobrou dela. Por todo lado podia se ver pessoas largadas pelo chão, coisas espalhadas pelas ruas, os prédios que um dia foram reluzentes, caindo aos pedaços.

Thomas ia em frente sendo seguido pelo grupo, eu preferi ficar por último para ter certeza de que todos estariam no alcance dos meus olhos para ficarmos juntos e não ter perigo de perdermos alguém na multidão.

— Somos a voz daqueles que não a tem! Eles se escondem atrás daqueles muros, acham que podem manter a cura só para eles enquanto nos assistem definhar e apodrecer!

Nós nos viramos e vimos que era uma van passando com três homens em cima dela, um deles falava por alto-falantes, os outros dois seguravam armas e usavam máscaras.

Enquanto eles passavam com o carro, parecia que um dos homens de máscara encarava o nosso grupo, mais especificamente, encarava a mim, mas não conseguia ter certeza, pois não podia ver para onde seus olhos se dirigiam.

— Mas existem mais de nós do que deles. Eu digo para lutarmos e recuperar o que é nosso! Vamos ter nossa vitória! – continuou o homem

Olhei para cima e vi que três drones voavam por onde estávamos.

— Acho melhor irmos andando pessoal. – eu disse ainda olhando pra cima

Quando eles se voltaram pra mim fiz um sinal com a cabeça em direção às máquinas voadoras.

Continuamos nosso trajeto até chegarmos onde muitas pessoas gritavam que queriam entrar. Naquele momento percebi que Thomas só podia estar maluco, se nem as pessoas que vivem por aqui conseguiram entrar na “Cidade Perfeita” como ele esperava que entrássemos para resgatar Minho?!

— É isso. É a nossa entrada. – disse o gênio

— Claro, seremos recebidos de bom grado pelo CRUEL com um buquê de flores e chocolates. Bela ideia Thomas. – sussurrei para mim mesma

Thomas foi rapidamente avançando, Jorge foi atrás dele dizendo exatamente o que eu pensava, mas duvidava que ele mudasse de ideia.

— Vamos gente, se apressem antes que fiquemos muito distantes uns dos outros.

Fiquei por último com as mãos nas costas de Newt e Caçarola, estava sentindo algo estranho, como se estivesse sendo observada, olhei para todos os lados cautelosamente, não muito distante de nós estavam alguns homens de máscaras, como os que vi na van. Um andava a não muitos passos distantes atrás de nós, outros dois a nossa esquerda, estavam armados, algo estava errado.

— Newt, não olhe agora, mas temos três caras nos seguindo, um por trás e dois pela direita, sinto que algo de muito ruim vai acontecer temos que sair daqui agora. – enquanto falava eu continuava olhando para frente e andando rápido

Assim que conseguimos alcançar Thomas e Jorge Newt os avisou.

— Ei, temos que ir agora! Vejam.

Quando nos viramos vimos que os homens estavam cada vez mais perto e agora eu tinha certeza que nós éramos o alvo. Jorge tirou seu revólver, mas antes que fizesse alguma coisa um barulho alto vindo da cidade fez com que a multidão ficasse quieta. Dos muros, máquinas se ergueram, mirando a área a sua frente, era óbvio o que estava por vir, as pessoas começaram a correr.

— Vamos embora agora! – gritei

Nesse momento, os tiros começaram.

— Corram! – gritei

Peguei na mão de meu irmão e começamos a correr, vários tiros quase nos acertaram, por milímetros não perdi a cabeça, assim que achamos o caminho por onde tínhamos vindo empurrei Newt para que ele continuasse correndo e esperei que os outros passassem para confirmar que não deixaria ninguém para trás.

Segui Thomas e Brenda, porém Thomas trombou com um dos caras que nos espionava antes, este o colocou dentro de uma van, o mesmo aconteceu com Brenda e comigo, mas fomos em vans separadas. Eu estava com Jorge e Caçarola, fiquei desesperada, onde estaria Newt? Será que foi colocado com Thomas e Brenda? Ou teria conseguido escapar?

Autora P.O.V.:

— Para onde estão nos levando? – perguntou Kathy para ninguém específico

Nenhum deles respondeu.

— Sabem se na outra van está um garoto alto, loiro...

— Nada de perguntas garotinha. – disse um deles de forma arrogante – Sua única função agora é ficar calada.

Seu sangue ferveu.

— Me diga onde ele está. – falou autoritária

— É melhor calar a boca antes eu mesmo faça isso com você.

Caçarola arregalou os olhos, ele sabia o que estava por vir, ninguém falava assim com Katherine e saia inteiro.

