Mistérios da Lua
15 Um Dominante de Fogo para encontrar o Sol.
Notas iniciais
POV JOSH
Depois que descobri que iria ir no Palácio do Sol, minha vida não ficou nem um pouco mais fácil. Primeiramente, passei a noite inteira ao lado de Sophie. Em parte porque Ed havia fugido com Anne — uma coisa que eu não havia engolido, onde já se viu? -, ela não tinha família e era por causa nossa que ela havia ficado assim. Eu me sentia culpado. Mas quem não se sentiria? Haviam se passado uma noite inteira e nada de notícias de Anne. Eu ainda tinha esperança de que ela voltaria, para mim não ir até lá. Já eram quase meio-dia quando Raffael apareceu.
– Josh? — Chamou ele. O rei estava com olheiras pela noite mal dormida, pensando em Anne, como eu.
– Sim? — Respondi.
– Josh, vá tomar um banho, eu cuido dela. — Disse ele.
– Eu não trouxe roupas, senhor. — Protestei.
– Lorrie, poderia entrar aqui, por favor? — Pediu ele, me deixando confuso. A porta se abriu, deixando uma garotinha loira de olhos azuis entrar. Ela não deveria ter mais de 7 anos. — Josh, esta é Lorrie, minha filha, irmã de Anne.
– Oi, prazer em conhecê-la. — Lorrie era completamente o oposto de Anne. Lorrie era loira, Anne tinga cabelos negros. Lorrie tinha olhos azuis, e Anne pretos. Mas a cumprimentei. Ela deu um grande sorriso e apertou minha mão. Por um segundo o rosto dela perdeu o sorriso e ela puxou a mão da minha. Ela deu um passo para trás, como se tivesse tropeçado.
– Lorrie, querida, está tudo bem? — Perguntou Raffael, preocupado.
– Está tudo bem papai. — Respondeu ela, com a mão na têmpora. — Só tive uma visão.
Eu fiquei confuso.
– Lorrie é vidente. — Explicou Raffael, para então se virar para a filha. — Eu a trouxe para que pudesse nos ajudar, querida. Você sabe onde está sua irmã?
– Fica difícil, já que eu passei apenas poucos minutos com ela. — Disse ela, pensante. — Eu precisaria... Josh, você que é amigo dela, poderia me dizer para onde Anne iria?
– Com certeza para casa. Ela iria ir embora para o Orfanato. — Falei, com certeza absoluta.
– Ela voltaria para lá? — Perguntou Raffael. — Não me parece um plano muito bom.
– Olhe, me desculpe seu rei, mas sua filha não é conhecida exatamente pela sua inteligência. — Me lembrei dos anos que passei com ela. — Ela tentaria dar volta e fingir que isso nunca aconteceu. Mas onde exatamente estamos? Nós moramos em Seattle, mas onde estamos agora?
– O Reino da Luz é difícil de ser encontrado. — Falou Raffael, com aflição. — Sabe a velha lenda sobre o pote de ouro no fim do arco-íris? A história não é exatamente isso.
– Quer dizer que estamos... — Quase engasguei.
– Exatamente. Estamos no fim do arco-íris. — Disse ele.
– Mas então como sair daqui? Estamos flutuando em pleno céu? — Indaguei, abismado.
– Não exatamente. Estamos em algum lugar e em lugar nenhum na verdade. Aqui, é onde o primeiro feiticeiro fez seu primeiro feitiço. O começo da magia sem usar a varinha. Onde o mundo mortal foi separado dos Feiticeiros. Onde os Bruxos foram separados de nós. Onde tudo foi separado. Onde o primeiro feiticeiro do Mal deixou nossas terras e partiu para o leste. Anne pode estar tão perto quanto pode estar muito longe. — Ele falou aquilo como se estivesse dizendo: "A lanchonete fica ali na esquina" mas eu achava isso o máximo. E eu comecei a sentir aquela pergunta, que eu sempre fiz, aparecendo aos poucos. Se a magia existe, será que meu pai está vivo?
