"Então, trouxe os cd's que você me pediu."

Sentando dentro da mesa aquecida tradicional do inverno japonês, KashiwagiHime deixou a sacola com os cd's no centro do Kotatsu, onde também estava a dona daquele apartamento/quarto, se sentindo aconchegante e bebiricando uma caneca de chocolate quente.

"Perfeito, juntando com as coisas que tenho aqui acho que já temos tudo-tudo."

"Sua sorte que eu trabalho na Power Records né."

"Sim, foi o motivo de você se mudar para Shibuya, Hime."

"Ahh, não vá pensando que isso foi de graça viu?"

"Não tem problema, pedi para você trazer pois vou querer eles para mim depois-depois. "

As duas olharam para os itens em cima da mesa aquecida: Cd's solos de Seiyuus, Drama CD's de váriados animes, revistas sobre animes e dubladoras.

"Então Miyuki, o que estamos fazendo aqui?"

"...Esqueci de te falar né, desculpa-desculpa."

Miyuki logo tratou de abrir uma das revistas em uma página onde a foto de uma garota linda preenchia quase todo seu conteúdo. Na página ao lado estava uma entrevista.

"Vou te ensinar sobre Seiyuus-seiyuus mostrando as minhas favoritas !"

"O-ok. Quem é essa?"

A pequena mangaká virou a revista para que Hime pudesse ler com clareza.

"TaketatsuAyane, 22 anos, mais de 70 PAPÉIS???"

"Sim sim! Aya-aya-chan é incrível, é uma das mais requisitadas no mundo da dublagem."

Ainda espantada com os números da garota exibida na revista, Hime decidiu ler um pouco mais sobre ela.

"Sempre que vou gravar uso roupas leves e que não façam barulho, como cardigans e vestidos."

"É, Hime, você vai ter que mudar um pouco."

KashiwagiHime sempre, bem como naquele momento, usava casacos de moletom e shorts cheios de adornos que geralmente faziam barulho. O estilo da seiyuu da revista combinava mais com os vestidos longos e os casacos leves de Miyuki.

"Se precisar te empresto algumas roupas."

"Hmpf, como se elas fossem me servir mesmo, Nekocchi!"

"Ne-nekocchi!?"

Nitidamente brava, Miyuki se levantou e virou as costas para Hime, que havia a chamado pelo apelido de escola da pequena mangá, o qual ela odiava.

"Desculpa Miyuki, foi mal mesmo."

"Hein? Ahh, não foi nada, levantei para botar o cd da Ayane, vamos escuta-la!"

O Drama CD, que na realidade era de um anime chamado Oroimo, começou a tocar e as duas garotas não puderam disfarçar sua admiração pela voz da garota, que em um tom típico de uma tsunderevariáva entre falas doces e berros histéricos.

"Nossa... ela é boa mesmo."

"Acho que vou deixar ela um pouco acima no meu ranking."

"O-o que?"

Fazendo com a mão para que se calasse,Miyuki não respondeu Hime. Assim que o cdacabou, a amiga leal deitou-se no chão, como se tivessem jogado a realidade em sua face.

"Vamos ser verdadeiras, eu nunca vou ser assim, Miyuki."

"Umm, você lembra daUsagi Mari-Mari-chan?"

Levantando-se com uma expressão incomoda,Hime logo se lembra de algo que aconteceu em seu segundo ano de ensino médio.

"Nossa, lembro sim, foi seu primeiro mangá!"

"Bom, eu ainda tenho ele aqui."

"Se-sério?"

Miyuki concordou e retirou de uma gaveta próxima o tal mangá, nitidamente feito de folhas sufite e grampeado com um grampeador de escola.

"Que saudade disso, eu lembro que ri demais quando li pela primeira vez."

"Fico feliz-feliz, mas olhe isso."

Apontando para a face da personagem de longas orelhas, Miyuki prendeu a atenção de Hime.

"Eu levei mais detrês semanas para conseguir manter o traçado dos olhos da Mari-Mari e ainda assim ficou parecendo um mangá de criança."

"Sim, não parece nada com a sua arte de hoje."

Sorrindo, a pequena mangaká aproveitou a deixa e tratou logo de injetar o que Hime mais precisava.

"Pois é, toda vez que penso em desistir eu olho para a Mari-Mari-chan, e lembro que se tivesse desistido dela... eu nunca teria minha própria série."

"Então Hime, vamos tentar pelo menos, Ayane não nasceu boa assim né?"

KashiwagiHime levou suas mãos a cabeça enquanto olhava a feição fofa de Miyuki. Ela simplesmente não podia deixar de concordar.

"Ok, vou tentar!"

"Certo-Certo!"

"Mas você foi bem legal com essa história hein? Merece até um prêmio! Diga o que quiser que eu vou comprar!"

