Moça, seu namorado é gay
5 5 – Erros de ontem, erros de hoje, erros de amanhã
Notas iniciais
Isso significa que ela pode conter erros ortográficos e de concordância verbal. Se achar algum, eu agradeceria muito que anotasse no bloco de notas e mandasse para mellorine189151@gmail.com ou ainda por MP.
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Não há pior inimigo que um falso amigo (Provérbio inglês)
Quando eu era pequena, na volta às aulas, a professora sempre nos mandava fazer uma redação, ou mesmo um desenho, contando o que tínhamos feito nas férias. Naquela tarde ensolarada, eu conheci Ino, e a partir daí nos tornamos melhores amigas. E a primeira redação do gênero que eu fiz foi sobre ela, no entanto, eu gostaria de ter falando sobre outra pessoa... Na época, todos riram da minha redação e eu não entendi bem o porquê disso.
Anos mais tardes, eu descobri a causa de tantos risos misturados com discriminação. Descobri que Hinata Hyuuga, minha ex melhor amiga, nos difamou para o colégio inteiro. Disse que eu era lésbica e que me viu beijando Ino na boca. Tudo não passava de uma mentira. E apesar de todo o preconceito, foi nela que os meus outros colegas resolveram acreditar. Tampouco recebeu suspensão pelo preconceito. A gente era criança demais na época também, mas eu nunca soube de nenhuma responsabilidade culposa assumida pelos seus pais. O assunto morreu. Ino estudava em outro colégio e eu não lhe contei nada, porque tive medo de que ela se afastasse de mim com os boatos. Eu aguentei calada todas as chacotas, que só acabaram quando Naruto e eu assumimos publicamente que estávamos ficando.
Ah, Naruto.
Naruto era aquele garoto de cabelos loiros, em terra de cabelos negros e finos, que me ajudou. Ele não deixou que três garotos de uma série superior me espancassem. Eu passei a vê-lo como um herói e, assim, tornou-se fácil o meu primeiro amor. Eu tive outros relacionamentos que não chegaram a ser um namoro de longa data depois que nós terminamos só pra que eu estivesse sempre disponível pra ele. Pra ele vir e me beijar. Pra quando ele acordar, dar-se conta de que eu gostaria que ele estivesse junto de mim, para me proteger pra sempre.
Eu aprendi em novelas, aquelas que a mamãe adorava, que o amor não era uma coisa fácil; contudo foi na minha própria experiência que eu pude comprovar a veracidade da ficção. Estranho, não é? Veracidade da ficção! O amor por si só é bastante contraditório, já que ficção deveria abordar coisas que não são possíveis nesse mundo real. Só que eu percebi que a ficção foi, cada vez mais, abordando temas reais da atualidade em que vivemos, comprovando a veracidade de certas coisas, e eu me vi perdida, tentando compreender algo que para mim era incompreensível. Eu me declarei para Naruto Uzumaki, o meu herói, e de cara levei um fora. Eu perguntei por que os heróis estavam deixando de ser simpáticos.
Mesmo assim, eu não fiquei com minha confiança completamente destruída e tentei mais vezes até que ele me dissesse sim. Foi o único dele. Somente uma vez. E a partir do momento em que começamos a namorar, eu percebi que ele não era mais o príncipe encantado montado em um cavalo branco do meu conto de fadas. Talvez ele nunca tenha sido, talvez eu tenha imaginado coisas. Talvez a razão de ele ter me salvado fosse apenas compaixão também, talvez ele tivesse feito o mesmo com um cachorro maltratado na rua. Hinata me disse que nunca houve distinção entre eu e um animal. Claro que ela falava por maldade, mas de uns tempos para cá eu passei a acreditar que isso talvez fosse mesmo verdade.
Qual o sentido da vida?
