Mit Dir

26 Capítulo 25 - Pra Sempre?


Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.

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MIT DIR

Chiisana Hana

Capitulo XXV – Pra Sempre?

– Fico aliviada por poder voltar a Narvik – Ann diz, quando a barca onde ela e Bado estão se aproxima do porto. Antes de decidir voltar, a médica tinha pedido para o barqueiro certificar-se de que não havia mais acusações contra ela. Com a resposta positiva, ela sentiu-se segura para desembarcar no continente.

– Eu posso imaginar – Bado diz, pensativo.

Ann nota que a voz dele demonstra claro desapontamento.

– O que foi? – ela pergunta. – Está com medo de que eu queira ficar e voltar à minha vida antiga?

– É... – ele admite. – Mas saiba que se você quiser ficar, eu não vou tentar impedir. Pelo contrário, eu fico com você. Posso arranjar um emprego, sei lá... Só não posso suportar a ideia de ficar longe da mulher que eu amo.

Não é surpresa para Ann esse tipo de declaração de Bado, mas vê-lo cogitando morar no continente é algo que a comove. Ela sabe que seria uma mudança difícil para ele, ainda mais agora que acabara de aproximar-se do irmão.

– Meu querido, não faça drama – ela diz, tentando minimizar o assunto. – Eu não vou voltar pra Narvik definitivamente. Só quero saber o que tenho e ser operada se for preciso. E, claro, aproveitar para pegar minhas tralhas, me despedir direito dos amigos, vender meu carro, essas coisas práticas. Depois arrumamos tudo, enfiamos na barca e voltamos para Asgard.

– Você está mesmo disposta a ficar lá para sempre?

– Pra sempre é muito tempo, né, tigre? O que digo é que, nesse momento, eu quero ficar em Asgard. Quero cuidar do hospital, quero ajudar as pessoas. E quero ficar lá com você.

– Está certo – ele diz, conformado, e abraça Ann. – Mas eu esperava que você respondesse "sim, para sempre, meu amor".

– Aí não seria eu, não é, tigre?

– É, tem razão – ele admite e sorri.

Assim que desembarcam em Narvik, os dois vão direto ao hospital. Bado espera a mulher do lado de fora.

– E aí, como é que tá essa zona? – Ann indaga ao entrar em sua antiga sala, que agora pertence ao Dr. Otto. O médico fita a colega com surpresa.

– Ann! – ele exclama. – Então você voltou?

– Temporariamente. E não se preocupe, não quero minha sala de volta.

– Ainda bem – diz Otto, rindo e cumprimentando Ann com um abraço. – E que bom que deu tudo certo pra você. Já estou sabendo que foi a Grethe. A polícia está à procura dela, mas até agora ninguém sabe onde a desgraçada se meteu.

Ann revira os olhos e faz um bico de insatisfação.

– A primeira-vadia estava em Asgard – dispara. – E agora tá no inferno, beijando o Satanás. E não, não fui eu que matei a psicoputa!

– Sério? Ela está morta? Como foi isso?

– Resumindo: ela tentou matar as princesas envenenando o vinho da festa de casamento da mais nova, aquela do cabelo volumoso, lembra? Aí a primeira-doida foi presa e condenada a retornar para cá e responder por seus atos. Só que em Asgard o pau come e apagaram a maldita antes disso.

– Mas então você estava em Asgard também?

– É, eu estava. É outra longa história, mas eu vou encurtá-la: estou praticamente casada com o Bado.

Otto abre os braços, num gesto de incredulidade.

– Ah, fala sério! Você? Casada? Com um dos asgardianos?

– Ainda não oficialmente, mas a princesona já deu a permissão. Lá é assim, se ela não deixar, não tem casório.

– Cara, esse mundo tá ficando muito louco! Dra. Ann Dagsland casada?

– Pode parar com isso, falou?

– Está bem, está bem. O que veio fazer aqui?

– Vim resolver as coisas, vender meu carro, alugar a casa... e vim principalmente porque acho que estou com algum problema de saúde. Preciso fazer uma ultrassonografia. Devo estar com cálculos na vesícula, tenho todos os sintomas.

Depois de Ann descrever o que vinha sentindo, Otto a leva para fazer uma ultrassonografia.

