Notas iniciais
aos leitores que estao acompanhando a fic, muuuuuuito obrigada mesmo *-* estou muito feliz com os comentários positivos s2 comentem depois de ler, ok? beijao pra vcs s2

Senti um nó se formando na minha garganta, tampando a entrada de oxigênio nos meus pulmões por alguns segundos. Eu havia escutado sua voz, aquele timbre rouco e sexy, ecoando na minha cabeça e tentando me persuadir, me provocar.

- Isso não está certo. – cambaleei para trás, esbarrando em uma menina morena que olhou zangada para mim e desatou a me xingar.

Patch deu uma risadinha, achando graça de tudo.

Ele me encarava com um sorriso zombeteiro. Seus olhos ásperos e duros com a noite transmitiam à mim que ele estava se divertindo horrores. Ele tinha a perfeita noção do que tinha feito. Aquela coisa de sussurrar na minha cabeça. De algum modo, ele se comunicara comigo mentalmente, e para mim isso era um fato incontestável.

Será que era isso que o diabo fazia para levar as pessoas para o mau caminho?

Não, eu não estou ficando louca.

- Você parece perturbada, senhorita Grey. – ele disse, me rodeando. Como se ele fosse o caçador, e eu a presa pronta para ser estraçalhada. Como um tigre cercando um pobre antílope.

Idiota, eu sei, mas no momento que a imagem de Patch me rasgando com os dentes surgiu na minha cabeça, essa foi a melhor comparação que eu encontrei.

Me sinto uma depravada por sentir excitada por isso.

- Perdida em seus pensamentos? – ele me puxou, ficando em uma proximidade que eu havia classificado como perigosa o bastante para me fazer cometer uma loucura.

Eu já estava embriagada de confusão, não precisava de mais emoções na noite.

- Eu tenho que ir. – o empurrei de novo e saí pela porta da frente. Não antes de me virar e ver ele acompanhando meus passos.

Aquele sorriso encantador e assustador nunca saia dos seus lábios.

Corri até o meu carro abraçando meus braços e deslizei no assento. Eu sou uma idiota. Daquelas bem grandes. Ficar se esfregando no professor na frente de vários jovens, sendo que a grande maioria era da minha escola? Nada legal. Apenas uma vadia faria isso.

Passei a mão no rosto, rezando para que amanhã as pessoas não se lembrassem disso. Eu acredito em milagres!

Agora eu iria para a minha casa, sem fazer nenhuma pergunta para Patch e ainda por cima iria bater a minha cabeça na parede diversas vezes, para que as memórias da mão dele correndo sorrateiramente pelo meu corpo desaparecesse.

Essa iria ser a ótima noite de Nora Grey, senhoras e senhores.

**

Entrei na escola, e a primeira coisa que senti foram os olhares me queimando pelas costas. Ninguém ousava me olhar na cara, e quando olhavam, se tratavam de desviar o olhar rapidamente.

Todos tinham medo da Nora Grey, a jornalista que além de expor a vida de alguns alunos no jornal – quase fui expulsa por isso -, era uma devassa que gostava de fazer aulas práticas de reprodução animal com o novo professor de biologia.

Tinha certeza que todos estavam pensando exatamente nisso, nesse exato momento. Como se rumores sobre mim já não fosse chatos o bastante.

Andei com o queixo empinado pelos corredores, quando senti a mão contendo as unhas perfeitamente pintadas da Vee me puxando e arrastando até o banheiro. Ela expulsou todas as alunas que arrumavam o cabelo no espelho de lá e fechou a porta com um chute. Ela parecia uma mistura de Jackie Chan com Vin Diesel, me encarando com aquele olhar mortífero.

- Quando eu te dizia para arranjar um homem, não quis dizer “se esfregue no professor de biologia”. – Vee me sacudiu pelos ombros, me deixando zonza por alguns instantes. – Todos na escola estão falando de você, e tem uma legião de meninas querendo te estrangular.

Ótimo, agora sou odiada por todos, por culpa daquele maldito Patch. Rangi meus dentes de ódio daquele cretino.

O pior de tudo era que eu havia gostado. Gostado do toque das suas mãos e do calor do seu corpo. Eu estava caindo no feitiço dele.

Mas eu ainda poderia escapar.

- Vee, não foi minha culpa. – eu disse, tentando resgatar o resquício da minha paciência com ela, que andava de um lado para o outro, preocupada com o meu status social na escola.

- Olha, eu sei que você deve ter curtido com ele, que o Patch é um gostoso com cara de malvado, mas não foi nada legal, Nora.

- Eu só dancei com ele, Vee. – explique, com o tom de voz mais sereno que eu conseguia.

- Você se esfregou nele. – ela ergueu uma sobrancelha desconfiada. – Mas eu te entendo. Eu faria o mesmo.

Na verdade, Vee foi modesta. Ela faria pior. Bem pior. Ela assustaria Patch.

O sinal bateu, fazendo com que ela abrisse a porta do banheiro e gritasse para que a seguisse. Corri atrás dela, antes que o professor chegasse a sala.

Para a minha infelicidade, era aula de biologia. Patch já estava sentado em cima de uma mesa, encarando eu e Vee entrando. Todos os alunos já estavam sentados e em silêncio.

Quando eu sentei, seus olhos negros e frios vieram de encontro ao meio, e um sorriso sombrio surgiu em seu rosto.

Isso não ia prestar...