Mochileiro do Apocalipse
2 Um novo problema
Notas iniciais
Voltando para casa naquela tarde fria estava me sentindo me sentindo muito empolgado e feliz com aquela arma descarregada, pois eu era um grande amante de armas de fogo; eu me sentia bem com aquilo era uma emoção mágica e relaxante que me fazia parecer alguém muito importante e poderoso, mas tínhamos leis dentro dos muros ás mesmas que impediam o porte de armas de fogo carregadas.
Finalmente, depois de passar alguns pontos de ônibus, cheguei à rua do meu apartamento que se encontrava com menos movimento do que pela manhã. Desci do ônibus com a caixa ainda debaixo do braço e comecei a caminhar pela rua indo em direção ao meu prédio quando fui parado, novamente, por Dona Amélia.
— Vinicius, você voltou cedo. – Disse Dona Amélia.
— Sim. Meu trabalho e só meio expediente. – Disse eu agradecido pelo trabalho que me foi dado.
— Fiquei sabendo que hoje já faz uma semana que vocês chegaram à cidade então eu vim entregar para vocês esse presente, que vai servir para ambos, um quite de facas de cozinha.
Dona Amélia passou as mãos das costas para frente e mostrou um quite de facas, com os cabos coloridos, ainda embalados em plástico.
— Nossa... Muito obrigado. – Agradeci a Dona Amélia.
Peguei a embalagem e coloquei junto à caixa e continuei andando pela esquina, claro que eu me despedi de Dona Amélia.
Finalmente na entrada do meu prédio pude relaxar um pouco, pois tinha me lembrado de que ainda tinha que fazer o almoço e que Gabriela ainda não tinha chegado do trabalho dela; tinha que me apressar. Chegando ao terceiro andar, ofegante, peguei a chave da porta e abri a mesma logo em seguida entrando em casa.
– Finalmente paz. – Disse aliviado.
Coloquei a caixa sobre a mesinha da sala e voltei minha atenção para seu conteúdo á M1911, belíssima peça de museu, foi colocada sobre a estante da sala segurada por dois pregos fincados na parede que em outros tempos devem ter servido para segurar outra coisa.
Enquanto eu admirava a nova decoração quase me passou despercebido o som da porta abrindo e passos entrando; virei o rosto em direção da porta e vi Gabriela que voltava do trabalho dela nos campos de produção.
— Querida cheguei. – Gritou Gabriela.
— Então vai fazer o almoço por que eu to cansado. – Devolvi a resposta com uma piadinha discriminatória.
— Seu Machista, Ateu e Ocultista. – Disse Gabriela.
— Para de drama. Hoje eu faço o almoço, mas você lava a bagunça depois. – Sugeri.
— E justo. – Concordou Gabriela.
Gabriela acabou de entrar em casa e fechou a porta como fazia de costume deixou o casaco no cabide preso na parede e foi diretamente deitar no sofá.
— Como foi o primeiro dia no trabalho Vinicius? – Perguntou Gabriela.
— Foi legal. Eu não fiz nada lá, apenas, distribuindo roupas. – Respondi. – Como foi nos campos?
— Conseguimos encher mais um caminhão com milhos, feijões e batatas. – Disse Gabriela.
Era minha vez de fazer alguma coisa aquele dia então eu fui para a cozinha começar a fazer o almoço. Abri o armário da cozinha e encontrei ás últimas latas da semana.
— Ainda temos uma lata de feijoada uma de Pêssegos e... Sério isso? Carne de Tatu.
— O que você acha de uma feijoada? – Perguntou Gabriela.
— Vamos fazer uma mistura; A cesta básica chega hoje mesmo.
— Vai em frente. – Concordou Gabriela.
Voltando para a prateleira peguei uma lata de feijoada e uma de carne de tatu e coloquei seus conteúdos em uma panela e em seguida levei ao forno. Depois de um tempo á água começava a evaporar e a cozinhar os enlatados. De pouco em pouco fui jogando algumas coisas para completar aquela gororoba coisas como pedaços de banana que sobrava na cesta de frutas para completar a feijoada.
