Moldura

1 Capitulo único.


Notas iniciais
Espero que gostem, boa leitura.

Quando o vi parado na minha frente não soube o que fazer. Minhas pernas se recusaram a dar mais um passo sequer, e meu coração acelerou tanto que fiquei em duvida se ele continuaria ali no mesmo lugar em que sempre estivera. Meu ardeu por dentro como se estivesse em chamas , mas até o momento era uma coisa boa.


— Oi. — Ele disse me olhando nos olhos. Era como ele soubesse da minha paixão por ele. Como se estivéssemos juntos á uma eternidade, era como eu pudesse pular em cima dele e dizer “Eu te amo” sem me preocupar com nada.


Eu fiquei imóvel por um momento, apreciando sua beleza. Eu poderia ficar ali em pé sem comer, sem beber, sem dormir. Só o olhando e vendo seus lindos olhos azuis me fitando.


— Oi. — Foi tudo que consegui dizer ainda confuso, tentando descobrir se aquilo era real ou apenas um dos meus sonhos bobos. —T-Tudo bem? — Eu tentei continuar mais não tive muito sucesso, ele sorriu. Tinha ganhado meu dia apenas com aquele sorriso, o sorriso mais lindo que já tinha visto em toda face da terra.


Eu fechei meus olhos por um momento... Quando voltei á abri-los, por algum motivo ele tinha pego na minha mão e apertado, apertou tão forte que pode sentir o calor delas. Não foi um simples aperto de mão. Ele a agarrou como estivesse dizendo que nunca mais me soltaria, e que não me deixaria cair jamais.


Foi então que o rapaz começou a me puxar pelo grande pátio do colégio. Eu nem hesitei em perguntar pra onde estaria me levando, apenas deixei que ele me guiasse. “Estou de mãos dadas com ele”. Foi o que pensei durante o longo trajeto. Minha vida passou pelos meus olhos. Minhas alegrias, minhas tristezas, meu sucesso, minhas derrotas, nada mais importava agora... Queria que o tempo parasse naquele momento.


Nós paramos em frente á uma porta que provavelmente era uma sala de equipamentos ou uma dispensa de materiais porque nunca tinha estado ali nos meus três anos naquela mesma escola. Ele adentrou a sala e me puxou fazendo um sinal para fecha — lá. Ao fechar á porta me virei pra saber o que tinha naquela grande sala. Vi ele me fitando e sorrindo de cabeça baixa.


— O que foi? — Eu perguntei tentando entender porque ele estava rindo.


— Nada... — Ele disse mordendo os lábios tentando parar de rir. — Nós dois, correndo no meio de todos de mãos dadas, muito estranho pra mim. —Agora ele abaixou a cabeça, parou de rir e continuou. — A primeira vez que pensei na gente, na verdade, não cheguei a pensar porque estava me odiando.


Eu o fitei.
— E desde quando existe “nós”?


Ele não respondeu. Passou por mim e foi até a porta onde a trancou. Fiquei me perguntado o que iríamos fazer ali que precisasse trancar. Quando olhei em volta, a grande sala tinha muitos quadros. A maioria deles com pessoas se beijando e se amando. Comecei a andar pela sala, apreciando as obras e fitando-as mesmerizado. Foi quando o ouvi me chamar. Me virei demasiadamente feliz pra saber porque estávamos ali. Antes mesmo de me virar totalmente, ouço um disparo de uma arma. Ao mesmo tempo em que ouvi o disparo, começou uma dor insuportável em meu peito. Uma dor que nunca tinha sentido e estava implorando pra passar e nunca mais voltar... Quando olho para frente lá ele está. Com uma arma na mão apontada em minha direção. Tento olhar de onde vem aquela horrível dor, mas não aguento e por alguma razão caiu no chão. Quando olho pro meu peito está uma bala alojada dentro dele, e sangue espalhado por toda minha camiseta que antes era branca. E agora só... vermelho. Eu o vi indo embora como se nada tivesse acontecido... Ele tinha me machucado de verdade e me deixou ali largado, naquele chão gelado. Lagrimas saíra dos meus olhos enquanto eu assistia ele ir embora. Infelizmente, a dor só crescia. Aquilo tudo que sentia era horrível... Meus olhos foram se fechando sem eu querer, enquanto eu lutava para permanecer ali. Queria gritar por socorro. “Será que ele vai voltar para me ajudar?”. Foi tudo que consegui dizer antes de ver aquela luz. Uma luz tão forte que meus olhos doeriam se ainda estivessem aberto.
Aquela luz me acalmava, e ao mesmo tempo dizia para não lutar mais. Pedia para eu desistir. Eu lutei até dizer “Eu te amo e sempre te amarei”. As palavras saíram de minha boca como um sussurro. Não significava mais nada, nem agora que estava morrendo. Foi quando me perguntei se algum dia significou.

Fim.

Notas finais
Deixem reviews. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!