Notas iniciais
Finalmente atualizando Momentos, pela qual eu tenho tanto xodó!! =) Espero que gostem... Bjs!!!!

5 de novembro de 2015

Rachel fechou a porta do apartamento e tirou os sapatos apertados de seus pés inchados, antes de caminhar para o quarto, com eles nas mãos. Adorava seus jantares mensais só para mulheres, com Mercedes, Santana e Quinn, mas talvez fosse hora de escolherem restaurantes menos sofisticados, para que ela pudesse substituir saltos altos por sapatilhas e sandálias rasteiras. Além do inchaço nas extremidades, havia o peso da barriga de quase sete meses, e, dentro de pouco tempo, ela ia ter que empurrar um carrinho de bebê e carregar uma bolsa a mais, cheia de fraldas, mamadeira e outras coisas infantis, como faziam as amigas, quando não queriam deixar as crianças com os maridos ou as babás.

Tudo estava absolutamente silencioso e ela chegou a pensar que Finn pudesse já ter adormecido, até ver a luz da suíte dos dois acesa. Encontrou-o deitado na cama, mas não envolvido pelas cobertas macias, apesar de estar fazendo um certo frio em Los Angeles. Sobre suas pernas e em volta dele, havia uns dez livros, a maioria deles abertos, parecendo já ter sido consultados, enquanto ele lia atentamente o que estava em suas mãos, com uma capa rosa pink e o título, Uma princesa a caminho, escrito em lilás.

“Cheguei, meu amor.” Ela disse, chamando a atenção dele, enquanto largava os sapatos em um canto.

“Oi, meu amor. Como é que foi lá?” Indagou, sempre mostrando interesse em tudo o que dizia respeito a ela.

“Foi legal.” Respondeu, se aproximando e dando um beijo rápido nos lábios dele. Não parecia, no entanto, tão animada, e ele demonstrou ter percebido. “Talvez a gente devesse ter adiado, já que nos vimos ontem mesmo, e eu to super cansada.” Explicou, indo para o banheiro em seguida.

“A Santana faz falta também, né?” Perguntou, mantendo um diálogo, ainda que seus olhos tenham voltado a percorrer as páginas do livro.

“É verdade.” Concordou. “Nós vamos lá amanhã mesmo?” Perguntou, tirando a maquiagem. No dia anterior, durante uma reunião no apartamento deles, com todos os outros amigos presentes, eles haviam combinado de visitar a garota e seu casal de gêmeos recém-nascidos, que não estavam saindo de casa ainda.

“Aham.” Ele devolveu, sucinto. Queria muito visitar os Smythe, mas também queria absorver a maior quantidade de informações possível sobre o assunto mais importante do momento para ele. A esposa terminou de se preparar para dormir e voltou ao quarto em silêncio, se aproximando da cama e examinando cada publicação, curiosa.

“Como ser pai de uma garota... O que ninguém nunca te falou sobre meninas... A diferença entre meninas e meninos... A menina dos seus olhos... Finn! Pra que tudo isso?” Ela arregalou os olhos, vendo que os outros livros também tratavam do mesmo tópico.

“Eu preciso saber como agir, Rach. Ela já tá pra chegar e eu não sei nem por onde começar com uma menininha!”

“Uma bebê menina requer os mesmos cuidados que um menino, amor.” Afirmou, afastando alguns livros, para se deitar ao lado do marido. “Você vai trocar fraldas, dar banho, colocar pra dormir. Se chorar e não for fome, sono ou fralda por trocar, pode ser cólica ou uma manhazinha. Se eu parar de amamentar cedo, você também pode me ajudar com mamadeiras, mas é basicamente isso.”

“Os especialistas não parecem pensar assim, ou não haveria tantos livros, hum?” Ele discordou.

“Ok, ok...” Ela aceitou que até poderia haver algumas diferenças entre meninos e meninas. “Mas precisava comprar TODOS os livros sobre o assunto? Não vai dar nem tempo de ler!”

“Eu não sabia quais eram os melhores, e todos eles devem ter alguma coisa que os outros não tem.” Deu de ombros. “Eu posso pedir pros meus assistentes lerem e fazerem anotações.”

