Mister D
9 Capítulo 9
Pela primeira vez na vida não fiquei tão incomodada com pessoas aplaudindo minha irmã a minha frente. Dante estava lá do meu lado e segurou minha mão no momento. Não me senti sozinha, como estando de penetra em uma festa, agora tinha alguém conhecido, alguém que estava lá só por mim. Olha como as coisas são, eu não dava nada por ele quando o conheci, não queria nem sequer conhecê-lo, mas ele estava aqui, segurando minha mão, vendo várias pessoas aplaudirem-na junto comigo. Ele não precisava fazer isso, mas ele quis, e isso mexeu realmente comigo, fez com que eu tivesse a certeza que ele não era apenas o garoto de programa que eu escrevia sobre. Ele agora era um amigo que eu não queria perder.
Minha irmã fez um discurso nada convencido, para não dizer ao contrário. Ela falou o quanto se esforçou para conquistar seus objetivos, o quanto era bom ser filha de advogados e que eles sempre a ajudaram muito, falou também sobre se cobrar bastante para ser a melhor e ter conseguido isso finalmente. Citou várias vezes em alto tom que era a melhor da família, a melhor irmã e agora a melhor em sua empresa. No final ela disse que viriam mais prêmios para comemorar. E quando eu achei que ela fosse acabar o discurso ridículo, ela chega e me surpreende, como se desse um tapa bem forte em meu rosto.— Eu tenho uma surpresa pra vocês… alias, nós temos não é? — Ela disse puxando Thiago, que estava em cima do palco escondido atrás dela. — Eu e Thiago pensamos bastante, conversamos e vimos que nosso amor não pode esperar mais. E pra fechar com chave de ouro, deixamos para anunciar que estamos noivos. Nós vamos nos casar. Ela falou tão alegremente e abraçou Thiago, dando-lhe um beijo demorado em seguida, na frente de todos, na minha frente. Naquele momento soltei a mão de Dante, não estava acreditando no que estava vendo. Fiz de tudo para ficar forte naquela noite, fiz de tudo para que não notassem que eu estava odiando estar lá. Mas dessa vez não consegui ser forte, meu limite estourou. Eu queria subir ao palco e gritar com eles, principalmente com Thiago, perguntar se aquelas palavras dele, se aquela maldita rosa vermelha foi alguma brincadeira comigo, mas o máximo que consegui fazer foi sair andando rápido de lá, eu queria correr, mas todos perceberiam que eu não tinha gostado daquela cena. Andei pra fora da festa rapidamente e continuei o caminho pela rua onde minha madrinha morava. Estava deserta, mas eu nem me importei, só queria ficar o mais longe possível daquela festa. Como ele podia ter feito aquilo comigo? Ter dito todas aquelas coisas em um dia e no outro nem olhar para a minha cara, como se eu não existisse. Por isso era como se eu fosse invisível para ele. Ele não queria encarar a pessoa que ele falou tantas coisas bonitas. Ele não queria olhar para a trouxa aqui, talvez se olhasse iria rir da minha cara. Quem eu estava pensando que eu era? Com certeza ele não terminaria com minha irmã, com certeza foi tudo mentira. Estou me odiando agora por ter caído nessa, isso deve ter sido plano da minha irmã, fazer com que ele dê em cima de mim para eu começar a gostar dele e depois ele quebrar a minha cara. E como quebrou, acho que a deixou em pedaços e ainda passou com algo por cima. Isso nunca havia acontecido comigo, nunca havia me sentido tão enganada por alguém como estava me sentido agora, me senti uma burra. E estava doendo aquele sentimento, me assustei com o quanto doía se sentir enganada dessa forma. Senti alguém me puxar atrapalhando meus pensamentos, quando me virei para olhar quem era me assustei completamente. Vi na minha frente um homem com uma touca preta tampando