Mob
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Este capítulo será narrado pelo Alex, primo do Victor. Espero que gostem!!! : )
Andei até a grande janela que ocupava a maior parte da parede do escritório de Victor. Realmente, era bom olhar a vista dali. Conseguia entender o porque dele ficar encarando aquele jardim da entrada todos os dias, o máximo de tempo que podia enquanto não estava trabalhando ou resolvendo os problemas da família.
Olhei meu celular. Nenhuma mensagem. Faziam algumas horas desde que eu esperava uma ligação ou mensagem que me confirmasse o que eu queria saber. Um pedido especial, era isso. Com meu status, eu podia acessar certas pessoas das quais eu precisava para tirar alguns obstáculos da minha vida. Uma pedra no sapato, se assim poderia dizer. Andei até a mesa, coberta de papéis e diversos objetos de trabalho. Uma bagunça. Mas Victor nunca se importara em arrumar ela. Não. Ele desvalorizava o cargo que tinha. Meu celular vibrou, e eu imediatamente o tirei do bolso da calça, — que, modéstia a parte, estava impecávelmente passada. — atendendo no primeiro toque. Levei o aparelho ao ouvido.— Jones. Eu estava esperando sua ligação. Há 3 horas atrás. — falei, calmamente, me olhando no espelho e ajeitando minha gravata enquanto andava pelo cômodo. — Senhor, desculpe-me. Não conseguimos pegar o garoto. Fomos procurá-lo no estacionamento, porém quando chegamos lá, ele havia sumido! O senhor disse que ele estaria lá naquela hora! Que alguém o faria ir para lá! — reclamou Jones, sua voz grave fazendo meu telefone vibrar levemente. Afastei o aparelho um pouco do ouvido, enquanto ele gritava como um animal. — Acho que alguém o levou antes, senhor! Encontramos o celular dele no chão do estacionamento!— Quer parar de gritar, animal? — perguntei, estalando a língua e voltando a observar o jardim. Podia ver o pôr do sol, desaparecendo atrás do muro que cercava a propriedade. O céu era tingido de tons diversos de rosa e laranja. Quando percebi que Jones havia se calado, prossegui. — Não há problema com isso. Nunca esperei que pegassem ele. Eu lhe disse que alguém o faria ir até o estacionamento naquela hora, mas parece que meu plano não deu muito certo. Bem, seres humanos erram, certo? Você só se atrasou alguns minutinhos.— Sim! Sim, senhor! Não foi culpa minha! Obrigado senhor! — gritava ele novamente. Sorri, sabendo que ele não veria. Meu reflexo no vidro repetiu o gesto.— Pode passar para seu colega, o Jason? — pedi educadamente, enquanto procurava o controle da grande TV, presa na parede no canto do escritório — que era agradávelmente grande — em frente à um sofá vermelho. Ouvi barulhos do outro lado da linha, e presumi que Jones estava passando o celular para Jason.— Senhor, aqui é Jason. — respondeu a voz no celular, parecendo mil vezes mais calma e jovem que a de Jones. Agradeci mentalmente à mim mesmo por ter contratado dois homens para fazerem o trabalho sujo, e não apenas um imbecil — Jones — que era completamente inútil.— Jason, não irei precisar mais dos serviços do seu amigo, Jones. — falei, rindo quando me assustei ao ver meu olhar frio e indiferente pelo espelho na parede em frente à mesa de Victor. Ouvi um clique e um barulho alto — óbviamente de tiros — do outro lado da linha. Meu sorriso se alargou. A voz alta e insuportável de Jones havia ficado muda.— Senhor, não precisa mais se preocupar com ele. Garanti que ele concluísse o trabalho sem espalhar para ninguém algo do qual devemos ser discretos. — explicou Jason, dizendo-me o que eu já sabia. Assenti para mim mesmo, satisfeito.— Preciso que me faça um favorzinho, Jason. — continuei, calmamente ligando a tv quando encontrei o controle, escondido quase que estratégicamente, debaixo de alguns papéis dentro da gaveta. A voz do jornalista do canal de notícias preencheu a sala silenciosa. " E está confirmado que o chefe de uma das maiores famílias de caçadores da máfia do mundo, Victor Justine, foi raptado hoje por pessoas ainda não indentificadas. O sequestro ocorreu no estacionamento de sua casa. Sua família decidiu esperar para agir. O pai do garoto, Robert Justine, que entrevistamos algumas horas atrás, anunciou que o filho deve estar bem, e que ele cuidaria daquele incidente pessoalmente. " dizia o homem. Mordi meu lábio, forte, sentindo o gosto de sangue. — Preciso que....preciso que encontre Victor Justine e o traga até mim. Não me interessa como, mas faça isso, a menos que queira acabar como Jones. Lhe darei seu pagamento assim que eu estiver com ele. Me mantenha informado.— Sim, senhor. Irei trazê-lo para você. — respondeu Jason, desligando logo em seguida. Fui até onde todos os vídeos das câmeras de segurança ficavam, entrando apressadamente e pedindo gentilmente ao segurança lá presente para que saísse. Ele obedeceu. Procurei o momento certo do sequestro nos registros da garagem, enquanto passava a língua nos lábios para limpar o sangue. Encontrei e dei play, colocando em câmera lenta. Era bem provável que ninguém houvesse pensado em ver os vídeos das câmeras ainda. Ri sozinho, enquanto dava pause e zoom no braço de um dos sequestradores. Havia uma tatuagem. Da máfia. Arranquei a fita do DVD, deixando a em cima da mesa e respirando pesadamente, enquanto encarava a mesma.
— Filhos da puta! — berrei, toda a minha raiva clara na minha voz e provavelmente em meu rosto. Movi o braço, derrubando e quebrando a maioria das coisas que se encontravam em cima da mesa. Respirei fundo. Ajeitei minha gravata, pegando a fita rachada do chão e saindo da sala pequena. Ignorei a expressão confusa do segurança que esperava do lado de fora, e voltei para o escritório. A máfia. Eles haviam pego Victor. Mas é claro. Eu deveria saber. Me sentei na cadeira grande em frente à mesa, onde Victor trabalhava. Alisei os braços da cadeira com a ponta dos dedos, admirando a beleza do objeto. Devia ser caro. Sorri. Coloquei a fita dentro de uma das gavetas da mesa, trancando-a depois. Guardei a chave no bolso do paletó. Me olhei novamente no espelho, alisando meus cabelos platinados para trás, mantendo o topete. Girei na cadeira, olhando para a janela, agora mostrando o jardim escuro, como uma floresta. Estrelas disputavam o espaço no céu com as luzes dos prédios e antenas. A lua não podia ser vista. — Não se preocupe, primo. Eu vou cuidar muito bem do seu cargo, assim que me livrar de você. — murmurei para mim mesmo, encarando meu reflexo sombrio na janela. Meus olhos brilhavam, com muitas mentiras escondidas neles. " Dizem que os olhos são o espelho da alma.... " pensei, rindo comigo mesmo, enquanto pensava o que comprar primeiro com o dinheiro que iria ganhar ao virar chefe da família. Mas a vingança é um prato que se come frio. Eu sabia disso. Até o prato esfriar, eu só precisava encenar mais um pouco.
Notas finais
Bem, espero que tenham gostado! Alex não é tão bonzinho não é? Rsrsrs ^-^. Qualquer sugestão ou crítica ( construtiva ) pode ser deixada nos comentários, se quiserem! Muito obrigada mesmo aos que estão lendo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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