Notas iniciais
Oiiiiii... saudades dessa fic? Eu tava!! =) Espero que apreciem o capítulo...

21 de setembro de 2041

Rachel já acordara havia alguns minutos, mas não tinha nada importante para fazer, durante aquele sábado, e ficar embaixo dos lençóis, ao lado de um Finn ainda adormecido, lhe pareceu bem mais convidativo do que se levantar. Abriu os olhos apenas ao escutar alguns passos dentro do quarto, além de risinhos baixos, e sorriu, sentando-se, ao ver quem tinha entrado no cômodo. Imediatamente cutucou o marido, que esfregou os olhos, confuso, até ver os filhos reunidos ao pé da cama, e espelhar o semblante feliz de sua esposa.

"Aconteceu alguma coisa?" A mulher perguntou, de repente se dando conta de que as filhas não tinham avisado que os visitariam naquela manhã.

"Não! A gente precisa estar com algum problema pra vir almoçar com nossos pais?" Questionou Aubrey, fingindo estar ofendida, enquanto abraçava a mãe e beijava seu rosto.

"Claro que não. Eu só fiquei preocupada." Afirmou, devolvendo o carinho.

"Antigamente, éramos nós que tirávamos vocês da cama no começo da tarde!" Observou Brianna, que já tinha abraçado e beijado o pai, e então subiu na cama, sentando-se entre ele e a mãe.

"Eles chegaram depois de mim!" Observou Derek, que se enfiou entre as pernas da irmã mais velha, enquanto a do meio escolheu ocupar o colo do pai, como se fosse uma menininha, e não uma mulher feita, de quase vinte e cinco anos.

"Ei, rapaz!" Finn chamou a atenção do garoto, atingindo-o com um soco fraco no ombro. "Você nem saiu das fraldas e já acha que pode tomar conta da gente, é?"

"Eu já tenho quinze!" Retorquiu, como se tal número fizesse dele um adulto.

"Nós fomos àquela festa sobre a qual eu falei semana passada." Rachel explicou. "Com a Santana lá, acabamos não conseguindo sair cedo, como a gente queria."

"O que é ótimo, mãe! Vocês só tem trabalhado!"

"Foi o que eu disse pra ela." Finn concordou. "Aliás, vocês podem aproveitar e me ajudar a convencê-la a fazer uma viagem, mês que vem."

"Eu não posso e você sabe disso." Rachel bufou.

"Você pode delegar funções, Rach! Eu mesmo delego!"

"Essa briga, não, gente." Aubrey revirou os olhos.

"É. Nada de discutir!" Ecoou Brie. "A gente vai esperar vocês na cozinha, e é bom não demorarem muito, senão a gente come sem vocês." Riu, empurrando de leve o irmão, para poder sair da cama.

Minutos depois, os cinco estavam à mesa, conversando animadamente, como muitas vezes fizeram, antes de as meninas irem para faculdades fora de Los Angeles, e se mudarem para repúblicas de estudantes. Depois da formatura, elas tinham voltado à cidade, mas Aubrey optara por dividir apartamento com duas amigas, e Brianna ficara apenas alguns meses em seu antigo quarto, enquanto cuidava dos preparativos para seu casamento com Logan Smythe. Em pouco tempo, seria a vez de Derek deixar o ninho, mas Rachel evitava falar sobre o assunto.

"Família linda do meu coração, eu tenho uma coisa importante pra contar." Brie informou, quando eles se acomodaram na sala de TV, depois do almoço.

"Eu sabia que tinha alguma coisa." Rachel sacudiu a cabeça, criticamente.

"Eu só fui convidada pra vir aqui, fazer uma surpresa, mãe." Aubrey se defendeu, levantando as mãos, como quem se rende.

"É verdade, mãe. Eu só falei pra Aubrey que tava com saudades de passar um tempo com vocês. E não era mentira! MAAAAS..." Disse, de um jeito quase cantado, fazendo suspense. "...eu queria contar pra todos vocês juntos que eu vou ter um bebê." Completou, abrindo um sorriso enorme.

