Mister K.

17 Problemas


Quando acordei na manhã seguinte, não tinha ideia de onde estava. Espremi os olhos para o quarto desconhecido, e só me lembrei de tudo que havia acontecido na noite anterior quando me virei na cama e vi K. deitado ao meu lado.

Imediatamente passei as mãos pelo meu corpo, mas estava totalmente vestida. Ah sim, havíamos simplesmente dormido depois do beijo na sacada porque eu estava muito exausta.

O beijo na sacada.

Corei imediatamente ao lembrar da cena da noite anterior. Não podia acreditar. Depois de esses anos, eu havia beijado K. daquele jeito, num contexto que eu nunca imaginaria.

Como se meus pensamentos fossem altos, ele acordou. Piscou os olhos lentamente, e depois sorrir ao notar minha presença.

– Bom dia. – ele disse.

– Bom dia. Que horas são?

virou-se na cama para olhar a hora no despertador.

– Oito e quinze. Temos que levantar. — resmunguei e ele me deu um beijo na testa, depois levantou – Vou esquentar o café, pode tomar banho primeiro, e pode usar minhas coisas se quiser, também.

Bocejei e levantei-me com preguiça. Tomei banho, escovei os dentes com uma escova nova que havia no armário e vesti minhas roupas do dia anterior. Quando cheguei na sala, K. havia esquentado dois cafés da manhã prontos e servido para nós dois.

Comemos em silêncio assistindo à TV como na noite anterior, até que K. disse:

– Não vai ter nenhum problema porque vamos de carro direto da garagem daqui pra da Gumiho, mas vamos ter que se discretos sobre isso – ele apontou para mim e depois para ele -, tudo bem?

Assenti. É claro que eu entendia. Para os fãs, K. era o namorado de Kari, do Colorcube. Mas isso não podia continuar assim pra sempre, podia?

– E a Kari?

– Vou falar com ela. Pretendo anunciar para a imprensa que nosso “namoro” acabou.

– Não hoje. – respondi imediatamente – Vai ter muita coisa sobre o pre-release e o comeback de vocês hoje, é melhor não arriscar.

– Tudo bem, vou deixar para revelar quando as coisas estiverem mais calmas.

Depois que K. terminou de se arrumar, fomos de carro para a Gumiho. Ambos tínhamos um dia longo pela frente, e por isso logo nos separamos.

O segundo teaser sairia ao meio-dia, e eu precisava escrever a nota à imprensa sobre “Mine” e o comeback do Shortcut. Fui direto para a sala do Yoon-ssi, onde começamos a escrever imediatamente. Depois de algum tempo, chegamos à seguinte mensagem:

“O comeback do Shortcut já tem data marcada, logo após o lançamento da música ‘pre-release’ ‘Mine’, cantada por Mister K., do Shortcut, e Stella, do Colorcube. A canção ‘Mine’ foi escrita e composta por uma fã do Shortcut, e produzida pelo próprio Mister K.. Stella não irá apenas fazer o rap da música, mas cantará também. Por favor, recebam bem esse presente da Gumiho Entertainment.”

O teaser saiu exatamente no horário previsto, e as reações foram as mais variadas possíveis. A grande maioria amou a ideia, mas muitos xingavam Stella nos comentários, e outros xingavam a Gumiho por novamente não realizar o comeback do Shortcut. Alguns mais espertos se perguntavam se aquilo não era justamente uma prévia do comeback do grupo.

Não passaram nem cinco minutos, e todos os telefones do andar começaram a tocar. Foi nesse momento que mandamos o e-mail para o site que eu havia escolhido: o Officially Kmusic, único site em que eu confiava que não prejudicaria a imagem do K. e da Stella, e que seria fiel à mensagem passada.

Passamos o resto do dia atendendo telefonemas, respondendo e-mails e monitorando as reações dos fãs. Almocei no escritório mesmo, e acabei nem vendo os meninos ao longo do dia. Na hora de ir embora, porém, encontrei K. na saída, por acaso.

Ele olhou em volta e me recebeu com um beijo nos lábios.

– E aí, como foi seu dia?

– Super cansativo. Não imaginava que anunciar um projeto dava tanto trabalho. E o seu?

– Ensaiamos o que deu, porque o Fox não apareceu.

– Sério? – fiz uma careta. Fox não era do tipo que faltava no trabalho.

– Sim. – ele segurou a porta para que e saísse – E ele não tá atendendo o celular, também.

– Nossa, que estranho... O que será que aconteceu?

A resposta veio logo em seguida.

– YA, VOCÊS DOIS!

Voltamos nossa atenção para a calçada. Fox estava parado, usando as mesmas roupas que havia usado quando fomos ao parque de diversões, e segurando uma garrafa de soju.

– Fox? – exclamei.

– VOCÊS DOIS! – ele continuou gritando, e começou a se aproximar de nós – Por que vocês fizeram isso?

– Fox, calma, você tá bêbado... – K. tentou segurá-lo, mas ele continuou andando na minha direção.

– Eu fiz tudo pra te ver feliz. – ele falava só comigo agora – Tudo, TUDO! E você ainda assim escolheu ele. POR QUE, HYE RIN-AH, POR QUE ELE?

Fox agarrou minha meu pulso com a mão livre. O cheiro de álcool nele era realmente muito forte.

– Fox, por favor...

– Você não vê que ele é um babaca? Por que você não me dá uma chance, hein? O que é que tem de errado comigo! Me dá uma chance!

Ele se aproximou mais. Ia me beijar. Eu sabia disso, mas não conseguia me soltar, então só fechei os olhos e me encolhi. Mas o beijo não veio.

– Ei! – exclamou K., e logo senti Fox se afastando de mim e ouvi um barulho de vidro quebrando. Abri os olhos e vi que Fox segurava a própria bochecha, um pouco de sangue saindo de seus lábios. A mão de K. estava fechada em um punho e a garrafa de soju havia sido arremessada longe – Não encosta nela.

– Ah, agora você virou dono ela é? – exclamou Fox – Por que não se importou quando ela tava chorando? Quando deixou ela com ciúmes? Quando quis demitir ela?

– Não é da sua conta.

Fox limpou o sangue da boca com as costas da mão.

– Ela merece muito mais que você.

E foi então que K. explodiu. Ele partiu pra cima de Fox, e os dois caíram no chão. Eu gritei, mas eles não se afastaram.

socou o rosto de Fox uma, duas vezes, mas Fox logo lhe deu um chute entre as pernas, fazendo-o cair para o lado, gemendo. O maknae tomou o lugar do líder e começou a socá-lo de volta.

Nesse ponto, eu estava chorando e gritando desesperadamente por ajuda, mas o prédio da Gumiho já estava deserto. Quando Minsoo e Jonghyun finalmente chegaram e separaram a briga, os dois estava com os rostos e as camisas completamente ensanguentados.

– Hye Rin-ah, tá tudo bem? – perguntou Jonghyun, olhando para mim.

Eu não respondi. Não sabia como. As palavras não se formavam em minha mente. Sem olhar para eles, saí do prédio da Gumiho e caminhei na direção do metrô.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.