Momentos Chave De Nossas Vidas
6 Capítulo 6
Notas iniciais
À Nat Finchel, em especial, eu quero deixar o meu OBRIGADA em letras garrafais e em neón piscando, porque ela SEMPRE me incentiva demais e recomendou meu "trabalho" mais uma vez!
Nat, queridona, UM BEIJO ENORME pra você!
E à Carol Dias eu agradeço a ótima ideia que ela me deu!! Valeu, Carolzinhaaaa!!
Boa leitura e espero que gostem da segunda parte do final de semana! =)
18 de Julho de 2032
"Eu vou lá. Eu preciso ir lá, ver a Brie... eu preciso falar com ela." Logan repetiu pela terceira vez, quase furando o chão do quarto de tanto andar de um lado para o outro, e mais uma vez foi impedido de sair do cômodo pelo corpo de Lauren, que se encostara na porta.
"Eu já disse, Logan! Você não vai sair daqui." Afirmou a irmã gêmea do rapaz, cruzando os braços em frente ao corpo, exatamente do jeito que a mãe deles fazia quando lhes dava ordens. "Se algum dos nossos pais pegar você no quarto da Brianna, você não acha que a situação vai ficar ainda mais feia pra vocês?"
"Ninguém vai aparecer a essa hora... e eu preciso saber como ela tá!" Ele respondeu, nervoso, enterrando as duas mãos em seus cabelos escuros, no alto da cabeça.
"A qualquer hora um dos adultos hospedados nessa casa pode ter vontade de beber água ou comer alguma coisa, ou... sei lá. Eu não vou deixar você arriscar." Ela afirmou, mesmo que já fossem quase três horas da manhã. Estava determinada a proteger o irmão, mais novo do que ela alguns minutos como ela gostava de lembrar, e também a melhor amiga. "Eu já te falei que eu passei por lá, quando eu fui pegar coca, e que ela tava bem! Ela tá preocupada, mas não tá mais chorando nem nada... e a Aubrey tá lá com ela..."
"O que uma pirralha que mal começou o ensino médio pode fazer pra ajudar os pombinhos arrulhantes, Lau?" Interrompeu Patrick, deitado em uma das duas camas do quarto que ele e Logan dividiam, sem tirar os olhos da tela de seu computador pessoal.
"A Aubrey pode ter só quinze anos..." Falou, como se tivesse muito mais do que isso, quando a diferença entre suas idades era de pouco mais de um ano. "...mas ela é irmã da Brie e ninguém conhece a Brie como ela... nem mesmo eu ou o Log. Ela sabe o que fazer pra distrair a minha amiga." Afirmou, revirando os olhos ao ver que o irmão mais velho sequer olhava na direção dela. "Ao contrário de você, Pat, que desde que chegou do estúdio com o papai e ficou sabendo de tudo, não parece muito preocupado em ajudar o nosso irmão."
"Vocês não vão brigar, né?" Logan perguntou, caindo derrotado em sua cama, mas era praticamente um pedido. O dia já tinha sido suficientemente estressante para que ele ainda fosse ter de lidar com praticamente uma mini-Santana e um mini-Sebastian se enfrentando.
"Você se engana, querida irmãzinha." Patrick deu um sorriso convencido que tinha puxado do pai, o que a fez levantar a sobrancelha, questionadora, como era típico dela e da mãe. "Desde que eu entrei nesse quarto, eu estava procurando uma coisa que eu acho que vai ser perfeita para tirar o foco do Log e da Brie e... eu acabei de achar." Afirmou, dando um sorriso triunfante.
"E o que seria esse verdadeiro milagre?" Foi o irmão quem perguntou, mas não muito confiante.
"Vem ver." O filho mais velho dos Smythe convidou os caçulas a olharem algo em seu laptop, e foi exatamente o que os três fizeram pelos próximos minutos.
"U-au! Parece que os adultos dessa casa tem uma coisinha ou outra pra nos explicar, hein?" Lauren observou, quando o último vídeo finalmente acabou.
"Como você sabia disso?" Logan franziu a testa, intrigado.
"Eu vi isso na sala de edição da GH, outro dia, por acaso... eles tavam selecionando coisas da carreira do nosso pai, pra fazer uma homenagem." Deu de ombros. "Mas o que importa é que a gente vai colocar isso pra todo mundo assistir, amanhã... e esse vai virar o assunto do final de semana, com toda certeza!"
