Moira

5 Quando os Fios se Cruzam


Notas iniciais
Boa noite! Espero que todos estejam bem. E maio se foi e junho ja veio como seu antecessor com feriado logo no início do mês, além claro de ser um mês que promete muita coisa pela frente, entre Festa Junina, Copa e um monte de outras coisas. Mas pra comecar bem por aqui, consegui trazer uma atualização. Espero que gostem.


Enfim, desviei o olhar e terminei de descer as escadas. A postura ereta, o sorriso contido demais para parecer verdadeiro. Ainda assim, quando alcancei o último degrau, senti o breve silêncio que se formou no ambiente e tive a nítida impressão de que o olhar dele continuava sobre mim.

Observando.

Analisando cada passo, cada movimento que fazia.

Como alguém que avalia cuidadosamente a mercadoria antes de fechar negócio. Meu avô se adiantou imediatamente para fazer as apresentações antes de nos conduzir até a sala de estar.

Effie Mellark era, sem dúvida, a pessoa mais animada do ambiente. Continuava sorrindo mesmo depois de nos acomodarmos nos sofás, admirando tudo ao redor como se estivesse encantada pela casa, pelas obras antigas nas paredes e pelas enormes janelas voltadas para o jardim.

"Espero que apreciem o vinho", meu avô disse enquanto os empregados serviam as taças.

Para ele, aquilo nunca era apenas hospitalidade. Era tradição, o vinhedo da família precisava estar presente em cada jantar.

"Eu aprecio bastante", Effie respondeu com entusiasmo imediato.

"Não sou exatamente um especialista em vinhos." Haymitch admitiu. "Normalmente acabo preferindo whisky." Meu avô ergueu uma sobrancelha.

"Whisky?"

"Ou uma boa cerveja." Ele deu de ombros.

Effie ficou ligeiramente sem graça, enquanto Prim abaixava o rosto discretamente, tentando esconder um sorriso. Ninguém nunca havia falado algo assim para meu avô antes. Observei Peeta negar gentilmente a bebida oferecida a ele.

"Whisky é uma bebida muito forte", meu avô comentou, num tom educado demais para esconder o desagrado.

Ele provavelmente jamais havia considerado experimentar algo que não viesse de uma adega sofisticada.

"É uma ótima bebida", Haymitch respondeu sem se incomodar. Por um instante, achei que meu avô responderia, mas ele não disse nada, e vi Effie lançar um olhar de advertência para o marido.

"Haymitch acha que qualquer conversa pode ser melhorada com uma dose de whisky."

"Não qualquer conversa." Ele corrigiu. "Algumas geralmente exigem duas ou três doses." Peeta soltou uma risada baixa. E vi que Effie tocou levemente o braço do marido antes que ele continuasse.

"Haymitch, querido..." O sorriso dela aumentou só um pouco, daquele jeito treinado das mulheres que sabem contornar situações desconfortáveis em público. "Ouvi dizer que este é um dos melhores vinhos da região. "Eles trocaram um olhar breve, como se compartilhassem uma conversa silenciosa só deles.

Depois de alguns segundos, ele cedeu e pegou a taça, enquanto ela dizia alguma coisa em outro idioma baixo e rápido demais para que eu entendesse alguma coisa. Ainda assim, pelo pequeno sorriso cansado que surgiu no rosto dele, imaginei que fosse algum tipo de advertência carinhosa.

Meu avô, por outro lado, pareceu satisfeito imediatamente.

Como se tivesse vencido uma disputa invisível.

E logo voltou a falar sobre os vinhedos da família com orgulho. Sobre as safras daquele ano. Sobre o solo fértil da região e sobre suas uvas serem diferentes das produzidas no restante da região.

Enquanto isso, permaneci em silêncio, girando lentamente o copo de suco entre os dedos. Desejando que, no lugar do suco, houvesse qualquer coisa com teor alcoólico forte o suficiente para me fazer suportar aquela noite.

“Você se formou este ano, Peeta?” meu avô perguntou pela primeira vez diretamente a ele.

“Sim, senhor”, respondeu com calma. A voz era gentil. Firme, mas sem qualquer esforço exagerado para impressionar.

Evitei olhar para ele por alguns segundos, mas quando meus olhos voltaram em sua direção, Peeta continuava exatamente à vontade. Como se aquela situação não tivesse peso algum sobre ele.