– Papai, assim você assusta ele. — Disse Lorrie, com sua voz de criança. — É muita informação para um dia, e ainda o que o espera no Palácio do Sol... não é bom. Mas sei que vai conseguir, Josh. Você é tão poderoso quanto Anne, embora não acredite nisso. Os poderes dela superam o de qualquer um, mas saiba que o único que pode fazer Anne ouvir a voz da razão é você. Nem mesmo Ed é capaz de fazer isso. Ela vai precisar de você quando a hora chegar.
– Que hora, Lorrie? Do que você está falando? — Perguntei.
– Não posso falar mais, me desculpe. Mas guarde minhas palavras caso Anne o decepcionar. — Pediu ela. Raffael balançou a cabeça, concordando. Eu fiquei um tanto receoso por concordar com uma garotinha de 7 anos, mas Raffael era sábio e acreditava na filha, então eu deveria acreditar também.
– Lorrie, fique aqui contando a Josh o que ele precisará fazer no Palácio do Sol. Eu preciso ver sua mãe. — Assim dito, Raffael saiu, me deixando com a vidente de 7 anos.
– Lorrie. — Chamei. Ela se virou pra mim. — Você sabe algo sobre meus pais?
– Sua mãe. — Ela fechou os olhos. — Dayana, mortal. 37 anos, loira de olhos claros. Trabalha como gerente em uma loja e...
– Não. — A interrompi. — Eu quero saber sobre meu pai.
Ela fechou os olhos novamente.
– Huum. Alto, cabelo negro e olhos negros. Feiticeiro. — Ela apertou os olhinhos. — Está difícil de ver, perdão. Ele é muito poderoso. — Ela abriu os olhos. Eu estava abatido. — Não se preocupe, verá seu pai. Saiba que ele nunca esqueceu você.
– Tudo bem é só que... é um sonho antigo, sabe? Mas ele está vivo?
– Muito bem vivo. — Ela sorriu, nervosa, o que me deu a ideia de que ela sabia mais do que queria contar.
– Tudo bem. — Concordei por final. — O que você tem a me dizer, Lorrie?
– Sua viagem não será solitária. Para ir ao Palácio do Sol você deverá ir com alguém que domina fogo. — Disse ela, claramente aliviada por trocar de assunto.
– Mas onde iremos encontrar alguém que domine fogo? — Eu não havia me acostumado com a ideia.
– A família Dellarge é a única a dominar o fogo desde mil anos. Existem apenas dois dominadores de fogo no mundo. — Contou ela.
– Sophie e Ed. — Suspirei. Lorrie sorriu, como se dissesse "exatamente". — Mas Ed está com Anne e Sophie está apagada.
– Não tão apagada. — Falou uma voz fraca. Me virei. Sophie abria os olhos fracamente. Suas íris azuis estavam vermelhas, e quando digo vermelhas, é vermelhas mesmo, como se o fogo estivesse nos olhos dela.
– Sophie você está...
– Viva? — Completou ela. — A Família Dellarge é conhecida pela força, não só pela dominação do fogo. Não desistimos assim tão fácil. Somos muito persistentes no que queremos.
– Sophie, eu pensei que estivesse morta depois do que aconteceu. — Falei, sentindo o peso da culpa.
– Nunca. — Ela piscou. — Onde está Anne?
– Ela... ela fugiu. — Contei. Sophie arregalou os olhos.
– Chame o meu irmão aqui, rápido!
– Anne fugiu com Ed. — Desabafei. Sophie parecia que estava quase soltando fogo pelo nariz.
– Ela o quê? — Gritou Sophie. — Ela levou meu irmão? Ah, eu vou tirar aquela cara de deboche daquela garota só com um tabefe!
– Você não pode. — Interrompeu Lorrie calmamente. — Ela é sua princesa, e os poderes dela dão um banho nos seus.
– Quem você pensa que é, loirinha? — Perguntou Sophie.
– Eu sou a filha de Raffael e Clarissa, a Princesa Lorrie. — Se apresentou ela. — Tenho um grande apreço por seu irmão, mas vejo que a gentileza da família infelizmente não foi para o seu lado.
Eu apenas ergui as sobrancelhas. Aquilo era uma disputa entre uma criança e uma garota de quem alfineta mais.
