Mistérios Ocultos
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Senti um nó se formando na minha garganta, tampando a entrada de oxigênio nos meus pulmões por alguns segundos. Eu havia escutado sua voz, aquele timbre rouco e sexy, ecoando na minha cabeça e tentando me persuadir, me provocar.
- Isso não está certo. – cambaleei para trás, esbarrando em uma menina morena que olhou zangada para mim e desatou a me xingar.
Patch deu uma risadinha, achando graça de tudo.
Ele me encarava com um sorriso zombeteiro. Seus olhos ásperos e duros com a noite transmitiam à mim que ele estava se divertindo horrores. Ele tinha a perfeita noção do que tinha feito. Aquela coisa de sussurrar na minha cabeça. De algum modo, ele se comunicara comigo mentalmente, e para mim isso era um fato incontestável.
Será que era isso que o diabo fazia para levar as pessoas para o mau caminho?
Não, eu não estou ficando louca.
- Você parece perturbada, senhorita Grey. – ele disse, me rodeando. Como se ele fosse o caçador, e eu a presa pronta para ser estraçalhada. Como um tigre cercando um pobre antílope.
Idiota, eu sei, mas no momento que a imagem de Patch me rasgando com os dentes surgiu na minha cabeça, essa foi a melhor comparação que eu encontrei.
Me sinto uma depravada por sentir excitada por isso.
- Perdida em seus pensamentos? – ele me puxou, ficando em uma proximidade que eu havia classificado como perigosa o bastante para me fazer cometer uma loucura.
Eu já estava embriagada de confusão, não precisava de mais emoções na noite.
- Eu tenho que ir. – o empurrei de novo e saí pela porta da frente. Não antes de me virar e ver ele acompanhando meus passos.
Aquele sorriso encantador e assustador nunca saia dos seus lábios.
Corri até o meu carro abraçando meus braços e deslizei no assento. Eu sou uma idiota. Daquelas bem grandes. Ficar se esfregando no professor na frente de vários jovens, sendo que a grande maioria era da minha escola? Nada legal. Apenas uma vadia faria isso.
Passei a mão no rosto, rezando para que amanhã as pessoas não se lembrassem disso. Eu acredito em milagres!
Agora eu iria para a minha casa, sem fazer nenhuma pergunta para Patch e ainda por cima iria bater a minha cabeça na parede diversas vezes, para que as memórias da mão dele correndo sorrateiramente pelo meu corpo desaparecesse.
Essa iria ser a ótima noite de Nora Grey, senhoras e senhores.
**
Entrei na escola, e a primeira coisa que senti foram os olhares me queimando pelas costas. Ninguém ousava me olhar na cara, e quando olhavam, se tratavam de desviar o olhar rapidamente.
Todos tinham medo da Nora Grey, a jornalista que além de expor a vida de alguns alunos no jornal – quase fui expulsa por isso -, era uma devassa que gostava de fazer aulas práticas de reprodução animal com o novo professor de biologia.
Tinha certeza que todos estavam pensando exatamente nisso, nesse exato momento. Como se rumores sobre mim já não fosse chatos o bastante.
Andei com o queixo empinado pelos corredores, quando senti a mão contendo as unhas perfeitamente pintadas da Vee me puxando e arrastando até o banheiro. Ela expulsou todas as alunas que arrumavam o cabelo no espelho de lá e fechou a porta com um chute. Ela parecia uma mistura de Jackie Chan com Vin Diesel, me encarando com aquele olhar mortífero.
- Quando eu te dizia para arranjar um homem, não quis dizer “se esfregue no professor de biologia”. – Vee me sacudiu pelos ombros, me deixando zonza por alguns instantes. – Todos na escola estão falando de você, e tem uma legião de meninas querendo te estrangular.
Ótimo, agora sou odiada por todos, por culpa daquele maldito Patch. Rangi meus dentes de ódio daquele cretino.
O pior de tudo era que eu havia gostado. Gostado do toque das suas mãos e do calor do seu corpo. Eu estava caindo no feitiço dele.
Mas eu ainda poderia escapar.
- Vee, não foi minha culpa. – eu disse, tentando resgatar o resquício da minha paciência com ela, que andava de um lado para o outro, preocupada com o meu status social na escola.
- Olha, eu sei que você deve ter curtido com ele, que o Patch é um gostoso com cara de malvado, mas não foi nada legal, Nora.
- Eu só dancei com ele, Vee. – explique, com o tom de voz mais sereno que eu conseguia.
- Você se esfregou nele. – ela ergueu uma sobrancelha desconfiada. – Mas eu te entendo. Eu faria o mesmo.
Na verdade, Vee foi modesta. Ela faria pior. Bem pior. Ela assustaria Patch.
O sinal bateu, fazendo com que ela abrisse a porta do banheiro e gritasse para que a seguisse. Corri atrás dela, antes que o professor chegasse a sala.
Para a minha infelicidade, era aula de biologia. Patch já estava sentado em cima de uma mesa, encarando eu e Vee entrando. Todos os alunos já estavam sentados e em silêncio.
Quando eu sentei, seus olhos negros e frios vieram de encontro ao meio, e um sorriso sombrio surgiu em seu rosto.
Isso não ia prestar...
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