Mizpá

1 Bakemono


Notas iniciais
Tá, primeiro capítulo~♥
Pode parecer confuso no início, mas assim que a história for se desenrolando, vai dar pra entender melhor. Eu até revisei o capítulo, mas às vezes, sempre caem aqueles errinhos que passam despercebidos... Mas é isso, e lá vai capítulo!

Do lado de fora do prédio, as únicas coisas que se ouviam eram os pingos da chuva forte e os trovões, e de dentro meu quarto, passos de uma pessoa que não existia mais. Deitado na cama, fechei os olhos tentando não me concentrar nos objetos caindo, mas logo os abri, só de pensar na possibilidade dormir era um tormento para mim. Me sentei e observei o quarto; os passos haviam parado e os objetos não estavam mais caindo, me deitei na cama novamente.

– Por que você só não vai embora... – disse olhando para o teto, já fazia mais ou menos três dias que eu não dormia, não demoraria muito para que me sedassem como sempre. – Você sabe que isso tudo não aconteceu por querer, você sabe muito bem disso.

A janela fora aberta bruscamente, o vento forte entrou no quarto junto com alguns pingos da chuva. Levantei-me rapidamente e fui até a janela para fechá-la, mas mesmo com nada – visível – a prendendo, estava impossível de fechá-la, era como que se alguém segurasse a janela para que ela se mantivesse aberta. Parei de tentar forçá-la e me virei, acabei encarando o espelho que tinha pendurado na parede; ele era redondo e sem moldura alguma, era apenas um espelho para que eu me visse de manhã, mas nada estaria de errado com o espelho, se em seu reflexo não tivesse um vulto atrás de mim, segurando a janela.

Senti os pêlos do meu braço se arrepiarem por de baixo do moletom cinza. Eu detestava quando ela na tentativa de me aterrorizar aparecia, mesmo que fosse apenas com vulto. O pior que ela sempre conseguia. Mordi o lábio inferior, fechei os olhos e respirei fundo, tentando acalmar meu coração para não ter um ataque fulminante.

– A culpa é sua – uma voz veio do nada, fazendo meu estômago revirar. As janelas bateram com força, fazendo o vidro rachar e passos pelos corredores da psiquiatria deram para serem ouvidos de longe. Suspirei, seria uma longa noite.

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– Você tá ferrado, cara – Connor riu, mexendo seu cavalo no tabuleiro de xadrez.

– Foi só o vento, dormi com a janela aberta – menti, mexendo o bispo – Cheque.

– Porra! De onde você tirou esse bispo? – ele me olhou incrédulo, ele não era lá essas coisas no xadrez, mas ri da expressão dele – Voltando, o vento quebrou o vidro da janela?

Connor Müller e eu éramos melhores amigos, entretanto ele não sabe o verdadeiro motivo da minha pessoa estar na psiquiatria, apenas disse que tinha fobia de dormir – vulgo Somnifobia – e nunca mais tocamos no assunto. Já ele tinha sensações de perseguições, já que sofreu certos abusos durante boa parte de sua vida.

– Foi, Connor – ele tirou seu rei da mira do meu bispo – Tanto que nem fui para a solitária, de tão bom menino que sou.

Ele riu alto, chamando a atenção dos outros doentes. Perto de nós havia um pequeno rádio e Connor o ligou; estava começando a tocar Heartbreak Hotel e ele começou a imitar as caras e bocas de Elvis que fazia quando cantava essa música, jogando a cabeça pra lá e pra cá como se tivesse um maneríssimo topete; Precisei rir daquele estúpido.

– Well, they're so lonely they're so lonely, they could die – cantei junto com ele – e cheque mate.

–É O QUE? – Ele olhou para o tabuleiro, ainda incrédulo – Você roubou! Renuncia!

– Calado Connor, Elvis ainda está cantando.

Enquanto meu amigo dava chiliques por ser a quarta vez seguida que eu o vencia, eu olhei para um canto qualquer da sala de lazer e pude ver a xícara de café da enfermeira cair misteriosamente.

Notas finais
Yay, primeiro capítulo finalizado.
Mereço reviews? ;3