"Não, cara. Não!" Log balançou a cabeça. "Se eu colocar essa parada pra todo mundo ver, é que o tio Finn vai me odiar! E não só ele... a tia Rachel, o tio Puck... não!"
"Relaxa!" Foi a vez de Lauren intervir. "Não vai ser você quem vai fazer isso... e ninguém sequer precisa saber que você sabia." Sorriu, espertamente.
Depois de fazer Patrick garantir que não deixaria Logan cometer a loucura de sair do quarto à procura de Brianna, Lauren foi para o quarto em que dormia, e entrou devagar, para não acordar Marie Puckerman, que devia estar no décimo quinto sono. Ao contrário dela, que estava indo dormir por pura falta de opção, a menina mais velha tinha sono cedo, porque acordava praticamente junto com o sol para treinar, mesmo que, em tese, estivessem todos de férias e descansando naquela mansão na praia.
Normalmente, Lauren teria acordado tarde, mas naquela manhã ela tinha uma missão, então se levantou junto com Marie e, logo que a loira saiu do banho, compartilhou com ela "seu" plano para ajudar Brianna e Logan. Não foi nada difícil fazer com que a filha mais velha de Noah e Quinn concordasse imediatamente, não só porque adorava a prima, mas porque ela mesma estava curiosa para ver os vídeos e saber o que os pais e tios teriam a dizer sobre eles. Ficou decidido que elas convidariam as três famílias para ir até a sala de TV, depois do almoço.
"Eu quero dormir, Lau! Eu vou trabalhar mais tarde." Sebastian reclamou, enquanto era empurrado pela morena, que tinha o jeito da mãe e seu tipo físico latino, e apenas os olhos claros dele.
"Pai, deixa de ser chato! Você nem vai pros estúdios hoje... vai gravar um luau praticamente aqui em frente!"
"Que filme foi esse que vocês pegaram, hein, filha?" Perguntou Quinn, sentando-se ao lado de Puck e colocando a mão no joelho do marido, enquanto ele olhava alguma coisa que o filho David lhe mostrava no celular. "Se for comédia romântica, é melhor liberar os homens... eles detestam e depois vão ficar dias falando do quanto nosso gosto é fútil." Riu.
"Eu não sei muito bem se é romântico, porque ainda não assisti, mãe. Mas eu não acho que ninguém vá achar a menor graça." Ironizou, misteriosa, mas a mãe não teve muito tempo de questioná-la.
Santana e Sebastian já estavam sentados juntos em um sofá, e Finn e Rachel em cadeiras dispostas uma ao lado da outra. Logan estava sentado no chão, de um lado da sala, e Brianna, Lauren e Aubrey espalhadas sobre almofadas, do outro. O casal de adolescentes trocava olhares, mas mantinha distância, porque seus pais ainda não tinham conversado com eles e, até segunda ordem, estavam de castigo em seus quartos. Só estavam na sala naquele momento porque Finn tinha pensado que a exibição era justamente um meio de, com todos distraídos, os dois se encontrarem, e preferira ter a filha sob seu atento olhar.
Marie mexeu em seu computador, já conectado à grande TV, e sentou-se ao lado dos dois filhos homens de Santana, assim que Patrick voltou da área dos quartos, aonde tinha ido colocar Derek para dormir. Marie e ele tinham conversado e concluído que o filho temporão dos Hudson não tinha idade para saber de certas coisas ainda, muito menos do jeito como eles tinham ficado sabendo e os demais jovens presentes saberiam.
Alguns vídeos curtos, hospedados em um site especializado da Internet, começaram a ser exibidos, e logo foram identificados por todos os adultos que ali se encontravam. Eram velhas cenas do programa de TV que tinha sido responsável por mudar a vida de todos eles, mas que, ao mesmo tempo, nunca tinha sido mencionado aos filhos, por serem as relações propostas dentro do reality muito contrastantes com as relações que aquelas pessoas tinham no presente.
Como Finn e Quinn teriam explicado a seus filhos, primos de sangue por parte de Noah e Rachel, que eles um dia tinham trocado o beijo que eles agora, infelizmente, estavam tendo o desprazer de ver na tela? Como ele, Santana e Quinn explicariam que, antes de se tornarem amigas de Rachel, as duas mulheres tinham tentado se casar com o marido dela?
