Notas iniciais
Mais uma para vocês, essa é a vida que eu imagino para Molly Weasley II, achei que ao menos um capitulo deveria ser dedicado a ela.

Observando mais uma vez do seu ponto especifico a Floresta Proibida estava Molly, mas não somente Molly era Molly II, assim como tudo em sua vida, segunda. Levou a garrafa á boca solvendo o líquido alcoólico e apreciando a bebida.

Tudo começou ao longo de seu nascimento.

Ela foi á segunda neta e a Molly II porque já havia a Molly original, a primeira, sua avó paterna, gostava da matriarca, na verdade fora ela quem a criara já que seus pais estavam ocupados demais trabalhando, seu conceito de mãe.

Ficou em segundo plano no dia 23 de Março, o dia de seu aniversário, o primeiro, aliás, conferência na América, infelizmente Percy e Audrey se ocuparam demais no trabalho pra virem lhe visitar, seus tios fizeram a festa por eles, Tio George fez mais, com seu coração partido da recém perda animou seu dia, não se lembrava, mas, as fotos mostravam claramente. Uma especial em que estava com a pequena garota ruiva gordinha e sardenta em seus braços, ele sorria, um dos poucos verdadeiros pós-guerras, a levantava no alto com seu vestido azul, e também tinha um riso banguela, a foto se mexia enquanto ele lhe jogava no alto em uma clara brincadeira, a caligrafia meio tremula e a letra do gêmeo estava escrito atrás.

“A sobrinha é nossa, mas os olhos e sorrisos dela são seus”.

De começo não compreendeu, porque afinal eles eram gêmeos idênticos, deveriam ser idênticos, algum tempo depois de uma conversa com sua querida avó, um chá e algumas lágrimas, compreendeu que por mais parecido que fosse a pessoa, algumas coisas eram únicas, e isso foi uma das primeiras vezes que ficou feliz em ser a segunda, a segunda a ter os olhos e sorrisos de uma pessoa, não qualquer, mais um especifico, de Fred Weasley e realmente ficou feliz, George automaticamente se tornou o tio preferido naquele momento.

Depois tudo ficou um tanto mais dolorido, dai pra frente veio á consciência e os porquês.

Aos seis anos ainda vivia com os avós e seus pais viam a ver quando podiam, ou seja, três vezes ao ano, papai e mamãe se tornou um titulo vago, sendo que a devida função era cumprida por outros.

A situação financeira da casa era muito boa, o tempo de dificuldade havia sido substituído por uma época de fartura, vovô Arthur havia sido promovido e seus pais ajudam nas despesas por conta da filha ali hospedada, mesmo que a mais velha negasse a ajuda. Mais primos foram chegando ao decorrer do tempo em que ás famílias e o mundo bruxo se equilibravam, James Sirius era só um embrulhinho vermelho a primeira vez que se lembrou dele, assim como Dominique a irmã de Victoire, a primeira, teve também Fred II, alguém com quem poderia dividir o número dois, ele era quatro meses mais novo.

Várias perguntas foram feitas do tipo o “porque” dos pais não viverem com ela, a desculpa era a mesma vinda dos adultos, trabalho, mas, todos trabalhavam e tinham suas vidas com seus filhos, porque eles não? A resposta veio fria e dura com seus seis anos, um simples:

– Tenho primeiras obrigações a cumprir no ministério e sua mãe me acompanha por ser minha secretaria, será que eu me matando de trabalhar para te dar seus presentes não é suficiente? Não está feliz ao lado de sua avó?

Sim os brinquedos vinham de montes, tantos mágicos quantos trouxas (esses eram mais para seu avô do que qualquer coisa, ele amava), mas se metade de seu quarto de brinquedos suprisse o mínimo do amor que ela precisava de seus pais, nunca mais pediria á vassourinha que fosse.

Se ela estava feliz com seus avós a resposta era obvia, lógico. Além do amor, da companhia engraçada e agradável, havia sido uma salvação para a casa que se encontrava vazia pelos filhos que seguiram seus devidos rumos, e sem a pequena ruiva ligeiramente rechonchuda, a mais velha não saberia como reagir com tudo além das perdas.

– Mamãe vem quando pode, além de que a comida da vovó é melhor que a minha, certo? Aliás, você está acima do peso, deveria seguir o meu exemplo e do da Victoire, viu como somos bonitas magras?

Sua mãe era uma linda e magra mulher elegante, tinha um corpo curvilíneo e uma postura exemplar, tinha cabelos escuros sempre mantidos alinhados, olhos azuis tão céticos quanto suas roupas, o oposto completo da filha, ao soltar suas primeiras lágrimas de dor por rejeição veio junto certa obsessão, a de ficar magra.