— Já está pronto? – Gritou Gabriela.
— Quase lá. – Respondi.
Já estava tudo pronto então depois de acrescentar uma pitada de sal e alguns temperos e misturar bem sobre o fogo baixo eu levei a panela até a mesa para servir os pratos.
— Agora está pronto. – Eu disse para Gabriela.
Rapidamente ela se levantou do sofá com um arremesso do próprio corpo para fora do estofado. Veio caminhando devagar e sentou-se à mesa, puxou um prato, e serviu-se da feijoada “surpresa”.
Fiz o mesmo e lá estávamos um encarando o outro vendo quem iria pegar o primeiro pedaço daquela mistura.
— Você não estava com fome? – Perguntei satirizando o momento.
— Calma. Já vou comer. – Respondeu.
Com muito sofrimento Gabriela pegou um grande pedaço de carne e levou a boca, mastigando e comendo aquilo, mas para minha surpresa ela tinha gostado daquilo.
Eu não podia acreditar que aquilo tinha um gosto bom então decidi tirar à prova comendo um pouco.
...
Depois de um almoço, que não estava tão ruim assim, cada um tomou seu caminho, assim, Gabriela foi lavar os pratos e eu fui tirar um cochilo no quarto. O tempo passava cada vez mais devagar como quem está tentando dormir em uma tarde de sábado; O quarto se encontrava em total silencio o único som vinha de fora do quarto o som de reclamação de quem ficou lavando os pratos e panelas. O sono vinha devagar acalmando o coração e relaxando todo o resto, finalmente, estava fora daquela realidade.
...
Acordei com gritos depois de um tempo, assustado e desorientado. Olhei para o relógio da cômoda e ver que tinha dormido aproximadamente uma hora e ainda meio sonolento tomei rumo para fora do quarto quando Gabriela entrou pela porta do quarto.
— Vamos ter que ir embora agora. – Disse Gabriela.
— O que houve? – Perguntei.
— Os zumbis invadiram. Algumas partes dos muros caíram. – Disse Gabriela.
Pela segunda vez naquele dia eu não podia acreditar parecia meio improvável, mas os gritos confirmavam o que foi dito estávamos sendo atacados. Era hora de tomar a frente.
— Pegue o que você achar de útil... Vamos sair em três minutos. – Avisei.
Gabriela entrou no quarto e pegou duas mochilas guardadas no fundo do armário, guardadas para emergências. Enquanto isso eu ia em direção da cozinha e peguei a faca na gaveta; foi nessa hora que se pode ouvir uma explosão vinda da rua que chamou minha atenção.
— Acorda estamos com presa. – Disse Gabriela enquanto jogava uma das mochilas sobre meus pés.
Peguei a mochila do chão e comecei a procurar os restos de comida no armário de cima... Mais duas latas, tudo que tinha sobrado. Eu arrumando comida na cozinha e Gabriela já estava na sala pegando a M1911 do seu suporte e colocando alguns panos na mochila.
— Já peguei o que eu precisava. – Disse Gabriela.
— Eu também. – Respondi.
— Vamos. – Dissemos ambos em sincronia sem ao menos notar.
Os gritos vinham da rua, bem em frente ao prédio, uma olhada pela janela da cozinha e podia-se ver que os zumbis não estavam mais aglomerados nas grades levando-me a supor que eles tinham adentrado a cidade. A escadaria estava vazia, era nossa chance, descemos até a porta da frente do prédio e saímos apenas para ver a infestação de vários deles separados e espalhados pela rua.
Algumas pessoas corriam pela rua procurando refúgio em construções ou até mesmo ajuda; alguns zumbis se aglomeravam em prédios, provavelmente prendendo pessoas, e outros perambulavam sozinhos. A primeira coisa que eu consegui ver foi um cano de ferro no chão; abaixei e peguei o cano com uma das mãos quando um zumbi vinha andando em minha direção.
Com o cano em mão segurei bem firme e apliquei um golpe na cabeça do morto vivo fazendo o mesmo cair paralisado no chão, mas não tinha apenas ele por ali; vários deles notaram e vieram até nos.
