Momentos Chave De Nossas Vidas
8 Capítulo 8
15 de janeiro de 2026
"Obrigada mesmo por ficar com as meninas hoje, San!" Rachel agradeceu, se despedindo da amiga, em frente à porta da casa dos Smythe.
"Eu já disse... é um prazer!" Santana assegurou. "Não só porque, quando as suas filhas tão aqui, as mulheres são maioria, como porque eu me divirto muito com a presença delas!" Sorriu. "A Lauren e a Brianna não se desgrudam! Nem parece que estudam juntas todos os dias. E a Aubrey fica toda enciumada, o que é engraçado, mas também acaba sendo muito fofo, porque, por mais que a Brie adore a Lau, ela nunca deixa a irmã de fora pra valer! Além disso, tem o Logan,que implica com as três, o tempo todo, principalmente com a Brie. E aí vem o Patrick e defende as meninas, sempre todo cheio de razão, como um bom irmão mais velho... e como qualquer Smythe, é claro!" Riu.
"Eu ainda acho que ficar com cinco crianças deve ser uma loucura! Pra mim, é sempre mais tranquilo porque, no máximo, eu fico com as quatro meninas... e é bem raro." Comentou, se referindo às suas duas filhas, à de Santana e à sobrinha Marie. "Se você preferir, eu posso..."
"Rach! Por favor, confia em mim! O Sebastian tá viajando... de novo..." Observou, descontente. "...e ficar com eles vai ser uma ótima distração. Curte sua noite com o Finn... e aproveita pra dizer a ele pra parar de mandar o meu marido pra longe." As duas riram.
"Eu vou indo, então." Rach disse, finalmente, abraçando a outra morena.
"Até amanhã... e eu vou querer saber de tudo!" A latina, por sua vez, avisou.
Há muito tempo Rachel não tinha uma noite inteira sozinha com o marido. Era super difícil, tendo filhas de dez e nove anos totalmente apaixonadas pelo pai. Porém, graças à ajuda de uma das melhores amigas de ambos, aquela noite seria somente deles, que tinham muita coisa para comemorar.
Após deixar a casa dos Smythe, Rachel liberou as empregadas da mansão para onde ela e Finn tinham se mudado havia algum tempo, e começou, ela mesma, a preparar não somente um dos pratos favoritos dele, como também uma das sobremesas. Com tudo bem encaminhado, tomou banho e colocou um vestido preto simples, mas que a fazia sentir-se bonita e sexy, e ficou lendo na sala de estar à espera do Sr. Hudson.
"Que cheiro bom é esse?" Ele perguntou, minutos depois, entrando no cômodo, antes de cumprimentá-la com um beijo rápido nos lábios. "É o que eu to pensando?"
"Uhum..." Ela respondeu, sorrindo, e puxando-o pela gravata para colar seus lábios de novo.
"Eu pensei que você quisesse aproveitar que as meninas foram pra Santana e sair pra comemorar num restaurante... Marston's talvez." Comentou.
"Eu prefiro aproveitar pra ficar com você... conversar em paz... relaxar, namorar." Respondeu, soltando a gravata dele, mas sorrindo sugestivamente.
"Por mim, tá perfeito!" Concordou, sorrindo de lado. "Jamais vou reclamar do seu ravióli de camarão, com molho de gorgonzola e nozes... e muito menos de passar um tempo curtindo você. Além disso..." Respirou fundo. "...eu confesso que preciso relaxar, porque o dia foi fantástico pra nós, mas bem exaustivo."
"Toma um banho, que eu vou dar os últimos toques, enquanto isso." Ela informou, já deixando o sofá.
"Okay." Ele lhe deu mais um beijo, enquanto afrouxava a gravata. "Eu ia me esquecendo... isso aqui é pra você." Desistiu de sair da sala e pegou uma sacola que havia colocado sobre a mesa, entregando-a à esposa.
"O que é?" Perguntou, ao mesmo tempo em que olhava. "Ué! Isso é na China... e você já me deu..."
"Não é um presente meu... infelizmente." Ele interrompeu, antecipando o raciocínio dela. "É dos chineses."
"E por que os chineses me mandariam um presente tão caro? E igualzinho aos que o meu marido me dá?" Questionou, confusa, enquanto ele se servia de uma dose de scotch.
"O presente caro é bem óbvio! O negócio que fizemos com eles é muito bom pra nós, mas é ótimo para eles também! Eles querem agradar." Lembrou-a da parceria com os orientais, que era justamente o motivo pelo qual o casal tinha decidido que merecia uma comemoração só deles naquela noite. "Quanto ao fato de eles terem mandado uma caixinha de música, isso aconteceu porque eu comentei, em uma das reuniões, com o Shu-How Lin, que eu sempre te dou caixinhas como essa, quando voltamos de viagens, e que eu queria ter te dado uma com o Templo Shaolin, ao voltarmos da China, mas meu joalheiro não tinha conseguido fazer um protótipo que me agradasse, e eu acabei te dando uma com a Muralha. Eu nem me toquei que ele tinha perguntado tantos detalhes sobre elas!"
