Mistérios Ocultos
14 Continuação do Capítulo 13
Notas iniciais
Seus olhos estavam opacos, porém eu poderia ver pela primeira vez um brilho neles. Finalmente uma estrela para iluminar aquela noite fria e sombria que seu olhar sustentava.
- Refresque. – sussurrei com a voz trêmula, arrependida de ter feito o que quer que fosse com Patch.
O que quer que fosse? Não seja cínica, Nora, você transou com ele e isso é óbvio. – Pensei amarga.
- Bom, — ele começou, sorrindo. – primeiro você invadiu minha casa. Escutei seus ruídos e fui rendê-la, achando que era um ladrão. Você me disse que estava aqui para descobrir algo sobre mim, e eu disse que se você quisesse, eu te contava. Então eu contei. – enquanto ele falava, a sequência de imagens passava na minha cabeça. – Te contei de onde eu vinha, aonde eu estudei, me formei, que eu já fui professor antes... Te revelei tudo, Nora. Então conversa vai, conversa vem, e você começou a dar em cima de mim quando eu me levantei para pegar um copo de água. Então aconteceu.
Senti meu corpo formigar e estremecer quando eu comecei a me lembrar do que Patch acabara de descrever. Mesmo assim, as memórias estavam picadas, como se fossem um DVD arranhado. Menos a parte do sexo.
Dessa parte eu lembrava perfeitamente. Maldição.
Senti minha cabeça doer quando eu me esforçava para me lembrar de uma forma mais focada. Porém nada acontecia. Patch sorria maligno.
- Seja o que for que tenha acontecido, — murmurei, sentindo minha voz envolta de vergonha e desprezo por eu ter aceitado que ele me tocasse. – eu nunca vou me perdoar por isso. E nunca vou te perdoar também.
Aquele brilho que os olhos de Patch carregavam sumiu, e um tom opaco, coberto de ira e aspereza, voltou ao seu olhar, fazendo com que eu ficasse com medo. Porém eu não demonstrei.
Ele saiu da cama em um pulo, pegou uma cueca boxer, uma calça e a vestiu, de costas para mim. Então se virou para me encarar, com a expressão irônica e sexy que ele sempre tinha. De algum modo eu sabia que aquela face era só um escudo para proteger o que tinha dentro dele.
Ele pegou meu celular na escrivaninha e jogou em cima de mim.
- Acho que tem pessoas desesperadas atrás de você. – ele disse indiferente, enquanto procurava uma camisa no seu guarda roupa e seus ombros másculos se mexiam a cada movimento.
Eu sei que pode parecer loucura, mas eu tinha certeza que se ele tentasse me levar para a cama de novo, ele conseguiria. Eu preciso parar de ser tão fraca.
Encarei a tela do celular e vi quinze chamadas perdidas. Cinco da minha mãe e dez da Vee. Afundei a cabeça no travesseiro e inalei fundo o cheiro de menta que estava impregnado na cama, tentando não pensar no assassinato que Vee e Blythe irão cometer quando me virem.
- Levante-se e se vista. – ele ordenou, jogando minhas roupas em cima de mim. – Estou te levando para a casa.
- O que? – gritei histérica, jogando minhas roupas de lado e ignorando como ele estava grosseiro comigo. – Você não pode me levar na minha casa. O que eu direi para minha mãe quando ela me vir com você?
Ele se recostou no batente da porta tranquilamente, com um sorriso de canto. Ele pouco se importava com o que minha mãe iria fazer, sua expressão dizia isso claramente. E pelo jeito que ele estava agindo comigo, frio e sem sentimentos, provavelmente eu era apenas um dos milhares de transtornos que ele levou para cama.
Maravilha, eu perdi minha virgindade com um verdadeiro cafajeste.
- Isso não é problema meu, anjo. – ele disse. – Quero você na minha moto dentro de quinze minutos.
E saiu.
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