Molly
1 Field Of Innocence
Eu ainda lembro do mundo
Pelos olhos de uma criança
Lentamente esses sentimentos
Foram encobertos pelo que eu sei agora
Para onde foi o meu coração?
Uma troca injusta pelo mundo real
Eu quero voltar a
Acreditar em tudo e não saber nada
Field Of Innocence — Evanescence
Um pé diante do outro. Andar é fácil.
Seguir é fácil.
Ou pelo menos deveria ser.
Estava frio e o céu cinzento, mas não estava mais chovendo. Havia apenas uma brisa leve e gelada que deslizava pra dentro de minhas roupas e me fazia tremer conforme andava, mas eu não estava realmente me importando. Era como se nada pudesse me aquecer sem que eu me sentisse culpada.
O calor dele estava gravado na minha pele. Nos braços, na cintura... na boca.
Eu era uma péssima amiga.
A pior do mundo.
Sentei-me no balanço de um parquinho infantil sem ter muita noção de como tinha chegado lá e deixei as lágrimas caírem silenciosamente. Fiquei assim até que um par de sapatos tapou minha visão da areia molhada. Ergui os olhos para Jack.
– O que aconteceu irmãzinha? – ele perguntou, soprando para o lado a fumaça do cigarro que tinha nos lábios um segundo antes.
– Nada. – menti.
Ele ergueu as sobrancelhas por meio segundo e depois seus lábios se esticaram num pequeno sorriso.
– Então me dá o endereço desse nada, pra eu poder tirar satisfações sobre ele te fazer chorar.
– É culpa minha.
Jack olhou pra mim, largou o cigarro e se sentou no balanço ao lado do meu. Sua voz foi suave quando ele disse:
– Ninguém tem culpa pelo que sente, Molly.
– E pelo que faz? – perguntei sem fitá-lo, tirando as mãos da correntes geladas do balanço para juntá-las sobre o colo – Hoje, eu beijei Zacky, o namorado da minha melhor amiga.
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