Moisés O Profeta Da Liberdade
5 Destinos Cruzados
No esconderijo rebelde, a tensão ainda vibrava entre as paredes de terra. Renan observava Anrão com um olhar calculista.
— E o que fez você mudar de ideia, Anrão? — perguntou Renan, cruzando os braços.
Anrão respirou fundo, sentindo o ardor das chibatadas nas costas.
— As chibatadas... a perseguição... — respondeu. — Eu não suporto mais ver meu povo sendo humilhado enquanto eu baixo a cabeça.
Renan aproximou-se.
— É corajoso usar a dor como combustível. Mas o preço da liberdade é alto. Depois que der o primeiro passo conosco, não haverá volta.
Anrão sustentou o olhar do líder.
— Eu sei.
— Um irmão hebreu que abandona sua causa é pior do que o próprio opressor. Entende?
Anrão sentiu um calafrio.
Por alguns segundos, permaneceu em silêncio.
Então assentiu.
— Entendo.
Renan estendeu a mão.
Anrão apertou-a.
O pacto estava selado.
Longe dali, nas obras, Coate trabalhava em silêncio. Num aproximou-se dele, tentando confortá-lo.
— Pelo menos Anrão terá tempo para se recuperar e refletir antes de voltar ao trabalho.
Coate suspirou.
— Espero que ele aprenda com as próprias dores, Num. Às vezes, o sofrimento nos ensina a ter perseverança.
Hebrom, que trabalhava próximo dos dois, não conseguiu esconder sua irritação.
— O senhor tem fé demais nele, pai. Anrão é teimoso.
Coate olhou para o filho.
— Se eu não tiver fé no meu próprio filho, quem terá?
Hebrom abaixou os olhos e ficou em silêncio.
A Oportunidade de Disebek
Perto do palácio, o General Khnum seguia para seu turno quando um homem surgiu das sombras e tentou roubá-lo.
Disebek observava a cena de longe. Ele estava justamente esperando uma oportunidade para falar com o general.
Sem hesitar, correu atrás do ladrão.
Depois de uma breve luta, conseguiu recuperar os pertences de Khnum. O criminoso escapou pelas vielas, enquanto Disebek retornava com o objeto roubado nas mãos.
— Você salvou meus pertences, rapaz! — disse Khnum, impressionado.
Disebek respirava com dificuldade.
— Fiz apenas o que era certo, senhor. Não podia deixar que roubassem um oficial do rei.
Khnum observou o jovem por alguns instantes.
Então sorriu.
— Espere, Disebek.
O rapaz parou.
— Não posso deixar esse favor sem recompensa. Você queria uma oportunidade no exército, não queria?
Disebek arregalou os olhos.
— Sim, senhor.
— Então terá outra chance. Esteja aqui amanhã. Falarei pessoalmente com o Faraó para que você seja incluído entre os soldados de elite.
Disebek sorriu.
Depois de tantas humilhações, finalmente sentia que uma porta estava se abrindo diante dele.
O Dilema da Princesa
Nos jardins do palácio, a Princesa Henutmire observava as flores enquanto permanecia perdida em seus pensamentos.
Seu pai, Seti I, aproximou-se.
— No que pensa, minha filha?
Henutmire virou-se.
— No amor, pai.
Seti sorriu.
— No amor?
— Eu queria encontrar alguém que realmente me amasse. Não alguém interessado apenas no prestígio de ser genro do Faraó.
Seti ficou sério.
— O amor se constrói, Henutmire. Sua mãe e eu começamos com um casamento arranjado, mas o tempo transformou aquilo em algo verdadeiro.
Henutmire sorriu discretamente.
— Espero que isso aconteça comigo também.
— Acontecerá. Mas você deve escolher com cuidado.
Nesse momento, um soldado anunciou a chegada do General Menkaure.
Henutmire abriu um sorriso.
Menkaure aproximou-se, e a princesa o abraçou com alegria.
— Que bom que voltou!
— Também senti sua falta, princesa — respondeu Menkaure.
Mas, enquanto sorria para Henutmire, seus olhos permaneciam frios.
Ele havia acabado de retornar de sua suposta visita à família.
Na verdade, estivera envolvido em uma conspiração contra o Egito.
Henutmire não fazia ideia.
Seti aproximou-se dos dois.
— Menkaure, você jantará conosco hoje.
O general fez uma reverência.
— Será uma honra, meu Horus vivo.
Seti sorriu, satisfeito por ver sua filha feliz.
Ele não imaginava que havia acabado de convidar um traidor para sua própria mesa.
O Clamor no Alto Egito
Muito longe de Pi-Ramessés, em uma humilde vila do Alto Egito, uma jovem chamada Joquebede segurava as mãos de sua mãe.
Leah estava muito doente.
Sua respiração era fraca e sua tosse quase não deixava forças.
— Filha... minha hora chegou — disse ela, com dificuldade.
— Não diga isso, mãe.
Leah apertou a mão da filha.
— Prometa que continuará seu caminho. Case-se com um homem bom. Alguém que reconheça o valor que você tem.
Joquebede começou a chorar.
— Não me deixe, mãe!
Leah olhou para a filha com ternura.
— Não tenha medo. O Senhor estará com você.
Seus olhos começaram a se fechar.
— Senhor... cuida da minha filha...
Leah deu seu último suspiro.
Joquebede desabou sobre o corpo da mãe.
Sua amiga Amália entrou no quarto e correu para ampará-la.
— Joquebede...
A jovem chorava inconsolavelmente.
Naquele dia, perdeu sua mãe.
Mas ainda não sabia que o futuro reservaria para ela um encontro que mudaria para sempre a história de seu povo.
Desejos e Provocações
Na Casa de Senet, Yunet ensaiava uma nova coreografia.
Seus movimentos eram precisos e envolventes, mas sua mente estava distante.
Ela tentava esquecer Disebek.
Não conseguia.
Camila percebeu o brilho diferente nos olhos da amiga.
— Você está apaixonada, Yunet. Não adianta tentar esconder.
Yunet parou de dançar.
— Bobagem.
— Então por que está sorrindo?
Yunet desviou o olhar.
— Homens só querem uma coisa de mim. A vida me ensinou a não confiar neles.
Camila cruzou os braços.
— Talvez Disebek seja diferente.
Yunet não respondeu.
Nesse momento, Akhmim entrou na Casa de Senet.
— Não me canso de admirar sua beleza, Yunet.
Ela se virou, surpresa.
— Que susto, Akhmim! Podia ter avisado.
Akhmim aproximou-se lentamente.
— Eu nunca faria mal a você. Você sabe o quanto eu amo você.
Yunet ficou séria.
— Akhmim, eu já disse que...
Antes que pudesse terminar, Akhmim a puxou inesperadamente para um beijo.
Yunet ficou completamente surpresa, sem saber como reagir.
Akhmim fechou os olhos e continuou beijando-a.
Yunet permaneceu imóvel por alguns instantes, tomada pelo choque daquela atitude inesperada.
A cena terminou com os dois ainda envolvidos naquele beijo.
CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO
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