Mit Dir
7 Capítulo 6 - Feliz...
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
MIT DIR
Chiisana Hana
Beta-reader: Nina Neviani
Consultoria para assuntos asgardianos, dramáticos e geográficos: Fiat Noctum
Consultoria para assuntos hospitalares: Julieg
Capítulo 6 — Feliz...
– Dra. Ann, o senhor Kraussen já saiu do coma – uma enfermeira anuncia, olhando fixamente para a médica, que está deitada no sofá de seu consultório, com cara de poucos amigos.
– Hum... eu já vou vê-lo – ela responde, esfregando os olhos e levantando-se.
– A senhora está tão cansada – comenta a enfermeira com ar de piedade e, ao mesmo tempo, surpresa. Jamais tinha visto Ann com o semblante tão abatido.
– É, estou – a médica diz, sem dar muita importância ao comentário. – Vamos lá ver o grandão.
Na UTI, Thor observa Ann com curiosidade. Tem certeza de que nunca vira a mulher antes e ela não parece ser de Asgard. Lembra vagamente da batalha contra os cavaleiros de Athena e deduz ser alguém que viera do continente para cuidar dos feridos.
– Então, como se sente? – ela pergunta, indiferente ao olhar curioso de Thor.
– Acho que estou bem, mas... onde estou?
– Está em Narvik.
A resposta o surpreende.
– Narvik? – indaga. – No continente?
– É, meu querido, no continente – Ann responde, já começando a perder a paciência.
– E há quanto tempo estou aqui?
– Bastante tempo – ela diz, e acena chamando a enfermeira. – Ele está liberado. Manda para a enfermaria. – um tanto impaciente, Ann orienta a enfermeira e pensa: "Eu só queria estar lá para ver as princesinhas virgens corando na hora de ajudar o grandão a fazer pipi." Ela não se contém e sorri diante da lembrança do que viu embaixo do lençol de Thor. Ao perceber o sorriso da doutora, a enfermeira questiona:
– Algum problema, doutora?
– Não para mim – afirma Ann e sai rindo. – Ai, ai. Esse trabalho até que me diverte!
–M -I -T -D–I -R -
No hotel onde está hospedada, Hilda prepara-se para trocar de lugar com Freya e Judith, que passaram a noite no hospital. Quando ela está abrindo a porta para sair, o telefone toca. Ela atende.
– Senhora, tem uma visita aqui no saguão – a interlocutora explica, soando um tanto desconfiada.
– Visita? – questiona Hilda, ainda mais desconfiada que a recepcionista. – Do que se trata?
– O homem diz que veio a mando da senhorita Kido.
– Ah, sim. Peça para me esperar, por favor. Descerei imediatamente.
– Sim, senhora.
Pouco depois, Hilda desce e de pronto reconhece o homem, que trajava seu uniforme de piloto.
– Ah, é o senhor! – ela diz, apertando a mão do homem, profundamente comovida. – Não sabe como nos ajudou. Sou muito grata.
– Fiz o que minha consciência mandava, senhorita. Como estão os rapazes?
– Estão melhorando. E a senhorita Kido?
– A senhorita está bem. Ela me mandou aqui para ficar à disposição da senhora e de sua irmã, e também enviou esta carta – ele diz, entregando a Hilda um envelope lacrado.
– Ah, obrigada – ela diz, pegando o envelope.
– Ficarei hospedado aqui nesse mesmo hotel. Qualquer coisa que precise é só me chamar.
– Obrigada. Muito obrigada por tudo.
– Agradeça à senhorita Kido.
– Claro. Bom, agora tenho que ir para o hospital.
– Eu a levo, senhora. Estou de carro.
– Obrigada – Hilda agradece, profundamente aliviada. Está feliz por não ter que fazer o trajeto a pé, pois nos últimos dois dias o prefeito Linus vinha insistentemente acompanhando-a.
Já no carro, Hilda abre o envelope que o piloto lhe entregara. Dentro dele, uma folha de papel com o timbre da Fundação GRAAD, cuidadosamente dobrada, escrita à mão pela própria Saori.
"Cara princesa Hilda,o senhor Matsudaira, piloto de minha Fundação, contou-me tudo que se passou depois que eu e meus cavaleiros partimos de Asgard. Fiquei extremamente feliz por ter podido ajudado de algum modo. Creio que a senhorita gostaria de saber tudo que houve depois e foi por isso que resolvi escrever-lhe.
Eu e meus cavaleiros fomos levados para o Templo Submarino de Poseidon, como a senhorita bem sabe. Passamos por duras batalhas ali, mas felizmente conseguimos derrotá-lo ao final. Agora também meus cavaleiros estão hospitalizados. Tenho vivido dias de angústia, provavelmente quase como os seus, somente diminuída porque estou em casa, ao passo que a senhorita tem de suportar tudo longe de seu lar.
