Notas iniciais
Oi, gente!!
Tudo em paz?
Espero que sim...
Quero dedicar este capítulo à Myrella, em agradecimento à recomendação que ela deixou, já que não foi nessa fic, mas foi em uma já terminada.
Myrella, muito, mas muito obrigada MESMO, viu? As recomendações significam demais, pois são a valorização de uma coisa à qual eu dedico tempo e coração, e isso é maravilhoso!!
Leiam as notas finais, se tiverem paciência pra um pouco de divagação.

14 de abril de 2016

Finn se recostou no batente da porta, cruzando os braços em frente ao peito, e sorrindo como um bobo, ao observar as duas mulheres que eram as mais importantes da vida dele, junto com sua mãe. Rachel estava amamentando Brianna, sentada em uma poltrona verde clara, que ficava próxima ao berço, branco como todos os outros móveis do quarto, incluindo trocador, cômoda e estante, todos no estilo provençal, que dava um ar romântico e delicado ao ambiente.

Rachel fizera questão de decorar o quarto da filha pessoalmente e seu bom gosto requintado estava impresso em cada detalhe, desde o papel de parede com pequenas borboletas no mesmo tom de verde pálido da poltrona, até o dossel de voil que pendia do teto e envolvia o berço, passando pelo abajur com babadinhos, colocado sobre uma mesinha de cabeceira que ficava ao lado da poltrona, e pelas bonequinhas e bichinhos de pano e porcelana que enfeitavam as prateleiras.

"Bom dia." Ela disse, sorrindo, ao perceber a presença dele, mesmo sem tirar os olhos da filha.

"Bom dia, meu amor." Respondeu ele, caminhando na direção das duas. "Meus amores." Corrigiu-se, abrindo um largo sorriso, quando a menina soltou o peito da mãe e seguiu o som da voz do pai. "Eu não quis atrapalhar." Afirmou, olhando de novo para a esposa, ao mesmo tempo em que dava um dos dedos para a bebezinha de pouco mais de três meses apertar.

"Tudo bem. Ela já tinha mamado bastante, na verdade." A mulher tranquilizou, colocando a filha na posição vertical e dando alguns leves tapinhas em suas costas.

"Eu só vim me despedir de vocês. Minha primeira reunião é às nove."

"Deixa eu arrumar essa gravata." Riu do nó mal feito dele, levantando-se e colocando Brie no bercinho.

"Eu não gosto de usar isso!" Reclamou, fazendo careta e afrouxando a gravata, como se estivesse se sentindo enforcado. "Só coloquei porque os canadenses são formais." Afirmou, referindo-se a alguns dos parceiros de trabalho com quem estaria ao longo do dia.

"No dia-a-dia, tudo bem ser informal, Finn. Mas pras reuniões tem que ser assim! Você é o presidente!" Assegurou, enquanto refazia o nó. "E você fica tão lindo!" Continuou, sedutora, ajeitando as lapelas do paletó.

"Isso é bom." Comentou, também com voz sensual, se abaixando e colando os lábios nos dela, enquanto colocava uma das mãos na parte baixa das costas dela, puxando-a para si. O que começou com sutileza logo deu lugar a uma explosão de desejo: a outra mão dele agarrando boa parte do cabelo dela e as dela nas costas dele, apertando-o contra seu próprio corpo, enquanto suas línguas iam se enroscando.

"ISSO é bom!" Ela retrucou, sem ar.

"Isso é ÓTIMO!" Ele discordou.

"Pois eu digo que não." Implicou, deixando-o confuso. "Não é ótimo quando você tem que ir embora, e eu, ficar aqui sem você."

"Vou ter que concordar." Fez uma careta, dando em seguida um beijo na testa dela e se afastando. "O ótimo vai ficar pra mais tarde."

"Não esquece que o Sam e a Fabi vem jantar, hum?"

"Ok. Eu vou pedir pra alguém comprar aquelas bombas de chocolate daquela padaria francesa, perto da empresa, que ela queria provar. Você quer mais alguma coisa de lá?"

"Quero umas de pistache." Pediu. "Mas o que eu quero mesmo é que você não fique falando italiano com ela a noite toda, como da última vez. O Sam até entende um pouco, mas eu fico isolada!"

"Você fala francês sempre que encontra a Isaure, Rach. E eu não sei mais que meia dúzia de palavras." Devolveu a reclamação.

"Eu vou tentar não fazer mais isso, mas, de qualquer forma, não se trata só da língua. Até doce vai comprar pra ela!" Cruzou os braços, desafiadora.