— Temos que ir embora agora. – Disse Gabriela.
— Vamos indo. – Respondi.
Seguimos correndo pela rua a cima procurando um refúgio próximo para confundir os zumbis; alguns metros à frente um mercadinho antigo, lacrado com madeira nas janelas, oferecia o abrigo que estávamos precisamos então logo depois de arrombar a porta ambos entramos. Já em seguida fechamos a porta usando o corpo como contrapeso.
— Pega alguma coisa ali para segurar isso. – Gritou Gabriela.
Imediatamente corri para dentro do mercadinho e empurrei uma das estantes de produtos até a frente da loja fechando a porta, pelo menos por algum tempo. O desespero ainda acontecia do lado de fora onde se ouvia gritos, grunhidos e alguns tiros com freqüência. O lugar parecia bem fechado e escuro levando em consideração que estávamos no horário da tarde.
— Vamos pegar algumas coisas aqui depois vemos algum jeito de sair.
— Mas sair por onde? – Perguntou Gabriela ofegante de ter que segurar a porta contra alguns mortos do lado de fora.
— Vamos achar uma saída. – Eu disse tentando confortar Gabriela.
Voltando a atenção para dentro da loja não se tinha muito que aproveitar daquela bagunça. Prateleiras pelo chão entre outros produtos velhos e mofados. Graça a Deus aquele mercadinho era um bom mercadinho que vendia desde comida até ferramentas e outros equipamentos. Passando para dentro do mercadinho vários materiais de limpeza se encontravam tanto pendurados quanto no chão. Não se passou um minuto e Gabriela já havia sumido dentro do mercado, onde ela poderia estar?
— Gabriela! – Gritei esperando resposta.
— Fala baixo seu animal. – Disse Gabriela irritada.
Gabriela estava do outro lado da estante, no corredor do lado, procurando o que poderia ser útil então decidi fazer o mesmo no meu corredor. Passando pelo corredor peguei uma vassoura, um litro de detergente, jogado no chão e um rolo de Silver Tape na estante mais a frente.
No final da sessão mais a frente consegui me encontrar com Gabriela, que aparentemente, não carregava nada nas mãos.
— Pegou alguma coisa? – Perguntei.
—“Algumas” coisas. – Respondeu Gabriela.
Em meio aos barulhos que vinham do lado de fora um novo som de fortes pancadas na madeira da porta provavelmente feita pelos mortos-vivos do lado de fora indo contra a porta e ás janelas.
— Você tinha que gritar. – Reclamou Gabriela.
— Sim precisava... Vamos embora agora. – Disse com sarcasmo na voz.
Gabriela puxou uma panela de uma das prateleiras e colocou na mochila junto com alguns enlatados próximos enquanto eu arrumava uma saída arrombando a porta dos fundos a chutes. Finalmente abri nossa saída e passamos para o lado de fora logo em seguida fomos juntos. Do lado de fora tínhamos chegado a um labirinto de becos, muitos deles ainda selados com grades, onde poderíamos seguir sem muitas preocupações.
Correndo pelos corredores entre os prédios a pouca visão que eu tinha do exterior era através dos becos transversais, que em sua maioria estava lacrado pelas grades, os mesmos que mostravam que os zumbis não só estavam em todos os lugares, mas também aglomerados pela rua. Virando mais uma esquina do beco e alguma coisa pesada me atingiu com tudo, parecia um armário; tudo escureceu por alguns estantes e quando eu voltei a mim me dei conta do que tinha me acertado. Era Amaro que estava se refugiando quando me acertou na curva.
— Vinicius. Você está bem? – Perguntou Amaro.
— Mais ou menos... E você? – Devolvi a pergunta.
— Bem, mas eu estou andando sozinho agora.
— Vem com a gente vamos dar um jeito de sair daqui. – Eu disse oferecendo ajuda.
Sem muita democracia Amaro se juntou a nos dois e aumentou o grupo de fuga; Era muito bom ter uma muralha daquele tamanho ajudando na fuga.
