Mistérios da Lua
2 Minha família
Notas iniciais
Quando ele disse "Luna" pensei que não estivesse falando comigo. Quer dizer, no orfanato, quando eu tinha uns 4 anos mais ou menos, tínhamos uma "irmã" chamada Luna, mas ela morreu estranhamente. Ninguém nunca soube do que exatamente. Era um mistério, mas ela havia sido minha única melhor amiga em toda a minha vida.
Depois que ela morreu, fiquei muito triste, e senti que depois de comparecer ao enterro dela, algo morreu dentro de mim. E essa parte minha, se foi para muito longe. Fiquei doente por semanas e depois de melhorar, comecei a desconfiar de todos.
Sempre fui um pouco difícil de fazer amizades, mas depois disso fiquei quase impossível de se conversar. Extraordinariamente introvertida foi o que Martha disse a algumas pessoas que quiseram me adotar.
Eu até já tentei ter amigas, mas só havia as patricinhas e o outro grupo,as rejeitadas.Elas eram legais, mas não adianta.Eu afasto qualquer um de perto de mim. Parece que as pessoas não gostam muito do meu estilo, então eu resolvi nem falar mais com elas. Se é para me ofender ou me ignorar, eu desisto. Nem vou atrás para descobrir porque. Já que esclareci porque fiz cara de idiota na frente de Ed, devo contar o que eu disse logo depois a ele.
— Olha, você deve estar me confundindo com alguém. Meu nome não é Luna. Meu nome é Anne.
— Você era Anne. — não gostei nada de como ele disse "era" — Mas agora deve vir comigo, feiticeira.
— Eu não sei do que você está falando cara. — eu disse, irritada — agora, se puder parar de dizer coisas sem sentido para mim, talvez possamos conversar.
Ele olhou para mim como se eu estivesse falando outra língua. Então, assentiu, e virou o rosto para o livro.
— Ok. Então, como é a sua vida?
— O quê? — Ele era louco? Mas de repente, tive uma vontade súbita de contar tudo a ele. Tudo, desde o que lembro. Meus sonhos, minhas vontades mais secretas, tudo. Mas pensei: "Opa! Eu não quero isso!" então levantei minha sobrancelha esquerda e disse:
— Ha-ha. Isso não vai funcionar comigo.
Ele pareceu surpreso; diria mais, indignado e intrigado. Independentemente do que eu havia falado a ele, fosse o que fosse, rendeu uma boa reação àquele garoto. Ele se levantou, abanou a mão e a professora parou de falar. Literalmente; ele havia parado tudo. A professora parou no tempo com a boca aberta. Jessie e sua turma, com uma expressão indignada no rosto olhando para mim e para Ed. Mas Josh deixou escapar um arquejo.
— O que você fez? — perguntei, horrorizada — Como fez isso?
— O garoto ainda pode se mover! — respondeu ele.
— É claro que posso! — falou Josh — o que você está fazendo com esse cara, Anne?
— E eu sei lá! — gritei — ele começou com um papo estranho pro meu lado, e... eu não sei.
— Olha pra mim, Anne — ordenou Ed. Eu, estúpida, me virei. Os olhos de Ed, brilhavam, perigosos. As íris pareciam prismas, brilhando com várias cores diferentes. No fundo dos olhos dele, nuvens escuras, como se fossem um tornado.
— Anne! — gritou Josh — Não olhe para ele!
Dei valor ao comentário tarde demais. Quando vi, estava rodando nos olhos de Ed, que segurava minha mão, e Josh, segurando meu pulso da mão direita. Cada um me puxava para seu lado, como se quisessem me proteger. Olhei para cima, e vi que realmente estava no meio de um tornado. Não aguentei e desmaiei.
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Quando acordei, estava deitada em uma cama de lençóis brancos. Um vulto estava a meus pés na cama. Me sentei na cama e olhei para meus pés. Tinha um gato negro como a noite deitado lá. Me inclinei e peguei o gato. Ele não fez nenhuma oposição, então puxei-o para meu colo. Comecei a acariciá-lo, e ele ronronou. Olhei ao redor, e percebi que estava em uma enfermaria.
