Mistérios da Lua - O Retorno da Magia

7 O primeiro dia sempre será mais díficil


Notas iniciais
Hello cupcakes amados! Bem, antes de mais nada, saibam que fiquei muito feliz com os reviews do último capítulo! Aqui vai um outro capítulo, que eu fiz quando o Nyah ainda estava em "pausa", mas esqueçam a minha demora e me perdoem, pq primeiro ano do ensino médio politécnico é MUUUUIIIITO barra! Bjos!

POV'S ANNE

– E aqui é a Sala de Combate. — Apontou Joe para uma sala cheia de armas, enquanto andávamos para a nossa sala. Alunos corriam para todo lado como loucos. Cores flutuavam em todo lado, de feitiços.

– A gente não devia estar correndo? — Perguntou Josh.

– Tá brincando? — Retrucou Joe. — A gente tá do lado da Princesa Annelise. Eu vou mandar e desmandar nessa escola.

– Joe! — O repreendi.

– O quê? — Ele me olhou incrédulo.

– Deixa pra lá. — Josh me segurou. — Vamos para a sala.

– Que período temos agora? — Joe perguntou.

– História.

– Minha mãe. — Joe fez uma careta.

– Você tá chamando sua mãe de velha? — Josh se indignou.

– Não! — Joe respondeu, rapidamente. — Minha mãe é professora de história aqui. Agora ela vai pegar no meu pé e vai direcionar todas as questões pra mim.

– Temos um historiador do nosso lado, Josh! — Brinquei, mexendo no cabelo de Joe.

– RÁ-RÁ. — Joe riu falsamente. — Que engraçado. É arqueólogo.

– Acho que é professor, isso sim! — Josh riu. Joe rolou os olhos.

– Vocês querem ir pra aula ou não? — Perguntou ele, sacudindo a cabeça loira.

– Vamos logo então. — Sorri. Joe me deu o braço e o agarrei, com Josh no outro. Joe e eu paramos na frente de uma sala grande. Uma mulher muito parecida com Diana estava sentada na mesa, organizando papéis. Joe me empurrou porta adentro.

– Pede pra gente entrar. — Mandou ele.

– Por quê? — Perguntei, parada na porta.

– Porque você pode. — Joe arregalou os olhos. Me acalmei e contei até cinco. Bati na porta. Todos se viraram para ver quem era.

– Com licença. — Falei, com toda a educação que me estava presente, a qual não era muita. — Podemos entrar?

– Vocês quem são? — Perguntou a professora, com gentileza. — Além do Jonathan, claro.

– Anne Watern e Josh Collins. — Nos apresentei. Vi a professora engolir em seco.

– Josh Ian Rogers? — Perguntou ela. — O filho de Hanker? E Annelise Watern, a filha de Raffael?

– Sim. — Josh deu de ombros. Ele não gostava de ser chamado de "filho de Hanker", mas o brilho de raiva que vi nos olhos dele foi cruel. Pus a mão no braço dele.

– Meu nome é Catherine Lewis. — Ela se apresentou. — Serei professora de vocês. Entrem, podem entrar.

– Obrigada. — Puxei Josh. Encarei a turma e vi que não tinha nenhuma mesa vaga. Pisquei e mexi a mão, três vezes. Uma fileira inteira surgiu, e me sentei na janela. Atrás de mim tinha uma garota de cabelos curtos cor de mel. Me sentei na sua frente e joguei minha mochila na mesa. Ela me cutucou nas costas.

– Olá, meu nome é Genevieve. — Ela tinha um forte sotaque francês. Esticou a mão e eu apertei. Devia ter uns 16 anos, mas parecia mais velha, com um brilhante bronzeado. Tinha olhos castanhos e cabelo curto, mas não tão curto.

– Anne. — Falei. — Não me trate como "princesa", por favor.

– Não, pode deixar. Antes de mais nada, queria dizer obrigada. — Ela me olhou com respeito.

– Por que? — Perguntei, intrigada.

– Eu não teria a chance de estudar aqui nessa escola se não fosse você. — Disse ela.

– Eu? — Fiquei boquiaberta. — Mas eu não fiz nada!

– Na verdade foi o Lorde Gabriel. — Ela contou. — Ele disse que seria melhor se tivesse companhia dos feiticeiros das Trevas e dos da Luz. E resolveu que a escola seria aberta a todos, não só aos da Luz.

