Mister K.
15 Me Veja Como Um Homem
Notas iniciais
Nem preciso dizer que também dormi mal naquela noite. As palavras de K. ecoavam em minha mente. O que ele queria dizer com "Se eu tiver que lutar por você, eu o farei."?
Na manhã seguinte, não fui para a Gumiho. K. e Stella teriam o photoshoot para os teasers da música, e eu devia ir junto para ajudá-los. Era quase como a minha primeira semana na Gumiho, fora, é claro, que agora o photoshoot era para a minha música, e que K. não era mais um idiota comigo.
Tomei meu café da manhã rapidamente, me arrumei e peguei um táxi até o estúdio. Eu tinha carteira de motorista, mas Ha Eun e eu não podíamos pagar um carro, e a Gumiho cobria meus gastos com transporte.
Quando cheguei, K., Stella, Yoon-ssi e as equipes de produção e fotografia já estavam lá. O cabelo de K. estava como na noite anterior, e ele vestia uma jaqueta preta sobre uma camiseta branca junto com jeans rasgados e coturnos.
Stella estava linda. Ela havia pintado os cabelos num tom de rosa avermelhado e colocado apliques da mesma cor. Naquele momento, estava tudo preso num rabo de cavalo que a deixava mais feminina do que eu jamais havia visto. Para completar, ela usava uma blusa listrada com uma saia jeans plissada e sapatos pretos. Eu nunca havia visto Stella de saia.
Quando me viram, os dois sorriram alegremente. Sentei-me em uma cadeira ao lado de Yoon-ssi, que me cumprimentou educadamente.
A sessão de fotos foi completamente diferente da primeira em que fui. Nem K. nem Stella me obrigaram a fazer nada, e quando o almoço se aproximou, eu fiz o pedido, e dessa vez eu sabia exatamente o que pedir.
Estávamos acabando de comer quando K. se levantou.
– Hye Rin-ah, venha aqui. — ele disse. Encarei-o confusa — Só venha.
Coloquei meu prato sobre a toalha e me levantei. K. andou até o fundo branco do estúdio e eu o segui.
– O que foi?
– Vamos tirar uma foto. Yoo Ji-ssi, você pode tirar uma foto nossa? — ele pediu a uma das fotógrafas, que imediatamente se posicionou atrás de uma das câmeras.
– Pra que isso? — perguntei.
– Pra você guardar em sua carteira, ora.
– Por que eu guardaria na minha...?
– Sorria! — ele sorriu para a câmera e me puxou pela cintura.
Eu não sorri. Na verdade, devo ter saído muito estranha.
– Ya... — murmurei.
– Obrigado, Yoo Ji-ssi! — exclamou K., e a fotógrafa sorriu e se retirou.
Foi só então que reparei que enquanto eu me distraía com a brincadeira de K., uma pessoa havia entrado no estúdio e se sentado ao lado de Stella.
Fox vestia um moletom da "Hood By Air" com calças jeans, e sua franja não estava puxada para trás como de costume. Sem saber o que fazer, eu disse para K. que precisava usar o banheiro, e me retirei.
Usei, de fato, o banheiro, e aproveitei para lavar o rosto e acalmar os nervos. Eu não havia visto Fox desde o dia em que ele havia se declarado para mim. Como eu deveria reagir? Deveria tocar no assunto ou fingir que nada aconteceu? E por que ele havia ido ao estúdio, de qualquer forma? Ele e os outros membros haviam sido liberados das agendas até o lançamento do single de K. com Stella.
De qualquer forma, eu não poderia ficar no banheiro para sempre, então enxuguei o rosto e voltei para o estúdio.
Quando cheguei, K. e Stella haviam trocado de roupa e ela havia soltado o cabelo. Fox estava sentado sozinho no banco, e sorriu ao me ver. Respirei fundo e fui até lá.
– Sua franja ficou melhor assim. — comentei, sentando-me ao lado dele.
– Obrigado. E me desculpe por ter saído correndo aquele dia.
Desviei o olhar.
– Você veio aqui só pra falar comigo?
Ele riu de leve e respirou fundo.
– Noona, você não me vê como um homem, né?
Eu não queria responder. Sabia que iria magoá-lo, e não queria fazer isso com uma pessoa que havia me ajudado tanto. Mas eu não podia mentir.