Agora em três pessoas seguíamos em direção à saída mais próxima do labirinto de corredores que acabou sendo um corredor transversal qualquer com a grade arrebentada. De volta á rua o movimento de mortos vivos ainda era muito grande vários deles andavam, porém agora eles andavam em grandes grupos.
— Vamos voltar pelo corredor. – Sugeri.
Bem devagar voltamos para dentro do labirinto e continuamos seguindo em frente até um beco sem saída onde as únicas coisas presentes ali eram uma escada de incêndio e algumas lixeiras industriais.
— Vamos ficar aqui um pouco para pensar. – Disse Gabriela.
...
Abaixados atrás de uma barricada de lixeiras nós estávamos preparando algumas armas improvisadas para passar por todos aqueles mortos-vivos. Utilizando a vassoura e alguns canos de ferro encontrados no lixo juntamente com algumas facas e a Silver Tape tínhamos lanças improvisadas, prontas para furar alguns crânios.
— Não temos como passar por todos eles. – Disse Amaro.
— Não temos que passar por todos eles, apenas chegar até a loja de ferramentas. – Disse para Amaro.
— O que tem lá? – Perguntou Gabriela.
— Ferramentas e coisas mais úteis para defesa... Se você se perguntar se vale à pena? Eu acho que vale. – Eu disse confiante do meu palpite.
Estávamos prontos para abrir a barricada e voltar para a rua quando o som do deslizar da escada de ferro veio acompanhado de uma voz misteriosa.
— Querem uma ajuda? – Perguntou o estranho que abaixava a escada da saída de incêndio.
— Quem e você? – Perguntou Amaro.
— Querem uma ajuda ou não? – Repetiu o estranho.
— Vamos subir. – Eu disse.
Fomos um de cada vez, subindo a escada até o primeiro andar onde fomos chamados para entrar pelo estranho. Do lado de dentro a única coisa que tinha certeza era de que não éramos os únicos naquele apartamento; várias pessoas, refugiados, estavam ali dentro algumas histéricas já outras com uma expressão de tristeza.
— Que merda está acontecendo? – Gritou uma pessoa histérica.
— Eu achei que a cidade e era segura.
— Eu sabia que esses muros não agüentariam. – Disse outro homem sentado a alguns metros sobre um sofá.
Em menos de alguns segundos a desordem estava instalada atraindo cada vez mais zumbis que perambulavam pela área e seguiu-se assim até que o mesmo estranho que tinha nos salvo a pouco decidiu se manifestar.
— Vamos ficar calmos... Temos que achar uma saída daqui, sair da cidade.
Então o silêncio veio acompanhado de reclamações.
— Você enlouqueceu. Sair da segurança da cidade; sair de casa.
— Já foi um sacrifício sair de casa e você quer ir para fora dos muros.
— Não tem nada lá para nós.
Em meio a tantas repreensões eu me levantei a favor do estranho.
— Ei pessoal se acalmem só estão diminuindo nosso tempo de vida aqui; nosso amigo aqui...
— Bell. – Completou o estranho.
— Nosso amigo Bell tem razão. Temos que sair daqui porque essa cidade vai afundar ninguém vai vir nos buscar e quem estiver aqui tem menos chance de ficar vivo do que quem está lá fora além dos muros. – Disse eu.
— Eu vim de fora junto com ele. Podem acreditar quando disser que lá fora o mundo e ruim e quem sai vivo não é o forte e sim o esperto. – Completou Gabriela.
— Eu vou sair da cidade e ela também. Quem quiser ir comigo levante-se e venha.
Novamente o silêncio tomou conta da sala, mas então um homem levantou e veio até perto de mim colocando a mão sobre meu ombro e dizendo.
— Filho. Se quiser morrer lá fora pode ir, mas não forcem os outros a ir com você... Isso e suicídio.
Então o homem voltou a sentar-se e nada mais se foi dito entre ninguém.
...
Sentados no canto da cozinha sobre os moveis estávamos decidindo ainda como iríamos sair de lá quando Bell se juntou ao nosso grupinho de fuga.
