Modified - Interativa.
43 Outside
Notas iniciais
Maison pegou a mochila na caçamba da caminhonete que Eva havia dado a eles e a jogou para Luke. O moreno a pegou e virou-se para os amigos.
– Onde vocês vão?
– Difícil saber. — Daphne respondeu por Calebe.
– Eu quero ir para algum lugar frio. — Calebe deu de ombros.
– E eu pra praia. — Daphne disse, olhando atravessado para o namorado. — Você já viu uma ruiva no gelo?
– Você já viu Calebe di Cássio numa praia?
– Eu convenço ele, pode deixar. — Daphne sorriu para os amigos, ignorando o namorado.
– Aposto que sim. — Maison deu um abraço na amiga. — Vou sentir sua falta ruivinha.
– Eu também. — Daphne enxugou as lágrimas. Deu um abraço em Luke também. — Não acredito que vamos ir embora do país.
– Nem me fale. — Calebe apertou a mão estendida de Luke.
– Eu era o herdeiro de um império. — Luke disse. — Mas... Vale mais a pena sair por aí com essa morena.
– Desde que haja dinheiro pra isso. — Calebe deu um meio sorriso sacana.
– Ah, corta essa. — Maison deu um abraço em Calebe, que não curtiu muito. — Há coisas na vida que superam o dinheiro, e eu acho que você já descobriu qual é.
Calebe olhou para ela com indignação.
– Eu ainda venderia seus pulmões pra comprar um carro, se quer saber.
Maison deu risada. Calebe não mudava mesmo. Sem chance de ficar mais solidário, mesmo com Daphne por perto. Mas ela tinha certeza de que com Daphne, Calebe era completamente carinhoso. Ou não. Talvez ela gostasse de caras rudes.
– Boa sorte gente. — Luke desejou. Eles deixaram a caminhonete ali no aeroporto mesmo. Entraram e compraram as passagens.
Luke e Maison compraram passagens para o Peru. Daphne e Calebe brigaram, mas compraram passagens para conhecer Portugal.
– Tchau. — Luke abanou para os amigos, que andaram até o portão de embarque, indo em caminho para uma vida nova, e puxou Maison com ele. — Acha que eles vão conseguir viver juntos?
– Entre guerras de garfos atirados um contra o outro, com certeza. Mas vão. — Maison respondeu, dando um beijo no namorado. — Então vamos lá, Lukey.
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Em San Francisco, em uma cafeteria estava Hugo. O garoto ultimamente tinha sentido um vazio estranho. Como se algo que deveria estar dentro de sua mente não estivesse mais. Estava servindo um donut à um senhor quando a porta se abriu. Uma garota de cabelos castanhos e olhos azuis entrou no lugar com uma amiga, loira de olhos azuis também. A morena usava uma camiseta dizendo "Peace out, bitches" e uma calça preta. Já a amiga um blusa azul royal listrada e uma legging preta.
– Bom dia. O que vão querer? — Ele perguntou, olhando fixamente para a morena, com um sentimento de déjà vu.
– Seu whatsapp por favor. — Diana respondeu, com um sorriso. Hugo sorriu de lado, envergonhado.
– Ela quis dizer dois copos de milkshake de chocolate. — Lilah corrigiu, gargalhando.
– Claro. — Hugo disse, anotando o pedido e se retirando rapidamente.
– Por que você espantou o garoto? — Diana repreendeu a amiga.
– Oras, vocês estavam quase se comendo com os olhos. — Lilah respondeu.
– Hum. — Diana olhou por cima do ombro. — Talvez daqui a pouco não seja só com os olhos.
Lilah engasgou.
– Sua tarada! — A loira gritou, apontando para Diana.
– Cala a boca, ele tá vindo! — Diana tapou a boca da amiga.
Hugo entregou os milkshakes para as garotas.
– Obrigada. — Lilah agradeceu.
– Qual o seu nome? — Diana perguntou, antes de Hugo voltar para atender outros clientes.
– Hugo.
– Diana, sua futura namorada. Prazer.
Hugo ficou vermelho, mas não conseguiu disfarçar o sorriso e a coceira na mente como se dissesse que já conhecia aquela garota. Então só deu de ombros.
– Quem sabe? Eu adoraria. — Hugo disse, piscando para Diana. Lilah engasgou com seu milkshake. Hugo saiu de perto da mesa e Diana riu.
Quando Diana colocou a boca no canudo para tomar seu milkshake, algo lhe atraiu a atenção. Um papel com um número de telefone na bandeja. Então ela sorriu, sacudindo o papel na frente do rosto de Lilah.
– Acho que acabei de arranjar um futuro namorado. — Ela riu.