Tinha um aviso em uma mesinha ao lado da minha cama, que peguei e li.
"Anne, está tudo bem ok? Fique deitada aí. Estou tomando café lá embaixo, na lanchonete. Quando você acordar conversaremos.
Josh"
Nem precisava de assinatura. Eu saberia que era a letra dele. Anos de cola contribuem, criando um laço inseparável. Ok, ele pediu para mim ficar na cama? Perdão Josh, mas esse pedido você não terá.
Respondi ao bilhete escrevendo:
"Desculpe Josh, mas não vou poder atender a esse pedido. Já estou bem, vou só sair para dar uma volta. Volto em meia-hora, ok?
Anne"
Eu não precisava adivinhar o futuro para saber que Josh viria atrás de mim, então relaxei. Procurei meus coturnos, mas no lugar deles vi um par de sapatilhas brancas com brilho. Quase soltei fogo pelo nariz. Olhei para as minhas roupas.
— Ah, não. Não, não, não. Josh, seu... porque?
Eu estava vestindo um vestido branco comprido, que ia até meus pés, com uma espécie de capa colada, costurada, sei lá. Com um cinto branco leite, branco também, mas de certa forma se sobressaía no vestido, como uma cor completamente diferente. Aí percebi. Onde é que eu estava? Me lembrava daquela coisa na aula, mas era só. Provavelmente havia imaginado a manhã inteira, claro. Me levantei da cama e soltei o gato no chão. Não coloquei as sapatilhas. Eu já estava com aquela roupa e não usaria mais nada constrangedor a ponto de me deixar mais patricinha. O chão estava gelado. Não sei como, mas consegui dar dois passos e me dar de cara com uma porta espelhada. Ah, não... eu estava bonita. Meus cabelos caíam a todo o seu pouco comprimento até meus ombros ele estava... estava... negro! Quer dizer, ele já era preto, mas não estava com suas mechas azuis. Engoli em seco. Abri a porta, ainda descalça, mas vermelha. Vermelha de raiva. Algumas outras pessoas de branco, assim como eu, me apontaram, mas não tentaram me impedir. Continuei andando e parei em uma placa que dizia: Lanchonete: 10º andar; me virei, achei o elevador e entrei lá, ainda ignorando o frio nos meus pés. Apertei o botão 10 e o elevador subiu. Quando abriu as portas, eu estava em uma lanchonete enorme. Vários restaurantes de diversos tipos de comida enchiam o lugar, com seus diversos clientes. Seria bem difícil encontrar Josh. Vasculhei o lugar com os olhos e vi um garoto, com as mesmas roupas de Josh, o mesmo cabelo e a mesma mochila aos seus pés, sentado em uma mesa, se fartando. Andei pesadamente até ele. Quando cheguei na mesa, dei um tapa tão forte na tampa de mogno que a comida deu um pulo, acompanhando Josh.
— Anne? — perguntou ele, incrédulo — o que está fazendo aqui?
— Depois de me vestir com essa roupa ridícula ainda espera que eu responda por que estou aqui? — perguntei, furiosa.
— Desculpa! — disse ele, se encolhendo — eu disse a aquele garoto idiota, que você não ia gostar. Mas ele disse: "não, porque ela vai ter que começar a se acostumar" mas daí eu disse: "ela vai odiar isso." mas daí ele diss...
— Cala a boca! — gritei, e todos se viraram pra nós, nos observando com curiosidade. Olhei para eles e gritei: — o que é que vocês estão olhando, seus fofoqueiros?
— Fica quieta, sua louca! — disse Josh.- Você não sabe do que eles são capazes de fazer!
