Notas iniciais
Oi, gente!!!Tudo bem com vocês?Estou me sentindo produtiva no momento porque tem poucas horas que eu postei Dos tons e agora consegui postar também Momentos.Espero que a recepção seja boa, pra eu continuar animada e escrever também Uma dose maior...Espero que gostem do capítulo!Beijos e até a próxima =D

3 de dezembro de 2020

"E então? O que falta pra gente sair, Rach?" Finn perguntou, entrando no quarto de Aubrey.

"Papai, pede pra mamãe deixar eu ir de tênis!" Aubrey pediu, abraçando a perna dele.

"É isso o que falta, Finn! Vestir essa duas." Rachel falou, frustrada, massageando as têmporas. "Eu comprei roupas lindas pra elas usarem hoje, e uma cismou que tem que ir vestida com fantasia de princesa e a outra de all star!"

"Aubrey, é tão bonita a roupa que a mamãe comprou, meu amor!" Disse, agachando e ficando face a face com a filha.

"Fica bonita na mamãe e na Brie, mas eu não gosto. E também pinica e incomoda na hora de brincar no pula-pula!" Fez bico.

"Por que a gente não faz assim... você veste a roupa, chega bem bonita na festa, e o papai leva o tênis e uma roupa pra trocar na hora de brincar?"

"Mas vai pinicaaaaar!" Repetiu, chorosa.

"Eu desisto!" Rachel se irritou e foi em direção à porta, mas o marido a seguiu, parando-a antes que saísse do quarto.

"Meu amor, calma! Eu sei que você comprou as roupas com todo carinho, mas você já deveria ter se acostumado. A Aubrey nunca quer usar esses vestidos mais enfeitados e muito menos sapato!"

"E qual é a explicação pra Brie, hein? O tal vestido de princesa tem muito mais babado do que o que eu comprei pra ela!"

"Rachel, ela quer ser a Bela. Ela é vaidosa que nem você, mas princesas são a coisa mais linda do mundo pra ela. Até mais do que você e as tias que ela tanto adora imitar."

"E, então, nós devemos deixar que duas meninas de quatro anos escolham tudo o que elas quiserem? Elas vão ficar insuportavelmente mimadas, Finn! Cheias de vontade!"

"Rachel, seja razoável. Eu não to propondo que a gente sempre deixe elas fazerem tudo que quiserem! Mas o fato é que elas não são cheias de vontade, elas tem personalidade, assim como você sempre teve. Eu não vejo mal em deixar elas se vestirem de acordo com o jeito de cada uma. Além do mais, amor, nós já estamos meia hora atrasados pra festa."

"É. E o pior é que o Blaine tinha me pedido muito pra não chegar tarde." Disse, derrotada.

"Então, Rach? Por que a gente não deixa elas irem vestidas como quiserem dessa vez, e depois você senta com elas e explica que cada ocasião pede um tipo de roupa e tudo mais, hum?"

"Tudo bem, Finn! Mas é só porque realmente não temos tempo pra lidar com isso agora. Coloca a roupa que a Aubrey quiser nela, que eu vou avisar pra Brie que ela vai de fantasia mesmo." Solicitou, saindo do quarto.

"Se a mamãe for ficar muito triste lá na festa, eu coloco o vestido, papai." Aubrey se ofereceu.

"Não, minha bonequinha! A mamãe vai ficar bem, ok? Vamos ver uma roupa que sirva pra uma festa e dê pra usar com tênis." Avisou, mexendo no armário.

As meninas chegaram felicíssimas à festa de aniversário de Charlize, filha de Kurt e Blaine, que estava completando três anos, e Rachel também tinha relaxado, ao ver que as filhas podiam não estar vestidas como pequenas cópias dela, com vestidos de grife de que ela tanto gostava, mas estavam lindas e adequadas para a festa. Brianna não era a única menina de fantasia de princesa e Aubrey não era a única de calça legging, chemise xadrez e all star de couro.

As duas pequenas criaturas logo sumiram de perto deles, indo se enturmar com as outras crianças, depois de terem cumprimentado a aniversariante e os pais dela, e Rachel e Finn foram encaminhados até a mesa reservada para os dois, ao lado da separada para as famílias Hummel e Anderson. Juntaram-se a eles, mais tarde, Mercedes e o marido, que ainda não tinham filhos, e o outro principal colaborador de Rachel na emissora, Mike, com Tina e Jordan, de pouco menos de dois anos.

Tina perguntou a Rachel como estavam Quinn e Santana, com quem mantinha contato desde o programa em que haviam se conhecido, mas a quem não via há algum tempo, porque andava muito caseira depois do nascimento do filho. Infelizmente, elas não iriam à festa porque Quinn tinha viajado com Puck para uma de suas competições no UFC e Santana com Sebastian, que estava gravando um programa na Flórida. Marie e David Puckerman estavam com o avô, e Patrick, Logan e Lauren Smythe tinham ido com os pais a Orlando, para aproveitar e conhecer os parques do Walt Disney World.