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Já do outro lado da cidade, uma garota de cabelos pretos curtos repicados e olhos verdes estava em um parque, pintando alguns quadros. Outras pessoas diriam que era sombrio. Ela achava maravilhoso. Em um dos quadros, havia uma garota ruiva, jogada meio à pedras banhadas em águas vermelhas. A água avermelhada sugeria que era sangue. Em outro, um garoto loiro era alvejado por tiros. Sangue em todo lado. Em outro, um garoto de olhos castanhos tinha seu pescoço cortado com uma faca. Em ainda outro, um homem estava no chão, os olhos abertos e uma faca cravada no peito. Ela estava dando os últimos retoques no quadro de um garoto que era branco como neve quando um garoto parou ao seu lado.
– Bonitos quadros. — Ele disse, parado na frente do quadro da garota de cabelos compridos até os joelhos levando uma facada fatal nas costas.
– Obrigada. A maioria das pessoas acha um pouco sangrento para uma boa menina como eu. — Charlie respondeu, cansada por ser rotulada.
– Não pare de desenhá-los, eles realmente valem a pena. — O garoto continuou. Passou olhando cada um dos quadros. Mas estacou no quadro da ruiva. — Clary. — Ele murmurou, separando as sílabas do nome.
– Clary? — Charlie repetiu.
– Ahn? Desculpe. Eu tenho tido sonhos com essa garota. Desculpe. Deve ser uma coincidência.
– É exatamente esse o nome dela. Clary James. Sonhei com ela ontem à noite. — Charlie respondeu, olhando nos olhos do garoto.
– Você a vê nos seus sonhos? O quê? — Ele ficou confuso. Como alguém poderia ter sonhado com uma garota que ele sonhou?
– Desculpe, não deveria ter falado nada. — Charlie se encolheu. Pegou os quadros e começou a empilhá-los. Já ia indo embora quando ele agarrou seu braço.
– Eu sou David. David Mills.
– E eu Charlotte Rowley.
– Quer tomar um café?
Charlie o observou. Os olhos castanhos não pareciam de alguém que não fosse "do bem". Ele tinha feições que a lembrava de garotos encrenqueiros, embora ele não parecesse um.
– Desde que você pague a conta. — Charlie sorriu, sarcástica.
– Aceito a condição. — David sorriu.
Mal sabiam que eles já haviam combinado esse café há muito tempo, justamente para homenagear os amigos falecidos. Finalmente cumprindo a promessa que fizeram havia dois meses.
~~☆★~~
Andy estava gravando um vídeo para seu blog no seu quarto.
– E é assim que derrotamos aquele zumbi desgraçado. E é melhor ter muita munição, galera.
– Andrômeda! — Sua mãe gritou lá do andar de baixo.
– Opa! Prevejo uma batalha aqui gente. Até amanhã! — Andy sorriu e desligou a câmera.
– Andrômeda! Não sei se você sabe, mas amanhã as aulas voltam! Eu preciso da minha câmera de volta. — Seu irmão berrou do outro lado da porta. Ainda bem que ela tivera o bom senso de trancar a porta.
– Já vai, maninho. — Andy o acalmou.
Se levantou da cadeira e foi procurar a câmera. Fuçou as malas, que já haviam sido esvaziadas quando voltara da viagem do colégio. Quando pegou a câmera aproveitou para passar os vídeos e as fotos para o computador. Depois entregou a câmera para o irmão.
Quando foi ver os arquivos da câmera havia mais de 12 vídeos que ela não lembrava de ter filmado. Clicou no primeiro.
Uma garota morena estava dirigindo um carro ao lado de uma ruiva. Andrômeda estava no banco de trás, e ao seu lado havia garoto de cabelo castanho e óculos pretos, e do outro lado dele, uma garota de cabelos negros e olhos verdes.
– Falaí Maison, qual é sua história? — Andrômeda perguntou. Maison sorriu, olhando para a estrada afrente.
– Sou filha adotiva dos Drummond. Minha mãe é uma perua loira e siliconada e meu pai um homem que nem tempo tem para as filhas. Tenho uma irmãzinha que se chama Marie. E tenho uma vida de Barbie. Casa perfeita, closet perfeito, carro perfeito. Nada do que reclamar eu acho.
– Que vida difícil. — A outra ruiva disse, rindo. — Eu sou Clary James. Meus pais me odeiam. Minha tia é a única que me apoia e eu sou filha única. Gosto de fazer música. Não tenho vida perfeita, mas ser ruiva com certeza recompensa.
– Tá bom, tá bom! Agora sou eu! — A de cabelos pretos compridos exclamou. — Eu sou Charlotte Rowley, só Charlie, por favor. Tenho pais amorosos e fofos, sem irmãos, gosto de desenhar, e... É isso.
– Eu sou Pietro Kennedy. Nerd antissocial e um pouco emo gótico. — Ele deu risada. — Mentira. Não tenho tempo pra ter uma reputação com tantos animes, jogos e séries de TV me esperando. Segundo filho de três.