E não era estranho só para eles, que tinham participado da atração televisiva. Era desconfortável também para Rachel, apesar de as finalistas do programa terem se tornado suas irmãs de coração, ou talvez justamente por isso. Era esquisito para Sebastian, que tinha se envolvido com a esposa ainda durante as gravações, mesmo que isso tivesse sido superado por Finn com grande facilidade. Era melhor ignorar, na humilde opinião de Puck, porque trazia lembranças do tempo em que ele guardava o segredo que fez a irmã passar por momentos que poderiam ter sido evitados.
Por todas essas razões, tinha parecido muito natural não tocar no assunto, o que hoje parecia, obviamente, um grande erro, uma vez que as imagens falavam por si, nítidas, fortes, vibrantes, coloridas. Tirando os olhos da tela, eles observavam os filhos, que traziam nos semblantes surpresa, confusão, horror, dúvida, decepção. Se é que é possível ler tantas coisas no rosto de pessoas, mas eles eram pais e os conheciam bem, então devia ser possível, sim.
"Então, quem vai começar a falar?" Perguntou Marie, genuinamente chateada, ainda que não tivesse sido uma surpresa o conteúdo do vídeo, que lhe tinha sido narrado por Lauren. "Quem vai me dizer por que eu tive que saber pela Lau que a minha mãe já beijou o tio Finn?"
"Filha, isso foi há muito tempo!" Quinn respondeu, nervosa, acariciando o braço de sua primogênita.
"É... foi quase numa outra era, filha." Completou o pai.
"Vocês disseram que tinham se conhecido numa luta!" David protestou.
"E foi, meu amor!" A mãe acariciou seu rosto. "Eu conheci seu pai sem saber que ele tinha qualquer relação com a sua tia Rachel e, consequentemente, com o seu tio Finn."
"O programa já tinha acabado." Rachel se envolveu na conversa. "O Finn não escolheu nenhuma das duas..."
"Vocês sempre falaram pra gente que vocês se conheceram bem novos! Que vocês se amaram a vida inteira." Brianna interrompeu, chorosa, olhando para o pai.
"E agora a gente vê que você fez um programa pra arrumar uma noiva, pai?" Aubrey questionou, indignada.
Nesse momento, todos os filhos resolveram falar ao mesmo tempo e os pais tentavam contar as suas versões da história, enquanto Finn ia ficando cada vez mais nervoso e irritado porque, não bastasse o fato de aquela verdade um tanto quanto embaraçosa ter vindo a tona de repente, ele não era inocente e sabia que aquilo não tinha surgido de uma hora para a outra sem nenhum propósito. Não podia ser uma simples coincidência!
"Parem!" Hudson pediu, em vão. "PAREM! PELO AMOR DE DEUS, PAREM!" Ele, enfim, gritou e conseguiu que todos ficassem em silêncio. "Eu to entendendo o que vocês tão tentando fazer aqui, mocinha!" Disse, se colocando em frente a Brie e fazendo com que ela olhasse nos olhos dele. "Vocês querem desviar o foco pra nós e tirá-lo de você e do Logan... mas isso não vai tirar você do castigo. A gente sempre confiou em você e..."
"Confiar?" Ela questionou, não irritada como ele, mas triste, o que o quebrou mais do que se ela tivesse gritado ou algo assim. "Vocês não contaram a verdade pra gente, sobre a nossa família, pai... e você fala sobre confiar?"
"A gente pode ter errado, mas um erro não justifica o outro e trazer o nosso pra esquecermos o de vocês não é a maneira certa de resolver as coisas, Brianna!"
"Você acha que eu armei isso, pai?" Ela disse, ofendida.
"Foi armação, sim, tio. Mas não foi da Brie... fui eu que tive a ideia de tentar mudar o foco. Eu não achei que ia ser esse drama todo... achei que seria engraçado." Patrick confessou, sincero, entortando os lábios em uma careta. Ele realmente não achou que ninguém sofreria tanto com algo tão antigo e muito menos imaginou que poderia prejudicar ainda mais Brie. Jamais a deixaria levar a culpa!
