Mistérios da Lua

27 A volta dos que não foram


Notas iniciais
Volteiii (de novo) meus deuses, dois capítulos num dia? Não vou repetir isso nunca mais!

POV'S ANNE

Me algemaram contra a parede de uma das enormes celas do Palácio das Trevas. Nossa, que ironia. Eu sabia que voltaria ali, só não sabia quando. Mas voltar presa no meu próprio Reino não era algo a que eu pensasse. Me joguei no chão úmido da sala, umedecendo meu vestido. Minha cela tinha uma pequena janela que sugeria que eu estava em um calabouço, na parte Sul do castelo, de frente para a Floresta. O verde das árvores contrastando com a escuridão da cela me deixava tonta.

– Eu preciso mesmo ficar aqui? — Perguntei a um dos guardas. Ele não me respondeu. — É mesmo muito bom conversar com você, uma pessoa tão simpática.

– Silêncio, prisioneira! — Ordenou um dos guardas. — Esta cela tem proteção contra teletransportes. Nem tente sair. Então, SILÊNCIO!

– Me obrigue. Eu sei que tenho o direiro de permanecer calada e tudo o mais, mas não vou permanecer calada. — Protestei. Comecei a cantar qualquer música. Acho que era Radioactive, do Imagine Dragons. De qualquer jeito, ouvi a respiração do guarda ficar mais rápida. — I'm waking up, I feel it in my bones, enought to make my system blow, welcome to the new age, to the new age...

– Chega! Para! Já deu! — O guarda da direita berrou. Eu dei um risinho.

– Vai falar comigo ou não? — Perguntei.

– Ah, tudo bem. O que você quer perguntar? — Concordou ele, suspirando.

– Aquele garoto que me trouxe pra cá... Josh. O que ele é de Hanker? — Indaguei. O guarda abriu a boca pra falar, mas alguém o interrompeu.

– Já chega. — Eu reconheceria aquela voz até num buraco negro. Era Josh. — Guardas, abram a cela.

Os guardas abriram o pesado portão. Josh entrou. Meu coração deu um pulo. O cabelo de Josh, estava mais curto do que o habitual, e usando pesadas botas de combate, ele parecia um general. Ele ficou parado me olhando. Meu rosto obviamente ficou triste. Vê-lo deste jeito me matava por dentro.

– Josh? — Chamei. — Eu sou sua amiga, não importa o que disseram a você.

– Você me abandonou no alto de um penhasco com Sophie desacordada no meu colo. — Disse ele, usando um tom sarcástico. Engoli em seco. Um ponto pra ele.

– E você não sabe o quanto eu sinto por isso. — Falei. — Eu...

– Não importa. — Ele me interrompeu. — Agora que temos você, a Lua vai fazer o acordo pela filha.

– Ela fará, eu sei disso. — Respondi. — Mas para quê tudo isso?

– Vamos fazer do mundo um lugar melhor. — Ele parecia furioso.

– Destruindo os Feiticeiros da Luz? — Explodi. — E colocando os Feiticeiros com benção da Lua no lugar? Isso é patético, é o cúmulo da ignorância! Matar uns para salvar outros? Que ridículo! Você vai matar alguém também? Porque é o que...

– Não diga isso! — Josh gritou. — Nunca mais diga isso! Você me conhece e sabe que eu...

– Eu não sei mais se te conheço. — Cuspi as palavras.

– Você me conhece sim, Anne. — Ele parecia desesperado.

– Josh. — Falei, com calma. — Eu preciso que você me tire daqui.

– Eu sinto muito, Anne. — Ele se recompôs. — Eu não posso fazer isso.

– Josh. — Senti meu coração ficar pequeno. — Sinto muito.

– Pelo quê? — Ele estudou meu rosto.

– Por isso.

Minhas mãos assumiram um habitual brilho prateado. Fechei-as em punho e as algemas derreteram. Puxei uma sombra usando as mãos, obscurecendo o lugar. Josh gritou.

– Com medo de escuro? — Perguntei, para logo pular para a direita. Eu conseguia ver no escuro perfeitamente.

– Não precisa pular, eu consigo te ver. — Respondeu ele, causando um arrepio em minhas costas.

– Como? — Perguntei, estática.

– Meu pai. — Disse ele. — Meu pai é Hanker. O senhor da morte. Isso é um codinome tosco só por ele ser imortal, mas sim.

Meus joelhos tremeram.