— Eu achei que vocês eram apenas pessoas perdidas, mas vejo que vocês são verdadeiros sobreviventes. – Disse Bell.
— Qual é o plano Vinicius? – Perguntou Amaro.
— Ainda e o mesmo... Loja de matérias de construções e sair por cima do prédio logo atrás.
— Parece um bom plano até a parte da loja de matérias de construção. – Disse Bell.
— E nossa melhor opção para nos armar. Você está dentro? – Eu disse para Bell.
— Gostei de você e louco como eu... Vamos nessa. – Confirmou Bell.
...
Bell deixou nos deixou na cozinha e seguiu para o quarto e antes que pudéssemos nos dar conta ele já estava de volta com uma caixa cheia com alguma coisa.
— O que e isso? – Perguntou Gabriela.
— Meu material de alpinismo... Vai ser útil. – Respondeu Bell.
— Certo esvazie a caixa e peguem suprimentos. Sairemos, de novo, em alguns minutos.
Gabriela e Amaro levaram a caixa para as prateleiras procurando comidas enlatadas e outros não perecíveis enquanto Bell colocava seu equipamento de alpinismo; Eu, por outro lado, procurava nas gavetas abaixo por mais facas, mas depois de um pouco de procura eu encontrei um abridor de lata e por incrível que pareça um cantil de água, vazio, mas ainda assim um cantil.
Gabriela e Amaro tinham encontrado alguns enlatados nas prateleiras mais altas o suficiente para fazer algumas poucas refeições bem preparadas.
— Todos prontos? – Perguntei.
— Sim. – Respondeu Bell com todo seu equipamento no corpo.
— Sim. – Respondeu Gabriela segurando uma arma improvisada feita por mim.
— Sim. – Respondeu Amaro segurando a caixa de enlatados sobre um dos ombros.
— Então vamos.
Seguindo em direção à porta do apartamento fomos barrados por três outros sobreviventes que impediam a passagem.
— Algum problema, senhores? – Perguntei.
— Sim. Vocês não vão nos matar. – Respondeu um deles.
— Se vocês saírem eles entrar e ninguém fica vivo aqui. – Complementou outro sobrevivente.
— Se ficarem aqui dentro muito tempo vocês vão morrer... Sem comida, sem ajuda. – Disse Bell.
— Não. Vamos passar por isso e sobreviver como fizemos antes. – Disse o Sobrevivente.
— Então se vocês não querem se arriscar você vai deixar eu e meu grupo passar, nós vamos sair. – Disse eu.
— Nem mortos vamos deixar vocês saírem, pelo menos, não com a comida toda. – Disse um sobrevivente.
A situação estava começando a se complicar; podia-se perceber que o clima no apartamento estava cada vez mais tenso e que todos estavam começando a se desentender.
— Vamos deixar vocês então com parte da comida... Seis das nove latas está muito bom. – Disse Gabriela retirando algumas latas da mochila e as dispondo sobre a mesinha da sala.
— Isso está bom, bom demais. Podem ir embora agora seus suicidas, mas tarde vamos pegar o que sobrou dos corpos de vocês na rua. – Disse o sobrevivente entre outros dois à frente da porta.
Finalmente depois de uma breve negociação nos deixaram passar, mas não me parecia certo deixar eles por conta própria naquele lugar então antes de ir.
— Ei, você. Qual seu nome? – Perguntei para um dos sobreviventes, o mais alto com cara de adulto.
— Que te interessa? – Respondeu ele.
— Tá, foda-se. Presta atenção você não é especial, ninguém aqui e especial, todos vocês estão por conta própria então se eu fosse você, se eu fosse cada um de vocês, tratava de sair daqui, de sobreviver... Pense nisso.
Depois de deixar aquele conselho para o abusado passei pela porta, para o lado de fora, no corredor e estava prestes a seguir caminho quando o abusado voltou à fala comigo.
— E Alex. – Disse ele e logo após fechando a porta atrás de mim
...
Finalmente do lado de fora estávamos eu, Gabriela, Bell e Amaro e como não tínhamos mais idéia de para onde ir deixamos Bell encarregado de nos levar até a loja de materiais de construção.