"Rachel, sem ciúmes... por favor! É você quem tem chamado os dois pra jantar aqui toda semana, me fazendo ver a Fabiana mais do que eu vejo a Santana ou até o Artie. É natural que a gente converse muito, principalmente porque você e o Sam nem percebem quando começam a falar de coisas e pessoas relacionadas a quando eram NAMORADOS."

"Quem tá com ciúmes agora, hum?" Debochou, e Brianna resmungou algo, como se sentisse o clima pesar, mas parou logo que recebeu um carinho do pai na barriga.

"Eu não to com ciúmes, meu amor." A voz dele saiu mais doce, depois da pequena pausa, e ele fez questão de acariciar seu rosto enquanto falava. "Não depois de saber que ele te pediu em casamento e você recusou, porque continuava doidinha por mim." Sorriu, se fazendo de pretensioso.

"Seu..." Bufou, dando um tapinha no braço dele. "Nós dois somos uns bobos de sentir ciúmes, sabendo tudo que o nosso amor já enfrentou. Não tem problema você ser amigo da Fabi ou de qualquer pessoa." Deu de ombros. "Só evita o italiano, porque eu não entendo e... eu fico curiosa." Confessou, fazendo uma careta de vergonha e ele riu.

Finn beijou a bochecha da filha e foi levado pela mulher até a porta, onde se despediram com mais alguns beijos, mas sem deixar que eles fossem mais do que o simples toque de seus lábios. Ultimamente, eles estavam facilmente perdendo o controle, depois de terem ficado mais de um mês inteiro sem transar, devido ao período de resguardo da recém mamãe.

Rachel passou o dia amamentando a filha ou dormindo, enquanto a menina fazia o mesmo, e deixou a cargo dos empregados preparar o jantar, como na maior parte das vezes. Acordou apenas quando faltavam quarenta e cinco minutos para a hora marcada, e Finn já tinha, inclusive, voltado para casa. Estava sentindo um pouco de dor de cabeça e cólica, mas mesmo assim tomou um banho, se arrumou e recebeu os convidados com o sorriso no rosto habitual.

Durante o jantar, no entanto, enquanto os outros apreciavam a comida e conversavam, ela não conseguiu dar mais que algumas garfadas, pois seu estômago reagiu mal até ao cheiro. Além disso, ficou muito quieta, por estar se sentindo fraca, o que acabou sendo notado, uma vez que ela era sempre muito participativa, independentemente do assunto sobre o qual estivessem falando.

"Rachel, tá tudo bem?" Foi Fabiana quem perguntou.

"É, meu amor... você tá muito calada. O que houve?" Finn, que estava sentado ao lado dela, olhou em sua direção e segurou sua mão, percebendo-a fria.

"Ela tá bem pálida!" Sam observou.

"E gelada!" Finn acrescentou. "O que você tá sentindo, babe?" Questionou, preocupado.

"Uma fraqueza, um pouco de enjoo." A voz dela também saiu sem força. "Mas eu acho que é porque está começando meu primeiro período depois da gravidez. Eu to também com um pouco de cólica." Acrescentou, convicta de que não era nada demais.

"É melhor ela se deitar um pouco e você cuidar dela, Finn. A gente deixa o jantar pra outro dia." Fabiana disse, delicada.

"Não, gente! Pelo amor de Deus!" A Sra. Hudson protestou. "Eu posso muito bem ir me deitar e vocês ficarem aqui, comendo e conversando. Eu aposto que até vou melhorar e me juntar a vocês mais tarde pra um café, já que eu posso um por dia e espero ansiosamente por ele." Brincou, não querendo estragar o jantar de ninguém e acreditando realmente que ficaria bem.

Contudo, ela não deu três passos depois de se levantar, desmaiando perto da cadeira do marido, que correu para ela, assim como os outros dois. Sam, que não estava bebendo justamente por estar de carro, se ofereceu para levar o casal ao hospital, enquanto Fabi e uma empregada ficaram com Brianna, que ainda não tinha uma babá, porque Rachel tinha preferido cuidar dela pessoalmente por alguns meses.

Depois de tentar acalmar Finn em vão, a médica pediu que ele ficasse com o amigo, enquanto encaminhava Rachel para fazer alguns exames, e, após o que pareceu uma eternidade, ela recebeu o casal em seu consultório, com os resultados em mãos. Rachel havia recebido soro fisiológico e medicação adequada, e estava bem mais forte, e Finn recuperara aparentemente a tranquilidade, depois de ter ouvido de Sam que Rachel precisaria do apoio e da força dele, independentemente de qual fosse o problema.