– Você... você é filho do meu padrasto? — Foi a única coisa que me ocorreu dizer.

– Loucura, né? — Sorriu ele. — Sou um Feiticeiro das Trevas. Assim como você.

Pisquei com a surpresa.

– Aí que você se engana. — Sorri. — O nome do meu pai é Raffael. Eu sou meio Feiticeira da Luz.

Dei dois passos para trás e me fundi nas sombras. Corri pela cela, tocando nas paredes. Aonde eu tocava criava pequenos pontos de luz. Quando parei, vi o que havia feito. Os pequenos pontos brilhavam como estrelas em uma noite escura, cada vez mais cegantes.

– Desculpe Josh. — Pedi.

A parede esquerda explodiu. A da direita explodiu também. Eu criei uma corrente d'água que protegeu a mim como uma espécie de segunda pele. Me dei conta do que iria acontecer naquele momento. Provavelmente o teto também explodiria, quebrando o crânio de Josh.

Mordendo o lábio inferior, pisei no piso, e a água, cada vez mais densa, encontrou Josh, no canto oposto, e tapei-o com a segunda pele d'água. Na hora certa. O teto ruiu, e um pedaço enorme teria me esmagado, mas ele se quebrou assim que passou por minha cabeça. Logo, a cela inteira tinha explodido, me jogando contra um tronco de árvore. Meu cérebro deu um pulo. Eu estava tonta, mas corri à toda, floresta afora, escapando do meu próprio Reino. Minha cabeça girava e girava. Comecei a ver pontos brilhantes na minha visão. Tropecei em um tronco.

Caí em um riacho e desmaiei.

Soltei uma baforada de ar. Meu corpo tremia, e eu estava em uma posição desconfortável, bem no meio da floresta, e eu sentia minhas costas doerem. Me levantei e tentei andar. Ainda era escuro, o que sugeria que não havia muito tempo que eu estava ali. Logo os guardas iriam me procurar, depois de cuidar do "príncipe das Trevas". Argh.

– Por que raios eu voltei aqui? — Resmunguei. — Eu sou a princesa, não Josh. Josh é o filho do meu padrasto, não tem nem o sangue Watern! Eutenho. Porque eu sou a futura rainha. Onde está minha mãe que concordou com essa droga? E Ed? Isso não pode estar acontecendo comigo! Humpf.

Saí andando, os braços cruzados e olhos selvagens. Eu estava com sede. Apurei os ouvidos e fechei os olhos, tentando ouvir uma corrente d'água. O palácio das Trevas ficava escondido em uma cachoeira, portanto deveria ter uma nascente por perto. Então, confirmando minha tese, ouvi água batendo nas pedras. Corri para sul, puxando o vestido mais para cima.

– Droga! — Gritei. O caminho parava em um penhasco. O rio estava quatro metros abaixo da pedra onde eu estava. — Mas que bosta! Como é que eu vou...

– Use seus poderes, talvez. — Disse uma voz. Me virei e vi um garoto loiro, olhos mel de uma cor dourada e pele bronzeada atrás de mim. — Anne, não é? Meu nome é Sam, feiticeiro.

– Pouco importa seu nome, por que conhece o meu? — Perguntei, cruzando os braços.

– Uou, a princesa é grossa. — Ele sorriu.

– E sabe dar chutes muito bem. — Continuei, o olhando, em desafio. Ele ergueu os braços como um "tudo bem, desisto". — Responda.

– Sei porque... bem, você é a filha de Raffael, não é? — Ele disse.

– Sou. — Respondi, impaciente.

– Ele está te procurando. — Contou ele. O fitei.

– Como sabe disso?

– Todos sabem. — Sam continuou. — Ele mandou até um "grupo de resgate".

Meu coração deu um salto.

– Um grupo de resgate? — Perguntei, quase gritando. — Quem?

– Não sei. — Ele deu de ombros. — Não os vi.

– Sabe pra que lado eles podem ter ido? — Implorei.

– Eu não sou guia turístico. — Ele retrucou. Lancei a ele meu olhar assassino. — Você precisa de um banho.

– Eu? — Gritei. — Eu acabei de voltar de uma cela, no meu próprio palácio, onde fui mantida presa pelo meu melhor amigo, sendo que eu nem deveria ter voltado ao Castelo das Trevas e sim ter ido direto ao da Luz. E antes que pergunte de onde eu vim, eu respondo: de 1200 anos atrás, onde conheci os tão famosos bruxos, e quase morri lá! Estou sendo alvejada pela morte de todos os cantos! E agora você vem me dizer que preciso de um banho, sendo que não alcanço nem o rio, e meu namorado está possivelmente preso em algum lugar? Vá. Tomar. Banho. Você.