– Sério? — Gaguejei. Genevieve assentiu. — Obrigada, mesmo assim. Que tal não falarmos mais disso?

– Ok. — Ela riu. — Achei digno alguém mais ter coragem de usar roupas normais.

– Obrigada. — Puxei alguns fios soltos na minha calça. — E qual é a destas roupas brancas? Todos unidos pela paz no mundo?

– Não! — Ela deu outra risada. — É que usamos as roupas brancas para celebrações e coisas especiais. E o branco está associado à magia... digamos, livre. O preto está associado a magia negra. E, bem...

– Eu provavelmente fiz muito mal ao usar preto, né? — Falei.

– Você é a filha de Raffael, ninguém espera que faça magia negra. Mas, por outro lado, sua mãe é Miranda, e você parece com ela. — Genevieve contou. Eu me lembrava da minha mãe, uma bela mulher de cabelos negros e olhos claros. No primeiro dia eu havia tido um pesadelo horrível, e vi meus pais morrendo, minha pequena irmã, Lorrie morta, sendo aparada por Clarissa, minha madrasta, que gritava de medo. Sombras as cercando.

– Ela era linda. — Suspirei. — Por dentro e por fora.

– Você é a cara dela. — Genevieve murmurou.

– Você conheceu ela? — Perguntei, curiosa.

– Sim, eu sou das Trevas. — Ela deu de ombros. — E... talvez você não se lembre, mas eu estava no seu aniversário de dezesseis.

– Estava? — Eu devo ter soado muito descrente, porque Genevieve riu. Eu não me lembrava da festa. Só de puxar Ed, um vestido azul e preto me atrapalhando. E um retrato.

– Sim. — Ela sorriu. — Foi uma festa incrível, mas você, Ed e o Rei sumiram. A Rainha ficou histérica por dias. Daí ela sumiu e Hanker e ela morreram. O Reino está um caos. Provavelmente Hugin virá falar com você. Quer dizer, você é a princesa.

– Eu não sabia disso. — Falei, sombria. Genevieve deu de ombros.

– Acho que não é culpa sua, visto que estão fazendo uma votação. — Ela contou.

– Uma votação? — Repeti.

– Há dois representantes que estão aptos para governar. Você e Josh. Os dois tem sangue real. Embora eu deva dizer que você faz parte da linhagem real. O certo seria entregar a Princesa em casamento a algum outro dos Reinos. Mas nenhum deles se manifestou até agora.

– Senhorita Watern e Bellcourt, poderiam fazer silêncio, por favor? — Catherine chamou. Me virei para frente.

Catherine que havia estado arrumando os papéis que estavam na mesa, agora estava de pé em toda a sua elegância. Eu podia distinguir os traços que os filhos herdaram. O sorriso calmo e tranquilo era de Alexander, os olhos divertidos e vivos eram de Joe, mas a postura e expressão firme e levemente teimosa pertenciam a Diana.

– Bem, eu não vou ficar encarando vocês aqui. — Ela sorriu. — Quero que um por vez, diga quem é, quantos anos e o que quer ser. Lembrem-se que são três carreiras. Os elementais, mas são rarissímos existir um destes. — Seus olhos voaram para o filho, Joe, e ela estava radiante de orgulho. — Combatentes, nossos preciosos soldados, e os Protetores, nossos magnifícos anjos da guarda. São 7 anos de serviço e depois você está livre para ser o que quiser. Eu prestei serviços para o Combate e servi ao meu Reino. Agora sou professora, com muito orgulho. Quero que contem quais são os medos e certezas de vocês. Vou começar de trás para frente na chamada, que tal?

Todos assentiram, ansiosos.

– Zoe Ambers. — Disse ela. Uma bonita garota japonesa, de cabelos castanhos compridos e mechas coloridas levantou a mão. Ela estava completamente vestida de branco, como todos naquela sala. — Como você se descreve?

– Simpática? — Ela sugeriu, tímida. A roda de amigos dela riu. — Tenho 15 anos, Luz, e quero ser Protetora.

– Muito bem. — Catherine conferiu a lista. — William Branwell.

Assim foi com mais ou menos 20 alunos até chegar em Josh.

– Josh Ian Rogers. — Chamou Catherine.

