Notas iniciais
Boa leitura!

Era hoje o grande dia. Eu e Annie iríamos partir para a floresta em alguns minutos.

Eu estava na entrada esperando Annie entrar, quando ouço alguém gritar por mim.

- LILLY ! – quando me virei, percebi que a pessoa era Kyle.

- Oi...

- Oi !- ele sorriu – Vim te desejar boa sorte. Jura para mim que volta viva ?

- Eu... – tive dúvida no que responder. Eu não podia jurar que voltaria viva dessa missão ! – Vou fazer o máximo possível, eu prometo.

- Ótimo. – sorrimos um para o outro. Aos poucos, fomos ficando sérios. Kyle se aproximou devagarzinho e colocou seus braços na minha cintura. Foi aproximando seu rosto e, quando nossos lábios estavam bem perto de se encostar, alguém chegou e gritou :

- LILLY !

Olhei para pessoa irritada. Fiquei mais irritada ainda quando vi John.

- O que você quer ?

- Boa sorte nessa missão. Tenho certeza que voltará como uma heroína para o acampamento.

- Já que era só isso, pode ir embora.

- Não é só isso. Eu vim te pedir para me perdoar por ter sido um idiota ! Posso ao menos voltar a ser seu melhor amigo ?

- Não sei, John. Você me fez de idiota.

- É por isso que eu te peço uma nova chance.

- Vamos fazer o seguinte : eu penso nessa missão se ainda podemos ser amigos. Que tal ?

John aceitou, apesar de ser um pouco contrariado.

Quando ele saiu, olhei para Kyle.

- Não se esquece que eu vou estar sempre pensando em você, viu ?

- Claro, Kyle. Eu também estarei sempre pensando em você.

Ele me abraçou com força. Ficamos assim até Annie chegar.

- Opa ! Desculpe por atrapalhar o casal, mas temos uma missão a cumprir.

- Eu sei, Annie. – me virei para Kyle e disse : — Obrigada por tudo.

- Não precisa agradecer...

Demos um último abraço e saí do acampamento. Admito que gostei um pouco da floresta. Lá tudo era sombrio e agradável para uma filha de Hades.

De repente, começou a chover. Olhei para Annie e disse :

- Acho melhor irmos para alguma caverna.

- Tem razão.

Procuramos e logo achamos uma caverna. Consegui fazer uma fogueira e me sentei. Olhei para Annie e percebi que ela estava quieta.

- Por que está tão quieta ?

- Dizem que monstros conseguem sentir medo. Acho que se eu ficar imóvel, eles não sentem nada.

Comecei a rir.

- Monstros são legais.

- Seres que podem te matar são legais ?!

- Sim. Lá no submundo, eles respeitam as filhas e os filhos de Hades. Sempre nos deixam entrar e voltar vivos.

- Você já foi no submundo ?

- Nunca... Mas eu tenho um irmão que já foi lá.

- QUE LEGAL !

Começamos a conversar. Meia hora depois, vimos que a chuva já havia passado e resolvemos sair da caverna.

- Aonde essa lira está ?

- As ninfas me falaram que está quase no final da floresta.

- Então temos muito o que andar.

- Eu sei e... – eu ia falar mais alguma coisa, só que ouvi um barulho. Annie olhou para um ponto atrás de mim e gritou.

Me virei para trás e vi um escorpião gigante. Depois disso, foi tudo muito rápido. Peguei meu arco e mirei minha flecha naquele escorpião. O acertei rapidamente.

Olhei para Annie, que estava muito assustada.

- O que foi aquilo ?

- Novidade, Annie : se você pensava que essa missão ia ser fácil, estava bem enganada.

Começamos a ouvir outro barulho. E disse :

- Vamos andando antes que outro monstro apareça.

Ela assentiu e ficamos algumas horas andando pela floresta. Quando olhei para o céu, vi que já estava anoitecendo. Fiquei alerta, pois esse lugar fica muito pior de noite.