"Rachel, eu fiz todos os exames e você tá bem. Não há nada de errado." Assegurou a Dra. Maya Parker. "Mas como na sua ficha da clínica diz que você é paciente da Naomi, eu tomei a liberdade de chamar por ela, e ela já está vindo."

"Por que a minha ginecologista?" Rachel perguntou, confusa. "Essa fraqueza e tudo mais tem alguma coisa a ver com a amamentação... ou com a minha primeira menstruação depois do parto?" Perguntou.

"Não e sim, mas é melhor que ela converse com vocês, não só por ser a sua médica, mas..." A especialista em clínica médica não teve tempo de terminar, pois a Dra. Naomi Bennett chegou naquele mesmo momento.

"Rachel... Finn." Ela cumprimentou os dois com apertos de mão.

"Bem, estão entregues. Felicidades." Sorriu a colega de clínica da recém chegada, acenando para todos e saindo.

"O que a Rachel tem, doutora?" Finn perguntou, não contendo mais a ansiedade.

"Não está com nenhum problema de saúde. Vocês podem ficar tranquilos." Garantiu. "Apenas acredito que é bom que estejam sentados... porque creio que vai ser uma surpresa saber que vão ser pais novamente, dentro de mais ou menos sete a oito meses."

"O QUE?" Rachel apertou a mão do marido, enquanto ele franzia a testa com força.

"Você engravidou de novo, Rachel." A médica disse com todas as letras, não deixando dúvidas. "Quando termina o resguardo, a mulher volta a ficar fértil e, fazendo sexo sem proteção, pode acontecer, como com qualquer mulher."

"Meu Deus!" A morena sentiu-se tonta de novo, mas agora de puro nervosismo.

"Tá tudo bem, meu amor!" Finn segurou também a outra mão dela, acariciando os nós de seus dedos. "Você não tá doente e ainda vamos ter outro bebê." Sorriu.

"Eu sei, mas... eu nem tinha pensado nisso! Não tinha como ver nenhum sintoma porque eu to amamentando... ainda to um pouco inchada da outra gravidez. Eu até achei que tinha ficado menstruada hoje."

"Pois é, Rachel. É sobre isso que precisamos falar." A médica chamou a atenção dos Hudson para si. "Pelo que vimos, você está com umas seis a sete semanas, o que significa que você engravidou... umas..."

"Pouco mais de seis semanas depois da Brie nascer." Rachel completou.

"Por isso você se sentiu fraca e teve esse pequeno sangramento, Rachel. Seu corpo ainda não tava totalmente preparado pra uma nova gravidez. Ele tá frágil."

"Mas eu tava me sentindo tão bem e você tinha me falado que o resguardo variava entre seis e oito, mais ou menos..."

"E eu não deixava ela em paz. A culpa é minha!" Finn interrompeu a mulher, passando a mão ansiosamente pelo rosto. "Me diz que nem ela nem o bebê correm risco por isso, pelo amor de Deus, doutora."

"Não é hora de vocês sentirem nenhum tipo de culpa, Finn. Aconteceu e agora o que a gente tem que fazer é tomar todos os cuidados necessários. Não me parece ser uma gravidez de alto risco... apenas vamos ter que acompanhar, observar se vai acontecer algum outro sangramento, redobrar os cuidados com relação à esforço exagerado e a exposição a situações de estresse... essas coisas, porque existe uma fragilidade maior, sim, do que em uma gravidez... comum, vamos dizer assim."

Depois das recomendações da médica, Sam levou o casal para casa e foi embora com a noiva, deixando os dois sozinhos. Nenhum deles estava falando muito e conseguindo encarar aquela gravidez como um coisa boa ainda, diante da surpresa, dos riscos e das limitações. Finn deixou Rachel no quarto, trocando de roupa para dormir, e disse que iria ler e responder, no escritório do apartamento, a alguns emails que ele tinha visto chegarem pelo celular.

Entretanto, muito tempo passou e Rachel, que estivera lendo um livro justamente para esperar pelo marido e poder finalmente conversar com ele, resolveu ir ver por que ele estava demorando tanto. Não o encontrou no escritório mas na sala de TV, deitado no sofá, quase na escuridão total, e com uma taça de conhaque na mão.

