Moiras

18 Em campo


Notas iniciais
A ideia principal era trazer um pouco de ação para a história, já que isso é tão legal nos episódios. Mas tinha que ter Jeller com toda sua química e desencontros também. Obrigada pela leitura.

A semana passou sem grandes novidades. Kurt esteve presente nas sessões de fisioterapia e tentou dar o máximo de atenção possível a Jane, demonstrando o quanto ela era importante pra ele: bilhetes na mesa dela, recados no espelho embaçado do banheiro, flores no caminho pra casa. Enfim, tudo parecia se encaminhar tranquilamente.

Patterson conseguiu decifrar duas novas tatuagens. A primeira não trouxe dificuldades ao team. Dois dias de trabalho, uma invasão rápida e precisa com flagrante desmontou um esquema milionário de tráfico de drogas. Sem baixas, sem dores. Todos voltaram satisfeitos. Jane acompanhou tudo do SIOC, ela ainda não estava liberada para o trabalho de campo.

A segunda tatuagem levou uma conspiração para sequestrar a família de um importante congressista dos EUA, Jason Mars. A tática foi facilmente definida: garantir proteção à família e prender os organizadores do sequestro. Para cumprir a primeira parte do plano, Weller foi pessoalmente conversar com Mars e expôs, sem grandes detalhes, o risco que sua família corria. Num primeiro momento, o congressista achou a ameaça improcedente e dispensou os serviços do FBI. Pouco depois, um incidente envolvendo sua esposa com um quase fracasso de sua segurança pessoal, fez com que ele mudasse de ideia. Na nova reunião com Weller, ressaltou a importância de se manter a discrição no caso e fez uma exigência: Weller deveria trabalhar pessoalmente na segurança da casa. A pedido de Hirst, Kurt aceitou.

Em três dias de trabalho, a equipe conseguiu deter os principais suspeitos de envolvimento direto no sequestro que, durante o interrogatório no FBI, se tornaram réus confessos. Mas o problema não parou por ali. As investigações que seguiram após o interrogatório apontavam para políticos importantes e funcionários da própria Casa Branca. Toda a equipe se empenhou no trabalho de levantamento de provas que precisava ser minucioso, detalhista, diversificado e discreto. Às vezes, parecia que caminhavam à passos de tartaruga, mas eles não desistiram.

Por cinco dias, Jane e Kurt não se encontraram. Ele estava dormindo na casa de Mars para comandar a equipe interna de segurança. Jane também virou noites trabalhando no SIOC ou na casa de Patterson, contribuindo com as investigações. Para lidar melhor com a saudade, eles trocavam mensagens regularmente.

Kurt: “Oi, você já dormiu?”

Jane: “Oi, ainda estou no SIOC.”

Kurt: “É quase madrugada. Por favor, vá pra casa.”

Jane: “Preciso terminar isso. É tudo que posso fazer pra ter você de volta.”

Kurt: “Você está se alimentando? E a fisioterapia?”

Jane: “Patterson está sendo mais exigente que você com a minha alimentação. A fisioterapia já está na fase final. Você vai se surpreender. Volto à campo bem antes do previsto.

Kurt: “Patterson terá toda a minha gratidão. Não exija muito de você mesma. Volte à campo no tempo certo. Sua saúde é mais importante que tudo.”

Jane: “Você está bem?”

Kurt: “Não. Estou sem você.”

Jane: ♥ ♥ ♥ ♥ “Cláusula 5: Um final de semana prolongado em Vermont pra compensar esses dias.”

Kurt: ♥ ♥ Perfeito. Eu te amo! ♥ ♥

Assim sobreviveram naqueles dias de separação. Até que, no final da tarde de uma quarta-feira, provas contundentes fizeram toda a diferença. Já era possível efetuar as prisões necessárias. Quando as primeiras prisões começaram, um ataque à família de Mars surpreendeu a todos.

Rapidamente, Hirst organizou equipes para cercarem a grande propriedade da família e verificar como estavam as coisas no interior da casa. A reação de Jane não podia ser outra:

—Diretora Hirst, eu preciso ir junto com a equipe. Kurt está lá dentro.

— Jane, eu entendo sua aflição, mas não posso permitir sem liberação médica.

— Eu estou pronta pra isso, eu garanto.

— É um pouco mais complicado que isso. Vai dar tudo certo, você vai ver. Talvez seja melhor você ir pra casa descansar enquanto isso não se resolve.

Jane olhou para Hirst perplexa. “Ir pra casa descansar? Como ela imagina que isso seria possível? Ela parecia tão sensata e agora, justo agora, isso!”. Jane apenas forjou um consentimento com a cabeça e saiu pisando duro em direção ao vestiário. Hirst se virou para Patterson:

— Cuide para que ela tenha todo o equipamento de segurança necessário.

Patterson correu atrás de Jane e garantiu que a amiga não sairia sem o equipamento necessário.