– É, minha amiga, você tem uma pedreira aí dentro – Otto diz. – São muitos cálculos e de tamanho grande. Do jeito que está, acho melhor operar. Ainda mais agora que você mora em Asgard. Se precisar fazer com urgência não vai rolar, né?

– Não mesmo. Será que você pode falar com o cirurgião gástrico e ver se ele consegue me operar o mais rápido possível? Não posso ficar muito tempo em Narvik. Agora sou a médica oficial da coroa. Cara, é incrível como eles ainda estão na Idade Média.

– Você está feliz com essa sua nova vida? – indaga Otto, curioso e incrédulo. Ann gostava de carros conversíveis, de rock, de ser livre. De repente reaparece casada e cuidando de um hospital precário em Asgard.

– Acredite, meu amigo – ela diz –, eu estou!

– Ok. Se você diz, quem sou eu para duvidar? Vou ligar para nosso colega cirurgião.

– Eu agradeço.

– Ele pode encaixá-la nos procedimentos de quarta-feira da semana que vem – Otto anuncia, depois de falar com o colega.

– Queria que fosse mais rápido, mas está bem assim. Obrigada, Otto.

– De nada, Ann! Conte comigo sempre.

– Eu sei disso. Você nos ajudou muito com a questão da enfermeira...

– Nem me lembre disso!

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Asgard.

– Como é que pode? – Freya pergunta a Judith, num tom de indignação. Shido mandara um mensageiro levar um convite para que a chefe de cerimonial fosse jantar com ele. A moça, porém, sente-se inclinada a não aceitar.

– Pode, sim! – Judith diz.

– Você não vai mesmo aceitar jantar com ele?

– Não – Judith responde, mas logo se corrige. – Quer dizer, não sei... Estou pensando.

– Mas você era louca por ele!

– Ah, Freya, ele agora só me enxerga porque estou usando roupas de nobre e porque tenho uma boa posição no palácio.

– Tá, é verdade que ele não demonstrou interesse antes... – Freya admite. – Mas ele se aproximou de você no meu casamento e continua tentando... Isso significa alguma coisa.

– Ele nem me via antes! – Judith interrompe irritada.

– Mas será que não vale a pena engolir esse orgulho e tentar, minha amiga? Não tô falando isso por ele, mas por você. Eu quero que você se dê uma chance.

– Eu não sei...

– Aceite jantar com ele! Depois disso você decide se vale a pena ou não investir num relacionamento.

Judith pondera alguns minutos.

– Tá, eu vou aceitar – ela finalmente decide –, mas só porque a senhorita insiste.

– Isso! – comemora Freya, empurrando caneta, tinteiro e papel para Judith. – Mande a resposta para ele agora!

Judith escreve um bilhete breve e o envia a Shido através de um mensageiro do palácio.

– Satisfeita? – ela pergunta a Freya.

– Sim! Agora vá se arrumar, fique maravilhosa e chegue na casa do Shido deslumbrante. Quando voltar, me chame. Quero saber tudo! Não importa a hora, pode me chamar. Boa sorte!

Judith agradece e retorna a seus aposentos. Sente-se inquieta e nervosa, sem saber o que esperar desse jantar e acha que um banho quente pode ajudar a organizar as ideias. Depois de ajudar as princesas em Narvik e salvar Siegfried, ela se tornara chefe de cerimonial, mas lá no fundo ainda se sente uma criada. Ainda ouve a própria mãe repetindo que "nobres casam-se com nobres", mas a princesa Freya tinha se casado com um soldado, não tinha? E Hilda, regente e sacerdotisa do país, está prestes a se casar com outro. As coisas estão mudando em Asgard e as palavras da sua mãe já não fazem mais sentido, se é que algum dia fizeram. Se é assim, por que ela e Shido não poderiam ter um relacionamento?

– É possível – Judith murmura consigo. – É totalmente possível. Mas eu ainda quero? E se a minha mãe estiver certa? Se ela tiver razão quando diz que sexo é tudo que um nobre pode querer com uma criada?