"Meu Deus, meu amor! A gente precisa pensar num modo de agradecer!" Preocupou-se.
"Eu já encomendei uma joia para a Sra. Shu-How Lin." Sorriu, vaidoso. "Te vejo em uns dez minutos." Completou, saindo da sala, com sua bebida na mão, e indo tomar banho afinal, enquanto ela foi a seu closet e colocou a nova caixinha de música junto às demais.
Havia um número considerável delas, que correspondia aos muitos lugares do mundo que o casal tinha visitado junto. Todas se pareciam com aquela que ele enviara para ela depois da noite quase clandestina de amor que tinham compartilhado em Paris, muitos anos antes, e que, na época, haviam pensado ser a última. A caixinha nova só não tinha em comum com as demais uma canção que tivesse relação também com a viagem ou com algum momento especial desta, o que fez Rachel sorrir, lembrando-se de que uma das muitas coisas que amava em Finn era o fato de ele sempre dar atenção a detalhes que escapavam à maioria das pessoas.
O jantar estava delicioso e, depois dele, o casal aproveitou que aquela estava sendo uma das noites mais frias dos últimos tempos e ficou trocando carinhos e conversando próximo à lareira. Uma música ambiente tocava e eles falavam de seus trabalhos, dos amigos, das famílias e, principalmente, das duas princesas da casa, das quais os dois, mesmo felizes por estarem juntos, não deixavam de estar sentindo um pouco de falta.
"A professora da Brie disse que ela tá tendo um pouco de dificuldade com matemática. Você acha que seria o caso de contratar um professor particular?" Rachel perguntou, apreensiva.
"Talvez." O marido respondeu, tranquilo. "Mas talvez seja melhor tentar estudar com ela antes... conversar... pra que ela não se sinta pressionada, logo de cara."
"Você tem razão. Eu só não sou também muito boa em matemática." Riu.
"Nem eu, mas a gente pode dar uma olhada na matéria. Ela só tem dez anos, então talvez não seja uma parte muito complicada pra gente."
"Eu vou fazer isso... e também olhar as redações da Aubrey. A Srta. Wells disse que ela é ótima na gramática, mas objetiva demais. Ela acha que talvez seja necessário colocá-la numa atividade ligada às artes... algo pra exercitar o lado criativo."
"Elas são muito diferentes, não é? Nem parecem ser as duas uma combinação de nós dois!"
"Realmente! Elas são bem diferentes... principalmente no jeito, nos gostos, na personalidade. Maaaaas... são igualmente perfeitas!" Sorriu e ele fez o mesmo, concordando.
"E, graças a Deus, nunca nos deram problemas... sempre foram tranquilas. Isso elas tem em comum." Acrescentou.
"Sim, isso é verdade! Mas, mesmo assim... tranquilas ou não... nós somos pais e, semana que vem, temos duas reuniões pra ir na escola! E eu não sei como vai ser porque também é a semana da estreia do 'Vestindo a série' e eu vou estar toda enrolada." Rachel lembrou do novo programa da emissora que ela presidia, sobre os figurinos das séries de época de outros canais do grupo.
"Eu vou. Quais são os dias?"
"Terça e quarta... mas não vai ficar complicado pra você, amor?"
"Eu me viro!" Disse, sorrindo e acariciando o rosto dela, daquele conhecido jeito seu que fazia tudo parecer sempre muito simples.
"Quanto mais o tempo passa, mais eu tenho certeza de que eu não poderia mesmo ter um marido melhor! Além de você me amar como me ama... de me fazer sentir linda, sexy, especial, poderosa, todos os dias... ainda é um pai incrível! Eu nunca soube de um dos meus irmãos ou do Sebastian se oferecendo pra substituir as mulheres em nenhuma atividade relacionada às crianças... e o Blaine só vai à reunião de pais porque os filhos dele só tem pais!" Riu. "Eu tava esperando a hora em que a gente fosse dormir, pra te mostrar uma coisa... pra gente curtir mais um pouco um ao outro, mas... vem! Eu não quero esperar mais!" Ela se levantou e o puxou pela mão.
Os dois andaram um pouco e chegaram a um dos quartos da casa, que servia, até então, de quarto de hóspedes, onde Rachel parou. Sob o olhar confuso dele, ela abriu a porta e revelou um cômodo decorado de forma totalmente diferente da qual ele se lembrava, mas com objetos que ele sabia muito bem de onde tinham saído. Havia miniaturas de carrinhos, trenzinho e caminhões, e havia bolas, lego e videogame. As paredes tinham sido pintadas de azul claro e o berço, o trocador de fraldas, a poltrona e a cômoda, montados no ambiente, eram também dessa mesma cor.
"Um quarto de bebê? De... menino?" Finn perguntou, um pouco nervoso.
"Sim, meu amor. Um quarto de menino... do nosso menino."
"Mas, Rach..."
"Quando eu insisti tanto em comemorar hoje, eu não estava só me referindo ao contrato com os chineses, Finn. A gente tem outra coisa pra comemorar... a gente vai ter outro filho! A gente conseguiu... eu to grávida!" Contou, emocionada, e ele, depois de alguns segundos sem reação, a abraçou com força e começou a rir de pura felicidade, rodando com ela nos braços.
