No esconderijo rebelde, a tensão ainda vibrava entre as paredes de terra. Renan observava Anrão com um olhar calculista.


— E o que fez você mudar de ideia, Anrão? — perguntou Renan, cruzando os braços.


Anrão respirou fundo, sentindo o ardor das chibatadas nas costas.


— As chibatadas... a perseguição... — respondeu. — Eu não suporto mais ver meu povo sendo humilhado enquanto eu baixo a cabeça.


Renan aproximou-se.


— É corajoso usar a dor como combustível. Mas o preço da liberdade é alto. Depois que der o primeiro passo conosco, não haverá volta.


Anrão sustentou o olhar do líder.


— Eu sei.


— Um irmão hebreu que abandona sua causa é pior do que o próprio opressor. Entende?


Anrão sentiu um calafrio.


Por alguns segundos, permaneceu em silêncio.


Então assentiu.


— Entendo.


Renan estendeu a mão.


Anrão apertou-a.


O pacto estava selado.


Longe dali, nas obras, Coate trabalhava em silêncio. Num aproximou-se dele, tentando confortá-lo.


— Pelo menos Anrão terá tempo para se recuperar e refletir antes de voltar ao trabalho.


Coate suspirou.


— Espero que ele aprenda com as próprias dores, Num. Às vezes, o sofrimento nos ensina a ter perseverança.


Hebrom, que trabalhava próximo dos dois, não conseguiu esconder sua irritação.


— O senhor tem fé demais nele, pai. Anrão é teimoso.


Coate olhou para o filho.


— Se eu não tiver fé no meu próprio filho, quem terá?


Hebrom abaixou os olhos e ficou em silêncio.


A Oportunidade de Disebek


Perto do palácio, o General Khnum seguia para seu turno quando um homem surgiu das sombras e tentou roubá-lo.


Disebek observava a cena de longe. Ele estava justamente esperando uma oportunidade para falar com o general.


Sem hesitar, correu atrás do ladrão.


Depois de uma breve luta, conseguiu recuperar os pertences de Khnum. O criminoso escapou pelas vielas, enquanto Disebek retornava com o objeto roubado nas mãos.


— Você salvou meus pertences, rapaz! — disse Khnum, impressionado.


Disebek respirava com dificuldade.


— Fiz apenas o que era certo, senhor. Não podia deixar que roubassem um oficial do rei.


Khnum observou o jovem por alguns instantes.


Então sorriu.


— Espere, Disebek.


O rapaz parou.


— Não posso deixar esse favor sem recompensa. Você queria uma oportunidade no exército, não queria?


Disebek arregalou os olhos.


— Sim, senhor.


— Então terá outra chance. Esteja aqui amanhã. Falarei pessoalmente com o Faraó para que você seja incluído entre os soldados de elite.


Disebek sorriu.


Depois de tantas humilhações, finalmente sentia que uma porta estava se abrindo diante dele.


O Dilema da Princesa


Nos jardins do palácio, a Princesa Henutmire observava as flores enquanto permanecia perdida em seus pensamentos.


Seu pai, Seti I, aproximou-se.


— No que pensa, minha filha?


Henutmire virou-se.


— No amor, pai.


Seti sorriu.


— No amor?


— Eu queria encontrar alguém que realmente me amasse. Não alguém interessado apenas no prestígio de ser genro do Faraó.


Seti ficou sério.


— O amor se constrói, Henutmire. Sua mãe e eu começamos com um casamento arranjado, mas o tempo transformou aquilo em algo verdadeiro.


Henutmire sorriu discretamente.


— Espero que isso aconteça comigo também.


— Acontecerá. Mas você deve escolher com cuidado.


Nesse momento, um soldado anunciou a chegada do General Menkaure.


Henutmire abriu um sorriso.


Menkaure aproximou-se, e a princesa o abraçou com alegria.


— Que bom que voltou!


— Também senti sua falta, princesa — respondeu Menkaure.


Mas, enquanto sorria para Henutmire, seus olhos permaneciam frios.


Ele havia acabado de retornar de sua suposta visita à família.


Na verdade, estivera envolvido em uma conspiração contra o Egito.


Henutmire não fazia ideia.


Seti aproximou-se dos dois.


— Menkaure, você jantará conosco hoje.


O general fez uma reverência.


— Será uma honra, meu Horus vivo.


Seti sorriu, satisfeito por ver sua filha feliz.


Ele não imaginava que havia acabado de convidar um traidor para sua própria mesa.


O Clamor no Alto Egito


Muito longe de Pi-Ramessés, em uma humilde vila do Alto Egito, uma jovem chamada Joquebede segurava as mãos de sua mãe.


Leah estava muito doente.


Sua respiração era fraca e sua tosse quase não deixava forças.


— Filha... minha hora chegou — disse ela, com dificuldade.


— Não diga isso, mãe.


Leah apertou a mão da filha.


— Prometa que continuará seu caminho. Case-se com um homem bom. Alguém que reconheça o valor que você tem.


Joquebede começou a chorar.


— Não me deixe, mãe!


Leah olhou para a filha com ternura.


— Não tenha medo. O Senhor estará com você.


Seus olhos começaram a se fechar.


— Senhor... cuida da minha filha...


Leah deu seu último suspiro.


Joquebede desabou sobre o corpo da mãe.


Sua amiga Amália entrou no quarto e correu para ampará-la.


— Joquebede...


A jovem chorava inconsolavelmente.


Naquele dia, perdeu sua mãe.


Mas ainda não sabia que o futuro reservaria para ela um encontro que mudaria para sempre a história de seu povo.


Desejos e Provocações


Na Casa de Senet, Yunet ensaiava uma nova coreografia.


Seus movimentos eram precisos e envolventes, mas sua mente estava distante.


Ela tentava esquecer Disebek.


Não conseguia.


Camila percebeu o brilho diferente nos olhos da amiga.


— Você está apaixonada, Yunet. Não adianta tentar esconder.


Yunet parou de dançar.


— Bobagem.


— Então por que está sorrindo?


Yunet desviou o olhar.


— Homens só querem uma coisa de mim. A vida me ensinou a não confiar neles.


Camila cruzou os braços.


— Talvez Disebek seja diferente.


Yunet não respondeu.


Nesse momento, Akhmim entrou na Casa de Senet.


— Não me canso de admirar sua beleza, Yunet.


Ela se virou, surpresa.


— Que susto, Akhmim! Podia ter avisado.


Akhmim aproximou-se lentamente.


— Eu nunca faria mal a você. Você sabe o quanto eu amo você.


Yunet ficou séria.


— Akhmim, eu já disse que...


Antes que pudesse terminar, Akhmim a puxou inesperadamente para um beijo.


Yunet ficou completamente surpresa, sem saber como reagir.


Akhmim fechou os olhos e continuou beijando-a.


Yunet permaneceu imóvel por alguns instantes, tomada pelo choque daquela atitude inesperada.


A cena terminou com os dois ainda envolvidos naquele beijo.


CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO

Notas finais
Conexão Espiritual: A cena da morte de Leah introduz Joquebede com muita emoção, preparando o público para o encontro dela com Anrão no futuro. * Intriga Palaciana: Menkaure aceitando o jantar com Seti cria um clima de "tensão silenciosa", já que ele quer destruir a família que o está convidando para comer. * O Triângulo de Yunet: Agora temos Akhmim lutando pelo amor dela, enquanto ela pensa em Disebek. O que achou deste capítulo, Fred? Quer que eu faça o resumo ou já quer passar para o Capítulo 6?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.