“Você tá exagerando, Finn. Como eu, quando não conseguíamos saber o sexo da bebê, ou quando encontrava alguém que comparava detalhes da minha gravidez com as de outras pessoas.” Observou. “Você mesmo tentou me fazer ver que eu tava surtando à toa, e sabe melhor que ninguém que, se eu tivesse te dado ouvidos logo, tinha sido poupada de muito estresse.”

Rachel estava surpresa! Tinha percebido que Finn ficara distraído, pensativo e até um pouco isolado dos demais, durante a reunião na cobertura deles, na noite anterior, mas não chegara a se preocupar e imaginara que a razão por trás do comportamento dele era apenas cansaço, exatamente como ele tinha afirmado ao ser questionado.

Ela tinha feito uma surpresa, para revelar o sexo do primeiro filho deles de uma maneira emocionante, uma vez que no dia da ultrassonografia em que, finalmente, o bebê tinha resolvido mostrar-se melhor, Finn não pudera estar presente, em razão de uma viagem de negócios. Comprara algumas plaquinhas, metade azuis e metade rosa, para que as pessoas dessem seus palpites, e um bolo branco por fora que, cortado, revelaria uma massa e um recheio pink. Não imaginara que a notícia o deixaria preocupado, pois ele sempre dissera que amaria o filho, fosse menino ou menina, e que apenas torcia para que este nascesse cheio de saúde.

Finn não estava mentindo sobre isso, mas, quando retirou a primeira fatia do bolo junto com a esposa, ele foi atingido pela realidade indicada pela cor da anilina usada pelo confeiteiro, e imediatamente começou a pensar nas implicações de criar uma menininha, de ser responsável por cuidar dela, educar, proteger e amar. Ela já era a pessoa mais importante de sua vida e ele tinha um medo imenso de decepcioná-la!

“Pra você vai ser mais fácil, Rach.” Avaliou, finalmente fechando os livros e empilhando todos no chão ao lado da cama. “Você vai levá-la com você pra fazer compras, e vocês vão dividir a paixão por sapatos, roupas e um monte de coisas das quais eu não sei nem o nome! Ela vai pintar as unhas pra te imitar, passar batom, e adorar quando você contar todas aquelas histórias de princesa que você ama até hoje e sabe de cor. Você vai ser a melhor amiga dela e eu o chato do pai, que só vai querer que ela namore aos trinta anos!” Disse, como se pudesse ver o futuro e ela deu uma gargalhada, tomando, em seguida, o rosto dele entre as mãos e colando os lábios nos dele, a fim de transmitir todo o amor que só crescia dentro dela, por aquele que ela tinha certeza que seria o melhor pai do mundo.

“Finn, meu amor, eu tenho certeza que a nossa filha vai te amar muito, assim como eu te amo e um menino te amaria.” Assegurou. “Ela vai te achar chato, de vez em quando, sim, mas vai me achar chata também, por nós sermos mais velhos, sermos um tipo de autoridade...”

“Mas com um menino eu saberia sobre o que falar! Eu poderia levá-lo comigo pra assistir aos jogos dos meus times, pra treinar uma luta...”

“Eu acho que esses livros não te ajudaram nem um pouco, Finn. Eles trazem estereótipos!” Concluiu e ele levantou as sobrancelhas, não compreendendo. “Uma menina pode ir com você aos jogos e até gostar de luta, sabia? E, mesmo que ela goste de balé e desfiles de moda, ela e você serão melhores amigos, porque ela vai ser a sua bonequinha, a sua coisa mais preciosa, e você, o porto seguro dela, como é o meu. Você vai aprender algumas histórias clássicas e inventar outras, pra ela dormir, e vai assistir, com prazer, aos filmes da Disney, só pra ficar perto dela, e vê-la sorrindo... os olhinhos dela brilhando, enquanto ela descobre o mundo.”

“Será, Rach?” Perguntou, hesitante. “Eu tenho tanto medo! Mesmo dessa fase em que você diz que é tudo igual pra meninos e meninas, com eles só comendo e dormindo, praticamente. As meninas parecem tão mais frágeis.”