– Não.
Fox respirou fundo novamente.
– E acha que um dia verá?
Aquela era outra pergunta. Será que um dia eu veria Fox como algo além de um amigo? Talvez, com o passar do tempo, se nada desse certo entre mim e K. Não era algo que eu pudesse prever.
– Eu não sei. — a reação seguinte de Fox me pegou de surpresa. Ele riu — Ei, por que você está rindo?
– Se você tivesse dito não, eu teria me conformado e nunca mais tocado no assunto. Mas você disse que não sabe. Isso que dizer que eu ainda tenho alguma chance.
– Espera, Fox, eu...
– Noona, saia comigo hoje à tarde. Vamos à um parque de diversões. Me dê essa chance para te mostrar quem eu realmente sou, e, se depois de tudo, você ainda não sentir nada, eu prometo que não vou mais insistir.
Encarei-o por alguns segundos. Eu não queria dar-lhe falsas esperanças, mas não era como se eu não quisesse dar uma chance a ele para ver como as coisas seriam. E eu também não tinha nada a perder.
– Tudo bem. Vamos depois do photoshoot.
–
Dessa forma, assim que o photoshoot acabou, eu e Fox nos despedimos de todos e entramos num táxi direto para o parque de diversões. K. nos olhou desconfiado, mas não disse nada.
Assim que chegamos no parque, Fox vestiu um boné e me levou para uma barraca de maquiagens, para que não nos reconhecessem. Eu tive meu rosto pintado como a Hello Kitty e ele como um tigre. Devo admitir que ficamos muito engraçados.
Fomos nos brinquedos mais animados primeiro, pois é o que se deve fazer quando se vai num parque de diversões (afinal, você não vai querer ir na montanha-russa logo depois de ter comido um cachorro-quente). A princípio, achei que o passei no parque de diversões fosse algo infantil para pessoas com a nossa idade, mas assim que fechei o cinto no carrinho da montanha-russa, eu voltei a ter quinze anos.
Eu amava brinquedos perigosos, e fazia muito tempo que eu não andava em um. Levantei meus braços e gritei como não fazia há anos, surpreendendo até Fox, que depois de um tempo começou a gritar comigo. Fomos no Chapéu Mexicano e em um brinquedo chamado "Twister" também.
Fox me comprou um algodão doce enorme, e eu comi enquanto passeávamos no Carrossel, manchando um pouco minha maquiagem. Estava começando a ficar escuro, e eu observei o sol se pôr ao som da música animada e animada do brinquedo, olhando ocasionalmente para Fox, que parecia estar olhando para mim o tempo todo.
Fomos na Casa de Espelhos e tiramos fotos em uma cabine de fotos, mas quando ele sugeriu que fôssemos à Casa Mal-Assombrada, recusei imediatamente. Eu morria de medo desse tipo de lugar, apesar de saber que eram pessoas e não monstros de verdade. Odiava a sensação de não saber o que me esperava depois de uma curva escura.
Sendo assim, fomos para a praça de alimentação, onde Fox comprou Kimmari para nós dois, e sentamos em uma mesa vazia para comer.
– Você parece estar se divertido. — ele disse, com um sorriso sincero.
– E estou. Fazia muito tempo que eu não vinha num lugar desses. — coloquei um dos bolinhos na boca.
Fox sorriu e apontou para as barracas de jogos atrás de mim com os hashis.
– Noona, escolha um prêmio. Eu vou ganhar um pra você.
– Ya, não precisa fazer isso.
– Vamos lá, escolha um. Não temos mais nada pra fazer mesmo.
Encarei os diversos prêmios pendurados no topo das barracas de madeira. Havia diversos bichinhos de pelúcia, bolas de plástico e alguns prêmios mais úteis, como headphones e patinetes.
– Ok, então eu quero o elefante de pelúcia.
– O elefante? De todos os animais, por que o elefante? — ele arqueou a sobrancelha devido à minha escolha inusitada.
– Achei legal pedir o que as pessoas menos devem tentar ganhar.
– Você sempre pensa fora do comum, não é, noona?
Corei, e terminamos de comer em silêncio.
