Mistérios da Lua
24 Menos um mistério
Notas iniciais
Sinceramente, este não era meu estilo. Nunca fui de fazer isso, pressionar uma pessoa por respostas. Como por exemplo, a situação de Anne comigo. Sim, eu apostava tudo o que eu tinha na teoria de que ela não sabia o que eu sentia por ela. Mas Sam não era Anne, felizmente, e ele estava pedindo por isso.
– O quê? — Ele pareceu genuinamente ofendido.
– Me desculpe, Sam. Mas acho que isso é o mínimo que você pode fazer. — Falei.
– Ah, sim. — Ele cruzou os braços e rolou os olhos. — Até porque eu fui derrotado e aprisionado no meio de um buraco para logo depois, salvar todos vocês e ser arrastado até aqui. Me desculpe, mas é você que me deve respostas.
Eu o fitei. Ele era bom em trocar de assunto. Quase profissional.
– Não mude de assunto. — Rolei os olhos. — Diga o que eu pedi.
– Eu já disse quem sou eu! — Ele insistiu, exasperado. — Meu nome é Sam, 17 anos, feiticeiro.
– Qual é o nome da sua família? — Perguntei. Vi o lábio dele crispar-se.
– Asteres. — Ele respondeu, firme. — Não sei quem são meus pais. Mas Asteres é minha família.
– Você não sabe qual o nome do seu pai? — Perguntei, sentando na cadeira. Sam fez um som que eu podia jurar que era um rosnar.
– E você por acasosabe o nome do seu pai? — Ele retrucou. Ai. Essa doeu. Se Anne estivesse aqui, ela diria "Uhhhhh, se fosse comigo eu não deixava" uma frase que ela sempre adorava repetir no meu ouvido. Engoli em seco e o encarei. O que era difícil já que eu estava sentado e ele de pé. Já era ruim eu ser baixo, um pouco mais alto que Anne, mas aquele cara abusava. Tinha o fisíco de jogadores de basquete. Isso me irritava.
– Sei tanto quanto você. — Resmunguei. — E agora, eu aposto, minha mãe já chamou a polícia atédos quintos dos infernos pra me achar, e eu estou embrenhado no meio do mato nem sei aonde.
Me levantei e saí pisando duro em direção do quarto. Me joguei na cama de cima e peguei no sono.
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– Josh, corre, a casa tá pegando fogo! — Gritou alguém. Me levantei e pulei da cama. Millena e Sam estavam parados na frente da porta, carregando uma pessoa. Vi que era Adrien.
– Onde está Sophie? — Perguntei.
– Foi ela que incendiou a casa. — Tossiu Millena. Ela parecia bem, mas a fumaça já invadia o quarto em que eu estava.
– Vamos! — Ordenou Sam. Eu o segui, tossindo.
– Cuidado! — Millena gritou.
Sophie atravessou nosso caminho, entre nós e a porta da saída. Ela estava decididamente pegando fogo. Os olhos, os cabelos, as roupas. Aliás, ela usava um vestido comprido vermelho esvoaçante como brasas. Uma coroa vermelha quase nem aparecia em sua cabeça vermelha. Então, ela olhou para mim. E eu podia jurar que eu estava pegando fogo. Olhei para minhas próprias vestes, mas elas estavam normais. Ergui meu olhar para Sophie e de repente, Sam estava ao lado dela. E ele estava vestido como um rei, alto e imponente. E impressionadamente dourado. Suas roupas, cabelo; tudo reluzia em dourado. E Sophie estava perdendo o brilho vermelho, se tornando prateada. Seu rosto mudou. Ouvi Millena gritar ao meu lado. Peguei a loira pelos braços deixando Adrien onde quer que fosse e corri da sala, mas a fumaça estava densa demais. Tossi, mas as chamas me engolfaram e eu perdi os sentidos.
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Acordei com um sobressalto. Me sentei e percebi que ainda estava deitado no beliche, encharcado de suor. Suspirei e me joguei no travesseiro. Meu coração fazia acrobacias. Fechei os olhos e revivi as cenas do sonho da memória. Elas estavam embaralhadas, como acontece com os sonhos se você ficar pensando neles, mas eu tinha uma certeza animalesca.
Estávamos mais perto do Sol do que imaginávamos. Ele estava na cozinha de Adrien, neste exato momento.
Sam.
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