Ele me puxou pelo braço e saímos da lanchonete. Entramos no elevador em silêncio e chegamos a enfermaria. Estava mais cheia do que a dez minutos atrás. Como aquilo era possível? Chegamos a meu quarto e me dei de cara com o novo aluno da minha sala. O louco em pessoa que me fizera ir até aquele lugar. Se ele era real... o que havia acontecido... também era? Ele se virou e disse, segurando minhas sapatilhas:
— Esqueceu isso.
Senti a raiva crescer e saltei para o pescoço dele. Você deveria ter visto a cena. Uma garota encima de um desconhecido, segurando-lhe o pescoço com uma expressão assassina no rosto? Era eu. Anne, em pessoa.
— Anne! — gritou Josh, me puxando para longe do pescoço de Ed — você vai estrangulá-lo!
— É isso mesmo o que eu quero! — gritei de volta — Seu idiota! Por que me fez colocar esse vestido? Onde é que estou? Como ousa me dizer que esqueci dessas sapatilhas?
Josh me largou. Recuou e olhou a cena, enquanto Ed gritava, pedindo ajuda.
— Eu não disse? — falou Josh para Ed, com escárnio.
— Pare de ficar aí, parado como um retardado e me ajude! — gritou Ed.
— Ok, ok, vou ajudar. — disse Josh, ainda se movendo lentamente para ajudar o garoto, que agora esperneava, tentando me chutar para um lado.
Josh me puxou pela cintura para o seu lado, me deixando tentando agarrar o ar. Ed se levantou da cama e sentou-se, respirando pesadamente. Ele levantou a cabeça para cima, suspirou e caiu deitado. Continuou suspirando, até eu perguntar:
— O que está fazendo?
Ele se levantou, e observei seu pescoço com remorso. Estava com marcas vermelhas ao longo de onde o agarrei. Mas quando eu pensei que ele fosse gritar comigo, ele riu.
— É sério isso? — perguntou ele para Josh — só porque eu fiz ela vestir aquilo ela me ataca? Você vai dar uma boa combatente, Ann.
— Não me chame de Ann. — grunhi — Meu nome é Anne.
— Sim, sim. — disse ele, se levantando — meros detalhes. Ann é mais.... diferente. Devo concordar que Anne é melhor. E Anna? Seu pai poderia ter colocado Anna. É mais comum que Anne.
— Não foi meu pai que escolheu meu nome. — disse eu, agora com incredulidade pelo rumo que a conversa havia tomado — Foi a diretora do orfanato, Martha.
— Ah, claro que sim. Martha nem percebeu que tinha uma Feiticeira da Escuridão ao lado dela. Confiou cegamente em Kate. Esses caras... estão cada vez melhores com feitiços de ignorância.
Eu estava boiando. Josh parecia confuso, mas tolerante.
— Do que, exatamente, você está falando?
— Ah. — disse ele, como se tivesse acabado de perceber que havia feito uma burrice — Josh, você ainda não contou a ela?
— Contar o quê a mim? — perguntei. Odeio quando as pessoas falam de mim e não me chamam na conversa. Que droga quando isso acontece. Eu sei coisas horríveis a meu respeito, oras.
— Não. — respondeu Josh — Nem eu entendi direito, Ed.
— Puxa vida, cara. — falou Josh, bufando — eu não quero chamar Sophie pra te explicar. Odeio quando precisam dela. Parece que não fiz meu trabalho direito. Ah, mas esquece. — ele botou a mão no bolso e tirou de lá um Iphone 5. Apertou um botão e falou alguma coisa que não entendi. Dois minutos depois, algo bateu a porta.
Ed andou até a porta, e a abriu.
— Oi, Sophie. — disse ele.
Na porta havia uma garota com cabelos laranjas, olhos azuis e com a pele dourada, de tão bronzeada que estava. Ah, ótimo. Eu saí de um "lar" com patricinhas, pra uma escola com patricinhas para cair em um lugar com patricinhas. Será que eu atraio cabeças de vento?
