Modified - Interativa.
12 Fugas
Notas iniciais
A dor de cabeça passou como um furacão, logo depois de fazer seu estrago. Charlie abriu os olhos verdes e piscou. Ficou olhando para o teto até se perguntar onde diabo estava. No acampamento, isso era lógico, mas nem rezando que ela estava em uma barraca. Sentou-se na cama, observando ao redor. Era uma espécie de chalé, uma enfermaria bege, de madeira. Uma sala de aproximadamente 20 metros de largura, e ela estava deitada em uma espécie de maca. Tinha outras pessoas ali. Todos garotos. Todos loiros. Todos com a mesma roupa. Todos Aaron Blackbird.
– Aaaaaaaaaaaarrre! – Berrou ela, com os olhos arregalados de pavor. Um erro terrível. Sete pares de olhos azuis se abriram ao mesmo tempo, e olharam para ela.
– Aaaaaaaaaaaarrre! – Berrou um dos Aaron. – Mas que porra é essa?
Charlotte arregalou os olhos ainda mais. Os dois se encararam e gritaram.
– Quem é você? – Gritou Aaron, esbaforido.
– O que são essas coisas? – Perguntou a garota. Aaron se encolheu debaixo dos lençóis, tremendo. Não estava se sentindo muito heroico nesse momento, em que seis dele o encaravam. Mas então um estampido cortou o ar e um Aaron por vez sumiu, deixando apenas o loiro e Charlie.
– Bem, eu acho que sou multiuso. – Aaron sorriu para aliviar a tensão, mas Charlotte o cortou com um olhar frio.
~~☆★~~
David estava sonhando. Só podia estar sonhando. A última coisa que lembrava era Luke ter saído para pegar água e Aaron ido ao banheiro (um pequeno chalé aonde os professores iriam dormir, enquanto os alunos dormiam no chão). Depois uma golfada de dor e um calor quase sobre-humano, e ele caiu. Depois, tinha acordado no seu colchonete. Com apenas uma diferença. Ele estava completamente pelado. Primeiro havia se perguntado se havia sido uma pegadinha de Diana, ou dos garotos. Mas havia cinzas de tecido ao seu redor e o colchonete tinha claramente evaporado. Se perguntou se algum pervertido cruel pusera fogo nele. Mas isso não explicava como seu cabelo nem cheirava a queimado.
Catou sua mochila e arranjou uma roupa qualquer. Se vestiu em cinco minutos e quando saiu da barraca viu Lilah correndo na sua direção. Parecia desesperada.
– Onde estão o Luke, e o Aaron? E a Diana? – Perguntou ela, recuperando o fôlego.
– Eu não sei! – Respondeu David. – Você tem alguma coisa a ver com...
– Nós temos que achá-los. – Lilah pegou David pela camiseta. – Pega sua mochila e vamos embora daqui.
– Por quê? – Perguntou o garoto, meio irritado.
– Eles estão chegando. – A loira olhou para ele como se fosse fazê-lo entender. Seus olhos azuis pareciam desnorteados, escuros como a noite. David se perguntou se ela havia batido a cabeça numa pedra.
– Tudo bem. – Cedeu ele. Lilah esperou enquanto ele pegava sua mochila e a colocava sobre o ombro. Ele saiu de barraca e Lilah o agarrou pela camisa, o puxando pelo meio das pessoas. Até ela dar um encontrão com uma garota de cabelos pretos com mechas vermelhas. David a reconheceu como a garota da limusine. Grim Kinuyt.
– Você! – Lilah a olhou acusadoramente.
– Eu o quê? – Grim repetiu confusa. Lilah a pegou pelo braço também. – Ei!
– Grim Kinuyt, experiência X078, tecnopatia. – Lilah estalou a língua, piscando confusa.
– Como você sabe meu nome? – Grim perguntou, estática.
– Não dá tempo de explicar. – Lilah continuou a puxá-los, mas David tinha a impressão que nem Lilah sabia. Grim se deixou puxar pela estranha, mas mesmo assim, estava um pouco confusa.
Atravessaram o ponto das barracas azuis, entrando na área das barracas cor de rosa, na procura de Diana. Mas então Lilah virou para esquerda, arrastando Grim e David e tocou nas costas de um garoto alto de cabelos castanhos encaracolados. Ele se virou e ela o tocou na bochecha.
– Rafael Williams Reinholz, luminocinese. – Lilah tirou a mão do rosto dele. – Venha comigo.
Rafael, que a olhava como se ela fosse louca, ou como se fosse a lasanha que deixou debaixo da cama há duas semanas – ou ambas as opções –, apenas deu risada.