Eu passei a me questionar muitas vezes com essa pergunta. E eu ainda não encontrei a resposta, mas achei na dança uma possibilidade. Quando eu comecei a dançar, vi admiração no sorriso das pessoas e gostei disso. Me dei conta de que essa era a única maneira de receber, talvez, um sorriso sincero que não fosse de Ino e da minha família quando me elogiavam por algo. A música é a irmã da dança, e eu sempre gostei de escutar os mais diversos gêneros. Certo dia, escutando uma música cantada na língua portuguesa, não me lembro de que país, escutei que o grande sentido da vida era a gente vencer cada dia como se fosse o maior de todos os prêmios. Eu passei a concordar que esse enunciado fazia todo um sentido.
Decidi lutar pra vencer e os dias foram se passando como um vendaval. Chegou o grande dia das apresentações dos grupos de torcida no colégio Lohan. Nós, as The Cats, ocupávamos essa vaga e faríamos de tudo para conseguir ocupá-la por mais um ano.
12 de dezembro de 2012; quarta-feira, 3 da tarde.
– E então, como é que estou? – Haruno perguntou a Sasuke e deu uma volta de 360º para que ele pudesse vê-la em todos os ângulos. Ela se dirigiu para se olhar no espelho mais uma vez depois disso. – Acha que preciso por mais maquiagem? – Trouxe o rosto para mais perto do espelho. – Acha que estou meio... Sem graça?
– Você acha que está sem graça?! – Ele deu um sorrisinho de canto. – Você tem razão nisso. – Haruno pasmou e olhou aturdida para ele, como se vagasse no ar. – E falta um monte de coisas em você também. Falta beleza, classe, peito e bunda!
– Puxa... – Ela ficou decepcionada e triste, mas mesmo assim tentou levar o que o amigo tinha dito numa boa. – Você foi bem sincero agora...
Sasuke abriu um sorriso e depois caiu na gargalhada como se Haruno tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. Ou talvez ela estivesse mesmo tão ridícula a ponto de ser um alvo de críticas e risos, pensou a pobre.
– Você sabe que o que eu disse não é verdade! – O silêncio e a vergonha que Haruno sentia pareciam ficar mais engraçados à medida que o tempo passava, porque Sasuke ria cada vez mais alto. – Você está linda! Ok? Está muito linda mesmo!
– Eu não sei se eu devo acreditar em você... – Ela deu um sorriso fraco, pensando que ele estivesse mentindo dessa vez para não deixá-la triste por ter tido uma verdade tão crua e nua. – Olhando pra mim agora no espelho – ela voltou a olhar o seu reflexo –, qualquer um chegaria à conclusão de que eu sou ridícula.
– Ei, para com isso! – Ele chegou pertinho dela, sério, e deu um peteleco na sua testa, como seu irmão fazia nele quando era uma criança. – Você está realmente linda. A sua roupa é muito feminina e cai bem no seu corpo. Você é bonita, sabe a coreografia como ninguém e ama o que faz. Não se preocupe, Coração. O trono é seu e ninguém vai tirá-lo de você.
Own, Sasuke-kun...
– Eu não sei... – Ela abaixou o olhar, tensa e envergonhada com tantos elogios. – Eu sinto minhocas no meu estômago. Sinto com se tudo estivesse prestes a dar errado, como se faltasse segundos para que o meu sonho afundasse água a baixo. Eu queria poder estar tão confiante como no ano passado. Eu queria—
– Psiu! – Ela calou Haruno com um dedo e levantou o seu queixo a fim de fazer o seu olhar cruzar com o dela. Seus olhos eram intensos e sinceros. – Você não “queria”, você quer! E vai conseguir.
– Eu quero muito ganhar – ela repetiu mais pra si mesma. – Mas às vezes sinto que não vou conseguir. E eu tenho que passar confiança pras meninas e estou com medo, é por isso que estou te contando isso agora. Preciso compartilhar e não pode ser com elas.
– Levanta essa cabeça, Coração... – Ele encostou a testa na dela. – Você vai ganhar, entendeu? Você deu tudo de si. Não tem porque nada dar errado se você está lutando pelo seu sonho. Quando a gente luta, de uma maneira ou de outra, tudo tende a dar certo.
