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25 Capitulo 25
Notas iniciais
Jacob POV
Olhei pela janela do avião e vi as nuvens passando do lado de fora em um tom de cor de rosa suave, iluminadas pela luz tênue e morna do sol do fim de tarde. Deus, aquilo era tão belo! Me passava uma paz enorme! Encostei a cabeça no espaldar da poltrona e fechei meus olhos, a lembrança da primeira noite com Renesmee afagou meu espírito, me fazendo sentir um calor delicioso!
Aquilo foi especial, nos amamos a noite inteira! Tinha sido mágico! Nunca em toda a minha vida bandida e safada eu senti o que Renesmee me passava! Quando acordei no meio daquela noite fiquei observando-a adormecida, os cabelos cor de mogno espalhados pelo travesseiro, o semblante feliz, tranquilo, seus lábios rosados e cheios me faziam querer cobri-los de beijos e amá-la sem descanso por todo o resto da noite e do dia seguinte. Apoiei meu rosto na mão e deslizei meus dedos delicadamente pelo seu rosto, a pele macia, cremosa, suave.... sem pensar desci um pouco mais, passando a mão por sobre seu colo, prolongando a sensação da maciez daquela pele, seus seios eram do tamanho de pêssegos tenros que, assim como o restante, eram igualmente macios e rígidos, passeei meus olhos pelo seu corpo bem feito, a barriga plana, as coxas roliças e bem torneadas...... minha nossa, como ela era linda! Fiquei ali por um bom tempo, embevecido, bêbado de amor por aquela garota que entrou na minha vida como um furacão, arrasando todo o castelo de cartas que eu havia montado ao longo dos meus anos de vida.
Parecendo sentir meus olhos sobre ela, Renesmee soltou um suspiro, seus lábios se entreabriram para que o ar saísse leve por eles, esboçando um sorriso em seguida. Senti meu coração bater mais rápido, ela estava tão entregue ao sono! Desejei estar dentro dela, como um espião, vendo tudo o que ela estava sentindo, apreciando seus sonhos, bebendo seus sentimentos mais profundos. E foi naquele momento que percebi que estava total e irremediavelmente apaixonado por ela! Tão..... linda!
Mordi meu lábio inferior, sentindo no fundo do meu ser como eu era um covarde, imbecil! Como pude meter os pés pelas mãos? Como pude deixá-la escapar por entre meus dedos? Por que não abri logo o jogo com ela, afinal de contas eu a queria como minha companheira para o resto da vida, minha esposa! Como eu era imbecil! E pensar que em menos de alguns meses atrás a palavra esposa passava longe, bem longe de qualquer pensamento ou atitude que eu poderia ter!
Abri meus olhos vendo as nuvens passarem debaixo do jato como se fossem um tapete de algodão doce em seu tom rosado e soltei um suspiro longo, pensando no que estava me esperando no meu destino assim que aquele avião pousasse. Será que ela estava realmente com Paul? Jesus ajudasse que não! Acho que eu morreria se visse essa cena. Também se estivesse.... que minha Nossa Senhora dos Desesperados me ajudasse, mas eu não ia aguentar vê-la nos braços de outro, por mais que eu merecesse aquilo, era muito castigo....meu Deus, por favor, que ela não esteja com ele! Fechei novamente meus olhos numa súplica silenciosa, nunca tinha rezado na minha vida, a não ser quando menino e minha mãe nos fazia orar e ir à missa aos domingos, depois disso, não mais! Sim, eu tinha que rezar muito e pedir a Deus que me amparasse naquele momento de incerteza.
–Doutor Jacob? — abri meus olhos assustado com a proximidade de Marissa, a comissária de bordo, que me encarava em expectativa, ela tinha sido mais uma das inúmeras mulheres com as quais eu acabei ficando. O pensamento me deixou desconfortável, eu era triste mesmo, era um inconsequente! Eu achava que mulher nenhuma iria me amarrar, que eu nunca me apaixonaria por ninguém e agora.......
Ali estava eu olhando para uma das mulheres mais lindas que eu desejei em um dos meus inúmeros momentos de safadeza e que agora não passava de alguém que eu queria bem, que respeitaria para sempre, que se precisasse de mim teria todo o meu apoio, mas que nunca mais eu teria nada, por que a única pessoa que de fato me interessava era Renesmee.
