Mister K.

12 A Parceira Ideal


Notas iniciais
Desculpem a demorar pra postar, pessoal, mas acho que o plot twist nesse capítulo vai fazer a espera ter valido à pena!

Eu devia ter imaginado.

Quer dizer, em nenhum momento sequer considerei que o dueto do K. fosse ser comigo, eu não era nem trainee da Gumiho. Mas também não havia parado para me perguntar com quem seria.

Mas a escolha parecia óbvia, não? TInha que ser uma garota famosa, com uma boa imagem, amada por todos... E só havia uma garota assim na Gumiho.

– A KARI? — exclamei, assim que K. me deu a notícia na manhã seguinte — Ela me odeia!

– Qual é, Hye Rin, ela não te odeia. E ela gentilmente aceitou gravar o single de graça e doar os ganhos para a Sorin.

– É claro que ela aceitou, só vai servir pra deixar ela mais popular!

– E se for por isso? O Yoon-ssi achou uma ótima ideia, vamos poder grava a sua música e ainda ajudar a Sorin. Os motivos da Kari realmente importam tanto assim?

Ele tinha razão, e eu sabia que ele tinha. Kari era a cantora mais famosa da atualidade, talvez até mais que o ColorCube em si. Ela já havia estrelado diversos dramas e até feito uma pequena aparição num filme norte-americano. Ela era, de fato, a melhor escolha para cantar o dueto com o K.

Mas eu não queria isso, e não podia aceitar. Eu havia escrito "Mine" quando era adolescente e sonhava com K. toda noite. Podia parecer estúpido hoje em dia, mas eu havia escrito para que eu cantasse com ele, não uma patricinha mimada que se achava dona do mundo.

– Quer saber? Tá bom, então, cante com ela. Mas então você vai ter que trabalhar na música sozinho! — levantei-me, pronta pra ir embora, mas K. segurou meu pulso.

– Você tem alguma ideia melhor?

Hesitei, tentando pensar em algo para responder, mas não, eu não tinha uma ideia melhor. Então, soltei meu pulso violentamente e caminhei irritada até o elevador.

Apertei o botão do último andar, o do terraço. Precisava tomar um ar.

Uma vez ao ar livre, pude respirar e refletir sobre a situação em que me encontrava. Por que a vida tinha que ser assim? Por que toda vez que eu conseguia algo que parecia incrível, uma coisa ruim acontecia logo em seguida para acabar com meu sonho? Talvez eu não estivesse destinada a ser feliz.

Coloquei esses pensamentos de lado imediatamente, não querendo voltar a ser a adolescente depressiva que era antes de conhecer o Shortcut, e só então foi que ouvi uma voz. Era uma voz conhecida, masculina, e seu dono parecia estar falando no telefone com alguém.

Segui o som até deparar-me com Jonghyun, apoiado no batente do terraço. Ele falava animadamente ao celular e não percebeu minha presença quando me aproximei. Não era como se eu o estivesse espionando, mas também não queria assustá-lo, então continuei onde estava.

– Também te amo. Beijo, tchau! — ele disse em meio a uma risada, desligou o celular e virou-se, levando um susto ao me ver — Hye Rin-ah! Que susto! Por que está me stalkeando?

– Eu não estou te stalkeando! E-eu não pretendia ouvir nada, só não queria te assustar.

– Bem, acho que não funcionou.

– Desculpe-me.

Eles suspirou e passou a mãos nos cabelos.

– Acho que precisamos conversar, não é?

Corei. Ele estava falando sobre a situação na festa.

– Se você quiser...

– Bem.. Hum... O que você viu naquela noite... — ele não me olhava nos olhos enquanto falava. De repente, balançou a cabeça e ergueu o olhar — Olha, Hye Rin, eu sou gay, ok? Simples assim. Mas você não pode contar a ninguém. Se alguém souber, minha carreira vai estar acabada. Você sabe como a população do nosso país é com essas coisas, principalmente os mais velhos. Ninguém além dos caras da banda sabem disso, você não pode contar a ninguém, entendeu? — encarei-o por alguns segundos, e então desatei a rir — O que foi? Por está rindo? Você acha isso engraçado?

– Desculpe, Jonghyun-ssi, é que eu acho que todas as suas fãs meio que já suspeitam disso.

Ele corou, depois sorriu maliciosamente.

– Pois é, né? Tem cada fanfic yaoi entre eu e o Min Soo na internet que eu quase quero que sejam verdade.

Nós dois rimos.

– Eu escrevi algumas quando era mais nova! — confessei.

– Vou definitivamente querer ler isso depois!

Nós rimos mais um pouco, então o clima voltou a ficar sério entre nós.

– Quem era no telefone? Não precisa me contar se não quiser.

– Era o garoto da festa. Nós estamos saindo há um tempo, na verdade. Ele acabou de entrar para a Sorin, mas não posso dizer o nome dele... Não é que eu não confie em você, mas prometi a ele que não contaria a ninguém, e se você souber o nome dele, pode acabar prejudicando-o sem querer de alguma forma.

– Sem problemas. Mas, Jonghyun-ssi! Saindo com um garoto de quinze anos?

– Não é pedofilia, ok? Ele é maior de catorze e é totalmente consentido. — ele sorriu — E pode me chamar de "oppa".

– Valeu. — sorri — Acho que devemos voltar lá pra dentro, né? Daqui a pouco vão querer saber porque não estamos trabalhando.

– Tem razão. Vamos lá.