– Alguns soldados morrem na guerra, Sasuke-kun – Haruno suspirou –, mesmo que eles lutem até as últimas forças se esgotarem.
– E você acredita mesmo nisso, que eles não ganharam a batalha?
Ela deslocou a sua testa na dele e caminhou até o sofá, passando a mão pelo dorso do móvel como se estivesse desiludida da vida. A confiança de alguns meses atrás acabou.
– Você acha que eles ganharam? – Ela respondeu com outra pergunta.
– Tentar é mais importante que ganhar às vezes.
– Sim, mas você me disse que acredita que eu vou ganhar, não disse? – Ela riu melancólica. – Afirmando isso, você já está voltando atrás. Mas sabe de uma coisa, Sasuke-kun? Não se pode apenas tentar quando a sua vida está em jogo. Preciso ganhar.
– E você vai! – Ela disse em tom confiante, ainda que sério.
– Acredita mesmo nisso? – Ela voltou a perguntar, dessa vez, com outro sentido.
– Apostaria minha vida – respondeu sério.
– Você é um doce.
Você sabe que eu sou diabética? Eu devo ficar longe de você.
[...]
Os dias eram de chuva, mas lá fora as nuvens não choravam. Haruno pensou que talvez o pessoal lá de cima estivesse torcendo por ela também, e talvez estivessem mesmo, porque ela e Sasuke não pegaram muito trânsito até chegar ao colégio, o que só podia ser presente divino. Não que ele ficasse muito longe de onde moravam, Haruno normalmente ia a pé para o colégio, mas ela estava com uma roupa muito peculiar para andar normalmente pelas ruas como qualquer outra cidadã japonesa normal. Aquela liga preta, a minissaia e a blusa que deixava sua barriga exposta, além de chamar a atenção de todos, atrairia olhares muito comprometedores. Haruno não queria esse tipo de atenção. Ela poderia se aprontar no vestuário do colégio também, mas isso levaria muito tempo. Resolveu se aprontar em casa. Até porque quando chegasse iria ter com as meninas uma conversa de líder. Queria o desempenho de todas e já havia batido nessa mesma tecla inúmeras vezes, mas não custava relembrar uma última vez.
Sasuke estacionou o carro no pátio dos fundos e Haruno entrou por um portão que dava acesso direto aos vestuários.
– Sakura-chan, você chegou! Estávamos te esperando – Tenten veio cumprimentar Haruno, que se deixou ser abraçada por ela. Ela normalmente estava sempre com um humor radiante, que de tão radiante às vezes ganhava um “chega pra lá” de sua líder, mas esse não era o momento exato de acabar com a auto-estima da menina. Seu cabelo castanho, que combinava com seus olhos de mesma cor, estava sempre amarrado com suas “marias chiquinhas”, que conferia a ela um ar fofo. Era triste vê-la desanimada quando alguém lhe magoava. Era ingênua. – Como estou, Sakura-chan? – Ela deu uma volta de 360°.
Haruno apenas queria dizer a ela que parasse de chamá-la de Sakura, mas sempre que fazia isso Tenten saia correndo para chorar.
– Que demora, hein, testa de marquise! – Disse Ino, que já estava devidamente pronta, mas se lambuzava com um Mac com bastante ketchup; Haruno olhou pra ela com indignação nos olhos.
– Ino-san – Haruno falou ironia na voz –, oi pra você também. Sabia que pode sujar a roupa que demos duro para comprar? Sabia que pode ficar com dor no estômago na hora em que estivermos nos apresentando? – Haruno foi até Ino e arrancou dela o lanche sem compaixão alguma.
Protestou: – Caraca! Esse era o meu sanduba, sua vaca—
– Calada! Será que não pode controlar essa sua boca nervosa ao menos uma vez na vida? Deus! Eu mereço! – Haruno rebateu fazendo Ino revirar os olhos. Voltou a observar Tenten: – Por que ainda não está calçada, Tenten?