–Sim Marissa? — perguntei suave, tentando demonstrar tranquilidade.
–O senhor precisa de algo? — observei seu rosto, ela era uma mulher bonita, alta, esguia, olhos cor de mel, os cabelos louros presos em um coque tornavam seu pescoço comprido, elegante. No rosto um sorriso fácil aguardava paciente pela minha resposta.
–Uma água gelada....- ela ficou parada aguardando por um algo mais que eu sabia muito bem o que era. Como eu não dizia nada, ela se virou educadamente e foi buscar a água, voltando em seguida com uma bandeja, uma garrafa de água e dois copos, me servindo em seguida.
–Será que posso perguntar uma coisa errr.... Jacob? — olhei para ela e fiz um gesto para que sentasse ao meu lado.
–Por favor Marissa, nem precisava pedir...
–Você não me quer mais? — seus olhos doces me encararam como se tivessem uma carga de culpa que me fez sentir o verdadeiro canalha que eu era. Tentando ser o mais carinhoso possível de forma a não feri-la, sorri para ela e peguei em sua mão, segurando-a suavemente entre as minhas.
–Olha só Marissa, você é extremamente linda, é cativante, estar com você foi simplesmente delicioso, o que tivemos foi muito especial....
–Mas? — disse me interrompendo. Na pergunta estava estampada a decepção e a desilusão, denunciando que já sabia o que viria em seguida.
–Mas em primeiro lugar acho que você merece um cara que te trate como uma princesa, com a delicadeza que você de fato merece...
–Mas você sempre me tratou assim.... com tanta delicadeza! Sempre me tratou como uma princesa....com suavidade.... as flores, os bilhetes sempre gentis e carinhosos, regados à uma sensualidade deliciosa, que só você consegue dar a uma relação Jacob! – olhei em seus olhos percebendo as lágrimas inundarem-nos e aquilo me fez perceber o quão cachorro eu era, sempre enredando minhas presas em torno da teia de sexualidade que eu armava. Entendia bem o ódio de Roxane, entendia o porquê dela ter armado aquela para mim, mesmo depois de tudo o que fez para me agradar, para não me perder! Ela tinha naquela época apenas 16 anos e eu 18, éramos adolescentes, inconsequentes, mas isso não invalidava o fato de que tinha que respeitá-la, coisa que nunca fiz!
–Eu sei que sim Marissa, sei que sempre te tratei bem, mas não fiz nada que você não merecesse e..... foi muito bom estar com você, foram momentos indescritíveis que passamos juntos, principalmente naquela viagem que fizemos a Verona!
–Você se lembra! Você se lembra da nossa primeira vez! – seu sorriso enorme me deixou ainda mais culpado por tudo que eu havia feito com todas elas.
– Claro que sim! Claro que me lembro, como não? Você é linda, sensual, carinhosa.... o problema não é você, não é o que fizemos ou deixamos de fazer, foi apenas o momento que não era o certo.... o destino..... bom, o destino conspirou contra nós.... – ela me encarou aguardando pelo que eu ia dizer, uma lágrima rolou em seu rosto perfeito me ferindo mortalmente, passei o polegar tentando em vão curar a ferida que estava abrindo em seu peito – Marissa, eu ... eu me apaixonei por alguém, isso está me tirando do prumo! Eu.... eu simplesmente não consigo ficar com mais ninguém sem ser ela! Entende o que estou querendo dizer?
Meus olhos pousaram nos dela em uma súplica desesperada para que ela me entendesse e não se ferisse ainda mais do que já estava.
–Entendo.... entendo sim, Jacob!
–Pois é cara mia, não é você, sou eu.... ou melhor dizendo, o meu novo eu! Eu mudei Marissa, mudei por que eu amo uma pessoa que eu não esperava entrar na minha vida nunca! Eu nunca pensei em nenhum momento até agora, encontrar alguém que me abalasse assim! Ela é.......... muito especial, entende? Eu mudei por que a minha forma de encarar a vida mudou! E você merece um cara que te trate como você merece..... sei que vai conseguir alguém que sinta um amor tão grande por você, como eu sinto por essa pessoa! – ela baixou os olhos encarando por um tempo seus dedos longos e bem feitos.
–Realmente ela é uma pessoa muito especial doutor Jacob...- olhei surpreso para ela.