"Filha!" Finn foi o primeiro a alcançá-la, demonstrando o quanto estava feliz com um forte abraço. "O Logan devia ter vindo com você pra gente comemorar."

"Você já foi ao médico, meu amor? Tá tudo bem? Ele disse quando você tem que fazer a primeira ultra... falou alguma coisa sobre a sua alimentação?" Rachel começou a falar sem parar, enquanto acariciava o rosto da filha, que controlava o riso. "Você tem que comer melhor. Eu sei que você prefere não comer carne, mas..."

"Mãe, que "nóia"!" O filho adolescente censurou.

"É, mãe, pelo amor de Deus! Será que dá pra deixar a gente dar um abraço nela?" Aubrey entrou no meio das duas. "Parece que eu fiquei oficialmente pra titia, hum?" Brincou, apertando a irmã, que, apesar de ser muito diferente dela, sempre seria sua melhor amiga.

"Quem vão ser os padrinhos?" Indagou o irmão da futura mamãe, ao levantá-la do chão com cuidado, como gostava de fazer, somente porque podia. Mesmo dez anos mais novo, havia alguns anos que ele tinha ficado mais alto que as irmãs e tirava proveito disso.

"A gente ainda não escolheu, mas já decidimos que não vai ser ninguém da família. Não dá pra gente escolher entre vocês dois, e a Lauren e o Patrick."

"Seu primo David adora crianças." A mãe sugeriu, puxando-a pela mão para que ocupasse o lugar ao lado dela no sofá.

"E dar ao Logan a chance de escolher uma das amigas dele, mãe?" Fez todos rirem, por saberem que, mesmo sem razão alguma, ela tinha bastantes ciúmes do marido.

"E o médico?" A Sra. Hudson voltou a externar suas preocupações, e Finn convidou os outros filhos para irem ao escritório que tinha na mansão, a fim de dar opinião sobre um piloto de série que ele tinha recebido, deixando as duas mulheres terem uma conversa de mãe e filha.

Durante boa parte da tarde, Finn matou as saudades de Aubrey, que sempre foi mais próxima dele que Brianna, por amar esportes, bandas de rock e filmes de ação, enquanto a irmã era mais companheira da mãe, com quem dividia o gosto por moda, romances e belas artes. Rachel deu à filha todas as dicas que não chegou a receber da própria mãe, quando ficou grávida pela primeira vez, e acabou convencendo todo mundo a terminar o dia no shopping, fazendo as primeiras compras para o neto, que incluíram um sapatinho vermelho, presente que simboliza proteção e o desejo de boa sorte, saúde e felicidade para o
resto da vida.

Finn estava deitado na cama, lendo um livro novo, quando ouviu Rachel suspirar, sentada no banquinho que ficava de frente para uma penteadeira antiga linda que eles tinham comprado em uma viagem à Itália. Observou o rosto dela refletivo no espelho e achou que ela não parecia mais tão animada quanto estava até o jantar compartilhado com os filhos, o genro, e a família dele, com quem tinham se encontrado para uma rápida celebração.

"Cansada?" Perguntou, colocando o livro e os óculos de leitura de lado.

"Um pouco. O dia foi bem cheio hoje." A morena parou de escovar o cabelo, apagou a luz do cômodo e andou até a cama, acomodando-se sob as cobertas.

"Mas não é só isso, certo?" Perguntou, desconfiado.

"O seu problema é me conhecer demais e sempre querer saber o que há comigo, quando eu só quero deitar a cabeça no travesseiro, e esperar o dia seguinte chegar e as coisas melhorarem." Reclamou, apagando a luz do abajur que ficava em sua cabeceira e deixando o quarto quase totalmente escuro, não fosse pelo dele ainda aceso.

"Nossa, Rachel! Que palavras dramáticas, depois de um dia que eu pensava ter sido feliz."

"E foi, Finn! Eu to muito feliz pela nossa filha."

"Mas...?"