– Sa-ku-ra-chan – Ino voltou a dizer em tom de brincadeira –, você sabia que eu passei horas tentando fazer algum penteado? Eu não almocei. O almoço é a refeição do dia que mais prezo. Devolve o meu sanduíche, vai – pediu com um biquinho.
– Sabe que esse é o dia que eu mais prezo no ano também? Sabe que hoje fiz minhas tarefas altamente cronometradas pra dar tempo de fazer tudo o que eu queria? Sabe que a refeição do dia que mais deve prezar é o café da manhã e não o almoço? – Haruno bombardeou Ino com perguntas. Ino suspirou, desistindo do lanche e revirando os olhos de novo. – E VOCÊ AINDA ESTÁ AQUI, TENTEN? Anda calçar a porra desses sapatos logo!
Tenten saiu correndo.
– Está de TPM hoje, Sakura-chan? – Perguntou Temari, mais uma integrante do grupo que veio encher a paciência de Haruno pronunciando o nome que ela tanto odiava.
– Não me chame de Sakura! Quantas vezes eu disse que me chamassem de Haruno? Haruno, ok? Há-ru-no! E larga essa serra de unha. – Haruno foi até ela e roubou a serra de unha. – Você veio cuidar das suas unhas agora? Quantas vezes eu conversei com você sobre isso? Por favor, gente... Isso é importante pra mim... É o meu sonho... – As últimas falas saíram quase inaudíveis.
– Não fique assim, Haruno-san! Estamos todas com você! – Chisui, a mais velha do grupo, veio consolá-la, mas não adiantou de muita coisa. Haruno seguiu tendo aquele sentimento de que nada iria dar certo. E depois de ver a desordem do grupo, o sentimento tinha se intensificado.
– Saku... Haruno-san – Tenten se corrigiu –, não fique assim. Veja! Eu já calcei os sapatos. Ino está limpinha do mesmo jeito que chegou aqui, com a roupa intacta. Temari está com as unhas impecáveis e todas as outras estão passando a coreografia em uma sala à parte, para que tudo saia como planejamos. Nós sabemos de como isso é importante pra você porque também é o nosso sonho. – Sorriu.
Haruno estava muito ansiosa e algumas lágrimas foram abafadas por um abraço grupal. Não importava o quanto brigassem, eram as melhores amigas e estariam juntas nesse e noutros desafios. Sempre.
– Ah, meninas... – Suspirou. – O que eu faria sem vocês?
– Sua sentimental! – Temari deu uma tapinha no traseiro de Haruno. – Enxuga essas lágrimas. Você é a nossa líder, não queremos pensar em nosso grupo sem você. Agora vai lá atrás do palco e repasse o som!
– Sim, senhora! – Disse batendo continência, enxugou as lágrimas e riu da inversão de papeis.
[...]
– Coreografia pronta? Ok! Som ajustado? Ok! Presença de todas as integrantes? Ok! Roupas intactas? Ok! – Haruno estava voltando do ajuste de som, atrás do palco, de volta para trás das cortinas, onde estavam as outras meninas. Continuou dizendo para si mesma: – Está tudo em ordem. – Sorriu. – Não tem como nada dar errado!
– Sakura...
Haruno empalideceu ao ouvir aquela voz, dizendo seu nome. Segundos depois estava parada na frente de sua irmã, que apareceu de súbito e com um sorriso no rosto cheio de lágrimas, querendo abraçá-la. Como assim? Onde esteve? Como soube que ela estaria ali? Tantas perguntas rondavam a cabeça de Haruno que estava tonta. Tonta, confusa, mas feliz. Feliz em ver a irmã depois de tanto tempo desde que fugiu de casa com o namorado.
– Sacki... Sacki, é você mesma? – Perguntou contando o choro com as mãos na boca.
– Sakura! – Sacki foi ao seu encontro e lhe deu um forte abraço. – Olhe pra você! Está tão linda!