–C-como é?
–Renesmee.... ela é muito especial! É um amor! Ela trata a gente com tanto carinho.... ela merece um amor lindo assim como o seu! – então ela também sabia! Pelo visto o mundo inteiro sabia!!!
–Você é que é incrível Marissa! Obrigado! – disse tentando disfarçar meu embaraço.
–Bom, acho melhor eu ir organizar as coisas lá dentro.... o senhor precisa de alguma coisa? Quer comer algo? Ainda temos três horas de voo e pelas instruções de Tanya, o senhor ainda não comeu nada hoje! – sorri triste para ela.
–Acho que estou sem fome....
–Mas precisa comer! Vou fazer um omelete de queijo para o senhor....
–Tudo bem, mas só vou comer se você parar de me chamar de senhor.... por favor, ficamos juntos um tempo, somos mais que patrão e funcionário....
–Tudo bem Jacob! Vou fazer o omelete.... já venho!
Comi o tal omelete regado a vinho tinto mais para não desagradá-la, aliás, comi não, enfiei goela adentro, não estava com fome, nada passava pela minha garganta, queria chegar logo! Quanto mais o avião avançava pelos ares, com mais intensidade meu coração batia, senti minha garganta se fechar, a comida revirava no meu estomago. A preocupação com o que eu ia encontrar do outro lado do país estava me mostrando um lado meu que eu não conhecia e aquilo me desesperou! Meu Jesus Cristo, o que eu faria se ela realmente estivesse com Paul? De repente senti a mão de Marissa no meu braço, olhei para ela que me estendeu um copo com whisky puro.
–Beba, vai ajudar a relaxar! Está muito tenso! – peguei o copo e sorri agradecido para ela. Tomei um gole da bebida que desceu quente pela minha garganta, esquentando meu corpo. – Por que não tenta dormir um pouco? Assim que estivermos mais perto te chamo....
–Será que consigo? — a descrença acentuando a rouquidão da minha voz.
–Sim, beba o whisky aos pouquinhos, mantenha os olhos fechados, isso vai relaxar.... deixa que eu fecho as venezianas.....
–Tudo bem... – ela esticou o braço e fechou a veneziana que estava ao meu lado, quando já ia se afastando, segurei sua mão em sinal de agradecimento. Ela então sorriu e se foi, fechando as outras venezianas e deixando o ambiente escuro. Fiz o que ela disse, fechei meus olhos e fui bebericando a bebida lentamente. Não sei em que momento peguei no sono, foi um sono pesado e confuso que me deixou ainda mais ansioso do que já estava. Acordei com Marissa me avisando que já íamos pousar.
Ao contrário do que se passava na minha cabeça o pouso foi tranquilo. Desci do avião com um desejo de boa sorte de Marissa e um abraço longo de despedida. Do lado de fora James já me aguardava com o carro da empresa.
–Doutor, fez boa viagem?
–Fiz sim James, obrigado! – respondi entregando a ele minha bagagem. Ele então a pegou e abriu a porta para que eu entrasse no carro, batendo-a em seguida.
–Para onde senhor?
–Onde a equipe está?
–Todos no hotel senhor, hoje temos uma festa de divulgação....
–Para o hotel então....
Não falei mais nada durante todo o trajeto. Gostava de James, ele era extremamente profissional e muito discreto, e graças a Deus não ficava questionando nada. Fiquei observando a rua que já começava a ficar deserta por conta do horário. Ao longo do caminho pude ver dois outdoors de Renesmee, o primeiro aparecia apenas o rosto dela, perfeito! A propaganda divulgando a linha de maquiagem com o nome dela. O seguinte era da lingerie. Diferente do anterior, naquele estávamos eu e ela. Me lembrei então daquela seção de fotos e mais especificamente daquele amasso, da energia latente entre nós, da sensação daquele corpo ardente nos meus braços, dos beijos quentes e cheios de paixão, do estremecimento dos nossos corpos! Sim, ela tinha me virado do avesso, isso era um fato! Meu coração disparou novamente no peito, senti minhas mãos tremerem, eu a amava! Amava mais que qualquer coisa no mundo e se para ficar com ela eu precisasse abandonar tudo, que assim fosse, eu abandonaria! Recomeçaria do zero, mas a minha vida era dela, meu coração era irrevogavelmente dela! Nada mais importava! A ideia de me casar com ela, de engravidá-la, de termos filhos, de formarmos juntos uma família, era muito bom! Engraçado como com ela aquilo era natural!