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Liselotte estava passando tanto tempo na casa de Fenrir que acabou resolvendo mudar-se para lá. Desde que começaram a namorar, a moça descobrira que o reservado guerreiro-deus não era assim tão tímido quando estavam a sós. O tempo que passou com os lobos fez com ele adquirisse certos hábitos desses animais, o que assustou a moça no início. Agora, entretanto, ela já está totalmente acostumada com o jeito dele, com a preferência por posições sexuais animalescas e com os uivos e mordidelas que ele eventualmente dá quando fazem amor.

– O que é que a gente é? – Liselotte pergunta a Fenrir. Estão despidos, deitados na cama, recuperando as forças depois de se amarem.

–Você é minha mulher, ora essa – ele responde.

– Mas a gente não se casou, Fen.

– E precisa? Você está morando comigo, então é minha mulher.

– Ah, mas eu gostaria de casar...

Fenrir pensa no assunto por alguns momentos, depois declara:

– Está bem. A gente casa. Vou falar com a senhora Hilda.

Liselotte abre um enorme sorriso. Achava que levaria meses até ele ceder, por isso a resposta imediata a surpreende.

– Mas sem festa – ele exige. – Você sabe... Eu não gosto de muita gente...

– Nem um almoço aqui em casa? – ela pede, pondo-se de joelhos sobre a cama. – Por favor! Só um almocinho para os meus parentes mais próximos e seus amigos!

– Você sempre consegue o que quer, Lise – ele responde, rindo. – Está bem, desde que seja para pouca gente. E não me enrole!

– Não vou enrolar! – ela exclama, jogando-se sobre ele e enchendo-o de beijos. – Eu te amo, Fen! Eu te amo!

Fenrir ainda não se habituara a declarações de amor, mas gosta do que sente por Liselotte, deseja ficar com ela e, especialmente, confia totalmente nela.

"Então isso é amor?", ele se pergunta.

– Eu também te amo – Fenrir diz, meio encabulado, e abocanha um dos seios de Lise. – Vem cá, minha loba. Eu quero você de novo.

– É, eu estou sentindo que você quer – ela sussurra, deslizando o corpo para trás até ficar com a boca na altura na virilha de Fenrir. Quando ela pousa os lábios ali, ele uiva.

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Na vila da Baleia Azul, as coisas não andaram bem para Thor e Sidsel. Depois de mais alguns encontros, o gigante constata que não encontrará nela o que deseja. Sente-se um mero objeto sexual da moça e isso o magoa de tal forma que ele resolve colocar um ponto final na relação. Sidsel, entretanto, continua insistindo, levando-o a decidir afastar-se por um tempo. Sob o pretexto de conversar com Hilda sobre melhorias na vila, ele parte para o palácio.

Depois de horas viajando de carroça, ele é recebido e acomodado em Valhalla. Convidado a jantar com as princesas, ele discretamente observa Hilda e Siegfried. É impossível não notar como ela parece menos austera e como ele está feliz mesmo sem a audição. Ver a princesa feliz conforma Thor, embora ainda haja dentro dele o sonho impossível de estar ao lado dela. Em suas orações, costuma pedir a Odin para que coloque em seu caminho outra pessoa capaz de fazê-lo esquecê-la. Alguém a quem ele consiga amar tanto ou mais do que ama Hilda. Alguém que não o veja apenas como um pedaço de carne. Alguém com quem possa dividir todos os momentos.

Após a refeição, ele vai até o pátio e vê Judith caminhar de um lado para o outro. Está arrumada, usa um belo vestido em três tons de verde, com mangas bordadas e um decote discreto. Passara um pouco da maquiagem que comprara em Narvik e estava com o cabelo solto.

Desolada, ela para onde a carruagem que a levaria ao jantar deveria estar.

– Mas que droga! – Judith exclama, irritada. – Onde está aquele cocheiro idiota?

Thor aproxima-se dela.

– Precisa de ajuda, senhora Judith? – ele oferece.

– Ah, não, obrigada, senhor Thor – ela responde. – Eu combinei um horário com o cocheiro, mas parece que ele se esqueceu de vir me pegar.

– Bom, posso levá-la aonde quer ir, se não se incomodar de ir na minha carroça.

– Claro que eu não me incomodo! Eu era criada, esqueceu? Vamos lá!