"Babe, o que você tá fazendo? Você me disse que ia responder emails. Eu tava te esperando."

"Desculpa." Foi só o que ele respondeu, com a voz cansada.

"Desculpa?" Indignou-se. "Desculpa, Finn? É só isso que você vai me dizer?"

"Eu não sei o que te dizer, Rach." Falou, colocando a taça no chão e sentando-se no sofá, para que ela se sentasse a seu lado. "Eu não sei o que fazer." Ela percebeu que ele estava segurando o choro e segurou a mão dele.

"E você por acaso achou que ficar aqui e encher a cara ia te ajudar a pensar melhor?"

"Não! Não é isso, babe. Não!" Assegurou, deixando as lágrimas caírem e permitindo que ela o abraçasse. "Eu tava esperando você dormir." Confessou.

"Adiando falar comigo sobre isso?"

"Não há muito o que falar, Rach. É óbvio que esse filho é bem vindo... é amado, muito amado! Ele é até desejado, apesar de não ter sido planejado pra agora. A gente já tinha combinado que esse ano ainda..."

"Eu ia engravidar de novo."

"Isso." Balançou a cabeça. "Só que é uma gravidez de risco e... a médica disse que não é pra gente sentir culpa, mas é culpa minha, sim! Eu não soube esperar e agora... bem feito pra mim! Eu vou ter que esperar muito mais." Bufou.

"Vem pra cama comigo, meu amor." Pediu, dengosa.

"Vai ser tão difícil, Rachel!" Lamentou. "Acho que era mais por isso que eu queria encontrar você dormindo." Confessou, envergonhado de seu egoísmo e covardia.

"Finn, eu vou precisar de você mais do que nunca agora. Me deixar sozinha e passar a noite toda aqui não é justo."

"Eu sei. Me perdoa!" Implorou, beijando as mãos dela. "Isso não vai nem passar pela minha cabeça de novo, meu amor. Eu vou te dar todo carinho e amor que você merece... e dormir abraçado com você todas as noites, e cuidar de você. Eu vou ter que saber me controlar, como um homem adulto."

"Eu sei que a gente não pode transar, porque eu não posso fazer esforço, pelo menos até a gente saber quanto realmente essa gravidez é ou não de risco. Mas a gente pode fazer várias coisas gostosas, Sr. Hudson." Ele a olhou com uma certa incredulidade, mas ela confirmou com a cabeça. "Você esqueceu como eu fiquei a gravidez da Brianna quase toda, hum? Eu também preciso do meu marido pra me ajudar com isso." Riu, provocativa.

"Você tem certeza?" Ele franziu o cenho, ainda incerto sobre se não deveria manter as mãos longe dela, afinal o seu excesso de vontade tinha causado todo o problema.

"Eu fiz questão de perguntar à Naomi, quando estava me despedindo... e até perguntei sobre hoje, já que o sangramento foi bem mais cedo." Ela assegurou, mordendo o lábio.

"Sendo assim... vamos pro nosso quarto, Sra. Hudson. Eu um dia prometi sempre cuidar de você e fazer de tudo pra que você seja a mulher mais feliz do mundo, e eu não pretendo falhar nessa tarefa." Declarou.

Naquela noite, com todo o cuidado, eles trocaram carinhos que tinham aperfeiçoado durante todo o tempo em que estavam juntos, e Finn dormiu aliviado.

Se ele ia poder ter várias noites como aquela nos próximos meses, mesmo não podendo fazer amor de forma plena com sua mulher, ainda não tinha sido dessa vez que a vida tinha lhe dado um castigo verdadeiro por causa de uma de suas mancadas!


Notas finais
Estava revendo um filme esses dias (que eu não vou dizer qual é porque eu vou falar de algo que acontece no final dele e não gosto de estragar a surpresa de ninguém) e recebi uma mensagem que eu quero transmitir a vocês.
A personagem do filme tinha separado um casal, durante a vida dela, com uma fofoca e, quando velha, depois de ter se tornado uma autora famosa, ela escreve um romance quase autobiográfico e fala do casal. Só que no romance ela consegue reparar o erro, desmentindo a fofoca, e o casal fica junto, o que nunca acontece na vida real.
Quando entrevistada, ela diz que quis dar a eles o final que mereciam e aos leitores algo em que ter esperança.
Bom, acho que nem preciso explicar porque considerei isso um tipo de mensagem, não é?
FINCHEL IS FOREVER!!
FUCK YOU, RM... você faz a merda e a gente a reparação.