“Direito, correto?” meu avô continuou. “Excelente escolha. Já pode exercer?”

“Sim.” Ele assentiu de leve. “Já concluí o curso e finalizei o estágio obrigatório.” Meu avô pareceu satisfeito com a resposta.

“Pretende montar um escritório na cidade? Assumir alguns casos? Seu pai não parece ter planos de se aposentar tão cedo. Talvez seguir carreira no Ministério Público no futuro?”

“Na verdade, não.” Peeta respondeu sem hesitar. “Neste momento pretendo me dedicar aos negócios da família. Talvez assumir um caso ou outro de vez em quando, mas nada em grande escala. Não tenho planos além disso.”

“Uma pena.” A observação veio quase imediatamente. “É um curso longo. Você estudou em uma universidade prestigiada, passou anos fora da cidade...” Peeta apenas ouviu. “Então por que Direito?” meu avô continuou. “Administração ou Finanças não seriam escolhas mais úteis para alguém que pretende trabalhar nos negócios da família?”

“Acredito que o senhor já ouviu falar do meu avô materno.” Meu avô assentiu.

“Claro. Não tive o prazer de conhecê-lo, mas ouvi ótimas coisas sobre ele, mesmo não sendo da região.”

Aquilo não me surpreendeu. Meu avô dificilmente aceitaria esse acordo sem saber exatamente quem eram e de onde vinham.

“Ele foi promotor e depois juiz durante muitos anos. Se aposentou há pouco tempo. A maior parte da família da minha mãe seguiu caminhos ligados ao Direito. Cresci ouvindo conversas sobre tribunais, processos e leis durante almoços de domingo e férias de verão.”

“Então escolheu Direito para seguir os passos dele?” De alguma forma eu sabia que aquela resposta interessava ao meu avô.

Honrar o legado familiar era algo que ele valorizava profundamente.

“De certa forma.” Peeta respondeu. “Mas estou entre dois grandes legados.” Ele lançou um breve olhar para Haymitch. “Meu avô dedicou a vida ao Direito. Meu pai transformou um pequeno negócio familiar no que ele é hoje. Tenho orgulho dos dois.”

“Mas optou pelo Direito.”

“Porque me pareceu o caminho natural.” Peeta respondeu. “Não para agradar meu avô. Foi uma escolha minha.” Meu avô permaneceu em silêncio. “E também porque sabia que poderia usar esse conhecimento no futuro.”

“Como?”

“Posso contratar administradores. Posso contratar contadores.” Peeta respondeu com tranquilidade. “Mas o Direito me ensinou a pensar de forma analítica, a tomar decisões sob pressão, a negociar, a resolver problemas e a lidar com pessoas.” Ele deu um pequeno sorriso. “Uso essas habilidades todos os dias.”

Por algum motivo, aquela resposta pareceu agradar meu avô. Talvez porque os dois estivessem falando exatamente a mesma língua.

“Muito bom.E como é Atenas?” perguntou em seguida. “Imagino que seja bem diferente de Thalesse.”

“É bastante diferente”, Peeta respondeu. “O centro histórico é sempre movimentado. Perto da Acrópole há fluxo constante de turistas, estudantes e moradores. Mesmo tarde da noite ainda existem cafés abertos, músicos nas ruas, pessoas conversando nas praças…” Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. “É uma cidade que nunca desacelera completamente.”

Ele mantinha um tom tranquilo demais enquanto falava.

Os minutos seguintes foram tomados por comentários sobre os estudos dele. Effie fazia elogios constantes ao filho, claramente orgulhosa, enquanto Peeta aceitava tudo com educação. Haymitch, por outro lado, parecia distante da conversa. Bebia vinho devagar, como alguém apenas esperando a noite terminar.

“E você, Katniss?” Effie perguntou de repente, trazendo minha atenção de volta. “O que está estudando?” Por um segundo, todos os olhares recaíram sobre mim.

“Iniciei o segundo ano de História”, respondi com cuidado.

“Que ótimo.” O sorriso dela pareceu genuíno. “É uma área muito interessante. Pretende lecionar? Ou talvez seguir algo ligado à cultura e turismo?”

“Ainda não tenho certeza, senhora.”

