Mistérios Ocultos
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Sentei na minha carteira acanhada e Vee deslizou do meu lado. Patch ficou encarando os alunos por um instante, em completo silêncio. Aquilo era medonho, e ele provavelmente fazia para intimidar as pessoas.
Pelo menos eu já estava me sentindo bastante intimidada.
- Então, pessoal – ele finalmente disse, proferindo as palavras lentamente. – hoje nós vamos ter aula de anatomia. Para ser mais exato, vamos estudar o sistema muscular.
Apoiei minha cabeça em minhas mãos na carteira e dei graças a Deus por ele começar a aula sem dar espaço para os alunos falarem. Algumas pessoas me olhavam feio, mas o único olhar que me deixava verdadeiramente envergonhada era o de Patch.
- Sabe o que eu mais gosto nas aulas de sistema muscular? – ele perguntou, olhando para os alunos, que nem ousavam responder a pergunta. – Eu sempre posso ter um voluntário para vir aqui na frente e tornar as coisas mais... Interessantes.
Senti meu corpo enrijecer com a menção de um voluntário. Sua voz saíra tão provocadora, que eu senti que aquelas palavras foram dirigidas especialmente para mim. Encolhi na minha carteira e tentei não fazer contato visual.
Não olhe diretamente para ele, não olhe diretamente para ele...
- Nora! – ele exclamou meu nome de forma irônica, coçando o queixo. – Que bom que você se ofereceu para vir aqui na frente. Sempre tão prestativa.
Senti as palmas das minhas mãos suarem e ficarem geladas, enquanto eu sentia os olhares da turma em cima de mim. Alguns escondiam risadinhas.
Filho da mãe, pensei, querendo dar um soco nele e quebrar seu nariz perfeito.
- Eu acho que eu não disse isso, professor Cipriano. – tentei soar polida, mas a minha voz saiu trêmula e assustada. Se eu fosse ficar na frente de toda a sala, consideravelmente próxima de Patch, eu provavelmente faria uma besteira. E eu não queria ficar perto dele, depois de ter escutado sua voz na minha mente. Aquilo foi um sinal suficiente para ficar longe do perigo.
Ótimo, agora eu era Nora Grey, a jornalista enxerida, vadia e assustada. Mais alguma observação?
- Ah, não? – ele caminhou até mim, colocando as mãos na minha carteira e se inclinando até ficar próximo do meu rosto. – Se você não quer ser reprovada em biologia, sugiro que vá até lá na frente e seja boazinha. – sussurrou. Aquele professor era cheio de ameaças na manga.
Perfeita forma de descobrir isso, Nora.
Os alunos começaram a cochichar, provavelmente se coçando de curiosidade para saber o que Patch havia sussurrado para mim. Depois eu era a abelhuda da história.
Empurrei a carteira com violência, empurrando Patch para trás, que parecia surpreso. Pisei duro até o meio da sala, cruzei os braços e fiquei parada como uma estátua.
Patch gargalhou descaradamente, enquanto andava até ficar atrás de mim. Isso não era nada bom. Se ele me tocasse de forma insinuante, a primeira coisa que eu faria era o denunciar por assédio. Mas como os malditos rumores da escola falavam que nós estávamos juntos, seria difícil Patch não conseguir testemunhas para provar o contrário e que eu consentia com o ato.
Parece maluco, mas não é. E de certa forma, uma pequena parte de mim realmente consentia e correspondia com o que ele fizera comigo ontem e o que eu sinto que vai fazer hoje.
Como eu sou estúpida...
- Então, — ele me rodeou da mesma forma que fizera ontem. Maldição, ele estava pronto para o ataque. – vamos ver se vocês estão sabendo sobre o assunto. Vamos comentar sobre os principais grupos musculares.
A sala toda encarava Patch, com os olhos bem abertos, absorvendo tudo o que ele falava. Agora sim eu tinha noção do magnetismo que ele tinha.
- Aqui, — ele disse, pegando meu rosto ainda por trás e passando a mão no meu cabelo. – é a cabeça. Obviamente.
Seus dedos desceram até o meu pescoço, fazendo uma delicada pressão por onde eles caminhavam. Tentei parecer o mais natural possível.
- O pescoço. – ele continuou. Suas mãos desceram até o meio dos meus seios. Pude sentir que ele sorria por dentro. – O tórax.
Ele havia dito, mas sussurrando no meu ouvido. Senti meu corpo amolecer e querer uma proximidade maior do dele. Maldição, maldição, maldição...
Ninguém parecia se incomodar comigo na frente da sala, ao ponto de ser apalpada pelo próprio professor – sexy e perigoso –. Na verdade, eles prestavam uma atenção tão grande nas suas palavras, no movimento dos seus lábios, que nada mais importava para eles.
Suas mãos desceram mais no meu corpo, passando pela minha cintura e agarrando minha barriga, me fazendo cambalear para trás e quase tocar nossos corpos.
Por que ninguém para ele?! Choraminguei em pensamento.
- Aqui fica o abdômen. Muito bem definido, por sinal. – ele deu uma risada maliciosa, enquanto sua boca permanecia próxima da minha orelha.
- Patch, — sussurrei, girando minha cabeça um pouco. – Eu não estou me sentindo muito bem.
- O que você tem? Calafrios? – ele sussurrou de volta, apertando meu abdômen.
- Dor de cabeça. – a desculpa mais fajuta que uma pessoa poderia dar. Ele soltou minha barriga.
- Tudo bem. Você pode ir até a enfermaria e tomar um remédio. – ele disse sereno e parecendo bonzinho. Fiz menção de ir até a minha carteira pegar meus materiais, mas ele segurou meu pulso. – Mas antes, eu vou acabar a minha aulinha de anatomia muscular no seu corpo.
Segurei o impulso de dar um tapa na sua cara e me limitei à ranger os dentes.
Ele me puxou até eu voltar para a posição que eu estava. Ótimo, voltamos à estaca zero.
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