Judith acompanha o guerreiro-deus até os fundos do palácio, onde pegam a carroça puxada por um cavalo amarelo-claro. Ele faz um carinho no animal e ajuda Judith a subir.

– Então, aonde vamos? – ele pergunta, já sentado em seu lugar.

– Para a casa do senhor Shido, por favor.

– Está certo – ele diz, e instiga o cavalo a andar.

Desconfortável com o silêncio que se formara, Judith puxa conversa.

– Tenho ouvido coisas muito boas sobre o que você tem feito na vila.

– É – ele assente, envergonhado. – Não quero mais ver meu povo passando fome ou morrendo por causa de bobagens, então tenho feito tudo o que posso para evitar essas coisas.

– É uma atitude muito nobre.

Thor sorri, ainda encabulado, e tenta mudar de assunto.

– Você e o Shido...? – pergunta, mas logo se arrepende da indiscrição e se corrige. – Desculpe, não precisa responder.

– Não tem problema – Judith diz. – Ele me convidou para jantar e eu aceitei, mas é só isso. E eu ainda não sei muito bem o que esperar desse jantar.

– Que seja bom – Thor diz. – Que aconteça o que você quer.

– Esse é o problema. Eu não sei o que eu quero. Mas me diga, o senhor e sua acompanhante no casamento da senhorita Freya estão juntos? Sidsel, né?

– Sim. Quer dizer, sim, o nome dela é Sidsel, mas não estamos juntos. Não deu muito certo.

– Ah, que pena.

– É... – murmurou, sem mencionar que a decisão de afastar-se fora dele.

Depois de mais alguns momentos de silêncio, Thor anuncia que chegaram. Judith respira fundo, olhando para a bela casa de Shido, buscando dentro de si coragem para descer da carroça.

– Mudou de ideia? – Thor pergunta.

Por um momento, Judith pensa em responder que sim, que ele a levasse para outro lugar, mas resolve encarar.

– Não – ela finalmente responde e, com a ajuda de Thor, desce da carroça. – Eu vou. Muito obrigada, senhor Thor.

– De nada, senhorita Judith. Se quiser, posso vir buscá-la...

– É uma boa ideia, mas não precisa. Eu dou um jeito de voltar. Obrigada mesmo!

Judith acena para Thor, depois se volta para a casa e caminha em direção à porta, com o coração aos saltos e as mãos geladas. Depois de respirar fundo algumas vezes, ela bate a aldrava de bronze cujo formato é uma cabeça de tigre.

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Narvik.

– Que loucura pisar de novo aqui... – Ann murmura ao entrar novamente em sua casa. – Faz poucos meses, mas parece que foi há anos...

– A polícia revirou a casa toda quando prendeu você – Bado explica. – Estava tudo jogado por aí. Quando eu vim para levá-la embora, arrumei o que pude.

– Obrigada, meu querido. Está ótimo, mas vamos arregaçar as mangas e limpar essa poeira, né? Vamos ficar um tempo por aqui e eu não quero morrer de alergia. E ainda aproveito para começar a separar as coisas que quero levar para Asgard.

– O que você vai fazer com a casa quando voltarmos?

– Eu pretendo alugá-la.

– Desse jeito parece que quer voltar um dia.

– Talvez eu queira. Bado, eu não sou uma menina ingênua que acha que todos os casamentos são para sempre. Talvez um dia a gente a se desentenda, talvez um dia eu encha o saco de morar em Asgard, talvez um dia o tesão acabe, sei lá... Eu quero ter para onde voltar se tudo der merda.

– Entendo... – Bado diz, mas não entende realmente. – Aquela história do "pra sempre é muito tempo".

– Ai, não faz essa cara de bunda. Eu só estou pensando num futuro que pode nem acontecer.

– E eu vou continuar fingindo que entendo.

– Vamos mudar de assunto porque esse tá foda, tigre. Ei, será que com a venda do meu carro dá pra comprar o tal gerador?

– Não faço ideia de quanto vale o seu carro, mas deve dar...

– Vou procurar saber por que nunca mais quero esquentar água pra tomar banho!

– Você é louca... – ri Bado. – Mas é assim que eu gosto!

Continua...