Jonghyun caminhou até o elevador e eu o segui. Estava feliz que as coisas estavam novamente bem entre nós e que aquilo havia me ajudado a esquecer um pouco a discussão com K.

Paramos no andar da sala de gravação e fomos para ela. Quando entrei na sala, K. estava dentro do cubículo de gravação com Kari.

– Hye Rin-ah! — ele exclamou, ao me ver — Que bom que você mudou de ideia! Estávamos quase no refrão!

Eu não podia acreditar. Depois de toda a nossa discussão, achei que ele iria no mínimo tirar algum tempo para refletir. Mas não. Ele havia dado meia volta e ido direto para a sala de gravação com aquela interesseira. Talvez até tivessem se pegado dentro do cubículo de vidro antes de começar.

Minha real vontade era sair dali, voltar para casa e assistir mais alguns dramas comendo um pote de sorvete de chocolate, mas eu não podia fazer isso. Eu não era mais uma garota impulsiva, era uma mulher adulta que tinha que dar o melhor de si em seu trabalho. Por isso, respirei fundo e me sentei em um dos sofás.

A música que K. havia remixado começou a tocar, e ele cantou sua parte seguinte:

"Why are you making the same mistakes

You told me that were not okay?"

A próxima frase era de Kari, e ela cantou no tempo exato:

"Do you regret not enjoying at all

Before life being turned into gray?"

A voz dela era, de fato, fascinante. Depois de ouvir apenas duas frases, eu me senti novamente com dezesseis anos, fazendo de tudo para ser como ela. Mas Kari não era quem eu pensava, e eu definitivamente não queria mais me parecer com ela.

E então eles cantaram o refrão, juntos, numa harmonia mais que perfeita:

"You may try to laugh, but won't change the fact

That every single trap's been already set

You may be a genious, but I don't mind

It's still funny how you can be blind

And not mine"

Por mais bonito que o refrão tivesse ficado nas vozes deles, eu não conseguia. Não podia ouvir aquela garota cantando a minha música. Podia ser qualquer garota, menos ela.

Eu sabia que estava prestes a chorar e com certeza não queria fazer isso na frente deles, então me levantei.

– Vou tomar um café.

Saí da sala com cuidado e assim que fechei a porta atrás de mim, desatei a chorar. Eu não era do tipo de garota que chorava por qualquer coisa, não mais. Mas eu simplesmente não aguentava ver a música da minha vida cantada por aquela garota sem que eu pudesse fazer nada.

Caminhei em direção ao banheiro feminino, onde eu poderia chorar de verdade e depois lavar meu rosto, mas trombei com alguém no caminho.

– Noona? Você está chorando? — perguntou Fox, confuso. Não consegui dizer nada, apenas afundei meu rosto no ombro dele e comecei a chorar mais alto — Ei, ei, vai ficar tudo bem! O que aconteceu? — não respondi e continuei chorando — Você quer tomar alguma coisa?

Assenti e finalmente me afastei dele.

– Um chocolate-quente seria bom.

–

Fox me levou para a cafeteria da Gumiho, onde ele pediu dois chocolates-quentes. Consegui conter meu choro enquanto ele fazia o pedido, então quando ele voltou com as duas xícaras fumegantes, eu já estava conseguindo falar normalmente.

– Obrigada.

– Vai me contar o que houve, agora?

Tomei um gole do chocolate. Eu não queria que soubessem sobre minha tristeza idiota, mas eu precisava desabafar com alguém, e sabia que Fox era confiável.

– Promete que não vai contar pra ninguém?

– É claro.

– Bem... Aquela música que o K. está gravando... Eu escrevi ela pra ele há alguns anos.

– Eu já sabia disso, ele contou pra gente depois que você aceitou trabalhar com ele.

– É que... Bem... Eu meio que a escrevi para que eu cantasse com ele. — desviei o olhar.

– Ah... Não tem por que ter vergonha, Noona, já faz vários anos.

– É, faz mesmo. Mas acontece que... Eu simplesmente não aguento vê-lo cantando com a Kari. Poderia ser qualquer garota, mas não ela!

– Por que não?

– Porque ela... Ela é uma pessoa horrível...

– Ou será que é porque tem um clima entre ela e o K.? — ele ergueu uma sobrancelha.

– Como assim?

– Você gosta dele, não é?

A pergunta me pegou desprevenida e quase engasguei com o chocolate-quente. Do que ele estava falando? Depois de todos esses anos, será que eu...?

Não, não era possível. Eu não estava assim por ciúmes, estava assim por ver uma garota como Kari cantando a minha música. Minha música. A música que eu escrevi para cantar com o K. E ela estava cantando com ele. Será que Fox tinha razão?

– Não sei. — respondi honestamente.

Ele esboçou um sorriso triste e tomou um gole de seu chocolate-quente, como se não soubesse o que dizer a seguir. Por que ele parecia tão deprimido de repente?

– Por que você não se ofereceu pra cantar com ele, então?

– Eu não canto bem, Fox, de verdade. Não sou uma dessas garotas que vai tentar cantar a música dos sonhos e descobrir ser uma cantora incrível. Eu não fui feita pra isso.

Os olhos dele se iluminaram de repente e ele colocou a caneca na mesa.

– Espera, pode ser qualquer outra garota, então?

– O que quer dizer?

Ele sinalizou para algo atrás de mim com a cabeça e eu me virei. Stella estava parada na porta da cafeteria, acenando para nós. Um sorriso cresceu em meus lábios.