Ela me observou como se esperasse uma resposta mais elaborada, mas eu não sabia o que dizer. Porque a verdade era que eu tinha parado de pensar no meu futuro no instante em que meu avô decidiu planejá-lo por mim.

“Katniss ama História”, meu avô interveio antes que o silêncio se tornasse estranho. “Ela é mais reservada, então escolhemos algo mais amplo, voltado ao conhecimento e ao interesse pessoal. Nesse primeiro momento." Fiz um esforço enorme para não reagir ao “escolhemos”. “Educação é importante, claro”, ele continuou. “Mas nem todos precisam definir um caminho tão cedo. E, naturalmente, Katniss também foi muito bem instruída para administrar uma casa e receber convidados adequadamente. Toda esta noite foi organizada por ela.”

“Ah, sim. Educação é realmente importante”, Effie concordou prontamente. “Peeta, além de formado em Direito, fala outras três línguas fluentemente. Inglês, português e espanhol.”

“Isso é excelente para os negócios”, meu avô comentou com aprovação imediata. Então lançou um olhar breve na minha direção. “Katniss também estudou inglês durante alguns anos. Sempre teve facilidade para aprender.”

Como se aquilo fosse equivalente.

Effie assentiu com simpatia enquanto meu avô continuava falando sobre cursos de etiqueta, música, boas maneiras e todas as qualidades que, segundo ele, faziam de mim uma futura esposa exemplar.

Como se estivesse descrevendo um investimento valioso antes de fechar um acordo. Por sorte, o jantar foi anunciado antes que ele pudesse continuar e seguimos para a sala de jantar, onde uma sequência de pratos já nos aguardava sobre a mesa longa iluminada pelos castiçais baixos e cheiro das ervas frescas preenchia o ambiente.

Como entrada, foram servidos dolmades, azeitonas temperadas, queijo feta com azeite e orégano, além de pão ainda quente. Depois veio o cordeiro assado lentamente com alho, limão e ervas, acompanhado de legumes e batatas douradas. Mags havia deixado tudo impecável.

Como sempre.

Meu avô fez questão de escolher pessoalmente os vinhos do vinhedo para acompanhar cada etapa do jantar, descrevendo cada garrafa com um orgulho quase solene.

Pouco foi dito durante a refeição, como era costume naquela casa.

Ainda assim, os convidados pareciam satisfeitos, elogiando discretamente os pratos e a sobremesa servida ao final. Uma massa filo crocante recheada com creme de chocolate branco e mel.

O café foi levado para a sala de estar e foi ali que meu avô finalmente tocou no assunto que realmente importava para ele.

A data do casamento.

"Com um noivado tão longo, acredito que o casamento sair ainda esse ano seja de bom tom."

“Estamos abrindo um novo restaurante em Atenas agora em dezembro”, Haymitch comentou enquanto girava lentamente a colher em sua xicara. “Peeta cuidou de boa parte disso enquanto esteve lá, mas ainda temos muito trabalho pela frente.” Ele lançou um olhar rápido para o filho antes de continuar. “Acho melhor aguardarmos a inauguração… e também as festas de fim de ano. Depois disso podemos conversar com mais calma sobre o casamento.”

“Janeiro é um excelente mês”, meu avô respondeu imediatamente, como se aquilo já estivesse decidido. “Tenho certeza de que Katniss consegue organizar tudo até lá. E eu mesmo cuido da papelada.”

“Não se preocupe com a burocracia”, Peeta acrescentou com um leve sorriso. “Isso já faz parte da minha rotina.”

O jeito calmo como ele disse aquilo me causou um desconforto difícil de explicar. Como se contratos, assinaturas e casamentos arranjados fossem apenas mais uma parte natural da vida dele.

Enquanto, para mim, aquilo parecia cada vez mais uma sentença, minutos depois Effie voltou a sorrir, animada com outro assunto.

“Snow, ouvi dizer que tem um belíssimo jardim. É verdade?”

“Sim, é verdade”, meu avô respondeu, visivelmente satisfeito. “Tenho um apreço especial por rosas. E, sem querer me vangloriar, acredito que seja um dos jardins mais bonitos da cidade.”

Se havia algo que eu podia afirmar com certeza, era o amor do meu avô pelas roseiras.