seu rosto, ele estava vestido com um casaco também preto e calça jeans. Ele então disse baixo para que só eu pudesse ouvir “É um assalto princesinha, me dê logo a grana toda antes que eu corte esse seu lindo rostinho”. Naquele momento meu corpo inteiro gelou, e quando eu olhei para baixo pude ver que ele carregava uma faca em sua mão. Eu estava com uns 50 reais dentro do sutiã, pois nunca gostei de andar sem dinheiro na rua. Ele gritou para que eu me apressasse e desse o dinheiro, então fiz o que pediu, puxei o dinheiro de dentro do sutiã e o entreguei, ele então sorriu para mim e pediu grosseiramente que eu o olhasse.— Você é bonita em delicia. Que peitos maravilhosos. — Ele sorriu maliciosamente enquanto olhava meus seios. — Você tá tão sozinha aqui não é? Não se deve andar sozinha na rua no deserto. Vamos ali atrás que eu vou proteger você. Ele colocou a faca com a ponta em meu quadril e me obrigou a andar com ele, eu recusei e ele falou com raiva que se eu não fizesse o que ele mandou ele enfiaria a faca no meu quadril. Eu chorei e pedi que ele fosse embora por favor, que eu já havia dado o que ele queria, mas ele queria mais. Ele me queria, eu vi em seu olhar seu desejo nojento de fazer sexo comigo, ele queria me estuprar e era isso que ia fazer. Eu estava chorando sem acreditar que aquilo estava acontecendo realmente. Talvez eu merecesse para aprender a não acreditar mais na vida, para eu aprender que ninguém vai me querer tendo a minha irmã. Ela era incrivelmente melhor do que eu, era superior a mim em tudo, eu precisava finalmente aceitar isso. E naquele momento com aquele homem que me dava tanto medo, eu finalmente entendi que eu estava destinada a ser sempre inferior a minha irmã, nada mudaria isso. Agora eu tinha certeza.
— Solta ela. — Ouvi a voz de Dante gritar perto de nós. E quando me virei vi que ele havia dado um soco no assaltante, que logo se levantou ameaçando Dante com a faca. — Dante, não… Dante estava lá de frente com o assaltante, ele estava com a faca apontada pra Dante, vi seus olhos cheios de ódio e fiquei com medo. Ele iria matar Dante, eu não poderia deixar isso acontecer. Dante estava lá por mim, e nós estávamos nessa situação porque eu havia sido enganada e sofri mais do que deveria ao descobrir isso, não era justo que Dante se machucasse por mim causa, comecei a gritar tentando fazer com que alguém nos ouvisse, mas estávamos longe da festa e do local aonde tinham casas, o assaltante parecia conhecer bem a área, pois havia me levado pra caminhar para um lugar onde ia em direção as estradas para outros lugares, traduzindo: sem casas em volta. Dante deu outro soco no assaltante e ele irritado partiu pra cima do Dante, tentou enfiar a faca nele, mas Dante conseguiu desviar, a faca passou raspando na barriga de Dante o cortando na lateral. Me desesperei naquele momento e gritei pedindo que o assaltante parasse, meu grito meio que distraiu ele, fez com que me olhasse, e Dante aproveitou dando outro soco nele, e um chute fazendo com que o assaltante caísse no chão.— Vem. — Dante gritou para que eu fosse até ele, eu obedeci e ele segurou minha mão. Começamos a correr até o meu carro. — Vamos embora daqui.