– Desde quando você conhece Ed? — Perguntou Sophie.
– Desde que me lembro. — Respondeu a menina. Sophie pareceu desconfiada, como se não soubesse disso.
– Ed nunca me contou isso. — Comentou ela.
– Ele é seu irmão mais velho, não te deve satisfação. — Falou Lorrie, revirando os olhos. Sophie ficou vermelha.
– Desisto de discutir com você. — Falou Sophie.
– Sábia escolha. — Retrucou Lorrie.
– Ei meninas, se acalmem. — Intervim. — Lorrie, você disse que eu precisava da ajuda de Sophie?
– Sim. — Concordou ela. — Mas vocês devem partir ao próximo amanhecer. Amanhã.
– Por quê? — Perguntei.
– Não é óbvio encontrar o Sol no amanhecer? — Ela rolou os olhos.
– Pode ser. — Concordei. Pisquei. — Ei, que dia é hoje?
– 8 de outubro. — Respondeu Lorrie, automaticamente. Mas aí ela arregalou os olhos. — O aniversário da Anne!
– O que que tem? — Quis saber Sophie.
– Ela vai fazer 16 anos dia 12! — Gritou Lorrie. Sophie arregalou os olhos. — A festa de 16 é importante para uma princesa. É quando ela sela seu destino e dá o seu primeiro beijo.
– E quem ela poderia beijar? — Perguntei, respirando rápido.
– Meu irmão, ora! — Berrou Sophie. — Ed é um garoto... conquistador. Tem uma grande fama de pegador. Qualquer Feiticeira ou mortal se apaixona por ele. O apelido "Ed o Irresistível" não foi dado à toa.
– Eu... — Lorrie ficou com os olhos parados. — "A Filha da Lua aos 16 chegará. Um grande amor de repente surgirá. Ao passado deve voltar para compreender o futuro; Para aceitar o que a aguarda basta voltar ao muro" — Lorrie proferiu as palavras e tombou para trás.
– Lorrie! — Gritei, e corri para ajudar a menina.
– Eu estou bem. — Garantiu ela. — Encontrem Anne. Ela não pode ir ao Reino das Trevas!
– Ela é filha de Miranda! — Gritou Sophie, se levantando da cama. — Lá é o Reino dela.
– Lá é onde ela saberá quem é, e assim estará abrindo uma porta para Luna voltar ao mundo! — Argumentou a criança. — Depois que ela descobrir isso, será questão de tempo até Luna começar a se libertar, usando Anne como escada.
Sophie engoliu em seco. Lorrie estava aterrorizada. Eu parecia um pateta no meio da conversa. Eu não fazia a menor ideia do que elas estavam falando.
– Voltem, por favor. — Pedi. As duas se viraram para mim. — Vocês estão falando de quem?
– A questão não é essa! — Gritou Sophie. — O que é esse "muro" que você falou?
– O muro é o que separa duas coisas. O muro que separa a Luz das Trevas. — Lorrie contava tudo isso arrasada. Ela sabia muita coisa para uma menina de 7 anos.
– O muro... — Sophie parecia que ia chorar. — O muro que separa nossos mundos é o...
– Templo da Lua. — Completou Lorrie. — Anne terá que ir até o Monte Everest.
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– O que é esse Templo da Lua? — Perguntei, alheio à conversa. Lorrie não tinha condições de responder. Estava se aguentando para não chorar. Sophie a consolava, embora a dois minutos antes estavam trocando farpas. Mulheres.
– O Templo da Lua... bem... — Sophie parecia abalada, mas respondeu. — Antigamente, há cerca de 5000 anos, alguns Feiticeiros quiseram criar uma nova raça. Os Dominantes da Noite. Eles canalizavam o poder da Lua e a veneravam, em troca de suas bençãos, que deixava os Feiticeiros ainda mais poderosos. A benção da Lua no entanto era uma coisa rara. Só as pessoas com os melhores sacrifícios ganhavam. A benção era a imortalidade. Imagina só se nós Feiticeiros fôssemos imortais? Seria um caos. No entanto, muitas pessoas queriam a benção. Mas o sacrifício deveria ser feito no Monte mais alto na 6° Lua Cheia. Os Feiticeiros, para não precisar fazer seus sacrifícios no chão de terra, criaram no topo do Monte, um Templo prateado. E quando a luz da Lua tocava no Templo, a magia dos Feiticeiros com a benção aumentava muito. Mas o certo é que Feiticeiros desertores, dos dois Reinos criaram o Templo para sacrifícios.
