— Desculpa, eu tentei ser forte, tentei continuar mesmo completamente destruída, a cada dia eu me olhava no espelho e não conseguia me enxergar, eu nunca fui aquela criatura barbuda, peluda, de rosto largo e de voz grossa. Aquilo não era eu!

Olhando para baixo ela percebe que na gaveta do banheiro há um gilete enferrujado, sem alternativas e já sentindo suas lágrimas molhando seus lábios ela pega o gilete e passa em seu pulso, cortando sua veia e gemendo pela dor da ferida.

—Aii, não, isso não é o suficiente, isso ainda não resolve quem sou, isso ainda não sou eu!

Ela resolve ir para o quarto, pega o batom de sua mãe e também roupas femininas, a garota corre ao banheiro e se veste com as roupas de sua mãe, enquanto ainda chora ela passa o batom e exclama:

— Parece que estou mais bonita não?

Seu olhar caí e ela larga o batom no chão, seu pulso está sangrando e ela não se importa.

—Isso, esse monstro ainda não sou eu, isso ainda não sou eu!

A garota corre até a janela, olha ao redor e percebe todo o chão manchado com gotas de sangue seguindo seu rastro, ela resolve ajoelhar-se na frente da janela com seus olhos cheios de lágrimas e exclama para os céus:

—DEUS! Meu deus, o que eu fiz para merecer ser assim, o que eu fiz para você. Eu só queria poder sorrir ao me olhar no espelho, mas se eu sou assim já estou errado, errada, sei lá! DEUS, ME AJUDE! Eu quero sorrir, eu quero deixar de chorar...eu só quero ser feliz.

A garota resolve abrir a janela, chega próximo a borda da sacada e se ergue na única beirada disponível, seu sangue esta escorrendo pela janela, misturado com suas lágrimas salgadas molhando o vestido de sua mãe, sussurrando ela fala para os céus.

—Deus...por favor...me de um sinal..me mostre que eu sou normal...por favor...só quero sorrir...

E por um breve momento aquela garota viu uma forte luz que a fez fechar seus olhos, ela aperta seu pulso sangrando, coloca um pé mais a frente que o outro e se lança em direção a luz, talvez ali ela encontraria algo bom, talvez ali ela encontraria a paz que sempre buscou, talvez ali ela finalmente conseguiria sorrir.

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