A equipe chegou à propriedade da Família Mars por volta das 7:30 pm, cercou o local e ficou aguardando ordens. Jane não podia esperar. Sozinha, ela encontrou a forma mais segura e discreta de invadir a mansão sem ser percebida pelos outros invasores do local. Rapidamente detectou que eles ainda não estavam com a esposa e filha de Mars.

Kurt, ele está com elas. Preciso encontrá-los.

Jane conhecia bem a planta da mansão. Havia estudado isso por dias, trocando informações por mensagem com Weller. Listou três pontos da casa onde ele, provavelmente, estaria escondido aguardando reforços: a área dos empregados no porão, a nunca usada sala de música do sóton e o anexo secreto no escritório de Mars. Considerando o tempo em que a conspiração estava em andamento, Jane decidiu que o sótão era o lugar mais provável para Weller estar escondido. A essa altura, o anexo não seria mais secreto e área dos empregados podia ter sido o ponto de partida da invasão. Ela subiu da forma mais rápida e silenciosa que pode. Antes de tentar abrir a porta, ela bateu um código Morse e ouviu de volta “entre”. Assim que passou pela porta, foi sufocada pelo abraço dele, seguido do gesto que pedia silêncio. Juntos, lacraram a porta com tudo que foi possível para dificultar o acesso. Então seguiram para onde a esposa e filha de Mars estavam escondidas.

Quando entraram na saleta, Jane não foi bem recebida pelos olhares. Kurt sacudiu a cabeça e sorriu:

— Você sabe que não devia estar aqui.

— Mas eu estou e quero sair viva. O FBI já cercou a propriedade, mas acham que vocês são reféns. Tem oito homens armados lá embaixo mais quatro ao redor da casa. Se as negociações forem lentas, eles terão tempo para nos encontrar e os mandantes querem vingança. Vão matar e tentar fugir.

— E eu achava que tinha problemas antes de você passar por aquela porta. Como foi que você conseguiu autorização pra isso?

— Eu não consegui. Você pode me suspender assim que voltarmos.

Kurt bufou. Foi nesse momento que a filha de Mars interrompeu:

— Weller, nós podemos conversar em particular.

— Kathelyn, não há necessidade de privacidade aqui. Jane é nossa melhor agente.

— Se eu entendi direito, ela sequer tem autorização para estar aqui.

— Eu confio nela e vocês terão que confiar também.

— O objetivo aqui é a nossa proteção. Tudo que eu quero é garantir que a presença dela não atrapalhará isso._Kathelyn se aproximou de Kurt, colocou a mão sobre a coxa dele e quase sussurrou _ Se ela nos encontrou, os outros podem tê-la seguido. Eu confio em você e mais ninguém.

Jane respirou fundo e revirou os olhos. Weller afastou a mão de Kathelyn.

— Você tem um plano, Jane?

— Mais ou menos. Podemos nos esgueirar até quarto principal e saltar a partir da varanda. Serão só dois dos caras para abater desse lado da casa lá fora. Talvez dê certo.

— Possível. _ Kurt concordou com o plano

— Só não sei se elas são capazes de pular daquela altura...

— Eu abro caminho até o quarto e você faz a cobertura.

— De jeito nenhum, eu estou com o colete e vou na frente. Você me dá cobertura.

No caminho até o quarto, Kathelyn mal deixava Kurt caminhar de tão próxima a ele que ficava. Quando estavam quase lá, um dos invasores os interceptou e começou a troca de tiros. A esposa e a filha de Mars foram empurradas para dentro do quarto. Weller abateu o atirador, mas um segundo já estava posicionado e atirou. Instintivamente, Jane se jogou na frente dele recebendo o impacto do tiro. Kurt revidou, acertando esse segundo atirador. Imediatamente puxou Jane para dentro do quarto e fechou a porta.

— Jane, fala comigo.

Ela tentava recuperar o folego e puxar o ar:

— ...tô bem... tira elas daqui.

— não vou deixar você aqui!

— Sr. Weller _ interrompeu a esposa de Mars._ por favor, nos ajude a descer.

— Vai, Kurt, vai!

Kurt ajudou a senhora a saltar depois de a orientar para correr e se esconder entre a vegetação local. Era a vez de Kathelyn, mas seus olhos não saiam de Jane, avaliando a recuperação de sua respiração.

— Jane, tá respirando melhor?

Ela concordou com a cabeça, ainda controlando os espasmos de dor no peito pelo impacto da bala.

Quando ele soltou Kathelyn, ela caiu de mau jeito e torceu o tornozelo o que a impediu de seguir a mãe.

— Droga! _ Kurt voltou para Jane _ Ei, vou te ajudar a descer. Vem.

— Não, vai você.

—Não temos tempo pra discussões, Jane. Ou você desce primeiro, ou ficamos os dois aqui.

Sem opção, Jane saltou e, lá embaixo, ajudou Kathelyn a caminhar. Kurt veio logo depois. Assim que se aproximou das meninas, a filha de Mars choramingou:

— Eu não consigo mais caminhar... Se você não puder me carregar, pode me deixar aqui.