Assim que acabamos, fomos para a barraca que tinha elefantes de pelúcia como prêmio. Era uma barraca de tiro, e Fox teria três chances para acertar um dos alvos que se moviam.
– Fox-ssi, esqueça. Esses jogos são todos roubados, não tem como ganhar.
– Você não sabe nada sobre mim, Noona. Eu não sou só um rapper incrível e muito bonito. Eu também sou um ótimo atirador.
Fox mirou em um dos alvos, parecendo realmente profissional. Ele atirou, e errou o alvo por vários centímetros, me fazendo cair na gargalhada.
– Estou vendo o quão bom você é!
– Eu só me distraí, ok? — ele exclamou num tom bravo, mas com um sorriso no rosto. Fox mirou novamente e atirou. Dessa vez, ele acertou o alvo em cheio.
Exclamei e, por impulso, pulei em cima dele, abraçando-o. Logo percebi o que havia feito e me afastei, corando. Havia me deixado levar pelo calor da vitória.
O vendedor, irritado, entregou um elefante de pelúcia a Fox, que o entregou para mim. O escudo perfeito para esconder minhas bochechas vermelhas.
Caminhamos em silêncio por alguns minutos, até que ele olhou para cima, para a roda gigante que iluminava o parque todo.
– Está quase na hora de fechar, quer ir na roda gigante?
Hesitei. A famosa cena de "Dream High" veio à minha mente ao pensar na roda gigante. Será que Fox tentaria algo comigo enquanto estivéssemos lá? Será que eu deixaria ele seguir em frente se tentasse? Os olhos dele brilhavam na luz artificial, e não transmitiam qualquer malícia. Por que eu estava tão apreensiva? Ele não havia tentado nada o dia todo.
– Tudo bem, vamos lá.
Como o parque já estava quase fechando, não havia quase ninguém na fila, e logo entramos em uma das cabines da roda gigante. Não falamos nada enquanto nossa cabine subia, nos dando uma visão cada vez mais ampla do parque e da cidade. Ainda abraçada a meu elefante, olhei para Fox, que olhava pela janela com a maquiagem de tigre levemente borrada.
Será que eu poderia desenvolver sentimentos por ele? Naquele momento, ele não passava de um amigo extremamente divertido com quem eu adoraria passar mais tardes como aquela, mas será que isso um dia poderia mudar?
Pensei em K., e meu coração doeu. O que ele estaria fazendo naquele momento? Será que havia ficado bravo ao me ver saindo com Fox? O que será que ele diria quando nos encontrássemos novamente? Eu não tinha esse tipo de pensamento sobre Fox.
Ele desviou o olhar da janela, e olhou para mim por vários segundos. O que estaria se passando na cabeça dele naquele momento? Será que estava planejando tentar alguma coisa comigo? Será que estava com medo?
– Você está pensando em "Dream High", não está? — ele perguntou, assustando-me.
– Mais ou menos. — confessei, corando.
– Eu não vou tentar nada com você, noona. — ele disse, e relaxei um pouco — A não ser que você queira.
Ah não. Essa história de novo?
– O que há com vocês garotos e essa história de fazer com que a garota peça as coisas?
– Como assim? — ele franziu o cenho, confuso.
– Esquece. — desviei o olhar, olhando para o parque abaixo de nós. Havíamos chegado no topo da volta.
Fox suspirou e me perguntou:
– Mesmo depois de hoje, você não sente por mim o que sente pelo K., não é?
Neguei com a cabeça, relutante.
– Sinto muito. Não é algo que eu possa controlar. Eu sei que você seria melhor para mim, e que eu deveria gostar de você e não dele, mas não funciona assim. Eu não posso simplesmente...
Parei de falar porque as lágrimas começaram a se formar em meus olhos, e solucei.
– Não chore. — murmurou Fox e eu olhei para ele, mas seus próprios olhos brilhavam com lágrimas — Eu te disse hoje cedo. Se não desse certo hoje, eu iria me conformar e parar de tentar. E é isso que vou fazer.
Eu não conseguia dizer mais nada. As lágrimas começaram a cair, e afundei meu rosto no elefante de pelúcia para que Fox não me visse chorar.
E assim, conforme nossa cabine descia de volta para o chão, eu sentia minha amizade com Fox diminuindo também.
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