- Acho melhor irmos para alguma caverna, Annie.

- Tem razão.

Olhei em volta e não vi nenhuma caverna. Comecei a me desesperar. Se não tinha nenhuma caverna, aonde iríamos dormir ?

- N-não tem nenhuma caverna... – falei com a voz trêmula.

- Hum... – Annie olhou para cima – As árvores.

- Como assim “as árvores” ?

- Podemos ficar em algum galho delas. Assim, não corremos o risco dos monstros nos verem.

- E se eles olharem para cima ?!

Ela deu nos ombros.

- Ficamos nos revezando. Enquanto uma dorme, outra fica acordada.

- Por quanto tempo ?

- Quarenta minutos. Que tal ?

- É uma boa ideia... Acho que devemos arriscar.

- Ótimo ! – ela bateu palmas. Achei isso estranho – Me ajuda a subir aqui, certo ?

Annie subiu em cima de mim. Escalou um galho da árvore e, quando chegou no mais alto, fez sinal para que eu subisse.

Depois de 10 minutos, finalmente estava em cima daquele maldito galho.

- Você quer dormir logo ? – disse Annie.

- Não, obrigada. Quero ficar olhando as estrelas.

Ela sorriu para mim e fechou os olhos. Alguns minutos depois, percebi que já estava dormindo.

Olhei para o céu e vi o quanto ele estava bonito. Suspirei a comecei a encarar o chão. Vi uma quimera se aproximando ( uma mistura de dois ou mais animais ) e fiquei alerta. Peguei meu arco e mirei na direção dela. Por sorte, ela continuou andando sem nos perceber.

Já haviam se passado mais de quarenta minutos e Annie acordou. Ela me olhou confusa e disse :

- Ué, você não me acordou antes... Por quê ?

- As estrelas estão muito bonitas hoje, sabe ? Acho que fiquei meio perdida olhando para elas...

- Entendo... – ela olhou para o céu – Na cidade onde eu moro, sempre fico observando as estrelas antes de dormir.

- Gosto de olhar as estrelas para pensar...

- Sabe que eu também ? Fico imaginando minha mãe...

- Você nunca viu sua mãe ?

- Não... Zeus não permite que nós tenhamos contato com nossos pais, lembra ?

- Lembro.

- Mas você nunca teve vontade de conhecer seu pai ?

- Não. Hades sempre foi um dos Deuses que eu menos gostei, para falar a verdade.

- Qual Deus você sempre quis ser filha ?

- Ares ou Deméter.

- Ares ?! – ela riu – Os filhos de Ares são bem explosivos... Mas você parece gostar bastante de um deles, não é ?

A olhei e já imaginava que ela se referia a Kyle.

- É... Mas como você percebeu ?

- Sempre vi o jeito que você olhava para Dylan. Parecia ódio, mas bem no fundo dava para perceber que era amor. Aliás, por que você o chama de Kyle ?

- É o sobrenome dele. Nunca gostei muito de Dylan, para falar a verdade.

- Está explicado. Vocês dois são namorados ?

- Kyle nunca iria namorar comigo... Ele até já tentou me beijar duas vezes, mas eu nunca deixei.

- Por quê ? – ela perguntou com uma das sobrancelhas erguidas.

- Medo de sofrer...

- Medo do amor ?!

- Isso !

- Não tenha medo de amar. Esse sentimento é... Mágico ! A melhor coisa que existe !

- Isso só existe para fazer as pessoas sofrerem.

- Claro que não ! Você tem que amar sim, antes que seja tarde demais e se arrependa. – nesse momento, ela me olhou séria – Se resolva com ele, por favor.

- Vou pensar nessa ideia.

- Muito bem. Agora, acho melhor dormir um pouco. Pode deixar que eu passo o resto da noite vigiando.

- Não precisa...

- Precisa sim. Boa noite.

Sorri e comecei a dormir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.