“Eu amo jardinagem e paisagismo e adoraria conhecer”, Effie disse, encantada.

Nesse momento, Haymitch teve um leve acesso de tosse e recebeu um olhar atravessado da esposa.

“Se a senhora quiser, Primrose e Katniss podem levá-la agora”, meu avô sugeriu. “É um dos poucos jardins da região com iluminação noturna.”

“Eu adoraria.” Nos levantamos e, antes de sairmos, Effie chamou. “Peeta, querido, nos acompanha?”

Ele apenas assentiu e nos seguiu. O jardim era de fato lindo parecia pertencer a outra casa. Longe dos corredores escuros, das paredes silenciosas e da sensação constante de vigilância que existia dentro da mansão.

As luzes baixas espalhadas entre os caminhos de pedra iluminavam suavemente as roseiras, as colunas claras e os vasos de terracota espalhados pelo espaço. O perfume das flores se misturava ao cheiro fresco da terra.

Ao fundo, a estufa de vidro refletia a luz dourada como uma lanterna silenciosa no meio do jardim. Algumas cigarras ainda cantavam entre as árvores, embora a noite já começasse a esfriar típico daquela época do ano.

Observei Effie apressar o passo ao lado de Prim, nos deixando para trás e não sabia se devia ou não seguir o ritmo dos passos dela.

“Minha mãe não entende nada de flores”, Peeta comentou ao meu lado. “Nunca colocou a mão na terra.”

“Mas ela disse que adorava”, respondi, sem entender. Ele soltou um sorriso breve.

“Eu pedi que ela fizesse isso. Todos na cidade parecem saber do apresso que seu avô tem por esse jardim.” Então ele me olhou por um instante. “Queria um momento a sós com você… se não se importar.”

Assenti, diminuindo o passo enquanto caminhávamos pelo jardim. Olhei para Prim alguns metros à frente, completamente envolvida em uma explicação animada sobre rosas e arranjos de mesa.

“Não tivemos muito tempo para nos conhecer”, Peeta comentou ao meu lado. “Faz anos que não venho para Thalesse.”

“Você esteve fora desde sempre, pra mim”, respondi antes de pensar, ele sorriu de leve.

“Acho que isso é culpa minha e devo me desculpar.”

“Não se preocupe com isso. Você estava estudando, por isso esteve fora.” Ele concordou de leve.

“É… acho que me sinto um pouco um forasteiro aqui agora.”

“Não mudou tanto assim”, dei de ombros. “Acho que você não perdeu muita coisa. Provavelmente conheceu lugares bem mais interessantes do que a cidade.”

“Não posso negar isso”, ele admitiu. “Tive a oportunidade de viajar bastante.”

A luz dourada dos pequenos postes do jardim iluminava parte do rosto dele enquanto caminhávamos devagar entre as roseiras. Ele parecia pensar enquanto falava. “Mas, sinceramente? Depois de um tempo, os lugares começam a parecer menos interessantes quando você quase nunca consegue parar neles de verdade. Embora tenha ficado bastante tempo em Atenas confesso.”

Aquilo me surpreendeu um pouco.

Porque eu esperava arrogância.

Não sinceridade.

Ele me observou por um instante, como se tentasse entender o que eu estava pensando.

“Katniss… não quero que pense que não me importo com você.” A voz saiu calma. “Eu me importo.”

“Você se importa com alguém que nem conhece?” perguntei antes de conseguir me impedir.

Me arrependi quase imediatamente, a última coisa que eu precisava naquela noite era criar algum tipo de problema com ele e, consequentemente, irritar meu avô. Mas Peeta não pareceu ofendido, ele apenas colocou as mãos nos bolsos da calça, tranquilo.

“Segundo seu avô, vamos nos casar em janeiro”, respondeu com naturalidade. “Acho que seria estranho se eu não me preocupasse com você.”

“E vamos?” perguntei e ele inclinou levemente a cabeça.

“Não sei… vamos?” Desviei o olhar para as luzes refletidas nos mosaicos da pequena fonte ao lado do caminho.

Eu queria dizer que não, queria dizer que fugiria dali em menos de vinte e quatro horas, mas não podia.

“Se meu avô decidiu… e você concorda… então sim.” Peeta parou de andar e eu parei também.

“E você concorda?”

