Mistérios Ocultos
32 Capítulo 30
Notas iniciais
Ele soltou meu corpo e começou a andar pelo quarto irrequieto e aparentando estar perturbado. Eu não conseguia desvendar o que passava na mente dele, eu nunca conseguiria. Aqueles olhos, que transmitiam tudo e ao mesmo tempo, nada, eram insanos e sábios, simultaneamente. Era loucura.
Mordi os lábios com força, que ainda carregavam o gosto de Patch, e esfreguei a testa. Eram tantas coisas se passando na minha cabeça, eu tinha tanto o que fazer, tanto a explicar para minha mãe, para Vee...
Elas devem estar enlouquecendo juntas neste momento. E só conseguia preocupar com Patch e meu futuro. Bela vadiazinha egoísta eu era.
Patch parou de olhar, me encarando, parecendo resignado.
Suspirei.
Era agora.
- Eu sei o que faremos.. — seus olhos brilhavam intensamente. E então, sem mais nem menos, me puxou para um beijo.Ótima solução, querido. Deixei que sua língua exigente me invadisse e explorasse, tirando meu fôlego quase que por completo, enquanto suas mãos acariciavam minhas costas. Ele quebrou o beijos, com uma expressão arrependida, e começou a distribuir beijos desesperados ao longo do meu pescoço. — Me perdoe.
- O que você...
Senti o calor se esvaindo do meu corpo lentamente, fazendo com que minha cabeça rodopiasse. Meus olhos se fecharam e eu senti seus braços me segurando em um abraço forte. A última coisa que eu ouvi fora um sofrido e embargado eu te amo.
Eu te amo...
.....
Dias depois... Ou será antes?
Eu odiava professores substitutos. Inexperiência e falta de moral eram as palavras que os definiam. Simplesmente insuportável. Biologia com o técnico não era lá grandes coisas, mas com o tal substituto, poderia ser levemente pior.
Minha sorte era que hoje eu não teria aula com o tal, apesar de que Vee estava insuportável e ansiosa para conhecê-lo. Já eu... Bom, eu não ligava tanto.
No momento, eu caminhava em direção a sala do diretor. Ele mandara me chamar, para discutir alguns assuntos de reportagem no eZine. Eu iria, no mínimo, levar um sermão. Provavelmente por alguma besteira que eu escrevi.
Girei a maçaneta de sua sala, quando percebi que ela já estava girando sozinha. Provavelmente alguém saindo do lugar. Quando a porta se abriu, meu queixo se recusou a cair. Um homem alto, esguio como um leopardo, com um sorriso ferino, me encarava. Seus olhos negros e opacos eram intrigantes.
- Veio se encontrar com o diretor? — ele perguntou, arqueando uma de suas sobrancelhas.
- Sim. — dei de ombros.
- Você é a tal esquentadinha do jornal? — indagou com um leve tom de superioridade.
Minha testa vincou na hora. Ok, eu estava começando a criar uma certa antipatia por ele.
- E você? Quem é? — ataquei seca.
- Patch Cipriano. Novo professor de biologia.
- O tal professor substituto? — ironizei. — Ótimo.
- Sim. Esse mesmo. — ele saiu da sala, andando pelo corredor confiante, enquanto eu acompanhava seu andar com os olhos.
De repente, ele parou. E girou seus calcanhares.
- Boa sorte na minha aula. — ele disse. — Você vai precisar.
Impressão minha ou aquilo era um maldito desafio?
Antes que eu respondesse à altura, ele voltou a caminhar, entrando na sala de biologia.
Antes de entrar na sala do diretor, me peguei pensando...
Eu iria odiá-lo.
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