Rachel fez carinho no rosto de Finn, o beijou e se aninhou nos braços dele, asseverando que ele não tinha do que ter medo, pois seria um ótimo pai, tanto enquanto a menina fosse só um pingo de gente, como quando viesse a se tornar uma adolescente, despertando os ciúmes dele ao arrumar seu primeiro namorado. Disse que ele poderia até ler os livros, se quisesse, uma vez que estes já estavam ali, mas que tinha convicção de que ele aprenderia muito mais na prática e até verificaria que os chamados especialistas cometiam vários equívocos, pois ignoravam que cada ser humano é único e complexo.

“A gente precisa parar de chamá-la de a bebê. Você não acha?” Ele perguntou, alguns minutos depois.

“Eu pensei em fazermos uma lista de nomes, mas, ao mesmo tempo, acho que talvez seja melhor ver a carinha dela primeiro.” Disse e percebeu que ele ia responder alguma coisa, mas não teve a oportunidade, pois a campainha do apartamento tocou e ambos se levantaram preocupados, por ser um pouco tarde para visitas.

Encontraram atrás da porta principal uma Quinn bastante pálida, com Marie adormecida no carrinho de bebê. A Sra. Puckerman tinha dado folga à babá, até a manhã seguinte, pois quisera levar a filha com ela para seu jantar com Mercedes e Rachel, e o marido tinha viajado naquele mesmo dia, para participar de um campeonato no final de semana do outro lado do mundo. Sozinha com a filha de dois anos, recebera um telefonema da mãe, que tinha acabado de levar seu pai para o hospital, por causa de náuseas, formigamento no braço e dores no peito.

“Ele enfartou, e a minha mãe tá lá sozinha com ele e...”

“Você vai pra lá, agora, e nós vamos ficar com a Marie.” Finn completou, não esperando qualquer pedido de ajuda.

“Se você achar que precisa de companhia, eu também posso ir com você, e o Finn cuida dela.” Rachel ofereceu, ignorando o olhar de desaprovação de Finn. Era a oportunidade perfeita para ele perceber que podia lidar com uma garotinha!

“C-claro.” Ele se viu obrigado a concordar, quando Quinn pareceu aliviada em saber que não teria que ir sozinha ao hospital.

Levou o carrinho de bebê em que a sobrinha dormia para o quarto e colocou-o ao lado da cama, onde deitou-se, puxando o primeiro livro da pilha formada e começando a ler. Recebeu uma mensagem de Rachel, pouco depois, em que ela informava que demoraria um pouco, e continuou concentrado na leitura, até que a emissão de alguns sons ainda sem nenhum significado específico fizessem com que percebesse que a pequenina tinha despertado.

“Olha só quem acordou!” Ele se aproximou, sorrindo para ela, que abriu um belo sorriso também.

“Titi Finn!” Ela gritou, dando um leve tapinha no rosto dele.

“Isso mesmo, Marie! Tio Finn.”

“Titi Finn!” Ela repetiu, dessa vez esticando os braços na direção dele, que a pegou no colo. “Titi Achel.” Falou, fazendo o “link” entre ele e a mulher, e querendo saber onde a tia estava. “Mamã.” Perguntou, do seu modo, por fim, e, naquele momento, ele ficou com medo de que ela fosse estranhar a ausência da mãe e chorar.

“A mamãe já vem. Você quer papar alguma coisa? Quer ouvir uma história?” Tentou.

“Tórinha!” Respondeu, animada, não chamando mais pela mãe, e o tio contou sua própria versão da história da chapeuzinho vermelho, enquanto dava banana amassada para a garotinha, depois de ter consultado a Sra. Hudson sobre isso, por meio de mensagem.

Colocou a menina, já bastante sonolenta, na cama, distribuindo almofadas em volta dela, por questões de segurança, e ia se retirar, pensando que ela havia pegado no sono, quando sentiu as pequenas mãozinhas alcançarem sua blusa e puxarem-no de volta. Não conseguiu que ela tentasse dormir, enquanto não se deitou ao lado dela, deixando que colocasse a cabecinha em seu peito, e acabou viajando para o mundo dos sonhos também.

Acordou com a menina dormindo entre ele e Rachel, e, ao ver que Quinn dormia no quarto de hóspedes, tendo preferido deixar a filha onde estava, soube que fizera um bom trabalho.

Talvez Rachel tivesse razão e ele não precisasse ter receio de ser pai de uma menina. Talvez sequer precisasse dos livros e o amor fosse mesmo capaz de ensinar-lhe tudo de que precisava saber.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.