“Meu avô sabe o que é melhor pra mim”, respondi automaticamente. “Então eu concordo com o que ele decide.” Ele ficou em silêncio por alguns segundos, como se analisasse não apenas minhas palavras, mas a forma mecânica como elas saíram.

“Certo…” A voz dele veio mais baixa. “Mas e se seu avô escolhesse alguém terrível pra você?” Franzi a testa.

“Terrível como?”

“Um homem arrogante. Prepotente. O tipo de pessoa que entra em um ambiente achando que tudo pertence a ele.” Antes que eu pudesse pensar melhor, as palavras escaparam.

“Você é assim?” Parte de mim praticamente gritou para que eu ficasse quieta, mas, de algum modo, perto dele, minhas respostas pareciam sair antes que eu pudesse controlá-las.

Peeta riu.

Um riso baixo, genuinamente divertido.

E aquilo talvez tenha sido a coisa mais inesperada daquela noite, pelo menos até ali.

“Não”, respondeu, ainda sorrindo de leve. “Ou pelo menos espero que não.”

“Isso é bom”, murmurei. “Acho que meu avô não escolheria alguém assim.” Pensei imediatamente em Annie. No que ela provavelmente diria em uma situação assim.

Peeta me observou por mais um instante antes de voltar a caminhar lentamente.

“Mesmo assim… eu gostaria de ser sincero com você.” Por um segundo, desejei que ele dissesse que também não queria aquilo. “Como você deve imaginar, é a primeira vez que minha família faz um acordo desse tipo.” Ele respirou fundo antes de continuar. “E, pessoalmente… eu não acho que relacionamentos funcionem bem quando outras pessoas tomam todas as decisões.” Fiquei quieta. “O que eu quero dizer é…” Ele procurou cuidadosamente as palavras. “Eu gostaria de conhecer você antes de qualquer coisa. Quero que isso dê certo, mas não quero que comece como um negócio tratado apenas entre seu avô e minha família.”

As cigarras continuavam cantando baixo entre as oliveiras enquanto o silêncio crescia entre nós.

“Eu não quero que essa seja a lembrança que você tenha desse dia”, ele completou. Então levou a mão ao bolso interno do terno e retirou uma pequena caixa de veludo escuro. Ele não se ajoelhou e talvez justamente por isso tudo tenha parecido ainda mais real. “Na verdade…” Peeta soltou um pequeno sorriso sem jeito. “Eu gostaria de fazer isso direito. Te chamar pra sair primeiro. Conhecer seus lugares preferidos. Descobrir coisas simples sobre você antes de chegar nessa parte.” Olhou rapidamente em direção à casa iluminada atrás de nós. “Mas, pelo que entendi hoje, seu avô espera algo mais… oficial.” Voltou os olhos para mim. “Então acho que já estou atrasado.”

Ele abriu a caixa, o anel era delicado. Uma pedra de corte esmeralda cercada por ouro claro, elegante sem parecer exagerada. Bonito demais.

“Katniss Everdeen…” A voz dele saiu baixa, mas firme. “Você aceita se casar comigo?”

Meu peito apertou imediatamente.

Aquilo não era certo.

Eu iria embora no dia seguinte.

E, ainda assim, ele estava ali tentando transformar tudo em algo digno.

Por minha causa.

Por um instante terrível, tive vontade de contar a verdade.

Mas não contei.

“Eu aceito.”

O sorriso dele surgiu devagar.

Mais suave dessa vez.

Sob a luz dourada do jardim, os olhos azuis pareceram ainda mais claros enquanto ele segurava minha mão com cuidado para colocar o anel no meu anelar direito, seguindo a tradição. Os dedos dele eram quentes.

“As alianças podemos escolher depois”, comentou com um sorriso leve.

E naquele momento, desejei com todas as forças que Peeta Mellark fosse exatamente o tipo de homem que eu sempre imaginei que fosse.

Porque teria sido muito mais fácil ir embora se ele fosse.

Notas finais
É isso. Espero que tenham gostado da primeira participação do loiro. Ele não se ajoelhou. Eu queria que tivesse acontecido? Sim. Mas achei que fazia mais sentido ele apenas levar dar o anel. Me contem o que acharam. Vou tentar trazer o próximo capítulo no final de semana. Acho que é possível. Beijos e até breve.