— E aí, Ed. Quem são os novatos? — sua voz era fina, aguda e delicada. Ela se virou para mim e assentiu, compreendendo algo. — Ah. É ela. — Virou-se para Josh e o olhou dos pés a cabeça. E finalmente observou Ed, ainda respirando pesadamente. Ergueu uma sobrancelha e visualizou as marcas no pescoço dele. — Ed! O que aconteceu com seu pescoço? Você disse que não havia sido atacado por aquela mulher.
— Não foi aquela mulher. Foi ela. — apontou pra mim. — Ela me atacou só porque a fiz vestir a roupa branca.
— Não foi só por isso! — me defendi.
A ruiva sorriu.
— Parabéns. São poucas as garotas que atacam Ed, causando esse estrago. — e se virou para Ed, novamente — Se aquela mulher descobre que... ai, não quero nem pensar nisso. Ela nos ameaçou, você sabe muito bem. Não era pra você trazer...
— Não, não era. — cortou-a Ed — Mas foi pedido pelo Raffael, Sophie. Uma ordem direta. Quase nunca Protetores como eu, são chamados para um tipo de missão como essa. Ele confiou em mim. Depois falamos nisso.
— Ok. Mas vou insistir.- e virou-se para nós. — Vamos. Não temos muito tempo. Daqui a pouco tenho que voltar para a Batalha. Ed, cuide-se. Espero que volte vivo.
Sophie nos guiou para fora do hospital. Lá fora, havia uma praça bem verde, com diversas flores que soltavam diversos aromas. Eu ainda estava descalça e podia sentir no pé cada pisada na grama fria do inverno. Podia descrever a sensação de pisar na terra molhada (algumas pessoas haviam acabado de irrigá-la), no asfalto da rua (quente, quente), nos gravetos próximos às árvores (doem, doem), na grama onde o sol batia e aquecia (um pouco demais, algumas vezes). Mas não vou dizer. Atravessamos toda a praça e sentamos em um banco. Sophie estava no meio. Eu e Josh, nas pontas, observando a ruiva, que mantinha a cabeça baixa e parecia preocupada. Com o quê, eu não sei. Como não aguento ficar parada sem falar nada, quebrei o silêncio perguntando, na lata, sem dó:
— Pode nos dizer onde estamos, ou falar qualquer coisa, porquê se você continuar com essa cara, vou te dar um tapa e sair correndo de volta para o hospital.
— Ah, desculpe. — disse ela — estou um pouco preocupada com Ed.
— "Preocupada" é adjetivo, minha querida. Parece que você está prestes a sair chorando por ele.
— Perdão, mas e se fosse o seu irmão? — perguntou ela.
— Essa é fácil — respondi — não tenho irmão.
— Ah, claro. — respondeu ela. — Então, vocês sabem por que estão aqui?
— Isso é o que eu quero saber o dia inteiro. — respondi, grossa. Sophie me encarou. Os olhos de um azul celeste, agora, azul gelo, quase cinza.
— Aqui é uma cidade. Uma cidade para gente como nós.
— Os malucos?
— Não, garota chata. Feiticeiros.
Quase caí do banco. Ok, ela e o irmãozinho haviam feito coisas inexplicáveis, como ele acenando com a mão e fazendo surgir uma mesa e cadeira ao meu lado, ele fazendo eu desmaiar com aquele negócio de teletransporte, ou coisa assim. E ela... bem, ela me fazia sentir que estava errada no mundo, e a voz dela me fazia querer chorar. Parecia angelical. Mas respondi.
— Ahã. Até parece. Acha que se eu fosse uma feiticeira eu não iria saber?
— É isso mesmo o que todos queremos saber. — disse ela. — Vocês dois... juntos, na mesma escola. Nenhum dos nossos oráculos previu vocês, é quase impossível dois novatos sobreviverem por tanto tempo, sem ajuda de um amigo. E seus poderes... não dá para serem sentidos. Ninguém conseguiu farejá-los. Só Ed, e só porque haviam dito quem vocês eram, e onde seriam encontrados. É um mistério. Mas quando soubemos quem é sua mãe, nós...