– Eu sou Andrômeda Alves. Tenho pais legais, um irmão chato que eu não vivo sem e um blog na internet. E estou gravando isso tudo! — Andy contou. Maison apontou para um Camaro vermelho na frente da Ferrari.
– Tá vendo? O motorista daquele Camaro é um idiota. E sabe o que eu vou fazer? Colocar uma música bem alta pra irritar.
– Você e o motorista do Camaro parecem o tipo de casal que foge junto para algum lugar do mundo. — Pietro disse. Maison bufou.
– E você do tipo que é adorável de boca fechada.
– Uuh, turn down for what! — Clary riu.
– Isso é o que eu ganho quando meu celular acaba a bateria. — Pietro rolou os olhos.
– Sério, nós deveríamos ser tipo, melhores amigos para sempre. — Andy sugeriu.
– Ah, eu apoio. — Charlie se inclinou para frente. — Juramento do dedinho?
– Isso é meio não eu. Mas ok. — Pietro concordou. Ele puxou o dedo de Charlie com o dele, aí Andrômeda colocou o dedo ali também, depois Maison depois Clary.
– Amigos para sempre! — Clary gritou, animada. — Mantenham contato, tá?
– Nem se eu esquecesse de vocês poderia esquecer de vocês. — Andrômeda riu.
A Andrômeda do presente fechou o notebook sem terminar de assistir o vídeo. Era ela ali naquele carro, mas por que não lembrava de nada? Onde estavam as pessoas que estavam com ela?
Anotou o nome deles em um papel e se decidiu que jogaria o seus nomes no google mais tarde. Ela tinha que descobrir.
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Longe dali, uma garota de cabelos verdes recém pintados novamente estava tomando coragem para saltar de paraquedas.
Estava já dentro do helicóptero, que decolava. Dois novatos estavam esperando para pular também. Uma garota de cabelos coloridos arco-íris e um garoto com uma cicatriz na bochecha.
– Oi. — A garota de cabelos coloridos disse. — Meu nome é Mariana.
Cath estranhou a simpatia da garota, mas apreciou o gesto.
– Eu sou Catherine. — Ela apertou a mão estendida da garota. Virou-se para o garoto. — E você é?
– Allec Campbell. — Ele respondeu. Parecia calmo, até mesmo feliz.
– Ele é meu colega no colégio. — Mariana contou.
– Você entrou lá faz uma semana. — Allec disse. — Parece que me conhece há meses.
– Desculpa querido, não posso fazer nada. — Mariana sorriu.
– Vocês namoram ou algo assim? — Cath perguntou, confusa.
– Eu sou muito livre pra me prender a uma pessoa. Sou um pássaro. — Mariana respondeu. — E mesmo que eu quisesse colocar uma coleira, ele é muito chato.
Allec riu e mostrou a língua pra ela.
– Não, ela é muito louca pra mim. — Ele concluiu. Mariana deitou a cabeça no colo dele, que nem se importou. Ela fazia o que dava na telha mesmo.
– Então... Vocês estão aqui pra pular de paraquedas, não é? — Cath tentou arranjar um assunto.
– Dã. — Allec riu.
– Ah meu deus, eu pensei que estivesse na fila do pão. — Mariana brincou, rindo. Então deu um tapinha no braço de Cath. — Tô brincando, Graminha. Nós deveríamos pular os três juntos, hã? Como nos velhos tempos.
– Velhos tempos? — Cath riu.
– Vidas passadas, que tal isso? — Mariana sugeriu. Quase revelara.
– Só um por vez, mocinha. — O instrutor disse, se levantando do banco da frente. — Catherine Jones, vamos lá?
– Vamos. — Cath se levantou do banco.
– Hey, Cath. Eu vou ligar pra você, hein. — Mariana avisou.
– Você não tem o número dela. — Allec rebateu, confuso.
– Então eu passo na sua casa com Allec. — Mariana deu de ombros.
– Iria ser legal se tivéssemos o endereço. — Allec disse.
– Encontrem-me, dupla da pesada. — Cath piscou o olho.
– Isso é canja, garota do cabelo verde.
Ela verificou a roupa de salto e olhou para fora do helicóptero. O helicóptero já estava em seu máximo. Um pouco assustador, mas ela não tinha medo de altura.
– Tem certeza? — Perguntou o instrutor.
– Tenho. — Ela mostrou o polegar para ele, indicando que estava bem. Ele prendeu a alça da veste em si próprio e olhou para a porta do helicóptero.
– Vamos lá? — Ele pediu. — Um... Dois...
– Três! — Cath berrou. Eles saltaram.
Já no ar, Cath gritava. Não estava com medo. A sensação era incrível. Quase a mesma adrenalina que atirar com uma metralhadora dentro de um carro em alta velocidade. Quando olhou para cima, viu Allec pulando. Depois viu Mariana. Sentiu-se em paz.
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