"A única coisa que eu queria, hoje, era conversar com você, pai... pedir desculpas pela imprudência da gente. Eu nunca usaria uma coisa dessas pra tentar te fazer esquecer." Uma lágrima escorreu pelo rosto de Brianna e Finn respirou profundamente, sentindo-se derrotado.
"Meu amor... me desculpa." Ele disse, secando a maçã do rosto dela e abraçando a garota. "Me desculpa, Brie." Ele quebrou o abraço para olhar nos olhos dela. "Eu só estou preocupado com você... eu sou seu pai!"
Finn sentou Brie na cadeira antes ocupada por Rachel e sentou-se de frente para ela, enquanto quem havia se levantado no meio da exaltação geral, e ainda estava de pé, se acomodava outra vez pela sala. Ninguém conversava, no entanto, pois todos estavam interessados naquele diálogo tão importante entre pai e filha.
"Brie, eu conversei com a sua mãe... e ela me falou que você e Log estão namorando." A menina balançou a cabeça, afirmativamente, e Logan fez o mesmo, quando Finn olhou por segundos em sua direção. "Eu e sua mãe não poderíamos querer um namorado melhor pra você e... eu também não vou fingir que tinha qualquer esperança de que você fosse virgem ainda." Esta poderia ser uma conversa embaraçosa, mas depois que o casal tinha sido flagrado quase nu na praia e todos ali sabiam, nenhum dos envolvidos se sentiu desconfortável. "E, se eu tivesse alguma, ela teria terminado umas semanas atrás, quando a sua mãe colocou o nome do seu anticoncepcional na lista das comprar que ela me pediu pra fazer." Riu e todos deram risinhos em volta dele. "Só que vocês tem que ser cuidadosos, Brie. Nossa família é visada... e eu não quero ver fotos ou até um vídeo seu, em um momento de intimidade com o seu namorado, circulando por aí!"
"Eu também não, pai. Me desculpa!" Pediu e os dois se abraçaram e Finn teve que se segurar para não chorar na frente de todos.
"Você não tá mais de castigo no quarto." Ele disse, vendo a menina abrir um enorme sorriso. "Maaaas... vocês dois só saem juntos da casa acompanhados de mais alguém. É melhor prevenir!" Riu, e o casal não protestou, porque sabia que tinha muita sorte só de poder ficar junto dentro da casa. A maior parte dos pais, mesmo em pleno ano de 2032, os deixaria de castigo de verdade, mesmo que só para mostrar autoridade.
"Eu ainda quero saber o que aconteceu com aquele conto de fadas todo de vocês!" Aubrey disse, colocando as mãos na cintura. "Se vocês se conheceram praticamente crianças, o que diabos o meu pai tava fazendo num programa pra arrumar alguém?"
Finn e Rachel se entreolharam e começaram a contar toda a história, para toda a grande família que os Hudson, Puckerman e Smythe formavam, apesar de Santana ter questionado se os dois não queriam ficar a sós com as meninas. Eles não tinham nada a esconder dos demais, pois até havia momentos tristes a serem narrados, mas estes os tinham levado até ali, e eles não tinham motivo para se envergonhar ou resentir de nada.
Nenhum detalhe ficou de fora, porque, mesmo que não tenha sido apresentado de imediato, acabou surgindo depois, uma vez que eles passaram o resto do dia reunidos e, no final, estavam até rindo de algumas coisas e revendo juntos cenas de A chave para o coração.
"Agora eu entendo por que a mamãe ficou tantos anos sem falar com a vovó... e a gente demorou tanto a conhecê-la." Aubrey comentou, se deitando e puxando o edredom sobre si, horas depois, quando foi dado o "toque de recolher".
"É... a vovó mandou super mal mesmo." Brianna lamentou, pensativa. "A mamãe e o papai sofreram pra caramba, né?" Ela também se aninhou nas cobertas e apagou o abajur.
"É." A irmã mais nova concordou e as duas suspiraram, em sincronia. "Mas quer saber?" Fez uma pausa de efeito. "Eu agora to achando a história deles ainda mais bonita!"
Mesmo sem ver o rosto uma da outra, naquela noite as duas irmãs, de temperamentos normalmente tão diferentes, estavam sorrindo como duas bobas, antes de fechar os olhos e sonhar com as suas próprias versões de conto de fadas moderno.
Notas finais
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