— Certo Bell você e o encarregado de nos levar até a loja. Contamos com você. – Disse Amaro.
— Muita pressão galera, calma aí. Temos que subir mais dois andares para ficar no mesmo nível do topo do outro prédio. – Disse Bell.
— Vamos lá. Todos juntos. – Aconselhei a todos.
O corredor estava limpo, nenhum morto vivo a vista, então seguimos correndo até o final dele e logo após subimos a escadaria principal que se encontrava próximo do final do corredor.
Passando mais um andar entravamos no segundo andar e pela primeira vez um morto vivo foi encontrado no prédio.
— Esse e meu. – Disse Bell sacando uma faca de cozinha em direção ao zumbi.
Bell lançou seu golpe sobre o zumbi começando por um chute no joelho esquerdo o fazendo cair para a esquerda e logo em seguida esfaqueando a cabeça do zumbi pela temporã. O corpo do morto vivo caiu pelo espaço da escadaria e quase caiu sobre mais um que se encontrava perambulando no térreo do prédio.
— Boa. Vamos continuar. – Eu disse.
Continuamos subindo a mesma escadaria e finalmente chegamos ao terceiro andar, que para nossa sorte estava mais calmo que os andares abaixo, mesmo com os grunhidos vindos do lado de fora que poderiam muito bem ser confundidos com os de dentro do prédio.
— Vamos lá pessoal com calma e devagar. – Disse Bell.
Ficamos em uma formação para facilitar a nossa defesa caso ocorre-se algum problema então foi decidido que eu e Bell iríamos guiando a frente e Gabriela e Amaro ficaria na parte de trás para vigiar as costas e assim fomos bem devagar e com muita cautela.
Próximos de ter percorrido quase metade do corredor Bell parou e disse que ele abriria a porta ao lado que aquele apartamento era nossa saída.
Apartamento 36, nossa salvação; Bell disse que aquele apartamento não só era no mesmo andar dos outros prédios, além disso, era o apartamento mais próximo do telhado do outro prédio devido á varanda.
— Vamos logo com isso aí Bell. – Disse Amaro.
— Espera um pouco. É complicado. – Respondeu.
Depois de algum tempinho Amaro já estava estressado e resolveu tomar frente na situação, saindo da posição e indo até a porta.
— Posso tentar? – Perguntou Amaro.
— Boa sorte. – Disse Bell.
Amaro analisou a porta, deu duas a três rodadas na maçaneta, tentou forçar um pouco a porta e, por fim, chutou a porta próxima à maçaneta abrindo a porta.
— Acabei aqui. – Disse Amaro.
— Parabéns. – Disse Bell.
— Vamos logo com isso aí... Têm alguns deles chegando. – Gritou Gabriela.
— Bell a saída. – Disse Gabriela.
Começou-se a bater na porta do apartamento, devem ter sentido nossa presença, então Bell fez o favor de adiantar nossa fuga e ir mostrar o caminho indo em direção à sacada da varanda.
— Estamos na mesma altura da loja de materiais; Só precisamos pular esses dois metros aqui. – Disse Bell pegando distância para arriscar um salto a longo.
Bell, com um gesto de iniciativa, foi o primeiro a pular; O corrimão da varanda tinha sido removido deixando o caminho mais fácil para correr. Bell já estava longe o suficiente para pular então deu início a sua corrida e finalmente... Pulando, passando pelos dois metros e um pouco mais e caindo sobre o outro telhado.
— Podem vir, e fácil. –Gritou Bell.
Amaro. Antes mesmo do aviso de Bell, já estava pegando distância e correndo em direção a varanda. Amaro conseguiu chegar bem do outro lado e agora era a vez da Gabriela.
— Vai de uma vez. – Eu disse para Gabriel.
— Não fique para trás palmito. – Respondeu ela relembrando um antigo apelido de um gosto dos tempos de escola.
Gabriela, assim como os outros, correu em direção à varanda, pulou e aterrissou no telhado do outro prédio então finalmente era a minha vez.