Durante muitos anos, o assunto filhos tinha sido um verdadeiro tabu entre eles. Como a segunda gravidez de Rachel tinha sido de risco, depois do nascimento de Aubrey Finn tinha decidido fingir que as duas filhas eram o suficiente para ele, pois não queria ver a mulher passar por nenhuma restrição de novo ou mais um filho seu chegar ao mundo fraco e precisando de cuidados especiais.
Rachel, contudo, sempre imaginara que o marido quisesse mais filhos e, especialmente, que ele quisesse um menino. Quando Kurt e Blaine adotaram Clive, ela pode ver em seus olhos o desejo e a dor que ele estava escondendo, mas ele ainda tentou negar. No entanto, Finn não pode mais esconder o que sentia quando, no meio da mudança para a casa nova, a Sra. Hudson encontrou algumas caixas com brinquedos e outros itens para garoto que ele guardava, desde sua própria infância, na esperança de passá-los a um filho.
Então tinham começado as inúmeras e longas conversas, algumas terminando até em discussões. Mesmo admitindo que queria ter tido outros filhos, Finn continuava se negando a deixar que Rachel parasse de tomar anticoncepcional, porque permanecia na sua cabeça a ideia de que ela poderia ter problemas de novo, e até piores, visto que, além de tudo, agora ela estava mais velha.
Rachel, por sua vez, não queria fazer nada às escondidas, e insistia no diálogo. Foi necessário não somente falar muito, como levar o teimoso pai de suas meninas a alguns especialistas para que, enfim, ele entendesse que a gravidez de risco tinha pouquíssima chance de se repetir, pois tinha acontecido por motivos específicos, que, no fundo, ele conhecia (o que talvez fosse até pior, porque ele se sentia culpado) e não por alguma característica de Rachel ou do casal.
Agora, meses depois, ali estavam eles, finalmente prestes a ter mais um bebê, e não poderiam estar mais felizes! Mas, mesmo assim, Finn ainda estava receoso com relação a uma coisa.
"Rach, meu amor, eu to MUITO feliz!" Ele disse, parando e olhando bem nos olhos dela. "Mas, ainda assim, esse quarto... eu não sei..."
"Nós tínhamos concordado que usaríamos as suas coisas pra decorar o quarto do nosso menininho, não?" Ela falava como se não fosse nada demais.
"Eu sei, mas... Rach, a gente não sabe se é um menino! Eu não quero que você se sinta pressionada... eu nunca quis. Se for outra menina, eu vou amar do mesmo jeito e..."
"Finn? Olha pra mim!" Pediu. "Não há mal nenhum em querer um menino... e eu não vou achar, por isso, que você ama menos as nossas princesas... ou que só vai amar esse aqui..." Disse, colocando a mão dele em seu ventre. "...se ele for um rapazinho. Eu montei esse quarto agora, mesmo sem saber, porque eu SINTO que vai ser menino... e também porque, se não for, eu sei que a gente vai ter amor pra ele E pra um menino. A gente não vai desmontar esse quarto."
"Como assim?" Ele ficou confuso.
"Eu decidi que, se tivermos um garoto, esse será o quarto dele... mas, se não sair um machinho da minha barriga, nós vamos adotar um! O que você acha?" O semblante dele não estava entregando nada, o que a deixou apreensiva, mas, então, depois da pergunta dela, ele sorriu amplamente e voltou a abraçá-la e a rodopiar com ela em seus braços.
"Eu acho que eu sou um cara muito mal acostumado, por você sempre ter a solução perfeita pra tudo, Sra. Hudson! Eu acho que eu sou abençoado por ter você, a Brie, a Aub e esse feijãozinho crescendo aqui na sua barriga! Eu acho... eu SEI que eu te amo por isso e por tudo... e que você faz florescer tanto amor em mim que eu poderia ter mais um time inteiro de filhos e teria muito amor pra todos eles!" Sorriu, genuinamente feliz com sua vida.
"Eu também te amo, Finn. Muito! E, já que o seu lado família tá aflorado, será que eu posso pedir uma coisa?" Ela perguntou, hesitante, com uma careta no rosto, e ele assentiu. "Vamos buscar as meninas? Eu to doida pra contar pra elas e cheia de saudades já. Acho que é meu instinto materno que já tá aumentando." Riu.
Ele esperava ter uma noite romântica e sensual com a esposa, quando chegou em casa, e os planos tinham mudado drasticamente. Entretanto, tinha sido a mudança drástica mais gostosa de todos os tempos! Eles fizeram amor naquela noite, mas só depois de dividir as boas novas com as meninas, que amaram a ideia de ter um irmão como se fossem ganhar um boneco especial, e de colocar as duas na cama.
Finn não queria nutrir esperança demais e nem diria nada a Rachel, para que ela não pensasse tê-lo decepcionado, no futuro, se ele estivesse errado. Mas a verdade é que, naquela noite, ele foi dormir com a sensação de que um Hudson varão viria ao mundo, e que seria uma linda miniatura dele!
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