Chegamos ao hotel e, por conta da eficiência inegável de Tanya, fui imediatamente direcionado para o meu quarto que ficava na cobertura, como sempre ela reservava as melhores suítes para mim. Gostava de Tanya, nossos anos de faculdade nos aproximou e nos fez virarmos amigos e confidentes, ela foi trabalhar comigo na Maison por vontade própria, a transformei em minha gerente e meu braço direito. A escolha não me decepcionou, ela era realmente impressionante! Achei graça da lembrança da nossa disputa por mulheres. Tanya era a lésbica mais linda que poderia haver naquele mundo! Loura, os cabelos ondulados e fartos caindo por seus ombros e costas, o corpo delicioso, de dar inveja a muitas mulheres, era alta, cheia de vida e muito, muito competente! Adorava aquela garota e desejava do fundo do meu coração que ela encontrasse alguém que a fizesse a mais feliz das mulheres.
Tomei um banho rápido, vesti uma calça social preta, camisa preta e sapato social, segundo o gerente do hotel a festa seria esporte fino, o preto era por conta do meu péssimo humor, não sabia o que ia acontecer dali para frente e estava purgando um misto de ódio e desespero. Saí do quarto, peguei o elevador com o coração aos pulos, o frio na barriga se intensificando a cada passo em direção ao meu encontro com ela. Durante o caminho até o local da festa sentia que ia desmaiar, meu rosto e mãos estavam frios, a visão turva, por Deus, nunca senti uma emoção tão forte assim em toda a minha vida!!!
–Tudo bem doutor Jacob? — a voz grave de James me chamou à realidade. Olhei para ele que me encarava preocupado do retrovisor.
–Sim... sim James.... só um pouco de mal estar, já, já melhora...
–Se quiser, tem whisky no bar do carro, é só apertar esse botão azul que está no painel da porta. – olhei para o botão e não pensei duas vezes, o apertei e uma porta foi destravada em seguida, revelando um pequeno bar com garrafinhas de bebida. Peguei uma, abri e virei de uma vez na boca, sentindo o líquido ferver na garganta, me trazendo de volta à vida. Olhei novamente para James que mantinha os olhos fixos na rua. Ainda bem, graças aos céus por ele ser assim! Não ia conseguir abrir a boca para dizer mais nada sobre meus sentimentos em relação a Renesmee, a situação já era bastante incomoda por si só! Recostei no assento e fechei os olhos, esperando pelo meu reencontro com ela.
Assim que chegamos, James parou em frente ao local da festa que já estava bombando, o som técno era alto, na entrada canhões de luz branca anunciavam o evento, na porta banners com o rosto de Renesmee, fotos de corpo inteiro com as roupas da coleção e de lingerie, abraçada a mim, seus olhos cor de chocolate nos meus completamente perdida nas emoções que nos consumiam. Parei um instante e me encostei na parede, deixando a sua frieza atravessar o tecido da camisa e me acalmar, meu coração ia sair pela boca, tinha certeza!!! Olhei para dentro do lugar, as luzes de boate coloridas pipocavam, enquanto corpos se agitavam em uma dança sensual. Precisava entrar, tinha que vê-la, precisava dela, do seu corpo no meu, precisava possuí-la, me enterrar inteiro nela fazendo-a minha, marcando seu corpo com meu cheiro, precisava do seu calor no meu, me trazendo de volta à vida! Ela era minha, MINHA!!!!!
Respirei profundamente tomando coragem de seguir em frente. Caminhei com passos firmes, entrando naquele burburinho de vozes, corpos e música alta, procurando por ela. Rostos me olhavam curiosos assim que passava, a luz estroboscópica colaborava ainda mais com a minha aflição em vê-la e foi justamente quando um grupo de pessoas se afastou que a avistei dançando em um canto, Paul agarrado a sua cintura, puxando-a para ele, seus corpos colados, seus dedos enfiados nos cabelos dela, seu rosto de pura luxuria a encarava. O ódio que me subiu naquele momento, nublou meus pensamentos e me fez entender bem o sentimento de um assassino homicida! Eu ia matar aquele desgraçado!
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