A porta ainda levava murros e pancadas parecendo cada vez mais próxima de ceder aos mortos vivos, era minha hora de sair; correndo em direção à varanda, pulei sobre os dois metros e aterrissei do outro lado não tão bem como os outros.
— Você e meio desajeitado, não? – Perguntou Bell.
— Nunca disse que era bom nisso. – Respondi.
— Vamos andando temos mais o que fazer ainda hoje. – Disse Gabriela.
Então agora no telhado do prédio seguimos de lá agachados tentando o mínimo chamar a atenção dos mortos que estavam lotando a rua, enfim, percorremos um pouco do telhado d loja até acharmos uma clarabóia e através dela conseguir entrar no segundo andar.
...
Dentro da loja de materiais estava muito escuro e a pouca luz que tinha era das janelas tampadas irregularmente com tábuas de madeira. Mesmo que o lugar fosse silencioso não podíamos em vacilar de aquelas coisas pegarem-nos desprevino então combinamos em manter em dois grupos de duas pessoas. Ficamos divididos entre Bell e Amaro e Gabriela veio comigo, e assim, seguimos entrando mais par dentro da loja por entre os corredores.
— Como está aí desse lado? – Perguntei para Amaro e Bell.
— Melhor impossível. – Respondeu Amaro.
— Relaxa que a gente dá conta do que vier. – Disse Bell.
Continuamos andando até mais para o meio do corredor quando uma das prateleiras caiu no chão junto de um morto vivo sobre ela.
— Deixa ele Gabriela esse e meu. – Eu disse.
Sai da posição correndo e fui em direção ao zumbi caído que foi recebido com um chute com o bico da minha bota e em seguida usei a lança caseira para furar sua temporã deixando ele completamente morto no chão.
— Acabei, vamos indo. – Eu disse.
Depois de sair no final do corredor estávamos entre várias sessões de materiais e ferramentas variadas então os grupos inda divididos tomaram caminhos diferentes pelas sessões.
Sozinhos novamente eu e Gabriela começamos a procurar coisas úteis na sessão de ferramentas. Pegamos naquela sessão algumas coisas entre elas uma chave de fenda, uma faca serrilhada e um alicate de bico além de um canivete de bolso, mas quando íamos trocar de sessão uma coisa chamou minha atenção um machete jogado debaixo de uma prateleira uma arma branca mais firme que a minha lança caseira então fiz a troca levando o machete e deixando a lança no chão.
— Tudo pronto aí palmito? – Perguntou Gabriela.
— Sim palmito tudo pronto aqui. – Respondi a piadinha.
Pegamos algumas coisas que estavam boas e saímos daquela sessão voltando para o meio da loja no segundo andar e ficamos esperando pelos outros dois que não tinham voltado ainda.
Estavam demorando muito a voltar então eu e Gabriela decidimos ir procurar outra sessão para coletar alguma coisa. Segundo escadaria abaixo estávamos no primeiro andar não tão vazio como eu esperava, mas cheio de mortos vivos, cinco ou seis deles, tínhamos que ser rápidos para evitar ataques. Acabando de descer os últimos degraus da escadaria já estávamos de frente com o primeiro zumbi recebido a cortes com a lança nas mãos de Gabriela, mas cortá-lo não o matava então eu finalizei batendo com o machete na temporã do morto vivo que por incrível que pareça cortou metade da cabeça deixando o machete preso. Usando um pouco mais de força, e uma das pernas de apoio, mas agora com o resto deles alertado seria mais difícil. O segundo veio pelas minhas costas, mas Gabriela veio ao meu socorro e perfurou a cabeça dele pela testa. Outro deles estava atrás de uma prateleira então para ter menos trabalho apenas empurrei a estante sobre ele o deixando preso. Quando voltei minha atenção para trás um zumbi estava agarrando Gabriela então girei o machete para trás e cortei a parte de cima da cabeça dele pela nuca. Já se foram quatro deles faltava mais dois. Retirando o machete da nuca do morto vivo outro deles veio de frente comigo então para arrumar mais tempo larguei a machete e chutei o peito do morto vivo o jogando para trás. Voltei à atenção para retirar o machete e agora com o pé apoiado no corpo do morto vivo consegui retira-lo, mas algo estava errado o último deles tinha sumido.