– Eu sou Josh Collins, Trevas. Quero ser Combatente. Eu me descrevia muitas vezes como normal. Mas agora, é complicado. Eu estou pirando com esse negócio de Trevas. A última vez que eu falei com meu pai ele disse que era normal. — Josh de de ombros. — Mas não tenho tanta certeza. Tenho 15 pra 16 anos.

O olhei em repreensão. Ele não havia dito nada daquilo pra mim. Mas mesmo assim, vários murmúrios de "Sei como é".

– Jonathan Lewis. — Catherine sorriu para o filho.

– Meu nome é Joe Kingston. — Ele corrigiu. — Elemental do Ar, Luz, e me descrevo como um cara com um humor levemente bipolar, como minha colega Anne pode dizer. — Ele piscou pra mim, e eu sorri. — Tenho 15 anos, quase 16.

– Eu o descreveria como incrivelmente impossível. — Catherine adicionou, com um olhar de quem conhece o filho que tem.

Mais sete alunos se apresentaram até chegar em Genevieve.

– Meu nome é Genevieve Bellcourt, Trevas. — Ela disse, com as palavras carregadas de sotaque francês. — Tenho 16 anos, e me descrevo como uma pessoa otimista e romântica.

Romântica era a pior coisa a se ser neste mundo. Mais nove alunos se apresentaram.

– E por último, Annelise Raxel Watern. — Catherine me olhou, ansiosa. Pude sentir todos os olhares em mim.

– Meu nome é Anne Watern. — Falei, mordendo o lábio. — Tenho 16 anos, sou elemental da água. Luz e Trevas. Me descrevo como cabeça dura, teimosa e extremamente impulsiva. Se tenho uma boa qualidade talvez seja a minha eficiência em descobrir logo de cara quem pode ser meu amigo. Meu pavio é curto, mas sei ser prestativa e amigável. Fui a última encarnação de Luna. Vi meu padrasto matar meus pais na minha frente e vi a luz deixar os olhos deles. E enfiei uma faca no meu estômago pra salvar o mundo, embora eu não saiba porque me trouxeram de volta. Quando acordei eu perdi um namorado, uma irmã, meus pais, ambos os meus Reinos e minhas memórias. Eu sou elemental, e quero seguir esta carreira. E se Joe acha o comportamento dele bipolar, ele nunca viu o meu.

Eu devia ter pegado mais leve. Mas era assim mesmo. Eu havia vivido tudo aquilo. E eu só tinha meus amigos, que nem me reconheciam direito. Percebi que tinha feito todo o meu discurso olhando pela janela, onde havia uma pessoa em pé no meio do Jardim. Ed, encostado em uma árvore, me observando. Virei a cabeça para encarar meus colegas e vi as expressões chocadas em seus rostos. Catherine tinha lágrimas nos olhos. Um garoto de olhos e cabelos pretos filmava com o celular a cena inteira. Ah, ótimo. Agora a confissão ia parar na internet. Lentamente, virei minha cabeça para encarar meus amigos. Joe estava boquiaberto e Josh chocado. Eu não sabia o que havia tanto chocado eles. Eu havia só dito a verdade. Num piscar de olhos, Joe, que estava do meu lado, se virou e me abraçou.

– Se esse abraço queimar meu filme, eu te mato. — Disse Joe, com um murmúrio fofo.

– Desculpem. — Catherine correu da sala, com lágrimas no rosto, deixando os alunos sozinhos.

– Ela é muito emotiva. — Contou Joe, suspirando.

– Tem razão em ser, o filho é um fofo. — Sorri. Joe murmurou um "sou não". — É um fofo, modesto e loiro.

– Eu vou deixar você me elogiando por mais tempo, eu gosto disso. — Ele disse. Eu dei risada e ele se afastou, se sentando no seu lugar. Todos me encaravam e cochichavam. Genevieve colocou a mão no meu ombro.

– Você viu a Rainha morrer? — Perguntou ela, com olhos tristes.

– Vi. — Admiti, com lágrimas nos olhos. Genevieve abriu a boca e murrmurou um "como ela morreu?" — Hanker enfiou uma espada no coração dela. Meu pai conseguiu mandá-lo para o inferno, mas a magia o esgotou. Ele morreu segurando a minha mão e a de Miranda.

Genevieve, chorando, pôs as mãos na boca.

– Como se sentiu? — Quis saber ela.

– Destruída. — Respondi.

Notas finais
Façam o favor de comentar sábagaça, ok?