— Mas…— Entra logo. — Dante gritou para que eu entrasse no carro e foi o que eu fiz. Dante havia me salvado duas vezes naquela noite. Se não fosse ele o pior aconteceria comigo. Eu devia muitas coisas a ele, agora mais uma. Eu ainda estava chorando enquanto dirigia de volta para a minha casa, nunca havia passado por aquele susto, nunca tive tanto medo na minha vida, e isso me fez pensar que tudo que eu passei não era comparado com o que passei nessa noite. Eu estava com tanto medo, estava tão apavorada, e pior, ainda pensei que poderia morrer ou algo muito ruim iria acontecer comigo graças a minha idiotice de deixar que as coisas relacionadas a minha irmã me afetassem tanto, eu precisava parar, precisava deixar tudo isso para trás e parar de me importar com ela e com todos a volta dela. Eu precisava crescer, eu só tinha a mim agora. Só tinha eu, Leonardo e Dante. Eles sim estavam comigo, mas quem precisava mudar a minha vida era eu, nisso Dante não poderia me salvar e muito menos Leonardo me ajudar. Eu precisava ser a minha própria torcida, eu precisava ser meus pais, minha irmã, meu namorado, minha madrinha. Eu precisava me amar como ninguém jamais ia, precisava me salvar. Antes que fosse tarde demais. Dirigi até minha casa e pedi que Dante entrasse, eu precisava ajudar ele, ele tinha um corte na barriga que foi causado por culpa minha. Não podia levá-lo para casa naquele estado. Me senti horrível naquele momento, ele foi lá por mim, deixou 3 mil reais para trás e eu o abandonei na festa. Ele se arriscou por mim e acabou se machucando. Rasgando seu terno. Que tipo de pessoa eu era? — Me perdoa Dante. — Falei assim que entramos em casa. — Me desculpa mesmo, eu sou… sou uma idiota. Eu não devia ter saído de lá, você…— Tudo bem. — Dante disse enxugando uma lágrima que descia do meu rosto. — Sei o que é se decepcionar com alguém. Você gosta dele não é?— Eu não sei. Eu só… não acreditei sabe? — Falei subindo para o meu quarto puxando Dante até minha cama, o empurrei fazendo com que sentasse em minha cama. — Fica ai, vou pegar um remédio do meu pai pra passar ai.— Não precisa disso tudo… eu to bem. — Ele disse sentado na minha cama enquanto eu andava rápido até o quarto dos meus pais.— Pronto, vai arder um pouco. — Falei assim que voltei uns segundos depois, segurando o remédio em minha mão. — Tira a camisa. Dante fez uma cara de poucos amigos e obedeceu meu pedido. Quando ele tirou a camisa vi que o corte era grande eu sua barriga, mas nada que precisava de pontos ou algo do tipo, esse remédio seria o suficiente para sarar sem deixar nenhuma marca. Logo em seguida olhei o corpo de Dante, e me surpreendi com o quanto ele não tinha defeitos, como ele podia ser tão bonito? Não consegui parar de olhar seu lindo abdômen definido, eu senti um enorme desejo de tocá-lo e ele percebeu, pois abriu um sorriso malicioso para mim, aquele mesmo sorriso de quando me conheceu.— Então… eu vou… vou passar o remédio. — Falei gaguejando um pouco, envergonhada de ter demonstrado tanto estar maravilhada com aquele abdômen dele.— Ai. — Ele resmungou assim que comecei a passar o remédio em seu corte com um algodão. — Arde.— Eu disse que ia arder. — Assim que terminei de passar, abri a gaveta da minha cômoda e peguei curativos de primeiros socorros que eu tinha guardado. Eu era muito prevenida, sempre pensava em tudo. — Pronto, vou te dar esse remédio, você passe uma vez por dia e faça curativo depois, tudo bem?— Sim… mas nem precisava disso.— Dante…— Sim?— Muito obrigada. Mais uma vez, você me salvou mais uma vez hoje. — Falei me aproximando dele e o abracei, seu corpo era quente e eu gostei da sensação da minha pele encostada na dele. Abaixei minha cabeça apoiando em seu ombro enquanto o abraçava.— De nada. Agora eu… vou embora. — Ele deu uma pausa.— Pode ficar? — Eu pedi sem soltá-lo, alias, queria ficar abraçada com ele por muito mais tempo. — Por favor, não quero ficar sozinha… meus pais vão dormir na minha madrinha.— Eu fico. — Ele disse calmamente e levou a mão até minha cabeça que estava em seu ombro.
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