A van onde se encontrava Thomas, Brenda e Newt chegou primeiro, assim que saíram de lá o outro veículo chegou cantando pneu, quando parou ouviram grunhidos e o carro se remexia.

— Repita o que disse! – um grito abafado veio de lá de dentro

A porta se abriu com um homem sendo jogado para fora, em seguida veio Katherine, ela pulou em cima do homem e começou a socá-lo.

— Vou te ensinar a como falar com as pessoas, da próxima vez que eu fizer uma pergunta certifique-se de respondê-la!

Não era só ela que usava os punhos, Jorge também batia em outro mascarado perguntando sobre Brenda.

Tudo isso aconteceu em poucos segundos, mais caras armados foram para cima deles, apontavam as armas para todos, Newt e Brenda foram rapidamente evitar mais estragos acalmando suas feras.

— Pare com isso, seremos fuzilados!

Assim que ouviu a voz do irmão Kathy deixou o corpo do homem desacordado no chão e mais que rapidamente pegou Newt num abraço apertado.

— Todos se acalmem. – disse o que parecia ser o líder – Estamos do mesmo lado aqui.

— Como assim mesmo lado? – disse Katherine se aproximando dele – Quem vocês pensam que são para nos colocarem ali dentro e nos trazerem até aqui?!

Por alguns segundos tudo ficou em silêncio, somente as respirações eram ouvidas, então, o estranho começou a tirar a máscara lentamente, assim que o fez deixou-a cair no chão, o garoto olhou diretamente em seus olhos.

— Oi Kit Kat.

Katherine parou de respirar, era ele, o garoto que amou, o mesmo que viu morrer, o mesmo que viu matar Chuck. Seus pensamentos foram interrompidos por Thomas que correu em direção a Gally e lhe deu um soco, os dois caíram no chão, mas antes que Thomas continuasse o que estava fazendo Newt interveio segurando seu braço.

— Pare com isso. – disse a Thomas

Somente naquele momento Katherine voltou a raciocinar e soltou o ar que nem tinha reparado que estava segurando. Aproximou-se dos garotos no chão.

— Ele matou o Chuck.

— É, eu sei, eu me lembro. – disse Newt – Estava lá com você, mas também me lembro que ele tinha sido picado e estava enlouquecido.

Kathy abaixou-se e colocou a mão no ombro de Thomas, olhou para ele quase suplicando.

— Thomas. – sua voz era muito baixa – Por favor.

Thomas a encarou por alguns segundos, olhou para Gally novamente e saiu de cima dele.

Gally já de pé passava a mão por seu maxilar para aliviar a dor do soco.

— Já esperava por isso. – disse ele – Mais alguém? Caçarola? Newt? Katherine?

Seus olhares se encontraram mais uma vez.

— Esse é o garoto de que me falou? – perguntou Brenda baixinho

Kathy não disse nada, só concordou com a cabeça.

— Como? – Newt chamou a atenção de Gally novamente – Como é possível? Nós te vimos morrer.

— Não, vocês me deixaram para morrer.

Katherine não poderia sustentar o olhar dele agora, sentia-se culpada e continuou a fitar o chão.

— Se não tivéssemos achado vocês, estariam mortos agora.

Gally também parecia desconfortável com aqueles olhares para ele.

— O que diabos estão fazendo aqui? – disse soltando um suspiro

— Minho. – disse Newt finalmente – O CRUEL está com ele. Estamos tentando achar um jeito de entrar.

— Posso ajudar com isso. Sigam-me. – disse já se virando e andando

— Não vou a lugar nenhum com você. – disse Thomas

— Fique à vontade. Mas posso coloca-los lá dentro.

Gally ficou esperando uma resposta, encarou Newt e em seguida encarou Kathy. A garota já tinha voltado a raciocinar, essa poderia ser a última chance deles, agora teria que fazer Thomas raciocinar.

Ela virou-se para ele e sussurrou:

— Temos que segui-lo.

— Não precisamos dele, podemos tirar Minho de lá sozinhos. – sussurrou de volta

— Sabe que isso não é verdade. Não sabemos quanto tempo mais ele tem, não sabemos o que o CRUEL tem feito com ele, quanto mais rápido o tirarmos de lá mais chances de o encontrarmos vivo.

Thomas olhou mais uma vez para Gally antes de olhar novamente para ela.

— Eu sei que ainda dói muito a perda do Chuck, também está doendo em mim, mas tudo isso foi culpa do CRUEL, e agora não é hora para ressentimentos, é hora de salvarmos o nosso amigo sarcástico.

Katherine deu um mínimo sorriso para incentivá-lo com o que Thomas assentiu com a cabeça.