O quase Hogwarts tinha chegado junto com a expectativa.

Seus pais continuaram como sempre, e fizeram o favor de repetir a proeza de dez anos atrás novamente faltando a seu aniversário, o décimo, e ela deu de ombro ao ler a carta, sua avó a abraçou, não sabia quantas mais brigas teria com seu terceiro filho e nora até tomarem algum jeito.

A festa foi animada, tinha alguns amiguinhos de sua pré-escolinha em que aprendia a ler e escrever com ás agora penas automáticas e pergaminhos brancos, seus primos estavam lá, alguns no colo outros correndo brincando pela casa, tinha seus cabelos espessos penteados e uma roupa verde, quando olhou para o lado sorriu, quem estava lá não era Percy, mas sim, George, ela sorriu mais ainda por ser esse nome que saiu da sua boca para dar o primeiro pedaço, alias, será que ela poderia passar o titulo para o cara que ela passava ás férias e a vinha visitar três vezes por semana?

Sem presentes, só abraços, que não podiam ser comprados e por isso valiam tanto.

Desde seus seis anos, tinha emagrecido 4 quilos, e toda vez que se olhava no espelho ou ia ao chalé das conchas se media, será que já estava como Victoire?

Finalmente Hogwarts.

Quando sua carta chegou saiu pulando e voando por toda a casa e sua avó gritava para se controlar com todo o amor, e naquele momento quando ela desceu ás escadas surpreendeu-se por seus pais estarem lá, esfregou os olhos, mas foi pega por outros braços que a levantaram e rodopiaram antes de todos, sabia que era seu tio favorito, e comemorou mais e assim que foi posta no chão depois de um demorado beijo no Weasley brincalhão foi saudada pelos pais, mas não eram por conta da carta que estavam ali.

– Molly. Temos uma notícia, você vai ter um irmãozinho, ou uma irmãzinha, não é maravilhoso?

Olhou confusa pensando ser alguma espécie de brincadeira e um turbilhão de sentimentos tomou conta de si, mas a confusão era grande, e olhou para todos apreensiva.

– O... Bebê... vai vir morar comigo e com a vovó?- Perguntou com a voz ainda um tanto infantilizada com olhos curiosamente apreensivos.

– Bem, é tudo muito incerto. – Seu pai estava sério com um pequeno sorriso nos lábios e sua mãe leve, não tão cética como sempre.

Com essas palavras ela tremeu, pensou que perderia o pouco amor que tinha e tentou disfarçar, definitivamente, se Molly II era uma criança triste, ninguém percebia, pois seus sorrisos e seus olhos enganavam com uma felicidade, que não era de toda falsa.

– Eu... Emagreci. – Sua mãe elogiou e reclamou sobre o peso que teria daqui a algum tempo, já a pequena estava extasiada pela mãe ficar feliz, e ficou mais motivada.

O ano, o primeira, da segunda.

Na estação vieram seus avós, seu tio e agora padrinho George com sua Tia Angelina, que na sua opinião, era uma ótima professora de voou, e seu primo Fred II, o garoto ruivo com a pele não tão clara e sorriso arteiro que tanto a atormentava, vivia atrás dela e a ajudava com tudo, mesmo contra sua vontade, até em seu joelho ralado, no final, ela tinha uma leve inveja por ser filho de quem era. A despedida foi regada a lágrimas e promessas, ela queria cumprir todas, principalmente a de trazer a tampa do vaso sanitário para seu tio.

No trem o nervoso aumentou ao procurar uma cabine e acabou por encontrar Teddy e Victoire que estavam em seu quarto ano e terceiro ano respectivamente, não se importaram em dividir a cabine com os mais novos e ali foi o começo, foi selecionada para a grifinória, e seu primo o mesmo, foram bem recebidos e o nome Weasley deve ter ajudado nisso.

O ano decorreu bem e mandava cartas semanais para casa, ás duas, e perguntava sobre a gestação,principalmente por Freddie estar tão envolvido com seus novos amigos para ir ao corujal, aliás, ela tinha uma coruja chamada Penélope, e por algum motivo desconhecido, seu pai ficou nervoso e assim como sua mãe que esbravejou por escolher um nome de uma suposta ex namorada, ela escreveu com sua letra cursiva com um tom mais forte, que não trocaria o nome, e não tinha culpa, já que faltava dialogo com eles e ainda, que mal sabia o nome de solteira da mãe, condirá o de uma namorada do tempo da escola.

Eles não responderão mais nenhuma carta naquele ano, nem nos dois seguintes.

Ah volta.