As duas eram muito parecidas. Os mesmos olhos verde que Haruno tinha, também tinha Sacki. O corpo era o mesmo, as curvas se assemelhavam e pela semelhança do rosto ninguém poderia negar que as duas eram irmãs. Exceto o cabelo longo e castanho de Sacki as diferenciavam. O cabelo, a cor e os dois anos de diferença. Haruno era a irmã mais velha e sofreu quando sua irmã saiu de casa. Sua irmã e seu pai, que ainda estava com paradeiro desconhecido. Sacki, no entanto, se comunicava por e-mails, mas nunca dizia a sua exata localização. Informava apenas que estava bem.
– Sacki... – Seu coração se encheu de felicidade; esqueceu-se por alguns instantes que estava se atrasando. Sua irmã estava ali! Sua irmã! – Como soube? Onde esteve?
– Segredinho... – Sacki riu. – Sakura, eu encontrei papai.
– Você o encontrou? – Seu rosto emudeceu.
– Encontrei – murmurou triste. – Ele está cada vez pior. Ele está internado de novo. E ele está precisando de nós duas, é por isso que eu resolvi te procurar pessoalmente. Ele está meio... Atordoado, Sakura. Eu estou providenciando a sua internação em um hospital psiquiátrico.
– Oh, céus... O papai... Ele... – Haruno custava a acreditar.
– O álcool e as dívidas de jogo acabaram com a sua vida, minha irmã. Papai está muito doente.
– Em que hospital ele está agora? – Quis saber.
– Você não vai se atrasar para a sua apresentação, eu sei que isso aqui é o seu sonho. – Sacki sorriu e segurou em suas mãos. – A sua transferência vai acontecer hoje à noite e eu precisava te informar isso quanto antes. Achei que não era uma notícia agradável de dar por e-mail. E também porque eu queria te ver. Estou com saudades de você, onee-chan.
Haruno a abraçou e perguntou por cima do ombro: – Como está? Como tem passado? Onde está vivendo?
– Não importa onde estou vivendo, Sakura – confessou –, o que importa é que estou feliz e que você deve viver a sua vida guiada pelos seus desejos também.
– E por isso que estou aqui, Sacki... – Respirou. – Por conta dos meus objetivos.
– Eu sei... – Sacki abraçou a irmã ainda mais forte. – Diga para a mamãe que dei notícias, que estou bem e quando ela resolveu me aceitar, voltarei para dar um abraço nela.
– Direi! – Haruno se separou e enxugou as lágrimas, sorridente.
– Você poderá acompanhar a transferência do papai comigo à noite?
– Senhoras e senhores, sejam bem vindos ao colégio Lohan! Nessa tarde teremos a apresentação de nossas queridas e belas alunas que futuramente darão incentivo aos nossos marmanjos, hein! – Assovios e ovações puderam ser ouvidos por trás do palco. – Vamos dar início a mais uma de nossas competições anuais. A sorte, não só ela, como o preparo e a garra dessas meninas, está jogada!
– Sim, estarei lá – Haruno respondeu.
– Então é isso, maninha... – Sacki sorriu. – Eu não vou poder ficar, mas eu tenho certeza que dará o melhor de si.
– Obrigada! – Haruno sorriu de volta. – Eu darei o meu melhor!
Haruno tinha a amizade de suas companheiras, de suas amigas, tinha o a apoio e presença do seu colega de apartamento sentado nos degraus do ginásio, então por que ainda se sentia insegura? Seria porque no ano passado ter acontecido algo ruim? Sentia que nesse ano poderia acontecer o mesmo ou algo ainda pior? Não sabia. Mas seguiu confiante para junto de suas amigas.
Foi se encontrar com as amigas de grupo e não pôde acreditar no que seus olhos estavam vendo. Seu namorado, Naruto, estava beijando a sua ex-amiga Hinata como se fosse comer a sua cabeça em um único beijo. Eles pareciam tão desesperados por aquilo. E muito apaixonados. Mas por que Naruto não disse que queria terminar com Haruno? Seria tudo tão mais fácil assim.
Observou as mãos de Naruto passear pelas pernas desnudas de Hinata e sentiu uma ânsia de vômito subir pelo seu esôfago. Segurou-se na parede e não aguentando mais ficar ali, retirou-se correndo.