"Mas... saber que eu vou ser avó me fez constatar que eu to ficando velha. Nós estamos!"

"Ah, é isso." Ele relaxou, mas ela não gostou do pequeno sorriso que surgiu no rosto dele.

"Era por isso que eu não queria conversar, Finn. Eu sabia que você ia achar ridículo."

"Não, amor. Eu não acho ridículo." Ele assegurou, virando-se na cama e tomando as mãos dela nas suas. "Eu fiquei aliviado que seja isso, porque achei que pudesse estar acontecendo algo com a Brie, que você estivesse relutante em me contar. Mas não, eu não acho ridículo. Eu sei que é muito difícil, pra maioria das pessoas, envelhecer."

"Eu me lembro, como tivesse acontecido ontem, da garota espevitada que eu era, indo pro seu quarto às escondidas, no meio da noite. Agora, nem a nossa Brie é pega em flagrante com o namorado mais! Qualquer dia, é o filho dela que a gente vai ter que ensinar a nunca deixar de usar preservativo!"

"Ei, ei!" Riu. "Deixa de ser exagerada! Ela nem tem uma barriga ainda, Rach!"

"O tempo passa muito rápido." Lamentou.

"É verdade! A vida é muito curta! É justamente por isso que você precisa ser menos dramática, a essa altura do campeonato, babe. Você já deveria saber que a vida é muito curta, pra você ser tão séria."

"Mas o que eu posso fazer? Eu já to vendo pequenas rugas surgindo no meu rosto, a pele ficando flácida... eu não sou mais aquela mulher linda e segura, que colocava um vestido ou uma camisola, e conseguia o que quisesse de você, te provocando! Agora, eu vou ser avó e isso não é NADA sexy."

"Isso, sim, é ridículo." Declarou e a viu olhá-lo, indignada. "Eu continuo te achando sexy demais, e não vai ser um neto, que também é meu, gritando 'vovó' pela casa que vai me fazer te desejar menos, ok?"

"Você jura?" Ela implorou confirmação, acariciando o rosto dele.

"Eu juro! Eu também não sou mais aquele cara de trinta, trinta e poucos, que às vezes não precisava nem de descanso e já tava pronto pra uma segunda, ou uma terceira rodada, mas eu continuo querendo você como eu sempre quis. E se, um dia, fisicamente, as coisas ficarem mais difíceis, eu vou procurar um médico, tomar um remédio, e eu vou ter prazer com você! Com a mulher da minha vida... a mulher mais linda de todas pra mim, com ou sem rugas no rosto."

"Eu te amo demais, Finn! Você sempre acaba dizendo as coisas mais perfeitas, mesmo que eu me esqueça disso, toda vez que eu to chateada com alguma coisa."

"É porque eu conheço e amo você." Sorriu, beijando os lábios dela. "Mas eu tenho mais uma coisa pra dizer." Falou sério.

"O que houve?"

"Eu não desisti daquela viagem! Se você tá achando que o tempo tá correndo, que a gente tá envelhecendo, é mais uma razão pra gente não ficar preso no trabalho e curtir a vida."

"Você acha mesmo que eu devo delegar todo o meu trabalho? Eu tenho medo que..."

'Babe? Eu sou presidente do grupo todo e delego meu trabalho. Vai dar tudo certo!" Ratificou e ela o olhou hesitante por um tempo.

"Eu topo, mas só se a gente for à França."

"Nós sempre teremos Paris." Brincou, fazendo menção ao bilhete deixado por ela, depois daquela noite de tantos anos antes que era referência eterna do reencontro que a vida, felizmente, lhes tinha proporcionado.

"Sempre!" Ela sorriu, genuinamente feliz e certa de que, ao lado dele, poderia ver os anos passarem sem ficar realmente velha.

Eles se amaram naquela noite e, mesmo que tenha sido apenas uma vez, foi com a intensidade que só a cumplicidade adquirida depois daqueles muitos anos juntos, construindo uma família linda, que agora ia aumentar ainda mais, poderiam ter lhes trazido.