"Umm, se é assim..."

Sem precisar escutar sua pequena grande amiga, Hime logo se levantou parar sair pela porta, para comprar aquilo que Miyuki falou com toda sua empolgação.

"Wanda-wanda!!!"

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Após alguns minutos Hime volta com uma sacola, onde continha algumas latas de café. Ao seu lado estava NakayamaRaku, ofegante e nitidamente agitado.

"Ah oi Raku-Idiota!"

"Achei ele vindo para cá, mas ele não falou nada até chegar aqui, que estranho."

SubitamenteRaku da um passo para dentro do apartamento, se ajoelha e enterra sua cabeça no meio do chão, fazendo Hime soltar um fino grito.

"ME DESCULPE MIYUKI-SAMA!"

"Sa...Sama? O que está acontecendo aqui, Miyuki?"

Sem se levantar de onde estava,KayanoMiyuki gesticulava para Raku se acalmar com sua mão direita, enquanto abria e fechava sua mão esquerda em forma de gancho para Hime, como se dissesse "Me dá logo esse Wanda-Wanda!".

"Calma Raku-idiota, o que aconteceu?"

"Eu não... consegui escrever... uma linha sequer..."

"De verdade? Bom o que falta? Se precisar de referências eu tenho bons mangás-mangás aqui."

"É por isso que corri para cá!"

"Não, espere ai."

Olhando para Hime, Miyuki juntou suas mãos na frente do seu peito, enquanto sentia sua face acender.

"Tive uma ideia que vai ajudar vocês dois."

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"Então é isso, pode começar Raku."

KayanoMiyuki dava suas ordens enquanto tomava uma de suas latas de Wanda. Já Raku e Hime olhavam um para o outro sem saber o que fazer.

"Miyuki, tem certeza disso?"

"Umhum-umhum."

A tal ideia de Miyuki era para que os dois formassem uma história, sendo que Raku faria o papel de narrador e Hime da personagem principal. O único problema era que aquela dupla continuava a não dizer uma palavra sequer.

"...En-então..."

Raku esboçou o começo de uma fala, a qual deixou Miyuki animada.

"...EU NÃO CONSIGO."

"Ahrg, se o Raku não começar uma história, não posso nem tentar atuar!"

"Acalme-se vocês dois, escutem."

A pequena mangaká, sem sair de seu lugar ou mudar sua feição, começou a falar em um tom monótono:

"Saindo de seu quarto, Takahashi Ruri sentia um frio bater em sua face, dando de cara com a janela do corredor."

"..."

"Continua, Raku-idiota."

"Ahh... ok ok."

Milagrosamente Raku começou a descrever mais sobre a vida da recém criada Takahashi Ruri:

"Ela então decide botar um casaco, pois logo iria sair para comprar... eh... umm... revistas!"

Miyuki notou o rapaz a olhar, nervoso, para as revistas de seiyuus espalhadas pela mesa, mas decide relevar isso com um pequeno sorriso, continuando a história:

"Ao entrar em seu quarto, ela diz, espantada."

"Por que está apontando para mim, Miyuki?"

"Sua vez, Ruri-chan!"

"Ru-Ruri-chan..."

Foi então que Kashiwagi "Ruri-chan" Hime mostrou pela primeira vez como era sua atuação.

"K-Kyaaa!! Esqueci meu casaco na casa da Mio! E agora-nya??"

"..."

"..."

Raku e Miyuki estavam atônitos, olhando uma mais do que corada Hime a gesticular em sua defesa.

"Se vocês rirem eu nunca mais faço isso! Principalmente você Raku, eu quebro sua cara!"

"Hime..."

"Sim, Miyuki?"

"Isso foi demais-demais!!! Eu sempre pensei que você ia se dar bem com personagens mais Tsunderes por causa desse seu jeitão, mas ficou perfeito!"

"Ah, obrigado... espera ai, jeitão?"

"Esquece isso, foi demais, não foi Raku?"

"Sim, tenho que concordar, pareceu uma atuação de verdade."

"Hmpf, é porque foi uma atuação de verdade, idiota."

"EI!"

Caindo na gargalhada, os três continuaram aquela história até que se cansaram de rir, foi quando Miyuki se desculpou e se levantou, pois ainda tinha que trabalhar em seu mangá.

"Espero vocês amanhã, ok?"

"Epa, quem disse que vamos embora?"

"É Miyuki-san, não pense que pode nos ajudar sem deixar que a gente te ajude também. AndaHime, vamosfazeros tons das páginas."

"Não me diga o que fazer! Tudo bem para você, né Miyuki?"

Com seu sorriso sincero, Miyuki aceitou a ajuda de seus amigos, pegando a última lata de Wanda que estava em cima da mesa.

"Tudo bem-bem, vamos começar!"

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.