Poucos minutos depois estava na presença de suas amigas, que estranharam o seu estado de espírito, mas não perguntaram nada sobre. Tenten também viu o acontecido e contou às amigas, que ficaram tristes. Lastimável. Estava tudo dando errado, tinham ao menos que ganhar o concurso. Por elas mesmas e por Haruno.
Haruno entregou o CD ao responsável pelo som e na volta Hinata armou uma cilada para ela. Com a ajuda de uma outra pessoa que Haruno não pôde identificar, porque estava meio grogue com a substância que puseram para ela cheirar, trancaram-na no banheiro. O que não impediu, entretanto, que o filho do faxineiro escutasse seus gritos, quando já estava desperta, nos últimos segundos decisivos. Conseguiu sair de lá faltando 10 segundos para a eliminação de seu grupo. Dançou e mostrou porque estava ali, estava ali para ganhar. E ganhou.
Foram tantas as coisas ruins que aconteceram no ano passado que era praticamente impossível não pensar que nesse ano poderia acontecer o mesmo, ainda que fossem situações diferentes. O que poderia dar errado dessa vez?
Uma voz tirou Haruno dos seus devaneios passados.
Antes Haruno estivesse ao lado das amigas o tempo todo, nada poderia acontecer. Ou será que sim?
– Atrapalho? – Perguntou uma voz familiar. Mas Haruno não pôde identificar, pelo segundo ano, na mesma ocasião, o dono da estranha voz, antes que sua vista escurecesse por completo.
[...]
– Boa tarde! Estamos aqui em mais um ano consecutivo para dar início às apresentações dos grupos de dança do colégio Lohan. Vamos escolher apenas um para representar o corpo feminino junto ao time de baseball do colégio. O primeiro grupo a se apresentar será as The Cats, liderado pela aluna do terceiro ano B, Sakura Haruno. Uma salva de palmas, por favor.
Haruno pôde ouvir ao longe a chamada e foi nesse momento em que acordou. Quis gritar, mas sua boca estava presa com uma fita isolante. Quis se libertar, mas seus braços e pernas estavam presos com cordas grossas de nalho.
– Olha só quem acordou... A bela adormecida, porém não tão bela assim... – A voz estranha e familiar enfim mostrou a quem pertencia. Seu dono se aproximou como uma cobra gananciosa e rasteira. Ele arrancou com força a fita da boca de Haruno, fazendo-a fazer uma careta de dor.
Haruno também pôde ver uma outra pessoa e protestou: – Megera! – Ou melhor, gritou. – O que vai ganhar com isso, Hinata? Me solta!
– O que eu vou ganhar? – Ela soltou uma gargalhada alta. – Eu vou ganhar a competição, meu amor. Você pode espernear e gritar o quanto quiser, mas ninguém vai te ouvir. E sabe por quê? Porque esse ano o meu priminho ficará encarregado de você. E te levará para longe. Muito longe... Dessa vez nada pode dar errado e as The Dolls vão ganhar como sempre deveriam ter ganhado.
– Isso é sujo! – Rosnou incrédula. Como Hinata poderia ter tanta mágoa no coração?
– Ah, eu sei disso... – Riu. – Mas não estou muito preocupada desde que eu ganhe. Nos vemos na segunda, quando eu puder desfilar vencedora pelos corredores do colégio. Você ficará desaparecida até lá. Beijos, amorzinho. – Ela mandou, ironicamente, um beijo no ar e virou as costas. – Neji, cuide dela. Mas não vá forçá-la a fazer nada, ok? Não a machuque.
– Sim, Hinata-sama. – Ele estralou os dedos das mãos.
[...]
– Fomos informados que o grupo liderado pela aluna Sakura Haruno não poderá mais participar da competição. Que entre o próximo grupo. Uma salva de palmas para as The Dolls!
E puderam-se ouvir gritos eufóricos da plateia que era, principalmente, masculina.
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