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5 Capítulo 5 - Lembranças
No capítulo anterior...
Yuuki correu o mais rápido que podia com sua bolsa, e vendo que o moreno não saia do seu encalço, decidiu começar a quebrar as esquinas. Entrou em uma, duas, e num ato de cansaço extremo, acabou se enfiando num beco que dava em vários outros becos e se tornava um verdadeiro labirinto. Cansada, já não corria tanto, e depois de entrar num terceiro beco, se sentou atrás de uma pilha de lixo tentando recuperar o fôlego. Conseguiu tempo suficiente para sua respiração voltar ao normal, até ouvir seu nome sendo chamado por uma voz masculina.
- Yuukiii! Yuukii! Onde você está mocinha?
A garota tinha medo, muito medo do que podia acontecer.
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Yuuki não sabia o que fazer, seus músculos já estavam doloridos e sua boca seca de tanto correr. A voz do moreno ficava cada vez mais próxima e o medo só piorava. E com medo de soltar um gemido, a garota tapou sua boca com o máximo de força possível.
- Yuuki, vaaaamos, eu não tenho a noite inteira para brincar! E você vai ter de aparecer mais cedo ou mais tarde. – o moreno estava a uma pequena distância de onde a garota estava, e foi o suficiente para ela ver uma parte de sua cabeça e se forçar a correr novamente. – Não falei que você ia aparecer?
Yuuki correu o máximo que pode até dar de cara na parede que se encontrava no final do beco e se dar conta que não havia saída, não havia mais nenhum beco além deste onde estava com o desconhecido que fazia um sorrisinho malicioso.
Vendo Yuuki encurralada e virada para ele como se fosse um filhote sem sua mãe para lhe proteger, pôs-se a andar até o final do beco. Quanto mais perto ficava de sua vítima, mais ela tremia e soluçava de medo.
- Relaxe garota, somos só eu e você aqui, e mais ninguém. Também não vai adiantar gritar, você conseguiu se embrenhar tão bem que a rua mais perto está a muitos metros de distância, daqui nem dá pra ouvir os carros, percebeu?
“Ninguém! Ninguém por perto!” eram essas as palavras que ela repetia em sua cabeça. Sua alma ficou tão vaga que nada mais escutou depois de um “...vai ser rápido minha flor.”
Mas por alguma razão ela resolveu olhar nos olhos daquele que a machucaria. Eram olhos famintos, olhos vermelhos...olhos...iguais ao do ruivo que vagava por suas lembranças!
O coração de Yuuki começou a acelerar. E então resolveu olhar para a boca do estranho. Ele tinha longos caninos pontiagudos, como presas de um...
- ...Vampiro...!- disse num fio de voz. E o jovem apenas deu um enorme sorriso e se aproximou de seu ouvido sussurrando “E você está sozinha”.
“TAP! TAP!”
- Mas... que diabos!?
“TAP! TAP!”
Sons de passos encheram o lugar, deixando Yuuki com um fio de esperança e o moreno assustado.
- Quem está ai?
O dono dos passos veio andando lentamente, com uma calma que deixou o estranho trêmulo, estranhamente trêmulo. Com um pouco de curiosidade, Yuuki colocou a cabeça um pouquinho para o lado para ver quem a estaria salvando. Um garoto da sua idade começou a sair do escuro, com mais um da mesma idade atrás de si, só que mais alto. Os dois trajavam um sobretudo preto, sendo que o primeiro era ruivo e o outro loiro. Por um momento sua visão embasou, lhe causando uma leve dor de cabeça, e forçando um pouco mais a vista, reconheceu os garotos, a fazendo sair de trás do vampiro que a minutos atrás estava lhe colocando contra a parede.
- L-Lavi? Zero? O que vocês... A-AAAH! – uma dor de cabeça insuportável invadiu sua cabeça, e pequenos flashes se instalaram tão dolorosamente nela que a fez se ajoelhar no chão. – Minha...cabeça... – sussurrou enquanto caia no chão estando entre a consciência e a falta dela.
- Y-Yuuki? YUUKI!? – berrou Lavi ao ver sua amiga estirada no chão. – Seu miserrável, minha irmãzinha! HYAAAAA! — Brandiu Lavi, correndo em direção ao vampiro com seu martelo na mão enquanto o objeto aumentava seu tamanho.
O vampiro apenas encarou o ruivo de tapa-olho e correu em sua direção com suas garras e presas a amostra, mesmo estando com medo do caçador que estava a sua frente.
Quando se encontraram, Lavi moveu seu martelo mirando a cabeça do vampiro a sua frente acertando-lhe o ombro, fazendo com que o moreno fosse lançado na parede, caindo ruidosamente no chão.
"BAM!" Soou a arma de Zero acertando o vampiro, que apenas soltou apenas mais um guincho de dor e fechou os olhos, virando pó logo em seguida.
- ZERO! SEU MALDITO! EU QUE QUERIA MATÁ-LO! E VOCÊ PODERIA TER ME ACERTADO SEU IDIOTA!?
- Você iria brincar com ele enquanto Yuuki estivesse caída no chão. – disse o loiro calmamente enquanto andava em direção a garota. – Mas se preferir, na próxima eu não erro. – olhou bravo para Lavi que logo se acalmou e foi correndo até Yuuki.
- Que bom! – disse aliviado depois de dar uma olhada na jovem. – Não está machucada. Vou levá-la pra casa. – disse dando um sorriso tranquilo enquanto pegava a jovem nos braços.
- Como quizer. – disse Zero acompanhando Lavi com a bolsa de Yuuki nas mãos.
- Ei, Zero...
- Sim? – resmungou sem olhar Lavi.
- Se ela não foi mordida e nem machucada, por que ela desmaiou? Tem alguma coisa haver com aquele dia? – perguntou Lavi esperando a resposta do loiro ao seu lado.
- Sim, - disse olhando para Lavi e logo desviando o olhar. – quando memórias lacradas voltam com muita intensidade, a pessoa fica desse jeito, entre a consciência e a falta dela.
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