Quero oferecer minha ajuda no que for necessário. O senhor Matsudaira ficará à sua disposição com o helicóptero. Também alugamos um carro e ele, gentilmente, fará as vezes de motorista. Se desejar falar comigo, o senhor Matsudaira tem todos os meus contatos.
Vou ficando por aqui.
Espero receber boas notícias em breve.
Saori Kido"
Hilda dobra o papel novamente e o recoloca dentro do envelope. Logo chegam ao hospital. Lá, a princesa de Asgard é surpreendida pela boa notícia da presença de Thor na enfermaria.
– Ah, que bom vê-lo aqui! – comemora a princesa.
– Senhora Hilda... – ele murmura, sem conter as lágrimas que escorrem pelo seu rosto. Mantém o olhar fixo em Hilda, pois não imaginava que ela tinha deixado Asgard para acompanhá-los. Mal pôde conter a emoção quando soube por Bado que a sua princesa estava ali, impávida, decidida a cuidar de seus soldados, sem medir esforços nessa empreitada.
"Ela não era mesmo aquele ser que comandou a guerra poucos dias atrás", pensa o guerreiro. "Os cavaleiros de Athena estavam certos. Aquela não era a verdadeira Hilda. Esta é a verdadeira!"
Thor alegra-se com a constatação e sorri.
– Temos tido dias difíceis, Thor – a princesa diz, segurando as enormes mãos do guerreiro. – Felizmente tudo já começa a melhorar! Estou certa de que tudo acabará muito bem!
– Eu também – ele murmura entre lágrimas. Hilda responde com um sorriso tímido.
– Oh, Bado, me desculpe, nem falei com você – ela diz voltando-se para o outro guerreiro-deus.
– Tudo bem, senhora. Não se incomode comigo.
– Onde estão Freya e Judith?
– Foram até a UTI – Bado explica. – Parece que Mime também sairá de lá muito em breve.
– Por Odin, que boa notícia! Hoje só estou tendo boas notícias! Estou tão feliz!
– Eu também! – concorda Bado, alegrando-se por ver a princesa em tão bom humor.
– Bom, vou até lá para saber mais alguma coisa! – ela diz, e retira-se da enfermaria, pois quer aproveitar esse pequeno momento de otimismo para ver Siegfried e, quem sabe, fazê-lo sentir um pouco dessa alegria.
–M -I -T -D–I -R -
Em frente à UTI, Freya e Judith observam uma enfermeira retirando os aparelhos de respiração do guerreiro-deus de Benetnasch. Hilda aproxima-se delas.
– Olá – diz a princesa exibindo um belo sorriso.
– Hilda! – retruca Freya, e abraça a irmã. – Desde que chegamos eu não a via tão feliz.
– Não tenho razões para estar feliz? Tudo está melhorando. Estou com muita fé na pronta recuperação de todos.
– Eu também – a irmã mais nova responde. – Eu também tenho muita fé.
– A médica vai mesmo liberar o Mime hoje? – a irmã mais velha pergunta.
– Ainda não sei, mas estão retirando os aparelhos. Já viu Thor?
– Sim. Ele parece bem. Emocionou-se ao me ver.
Ao ouvir a última frase, Judith sorri. Todos no palácio sabiam do amor que Thor sentia pela princesa.
– O que há, Judith? – Hilda perguntou à criada.
– Nada, senhora. Eu também estou feliz.
Nesse momento, Ann sai da UTI e olha para as três moças com uma clara expressão de impaciência.
– Não precisam nem perguntar – a médica dispara antes que as princesas façam alguma pergunta. – Sim, ele vai sair da UTI hoje. Não, os outros não vão. Não, não houve mudança no estado dos demais. Não, eu não estou cansada. Agora me acompanhem até a enfermaria que eu vou assinar a alta do paciente Bado Aekersen.
– Hum, não era o 01? – Freya pergunta, em tom provocador.
– Com tanto tempo aqui, acabei decorando o nome dele. Mas especialmente para você o loiro bronzeado continua sendo o 07.
Imediatamente Hilda segura o braço de Freya e murmura:
– Não diga nada.
– Mas Hilda...! – a mocinha retruca. Hilda mantém-se firme:
– Nada, Freya.
Sorrindo, Ann entra na enfermaria acompanhada das três moças.