"Finalmente, eu posso me sentar um pouco. Agora eu acho que não chega mais ninguém." Blaine reclamou, puxando uma cadeira e aproximando-a da mesa em que estavam a chefe e os colegas de trabalho, e seus respectivos cônjuges.

"Já contou a novidade a eles?" Kurt se aproximou também, sorridente, ficando atrás da cadeira do marido e apertando os ombros dele.

"Que novidade?" Mike questionou.

"Lembra que eu falei pra vocês que a gente tava pensando em adotar um menino?" Blaine perguntou de volta.

"Claro! Eu até disse pra você me esperar ter pelo menos um filho, porque tá ficando chato pra mim ser tia de tantos!" Mercedes riu.

"Ih, querida, tarde demais!" Kurt observou. "O nosso chega em uns cinco meses, mais ou menos."

"Nós encontramos uma menina que tá grávida de quatro meses, e não quer o bebê." Blaine explicou. "É claro que ela pode desistir..."

"Mas ela não vai." Interrompeu o marido. "Seu já sinto um amor enorme pelo Clive."

"Já tem até nome?" Finn riu.

"Nós o vimos na ultrassonografia e o Kurt escolheu o nome na hora."

"O nome veio até mim numa inspiração! Ele quer ser Clive Anderson." Deu de ombros e todos à mesa riram.

"Pensem bem, porque não é fácil ter dois, não." Rachel disse, ainda com a experiência de horas antes na cabeça. "Quando você pensa que um te ensinou tudo que você precisa saber sobre filhos, vem o outro, com uma personalidade totalmente diferente, e você falha miseravelmente."

"Rachel, não exagera! Eles vão pensar que nos arrependemos de ter tido as meninas."

"Não!" Ela quase gritou, assustada com a observação do marido. "Não, gente, por favor! Foi só um desabafo, porque eu tive uma tarde difícil com as meninas hoje. Mas foi completamente infeliz da minha parte! Eu to muito contente por vocês e sei que vão ser ainda mais felizes tendo o Clive. Esqueçam as besteiras que eu falo!" Pediu, arrependida.

"A Brie tá chorando dentro da casinha, pai!" Aubrey chegou, informando, de repente.

"Chorando? Ela se machucou?" Desesperou-se Rachel, ficando imediatamente de pé.

"Não. Ela não se machucou, não, mamãe. Ela só tá triste e não quer falar comigo."

"Eu vou falar com ela." Finn se ofereceu e foi em direção à casa de bonecas, sequer esperando resposta. Rachel não se aborreceu porque sabia que ele tinha mais calma que ela para lidar com as filhas.

Ele teve alguma dificuldade para fazer a menina sair da pequena casa, onde obviamente não cabia, e sentar no colo dele em um banco de madeira, mas quando conseguiu ela pareceu relaxar recostada em seu peito e o choro foi diminuindo. Quando ela já não soluçava mais, ele finalmente arriscou perguntar por que ela estava chorando, e teve que lidar com algo que ele sabia que, um dia, poderia vir a acontecer.

"Um menino disse que eu sou nariguda e feia." Ela disse, visivelmente magoada. "Eu sou, papai? Nariguda e feia?"

"Claro que não, meu amor! Você não é nada feia." Afirmou, sincero. "Você tem o nariz um pouco maior que o meu, por exemplo... ou que o da tia Santana. MAS você tem o nariz igual ao da sua mãe, e eu acho a sua mãe a mulher mais linda que existe."

"Então por que ele me disse isso?" Perguntou, cruzando os braços e fazendo cara feia.

"Ou porque ele queria te chatear, ou porque ele acha mais bonitas as meninas com nariz menor."

"Mas você não disse que meu nariz não é feio? Você tá me confundindo!"

"É, meu amor?" Riu. "O papai vai tentar explicar." Fez uma pausa, pensando em um exemplo bom. "Você não adora roupas de princesa e o seu quarto todo rosa?" Questionou e ela assentiu. "A Aubrey, por outro lado, não gosta de quarto rosa e nem de vestir roupa de princesa. E ela ama tênis e azul, enquanto você só usa tênis pra escola e diz que azul é cor de menino, certo?"

"Certo, mas o que isso tem a ver comigo?"

"Tem a ver que, da mesma forma que a sua irmã pode achar uma coisa legal ou bonita, e você, não, algumas pessoas podem achar uma determinada pessoa bonita, e outras, não. O importante é que sempre vai ter alguém que gosta da gente, e é dessas pessoas que a gente deve gostar também. Se esse garoto não gostou de você, deixa ele pra lá e vai brincar com outras crianças."

Talvez Finn estivesse simplificando bastante as coisas, porque muitas vezes gostamos de alguém e só depois descobrimos que não há qualquer chance de esta pessoa gostar da gente, mas o fato é que ele preferia explicar assim do que simplesmente dizer que o garoto era bobo e ela, linda. Rachel também não tinha sido uma unanimidade ao longo da vida, por causa do nariz, e ele mesmo, por causa da altura, e provavelmente aquele tal garoto, que ele nem sabia quem era, tinha sido o primeiro, mas não seria o último a falar coisas desagradáveis sobre a aparência de Brie.