– Pra isso, podemos dizer que você não está pensando direito. — Ele disse, como se eu fosse entender. — Use seus poderes, Anne. Sei que você consegue.

Eu dei um passo para trás.

– Você está agindo como o meu pai. — Notei. Ele fez uma expressão de confusão, me fitando, para então dar de ombros.

– Com certeza não sou seu pai. — Ele concluiu.

– Sinto uma vontade imensa de enfiar meu pé você sabe aonde. — Sorri ingenuamente. Sam começou a rir.

– Pelo amor dos mortais, nossa, você é muito teimosa, menina! — Exclamou ele.

– Amor dos...? Ah, deixa pra lá. — Resmunguei. — Você sabe como eu vou usar meus poderes, gênio?

– Seja inteligente, faça a água flutuar. — Ele disse revirando os olhos, e eu franzi a testa.

– Como?

– Ai, eu vou ter um ataque. Você não sabe usar seus poderes? — Ele gritou, exasperado, erguendo os braços.

– Bem... eu sei, mas não neste caso. — Sim, eu dei uma desculpa. E bem esfarrapada.

– Ah, vamos lá. Passo um. — Ele disse. — Você vai...

– Espera. — O interrompi. — Você por acaso é professor? Domina a água?

– Não. — Sam deu um sorriso. — Água não é comigo. Meu negócio é fogo.

– Mostra. — Exigi. Sam fez uma cara diabólica. Ele estendeu as mãos e duas brilhantes bolas de fogo surgiram. Seus olhos tiveram um brilho vermelho e seu cabelo começou a se mover sem o vento tocá-lo. Ok, isso era, no mínimo interessante.

– Mostre o seu poder, feiticeira. — Ele disse.

Apertei os olhos e invoquei a água. A infinita água, do mar, dos lagos, do rio abaixo de mim. A água, que todos precisam para viver. Não sei como, mas a pressão da água começou a pegar força, e o vento a varrer meus cabelos e revirar as folhas das árvores. Pensei nas bolhas d'água que se formam quando você mergulha e as ergui com o vento. Sam deu um risinho e percebi o que eu havia feito. Bolhas de água, flutuavam no ar, rumo as nuvens. Me encantei. Com um sorriso, percebi o sol começar a nascer. O céu se coloriu rápido, e as cores rosa e laranja o preencheram.

– Isso é lindo! — Exclamei. Os primeiros raios de sol despontaram do horizonte, dando luz às bolhas d'água. Quando a última bolha subiu no ar, um trovão soou. Acho que iria ocorrer uma chuva dali a pouco.

– Pra onde você vai? — Perguntou Sam, tirando minha atenção do céu.

– Reino da Luz. — Respondi.

– Se esconder atrás do papai? — Sam brincou.

– Não. — Minha voz estava firme. — Organizar um plano de guerra e salvar Ed e Miranda do controle de Hanker.

– E quanto à Lua? — Indagou Sam.

– Como sabe disso? — Repliquei.

– Não é mais segredo em nenhum lugar. — Sam disse. Eu dei de ombros.

– Eu não confio em você o suficiente para dizer, mas digo mesmo assim. Parte do motivo para que eu vou voltar lá é meu pai saber algum tipo de feitiço para tirar Luna de mim. — Contei. Um brilho surgiu nos olhos de Sam, mas logo se apagou.

– Ele sabe? — Repetiu ele. — Isso é impossível, nem mesmo o próprio oráculo sabe.

– Não tenho a mínima ideia de do que você está falando, e sinceramente, eu só preciso que me leve até lá. — Eu o fitei, piscando os olhos e dando meu melhor sorriso doce, o que foi um desafio e tanto. — Você pode me levar até lá?

– Claro, princesa. — Ele fez uma reverência. — Será uma honra.

Notas finais
Sou muito má em parar o capítulo agora? Heuheuehueheueh estou me sentindo mto má hj! O próximo é do Josh! Alguém aí quer descobrir o que aconteceu com a Sophie? E o pq do Josh se tornar "mau"? Só no próximo, que já está escrito pela metade, ok? Bjos!