– Bom dia – ela diz aos pacientes. Bado e Thor respondem. Ann pega o prontuário de Bado e assina a alta. – Está liberado. Faça bom proveito da sua vida que eu ajudei a salvar. E procure não andar por aí nas tempestades de neve. Outra hipotermia e você já era, arrepiadinho.
– Certo, doutora... como a senhorita se chama? – ele pergunta, sorrindo. "Ela é durona, mas tem muito charme", pensa o guerreiro-deus, sentindo-se atraído.
– Ann. Ann Dagsland – ela responde intrigada. "Hum...para quê o 01 quer saber meu nome?"
– Obrigado por tudo, doutora Ann.
– É o meu trabalho. Pode sair quando quiser. Quanto a você, ehr... Kraus... Kraussen, cuidado com esse machucado na barriga. Fique quieto porque se esses pontos estourarem eu vou deixar sua barriga aberta.
Ann dirige-se até o paciente que está no último leito da enfermaria.
– Então, Bado, feliz por poder finalmente sair do hospital? – Hilda pergunta, ajudando o rapaz a descer da cama.
– É... Estou – ele diz, preocupado.
– O que houve?
– Não posso sair com esse aventalzinho, senhora...
– Ah, sim. Não se preocupe! Providenciarei roupas – Hilda diz, bastante nervosa. "Ah, como pude esquecer! Tinha que ter mandado trazer roupas dos guerreiros-deuses! O piloto! Ele vai me salvar!" – Judith, preciso que faça uma coisa.
– Claro, senhora. A seu dispor.
– Você vai ter que voltar a Asgard e trazer mudas de roupa para os guerreiros-deuses.
– Sim, senhora. Mas como irei?
– Acompanhe-me, por favor. Freya, aguarde um pouco. Volto logo. Bado, você terá de esperar...
Em frente ao hospital, Hilda explica a situação ao piloto de Saori.
– Pois não, senhora, levarei a senhorita Judith a Asgard agora mesmo se quiser.
– Obrigada, mais uma vez – Hilda agradece. – O senhor não sabe o quanto está nos ajudando!
– Por nada, senhora.
De volta à enfermaria, ela fala com Bado.
– Hoje à noite já teremos suas roupas. Bom, as de Shido, que são as que estão no palácio. Enquanto isso, vou sair para comprar pelo menos uma muda de roupa para você.
– Não precisa, senhora. Espero até a noite.
– Nada disso. Freya, sinto muito, mas você...
– Eu fico aqui – Freya interrompe a irmã. – Não se preocupe. Não estou cansada.
Ann aproxima-se deles outra vez.
– Qual é o problema agora? – ela pergunta;.
– Nada de seu interesse, doutora – Freya responde. Ann ignora-a e olha para Hilda.
– Não é nada demais. Vou ter de sair para comprar uma roupa para Bado usar enquanto as dele não chegam de Asgard.
– Hum... posso resolver isso – ela diz, e sai sem dizer mais nada.
– Bom, já que ela vai resolver, pode ir descansar, Freya. Eu fico aqui com eles.
– Está bem, Hilda. Volto à tarde.
– Certo. Tome cuidado no trajeto até o hotel.
– Eu sempre tomo!
Sorrindo, Hilda acomoda-se na cadeira. Thor a observa. Continua sentindo uma felicidade imensa por ver sua princesa como sempre fora: altiva, mas generosa. Olhando-a, ele sorri outra vez.
– Está realmente feliz, não é? – ela pergunta, também sorrindo.
– Muito, senhora.
– Que bom! Eu também.
– Tem notícias dos cavaleiros de Athena?
– Ah, sim. Acabo de receber uma carta da deusa. Eles venceram Poseidon. Estão todos no hospital como vocês, mas passam bem.
– Que bom, senhora.
Thor recosta-se no travesseiro, tamanha é a sonolência que sente, certamente efeito dos medicamentos. Hilda, por sua vez, acomoda-se melhor na cadeira. Está sinceramente feliz pela recuperação de Thor e Mime, bem como pela alta de Bado. Entretanto, seu coração ainda teme por Siegfried, e ela começa uma prece silenciosa.
"Odin, Senhor das terras geladas, estou profundamente agradecida pelos bons auspícios deste dia. Sei que não devia pedir-lhe mais nada, pois acontecerá apenas aquilo que for de Sua vontade, porém não posso deixar de suplicar pela saúde de Siegfried. Parte-me o coração vê-lo em tamanha prostração, sem qualquer esboço de melhora. E Freya, pobrezinha, tendo que enfrentar tudo isso comigo, vendo Hagen em estado semelhante ao de Siegfried. Eu devia protegê-la, eu devia proteger todos eles, mas não me sinto capaz... Acalma meu coração, Senhor Odin."
Continua...
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