Três anos depois da rancorosa discussão com os pais ela tentará ir atrás, mas eles estavam viajando de lugar em lugar sem dar notícias por também terem brigado com a família. Moll, como agora era conhecida e foi apelidada por Roxanne sua nova priminha por parte do seu padrinho, sabia que tinha uma irmã, e nada além sabia do que o seu nome, Lucy, um nome próprio, sem ter de ser a segunda, sim, isso ainda lhe pesava muito.

Agora com seus trezes anos estava... Estranha, parecia uma boneca de pano, branca demais, sardenta demais, cabelos cheios demais, porém, continuava fofinha demais. Não adiantava que todos lhe dissessem ao contrário, Toire vestia o numero de manequim duas vezes menor que o seu, naquela idade, todos tentavam a convencer que estava bem, mas enquanto não fizesse o que a mãe havia lhe falado não estaria feliz.

Naquele mesmo verão seus pais voltarão, e descobriu que eles estavam na Alemanha, viviam em uma vila bruxa tranqüila e compraram uma casa enquanto seu pai finalmente fixara em um único ministério, conheceu Lucy que agora tinha três anos e para sua surpresa era como sua mãe, tinha cabelos escuros e olhos grandes azuis inocentes, era um bebe esguio, Moll só tinha os olhos castanhos, e todos automaticamente se encantaram com a menininha livre de sardas. Naquele verão eles também não a convidarão para morar na grande e luxuosa mansão, mesmo depois das desculpas dadas e aceitas devidamente.

Molly II finalmente entendeu que apesar de mais velha não era a primeira filha, sentiu isso quando foi excluída da sua própria família, sem gritos, sem confusões, só com simples sorrisos que mostrava o quanto ela não cabia ali, abraçou-se com seu suéter vermelho tricotado a mão, escrito um M.

Adolescência e outros dramas.

Agora com seus dezesseis anos tinha experimentado, talvez essa fosse a palavra para aquele ano. Fez amizades e experimentou a companhia de pessoas sem seu sobrenome, conheceu algumas festas proibidas junto com o Hidromel e Firewhisky, além de ter tido o primeiro namoradinho, que mais tarde descobriu ser um ex de Dominique, segunda novamente.

Por mais que não quisesse acabou caindo em um começo de depressão, começo de anemia e alcoolismo, mas ninguém prestou muita atenção por conta que Moll sabia disfarçar com seu sorriso e olho, que por vezes disseram ser tão parecido com o do seu tio, será que sabia fingir como ela?

Tudo nela gritava por uma única palavra socorro, desde seu corpo quase esquelético e anêmico, quanto a sua mente que girava somente o quanto era desnecessária e segundo plano para todos, ás vezes ela se resumia ao desespero, e naquela escuridão quem a salvou foi Freddie, com seu ar decidido tão parecido com o pai.

– Você poderia voltar. – Ele comentou um dia em que ela estava deitada perto da floresta, seu lugar favorito, não sabia como ele a tinha achado, ninguém sabia que ela gostava ali.

– Daqui a pouco eu entro. – Respondeu arrastada com a embriagues.

– Quando eu disse voltar foi a ser você, não pra dentro, mas eu te ajudo. Sempre te ajudei não sardentinha? – Ele riu e ela franziu o cenho virando para o lado e soltando tudo que tinha no seu estômago, humilhante. – Você voltaria pra mim? – Mas isso foi só um borram que ouviu enquanto caia na inconsciência.

Depois disso, voltou ao seu peso correto, diminuiu consideravelmente muito em seus pileques e se livrou de alguns demônios, queria ter o orgulho de dizer que fez sozinha toda essa proeza, mas tudo foi com o acompanhamento e supervisão de seu primo, ela não entendia o porquê, mas ele correu atrás dela, e lutou cada uma de suas lutas até ficar com sua vida e notas estabilizadas.

O agora.

Seu ultimo dia, seu ultimo ano, em Hogwarts claro, e não viu melhor jeito de se despedir do que ali, em seu canto favorito, não no estúpido baile de despedida, com sua garrafa, agora ela sabia beber, seu vestido branco longo e leve, seu cabelo muito bem arrumado grande ruivo e com alguns cachos até a cintura, suas sardas e seu nariz afilado, além de seu corpo na sua medida, não inspirado em alguém.

Sentiu-se sendo abraçada por trás e alguém depositando um beijo quente em seu ombro, olhando para trás viu cabelos tão ruivos como o seus e uma pele não tão branca, olhos azuis e queixo marcado, um segundo assim como ela, com um cigarro na mão, por ali, era cada um com seu “vicio” afinal.

Porém, eram os primeiros um do outro, principalmente ao que envolvia a palavra amor Molly e Fred II eram completos, sem primeiros nem segundos.

Notas finais
Comentários positivos e negativos sempre bem vindos, e espero não ter exagerado...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!