Kurt a pegou nos braços e olhou para Jane que decidiu sequer olhar a cena. Caminharam por alguns minutos até encontrarem um lugar que parecia seguro, onde Kathelyn foi devolvida ao chão. Ela correu a mão por seu peito:

— Não tenho palavras pra agradecer tudo o que tem feito por mim nos últimos dias.

Ele respondeu no mais seco estilo Weller:

— Estou apenas fazendo meu trabalho._ e se aproximou de Jane que estava enviando uma mensagem a Patterson _ Você está bem?

— Não tão bem quanto você, mas eu vou sobreviver.

Ele entortou a cabeça para o lado e coçou o nariz num claro sinal de irritação, mas respirou fundo e continuou:

— Você não pode continuar com isso. Se jogar na frente de um tiro pra me proteger é...

— O que você faria?

Ele parou e olhou para ela. Mesmo no escuro, ele podia ver traços do verde de seus olhos:

— Deixa eu te ajudar a tirar esse colete. O peso pode estar dificultando ainda mais sua respiração. _ e puxou o colete por cima de sua cabeça. _ Melhor?

— Sim.

— Sr. Weller, sua obrigação é nos proteger e agora minha filha está machucada.

Kurt se aproximou de Kathelyn e rasgou as mangas de sua camisa para imobilizar seu pé. Como não foi o bastante, Jane também arrancou as suas.

— Aqui, use as minhas também. Vai fixar melhor.

Em minutos ouviram passos próximos dali. Ficaram em silêncio completo. Os passos estavam cada vez mais perto. Jane e Kurt se posicionaram em alerta:

— FBI! Mãos para o alto. _ o agente gritou

Todos respiraram aliviados. O socorro chegou.

Foram em segurança para as viaturas, Kathelyn nos braços de Kurt, claro. Com a iluminação do local, Jane teve que se esforçar para ignorar os olhares de repulsa que mãe e filha fizeram ao visualizar suas tatuagens.

Após deixar Kathelyn ao cuidado dos médicos, Weller correu atrás de Jane que já estava quase entrando na SVU e a pegou pelo braço:

— Ei, onde você vai? Os paramédicos estão do outro lado.

— Kurt, estou bem. Tudo que quero é ir pra casa.

— Você precisa ser avaliada e sabe disso.

Jane parecia profundamente irritada. Naquele momento era possível ver Remi no brilho dos olhos de Jane:

— Se eu for obrigada a ficar mais um segundo na presença daquelas duas, não me responsabilizo.

Kurt a envolveu delicadamente num abraço.

— Não posso te culpar por isso. Os últimos dias foram um inferno.

— Sério? Elas pareciam gostar de você.

Ele se afastou um pouco, olhou nos olhos dela e afastou seu cabelo para trás da orelha:

— Obrigada por me buscar. Você me salvou duas vezes: dos bandidos e das cobras._ Jane sorriu de fora discreta e triunfante._ Eu já te disse que eu gosto quando isso acontece?

— O que?

— Quando eu vejo Remi em você.

— Não posso dizer que fico feliz com isso.

— Você estava lá o tempo todo dentro dela, Jane. Mas estava sufocada por toda a doutrinação de Shepherd. O ZIP te deixou florescer. _ e beijou suavemente os lábios dela _ e então, você prefere um pronto socorro qualquer ou lá no NYO?

Jane revirou os olhos:

— Você fez tudo isso de propósito!

— Estou ficando bom nisso. Agora eu preciso fazer mais uma coisa. _ e pegou Jane nos braços _ Eu preciso ter a mulher que realmente merece nos meus braços.

Após a surpresa, Jane recostou sua testa na dele:

— Você não tem noção de perigo...

— Você é que não tem noção da falta que me fez nos últimos dias. Vamos, eu preciso ter certeza que você está bem para não deixar nem sequer um milímetro nos separando.

— Promessa?

— Você me tem totalmente.

Na manhã seguinte, Mars foi pessoalmente até o SIOC agradecer a Weller pelos serviços prestados. Informou que sua família estava se mudando para a França e disse que ficaria extremamente feliz se Kurt aceitasse ser o novo chefe de sua equipe de segurança pessoal. A oferta foi pronta e educadamente recusada.

— É realmente uma pena, Assistente de Diretor Weller. Mesmo assim, insisto em te oferecer um presente. Uma viagem, pode ser?

— Senhor, eu fiz apenas o meu trabalho, não posso aceitar.

Se despediram. Enquanto acompanhava Mars até o elevador, Hirst não se conteve:

— Sr. Mars, a esposa de Weller gostaria muito de visitar a Africa do Sul.

— Oh, muito obrigada por essa informação.

Ao final da tarde, Weller e Jane receberam a viagem como presente.

Notas finais
Desculpem-me pela falta de intensidade nos diálogos. Imaginei tudo bem mais dramático, mas tive muita dificuldade em escrever. Obrigada.