A garota parecia ter aceito bem a explicação e agora estava dando, ela mesma, exemplos de coisas e pessoas que ela achava bonitas, mas que nem Aubrey nem Lauren, filha de Santana e sua amiga inseparável, achavam. No entanto, a paz dos dois acabou quando Finn foi chamado pelo marido de Mercedes, para ajudar Rachel com Aubrey, que não estava passando bem.

"O que aconteceu, meu amor?" Ele disse preocupado, vendo sua mais nova no colo da mulher.

"Eu não sei, Finn! To achando melhor corrermos pra um hospital."

"Ela tá igualzinha a mim quando tenho alergia." Ele disse, depois de ter escutado sobre os sintomas. "Não sei se alguém colocaria pimenta em salgadinhos numa festa de criança, mas pra mim uma coisinha de nada é suficiente pra ter crise, e a gente nem sabe quantos ela pode ter comido." Falou, coçando a cabeça, nervoso.

"Essa aqui é a Dra. Lena, Rach. Ela é a pediatra da Charli." Kurt informou, apresentando uma mulher loira e baixinha.

"Eu poderia examiná-la, se quiserem. Eu sempre ando com minha maleta e me parece mais seguro que sair correndo para um hospital. Você tava falando algo sobre uma alergia?"

"Sim, eu sou alérgico a pimenta e tenho esses sintomas nas crises." Disse, descrevendo o que sentia, em seguida, e a médica concordou que a menina parecia estar passando pelo mesmo que o pai passava, mas mesmo assim levou-a para um lugar mais tranquilo, junto com os pais apenas, para fazer um exame.

"Tia Cedes, o que houve com a Auby? Ela vai ficar boa, né?" Brie, que tinha sido entregue à melhora amiga da mãe, questionou, preocupada.

"Ela só precisa ser examinada e tomar um remedinho, minha linda! Ela vai ficar bem, sim. Fica tranquila." A mulher assegurou e ela se acalmou um pouco.

"Parece que era só a alergia mesmo. Ela já tá reagindo à injeção." A médica comentou. "De qualquer forma, eu vou fazer mais uns exames, aproveitando que estamos aqui. Abre a boquinha, querida!" A doutora solicitou à menina, que obedeceu prontamente. "Você tá sentindo dor na garganta, princesa?" Perguntou depois de olhar e a menina, que assentiu, cabisbaixa. "Eu imaginei, porque tem algumas placas aqui. Eu vou receitar remédio pra isso também."

"Placas? Que nem aquelas de 'pare' na rua? Eu posso ver, doutora?"

"Não." A médica riu. "Não são placas como as da rua, são só pontos brancos na sua garganta, porque ela tá dodói."

"Filha, você não falou nada sobre estar com dor de garganta. Você tem que falar essas coisas pra mamãe." Rachel reclamou, mas com a voz calma e carinhosa.

"Eu não queria estragar a festa e, quando teve o aniversário do David, e a Lauren ficou doente, ninguém da casa dela foi pra festa." Explicou.

"Tá tudo bem, bonequinha, mas não faz mais isso, tá bom? Quando a gente tem uma dor, tem que cuidar, então precisa contar pro pai ou pra mãe, ok?" O pai pediu e ela concordou.

A doutora auscultou o coração, o pulmão, a barriga, mediu a pressão e, por fim, fez um exame chamado de percussão do abdômen, em que se espalma uma das mãos sobre ele e, com os dedos da outra mão, dá-se leves batidas, prestando atenção ao tipo de barulho que elas fazem. Então a garotinha mostrou, mais uma vez, que podia estar debilitada pela infecção na garganta e pela alergia, mas continuava esperta e espirituosa.

"Eu não sabia que minha barriga era tambor agora!" Exclamou, fazendo os adultos se divertirem junto com ela.

Depois disso, não havia muito clima para a família Hudson permanecer na festa, então Blaine e Kurt adiantaram um pouco o parabéns, para que eles participassem. Finn e Brie comeram bolo e Rachel ficou com Auby no colo, aguardando-os, e depois eles seguiram para seu apartamento. Chegaram ainda cedo, e o antialérgico mantinha Aubrey sonolenta, mas Brianna estava agitada, então os pais resolveram assistir um desenho com ela, até que pegasse no sono.

Algumas horas mais tarde, quando eram eles que já estavam na cama, prestes a ter um merecido descanso, depois de um dia que não fora dos mais fáceis, as meninas apareceram, pedindo para dormir com eles, e os dois não puderam dizer "não".

Rachel sorriu, antes de fechar os olhos, abraçada a Brie, enquanto Finn fazia cafuné em Auby. Ela entendera, enfim, que filhos podem ser diferentes em muitas coisas, mas, no fim do dia, o que todos eles precisam é do carinho e do amor dos pais.