Ela hesitou. Se pôs a admirar o chão de novo. Eu olhei para Josh. Ele parecia um pouquinho assustado. Os olhos arregalados, boca escancarada e com expressão de "Socorro!" no rosto. Eu também estava assustada, mas não tanto quanto ele. Porém, eu tinha outra questão na cabeça.
— A minha mãe? Como assim, "soubemos quem é sua mãe"?
— Desculpe Anne. — ela disse, ainda olhando para o chão — Não posso dizer mais nada. Basta dizer que seu pai está te esperando.
— Meu pai? — perguntei — Meu pai está morto! Ele e minha mãe! Se ele estivesse vivo, com certeza nunca iria me deixar naquele orfanato idiota!
— Anne... eu não posso lhe dar todas as respostas. — disse ela — porque nem eu mesma sei. Mas você precisa ver seu pai. Ele está te esperando. Preciso te levar lá. — e virou-se para Josh — Josh, você se importa se eu sair e levar Anne para o Palácio? Eu volto logo, prometo. Mas você vai ter que ficar aqui, sentado, me esperando.
— Não, não me importo. — respondeu ele — Vá Anne. Veja seu pai. Porque, pelo que sei, é bem difícil ignorar uma ordem dele.
— E desde quando você sabe alguma coisa? — perguntei, grossa, irritada e muito curiosa.
Mas me levantei, com Sophie logo atrás. Nos afastamos de Josh. Ela passou na minha frente e me guiou para um chafariz na praça.
— Venha. É por aqui.
— Err... na fonte?
— Não. Embaixo dela.
Chegamos a fonte. Era bonita, e tinha delicados desenhos nas bordas. Uma estátua de um homem estava no topo, com a mão aberta, e não sei como, uma gota de água enorme e real, flutuava acima daquela mão.
Sophie entrou dentro da fonte.
— Você está louca? — perguntei — Entrar em fontes é proibido, saia daí!
— Venha, Anne. — respondeu ela, revirando os olhos.
— Se formos pegas por algum guardinha, ou algo assim, direi que foi você que mandou. — e entrei na água.
A princípio não senti nada diferente, apenas a velha sensação geladinha de quando você entra na água. Mas depois a água foi me consumindo. Eu afundava, e olhava apavorada ao redor, mas Sophie já havia afundado. Eu estava debaixo d'água. Comecei a me dissolver, minhas roupas desapareciam, eu sentia que meu espírito deixava meu corpo. Eu estava morrendo. Fechei os olhos. Se fosse para morrer, queria pelo menos, poupar as pessoas do choque de me ver com os olhos abertos e expressão apavorada quando fossem examinar meu corpo. Ah, mas eu queria ver o resto do mundo lá encima. Abri meus olhos de novo. A lua brilhava lá em cima de mim. Peraí. Lua? Estávamos no meio do dia. Focalizei o astro com mais força. Parecia que alguém dormia lá. Parecia uma moça, com vestes prateadas, dormindo lá em cima. Apertei os olhos. Meus pulmões gritavam. Me forcei a enxergar melhor e vi a moça dormindo na Lua. Dei um salto. Era eu! Os mesmos cabelos negros, com mechas prateadas ao invés de azuis e o mesmo rosto. Eu dormia serenamente. Não poderia ser. Aquela não deveria ser eu. Eu estava morrendo afogada em uma fonte. Sorri. Aquela era uma frase tão idiota. Imaginei alguém perguntando de que eu havia morrido. "Morreu afogada em um chafariz", diriam. Fechei os olhos novamente. Quando já senti que era minha hora, caí estatelada no chão. Dois pares de pés estavam na minha frente. Inspirei e me levantei. Sophie, e o homem da estátua. Ele sorriu, caloroso e gentil e disse:
— Anne. Finalmente, minha filha.
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