Modern Magic - Interativa
4 Fuga
Notas iniciais
Os alarmes soaram e as luzes acenderam-se em vermelho. Estavam sob ataque. Aqueles que dormiam, colocaram-se de pé com rapidez e aqueles acordados, prepararam-se para lutar. Em tantos anos de existência e resistência, jamais haviam sido encontrados. Até agora.
– Dietrich! – Fleur gritou pelo irmão, já de pé e vestida. Ele acabara de se levantar e Macky olhava o entorno. Pela agitação, ela já deduzira o que se passava e demonstrava uma calma que era no mínimo incomum para um recém chegado sob ataque. Vindos do lado de fora, eles ouviram tiros e gritos. Os passos ritmados dos soldados do governo ecoavam pelos corredores como se coordenados por uma única mente. Aqueles não eram soldados comuns. Eles haviam sido desenvolvidos, treinados para uma única finalidade: reduzir a Fairy Tail e todas as outras organizações de magos a nada mais que uma memória.
– Já entendi. – ele respondeu vestindo-se rapidamente e abrindo a porta, apertando o botão. Ambos sabiam que aquele não era o momento para ter piedade de seus inimigos. Nenhum deles sentia prazer em matar, mas aqueles soldados não eram humanos. Há muito tempo os testes para a criação de soldados perfeitos havia sido iniciada, mas jamais dera resultado. Não se sabia muito bem ao certo, mas em algum ponto a falha que impedia o projeto de prosseguir havia sido descoberta e reparada fazendo com que eles começassem a ser produzidos em massa.
Quando os três estavam prestes a sair, uma tela holográfica foi projetada na parede. A qualidade da transmissão não estava das melhores.
– Vocês dois, creio que compreendam a situação nesse momento. – o marechal, ou como eles o chamavam, mestre Frank falou. – E não deve ser uma grande surpresa dizer que esta é uma batalha perdida. Então, peço que levem o máximo de membros que puderem encontrar no caminho até lá. O Connor está na sala de teleportadores do nível S. Ele tem coordenadas que os levarão para um local à salvo, onde espero que coordenem a execução da variação Delta do plano Ômega.
E com isso, ele desligou.
Os três começaram a correr freneticamente pelos corredores. Dietrich ia na frente, saltando corpos caídos de companheiros e inimigos, tomando atalhos que apenas ele e a irmã conheciam ali. Eventualmente deparavam-se com alguma batalha já perdida travada por um ou mais magos desesperados, sem qualquer possibilidade de sobreviverem. Lhe doía não fazer nada, mas ele não tinha escolha e sabia que nenhum deles tinha. Cada segundo que demorassem para lutar por uma causa perdida seria uma chance a menos de sobreviver para executar o plano. Eu vou vinga-los. Ele se prometeu. Faria com que cada gota de sangue derramada ali valesse o sacrifício. No caminho, conseguiram resgatar apenas três magos que tinham condições de acompanha-los no percurso. Pelos traços de combates que encontraram no caminho, era fácil notar que a emboscada havia sido sorrateira. Só puderam perceber o que estava acontecendo tarde demais.
Pareceu uma eternidade até que finalmente conseguissem chegar à sala de teleportadores. Connor Erudon estava lá, trabalhando habilmente nos controles e finalizando o processo de programação. No chão, jaziam alguns soldados que tentaram ataca-lo. Ele não era exatamente adepto da violência. Seu departamento era outro ali. Os dois irmãos encaminharam os outros quatro magos para o teleportador que utilizariam enquanto trocavam breves palavras com o ruivo. Não foi preciso de muito para saber que fora ele quem descobrira o ataque e soara o alarme. Não era à toa que ele era considerado o chefe da inteligência da Fairy Tail, apesar de jamais ter clamado o título. Assim que ele terminava de programar o aparelho, a loira notou uma movimentação sutil. Rapidamente compreendeu o que estava havendo e empurrou o colega para o lado. Dietrich já estava no teleportador àquela altura. Foi naquele momento que puderam ouvir o som do disparo. Se não fossem os centímetros a mais, ela provavelmente teria morrido instantaneamente, já que o inimigo mirava no coração de Connor.
Quase no mesmo instante, ela fez com que um espinho de gelo surgisse e atravessasse o pescoço dele. O soldado nem ao menos sangrou. Era um dos traços que os diferiam de soldados comuns, afinal, eles não eram humanos. Sua mão foi ao local em que havia recebido o disparo e ela virou-a apenas para vê-la melada de vermelho. Ela sentia o sangue se espalhar e molhar sua camisa, mas mesmo assim foi até o aparelho e juntou-se aos outros. Não havia atingido nenhum órgão vital, mas não significava que não havia feito um estrago. O sangue morno escorria por entre seus dedos e ela sentia uma dor agonizante, mas tentava a todo custo não transparece-la. Quando Connor apertou o botão e ligou o aparelho o mundo inteiro virou um borrão e como se em câmera lenta desapareceu vagarosamente dando lugar a escuridão
*
O local mais parecia um laboratório militar. Eles olharam em volta vendo várias armas e protótipos de robôs inacabados. Dietrich olhava ao redor desesperado com Fleur nos braços. Sua pele estava praticamente sem cor, exceto pelo sangue que escorria. Ninguém podia dizer quanto tempo mais ela aguentaria.
Passos ecoaram pelo local e logo surgiu um jovem alto com uma barba rala e o cabelo totalmente despenteado. Ele vestia uma camisa de mangas compridas folgada e calças moletom, mas algo em seus olhos despertaram algumas memórias antigas no albino. Quando ele avistou os magos com roupas rasgadas e meio sujas ali seus olhos começaram a analisa-los rapidamente e seus ombros ficaram tensos, mas logo ele relaxou. Bem, isso até perceber uma jovem loira desmaiada sangrando nos braços de um rapaz com os mesmos cabelos platinados que ela. Ele sentiu o sangue gelar e correu até eles, fazendo-os recuar, no entanto um rapaz ruivo acenou com a mão para eles e eles relaxaram. Sem cerimônias, ele tomou a garota machucada nos braços.
– Cara, o que você está fazendo. – Dietrich protestou.
– Você se importa com ela? – ele perguntou friamente.
– Claro que eu me importo! – ele respondeu irritado.
– Então espero que não reclame, pois estou tentando salvar a vida dela. – com isso, os protestos do albino cessaram. – Me acompanhem. – ele disse recomeçando a correr com Fleur nos braços, guiando-os por intermináveis corredores, até que chegaram numa espécie de ala hospitalar, onde ele deitou-a numa maca e foi até um painel de controles. Suas mãos se moviam com habilidade e velocidade impressionantes. Não demorou muito até que os robôs começassem a se mover e realizar um processo cirúrgico para retirar a bala do corpo de Fleur, cuidando da hemorragia e de todo o resto. Ele se afastou e respirou fundo, indo até aquele que deduziu ser irmão dela, tanto pela semelhança quanto pela maneira como reagiu diante a situação.
– Desculpe-me pela maneira como agi mais cedo. – ele disse educadamente. O loiro era bastante alto, mas ainda menor que ele. – Mas se esperássemos, ela provavelmente acabaria morrendo.
– Tudo bem. – ele sorriu. – Obrigado por isso, você salvou a vida da minha irmãzinha. Não consigo me imaginar sem ela. Creio que não fomos devidamente apresentados. Dietrich Brachmann. – ele disse estendo a mão. Reconhecimento passou pelos olhos do jovem.
– Bryan Hanlon Gwynfor. É um prazer imensuravelmente inesperado reencontra-lo. – ele disse com um sorriso.
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