– O que eram os... hum, sacrifícios? — Eu já estava com medo da resposta.
– As jovens mais belas. As Feiticeiras, de ambos reinos eram oferecidas à Lua. — Respondeu ela. — Alguns pergaminhos daquele tempo retratavam os desenhos dos sacrifícios. As jovens eram amarradas em uma mesa de pedra, e quando a luz da Lua Cheia se infiltrava pelo teto, elas eram queimadas vivas. Os desenhos eram tão reais... era horrível. Mas ao matar jovens puras, os Feiticeiros adquiriam, não só a imortalidade, mas também a Maldição da Lua Nova. Como todos sabem, a Lua tem 4 formas. Minguante, Crescente, Nova e Cheia. E em todas elas, o Espiríto da Lua muda. Minguante e Nova, misericordiosa e justiceira, a Lua que pune os maus. Crescente e Cheia, má e assassina, a Lua que amaldiçoa os bons.
– Mas... se o Templo fica no Monte Everest... como é que eles passavam pelo gelo? — Indaguei. Eu queria saber o máximo que podia, para ajudar Anne.
– Há uma lenda... a Filha da Lua. — Sophie explicou. — Dizem, que na mesma época dos sacrifícios à Lua, uma mãe queria proteger a filha, que estava jurada de morte pelos dois Reinos. A mãe e a criança foram perseguidas, até que foram acuadas no Templo da Lua. E a mãe cometeu a burrice de invocar a Lua. A Lua apareceu, e quis levar a menina aos céus, mas a mãe não deixou, óbvio. Então a Lua se explodiu de raiva e matou a mãe e a criança. Só que ela ficou muito triste e chorou por uma semana. As lágrimas dela congelaram e fizeram o Monte inteiro ser coberto de neve.
– A lenda não é essa. — Se pronunciou Lorrie, limpando as lágrimas. — Todos pensam que a Lenda é essa, mas só a Realeza conhece a verdadeira história. A mãe na verdade queria se sacrificar para dar a imortalidade a filha, que era o espiríto da Filha da Lua na Terra. Só que quando a Lua chegou lá, viu que não era uma moça pura. Era época de Lua Cheia. Ela resolveu que iria incinerizar a mulher, porém acabou atingindo a filha. E embora estivesse em sua pior fase, ela ainda era mãe, e chorou pela morte, causada por ela mesma, e suas lágrimas congelaram o lugar.
Sophie pareceu em choque, mas eu estava com outra questão na cabeça.
– E por que ninguém consegue subir até o topo?
– Não é por causa do oxigênio, embora os mortais pensem que é. — Repondeu Lorrie. — É porque o lugar é amaldiçoado pelos Reinos. Nos antigos pergaminhos também diziam que alguns Feiticeiros da Luz e das Trevas tiveram que fazer uma trégua para enfeitiçar o local, para que nenhum pária fosse até lá buscar a imortalidade. Foi tudo pensado para que ninguém, nunca consiga chegar ao topo. Apenas a Filha dela, enquanto num corpo mortal, pode subir.
– Lorrie, quando foi que a última Filha da Lua nasceu? — Eu tremia, mas não sabia porque.
– Há cerca de 1000 anos, Monique, Feiticeira das Trevas. O Rei da Luz desta época mandou matá-la. Ele foi deposto por isso, mas conseguiu o que queria. Mas o que isso tem a ver, Josh?
– Como é que elas vêm ao mundo? — Eu estava visivelmente assustado.
– O espírito da Filha da Lua vive na jovem mais poderosa do seu tempo. — Fiz uma pausa e Lorrie pensou no que disse, para então arregalar os olhos e gritar. — Anne!
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