— Gabriela você consegue ver o outro zumbi por aí? – Perguntei para Gabriela.
— Sim eu to vendo ele. Um pedaço dele tá debaixo da minha bota. – Disse Gabriela.
Gabriela estava lá pisoteando o morto vivo sem parar descontando alguma raiva que eu não entendia bem naquele momento.
— Já acabou? – Perguntei.
—Já... Já acabei. – Respondeu Gabriela.
Depois de limpar o andar de baixo estávamos voltando devagar para a escadaria, um de costas para o outro, quando fomos surpreendidos por Amaro e Bell que desciam a escadaria.
— Vocês estavam namorando por aí ou algo assim? – Perguntou Gabriela para Amaro e Bell.
— Achei alguns equipamentos de carpinteiro ali nos fundos e peguei algumas coisas para mim. – Respondeu Bell.
— Fiquei esperando o Bell acabar de pegar as coisas. Então não, não estávamos namorando. – Respondeu Amaro.
—E vocês dois aqui em baixo estavam fazendo o que? Namorando. – Perguntou Bell.
— Tá vendo aqueles corpos ali no chão. Nós os colocamos ali. – Respondeu Gabriela.
— Certo pegaram tudo o que vocês queriam. Por que eu to quase indo embora sem vocês. – Eu disse.
— Mas como vamos sair? – Perguntou Bell.
— Vocês não sabem? Não viram o buraco? – Perguntei.
Ninguém sabia do que eu estava falando então decidi levar a conversa direto ao ponto.
— Entre o apartamento e essa loja tem um corredor largo e extenso e se alguém reparou em quanto pulava eu vi uma abertura no muro, um buraco, que leva para fora.
— Tem certeza que isso realmente está lá? – Perguntou Amaro.
— Tão certo quanto á certeza de ver mortos andando. – Respondi.
—Mas não era para ter aberturas nos muros. De onde aquilo veio? – Perguntou Bell.
Nesse momento fomos interrompidos por um carro que gastava os freios no asfalto não tão longe da entrada da loja.
— O que e isso? – Perguntou Gabriela.
— Alguém tinha um carro na cidade, mas todos os transportes não são eram públicos? – Perguntou Bell.
— Esse carro não e da cidade. Não temos carros aqui dentro – Eu disse.
Depois de o carro frear e frente à loja só pode se ouvir o bater das portas e os tiros que seguiam pela rua.
— Estão atirando nos mortos. – Disse Gabriela.
— E nossa chance de sair daqui. Pelos fundos. – Eu disse.
Saímos do meio da loja e passamos para depois do balcão de frente para a porta que dava acesso ao corredor externo, o mesmo que tinha um buraco no muro, nossa saída.
Do lado de fora da loja ainda podia-se ouvir alguns disparos; no corredor existia realmente um grande buraco no muro de proteção grande o suficiente para passar um carro... Então foi assim que aquele carro entrou. Alguma coisa está por trás disso.
— Vamos logo pessoal. A coisa parece estar ficando feia ali na rua. – Disse Amaro.
Quase que em uma fila indiana seguimos andando até perto do buraco. Gabriela e Bell passaram primeiro, mas antes de sair tinha mais uma coisa para fazer e precisava de um pouco mais de músculos para fazê-lo.
— Amaro me ajuda aqui. – Chamei Amaro.
Com ajuda de Amaro conseguimos puxar uma lixeira industrial que estava à esquerda do lado do buraco e a posicionamos de um jeito a travar tanto a entrada quanto a saída de qualquer coisa, assim, fechando a saída do carro e seja quem for que estivesse atirando ali.
— Vamos cortar pelas árvores ali na frente, assim, vamos chegar a uma das antigas rodovias principais. – Eu disse.
Continuamos correndo para longe daquele lugar passando por árvores e mortos vivos que prestavam mais atenção nos disparos do que em nos. Continuamos correndo... Até não conseguirmos ver mais os muros.
...
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