– Foi mal gatinha, mas eu realmente não vou com você a lugar nenhum. – Rafael deu risada, mas parou ao ver o rosto de Lilah.
– Diga a Hugo que eu tenho a resposta do problema dele. Não a solução, mas a resposta. – Lilah mandou. Rafael a observou.
– Como você...
– Venham. – Lilah puxou David e Grim em direção da barraca de Diana. Diana estava lá dentro, parecendo entediada.
– Ah, até que enfim! – Ela se levantou do colchonete e saiu da barraca.
– Você botou fogo em mim? – Acusou David.
– Eu sou louca, mas não assassina. – Diana rebateu. David sabia que a irmã não podia chegar a esse ponto, mas a única explicação plausível era uma completa loucura. Envolvia ele ser o Tocha Humana, o que não era possível. A não ser que ele estivesse em uma HQ, coisa que também não estava.
Mas antes que pudessem pensar em algo, ouviram o grito de uma garota da barraca ao lado. Grim, David, Diana e Lilah correram para a barraca, que revelara ser de Maison. Que tinha o corpo inerte de Luke ao seu lado.
– Você matou ele? – Berrou Diana, apavorada. Os olhos de Grim estalavam, e ela entrou na barraca.
– Não, ele está respirando. – Anunciou ela.
Passado o medo, veio a constatação de que Luke estava na barraca com Maison. Bem no lado dela.
– O que é que você fez com ele? – Gritou Lilah.
– Eu não sei! – Berrou Maison. – Eu tava tirando um cochilo, a Charlie estava ali do meu lado, ela saiu pra procurara a Andy, mas depois me deu uma forte dor de cabeça e eu caí. Eu acabei de acordar, e ele estava aí, deitado! Ele tentou me molestar, eu vou meter um processo!
– Espera! – Gritou Grim, assustando a todos. – Dor de cabeça?
– Sim. – Maison respondeu, cutucando Luke. Ela passou o dedo pelo peito dele, procurando batimento. – Ele está vivo.
Foi nessa hora que Luke abriu os olhos verdes e agarrou o pulso de Maison com velocidade o suficiente para fazer ventar. Ela soltou um grito.
– Você me molestou enquanto eu estava desmaiada? – Questionou Maison.
– É uma coisa que eu ainda pretendo fazer. Mas quando você estiver acordada. – Luke sorriu, se sentando no colchonete de Maison.
– Cafajeste! – Maison puxou o pulso de volta. David engoliu a risada da cena. Grim, ajoelhada, com um rosto confuso. Diana chocada com a ousadia do amigo e Zendaya soltando fogo pelas ventas.
– Luke, vamos? – David perguntou, tentando mudar de assunto. Luke olhou a mochila no ombro do colega com confusão estampada no rosto.
– Pra onde? – Indagou ele, completamente a vontade no colchonete de Maison.
– Pra fora da minha barraca, que tal? – Maison empurrou Luke, que aos trancos e barrancos foi posto para fora da barraca. Grim, sem ninguém perceber saiu da barraca e se esgueirou para longe da sua sequestradora.
– Podem me explicar para onde diabos vocês estão indo? – Luke questionou, com um mau humor aflorando.
– Estamos indo... – Lilah se virou para os amigos, olhando uma coisa atrás dela. Uma SUV preta com vidros blindados estava se aproximando do chalé onde os professores dormiriam. – Não.
~~☆★~~
Grim quase corria no meio dos jovens no seu caminho. Foi para um ponto afastado, na margem da mata, recuperar o fôlego. As copas das árvores se mexiam com o vento. Então ela percebeu que não estava ventando. Seu instinto dizia-lhe que era um helicóptero ou outra coisa que voava perto das árvores. Olhou para cima, mas não via nada. Mas sentiu o vento, e viu quando uma garra desceu de lugar nenhum, bem em sua direção. Ela paralisou, olhando para a garra. Será que era um OVNI invisível? Por um momento lembrou-se das máquinas em que se usava uma garra para agarrar os brinquedos.
– O que você está fazendo? CORRE! – Berrou Lilah, alguns metros de distância de Grim. Ouvindo isso, a morena de mechas vermelhas correu para mata adentro, cortando as pernas nos espinhos. Ouviu os berros de uma centena de jovens atrás dela, e ouviu Lilah gritando também, em algum lugar mais próximo.
Viu o cabelo castanho de Luke passar na sua frente em uma velocidade quase impossível na física. O cabelo loiro de Lilah fazia reflexos no meio das árvores, e Diana e David, apavorados, berravam.
Foi quando percebeu que seu mundo estava desmoronando e ela estava no meio da mata com quatro adolescentes que ela nem sabia quem era.
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