Mistérios Ocultos

31 Capítulo 29


Notas iniciais
*-*

Meu corpo estava deitado em uma superfície macia e aconchegante. Um cobertor felpudo cobria meu corpo e eu podia perceber que meus pés estavam revestidos por meias. Esfreguei meu rosto levemente no travesseiro, com os olhos ainda fechados, e aspirei um perfume delicioso, amadeirado e másculo, juntamente com um leve odor de hortelã.

Patch.

Abri os olhos assustada e empurrei as cobertas para longe, me sentindo intoxicada pelo seu maldito cheiro, que se entranhava cada vez mais na minha pele. Era uma tortura.

Respirei fundo e olhei para o lado. Patch estava sentado em uma poltrona, me olhando fixamente. Seus olhos negros pareciam mais duros e ásperos do que nunca. Suas grandes pernas estavam esticadas, tentando transmitir um ar relaxado, porém seus músculos estavam retesados, provando assim que ele estava mais tenso que eu.

Ele respirou fundo e começou:

- Anjo, — ele pensou um pouco e continuou. — eu nunca machucaria você. Nunca tocaria em um fio de cabelo sequer.

- Seu mentiroso. — vociferei. — Se você iria me matar, por que todo esse joguinho? Qual foi o objetivo desta droga toda? Me iludir? Você é algum tipo de psicopata? — atirei irritada, me levantando da cama e procurando meu sapato.

Patch se levantou e segurou meu pulso, igualmente irritado e parecendo frustrado.

- Se eu quisesse te matar, já o teria feito. — ele disse em um tom que parecia que aquilo era tão óbvio como um mais um é igual a dois. — Nora... — ele sussurrou, tocando minha bochecha de leve e descendo seus dedos até a base do meu pescoço, fazendo com que eu arrepiasse.

Eu queria ceder. Queria me jogar nos braços dele e dizer que tudo ficaria bem. Mas não ficaria. Ele não iria me sacrificar, porém precisava de um corpo, precisava de sentir.

- Por favor, — sussurrei com a voz trêmula. — Não faça esses joguinhos. Não me seduza. Não o faça de novo.

Patch me ignorou completamente, puxando a barra da minha blusa e colando nossos corpos. Senti um arrepio na espinha e um frio na barriga, sendo que ele mal havia me tocado. Não queria que ele percebesse.

Mas ele percebeu. Ele sabia o efeito arrasador que tinha sobre mim, e isso era tão irritante.

Então ele sorriu. Um sorriso perfeito. Daqueles que fazem você querer congelar o momento e guardar em um cofre, para que só você possa ter acesso.

- Eu não quero te deixar, Nora. — Patch me abraçou, descansando a cabeça na curva do meu pescoço. Joguei meus braços em cima dele e emaranhei meus dedos nos cabelos negros e macios que ele tinha.

- Vá embora, Patch. É o melhor que você faz. — respondi, sentindo as lágrimas arderem atrás dos meus olhos, prontas para sair. — Do que vai adiantar você ficar aqui? Uma hora você não terá prazeres físicos. Eu ficarei velha e você continuará novo. — minha voz ficava cada vez mais embargada. Parecia que a minha garganta se fechava e o ar escapava dos meus pulmões.

Não havia esperança para nós. Eu sabia disso. Patch também.