Mistérios Ocultos
30 Capítulo 28
Notas iniciais
Patch desferia mais e mais socos em Rixon. O rosto do anjo já se tornara machucado, mas ele não parecia se importar. Sorria, maléfico, enquanto a face de Patch se contorcia em puro ódio.
- Não... Adianta... Meu caro. — ele falava entre cada soco que levava. — Eu não sinto nenhuma dor. Enquanto você... Ah, você sente.
Quando acabara de falar, Rixon deu uma joelhada entre as pernas de Patch, atingindo seu ponto fraco e fazendo com que ele caísse de lado, urrando de dor.
- Tá ai uma das desvantagens de ser humano. Todo o seu ser torna-se fraco. Em todos os malditos aspectos. Certo, querida Nora?
O encarei com nojo, deixando que os meus olhos marejados não passassem despercebidos pelos seus olhos inquisidores e irônicos. Ele agora arrancaria minha vida diante do monstro que eu amava, tudo apenas para o seu bel prazer. Senti que um nó se formava em minha garganta. Mas eu não iria chorar.
Não adiantava.
Eu seria morta de um jeito ou de outro. Se Rixon não me matasse, Patch o faria com muito prazer.
As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Ele nunca me amara. Tudo foi apenas um joguinho de sedução. Pelo menos Rixon não me iludira, ele apenas fez a gentiliza de me mostrar meu destino marcado e fracassado.
Mesmo assim... Mesmo assim, eu preferia dar a minha vida para Patch do que para qualquer outro homem.
Droga, como você é estúpida, Nora., minha mente sussurrou mal humorada para mim.
- Rixon, — Patch sussurrou do outro lado da sala, parecia ter a voz cansada. Rolando os olhos, Rixon virou-se, com uma expressão entediada.
- Não se cansou até agora? — Rixon perguntou debochado. — Calma, amigo. Primeiro, a matarei. Depois será a sua vez. Tudo a seu tempo. Eu quero ver você assistir o sangue dela ser derramado no chão. O que um anjo tem que fazer para ter um pouquinho de diversão nesse lugar? — murmurou a última frase para si mesmo.
- Eu não queria fazê-lo. Não queria. Mas você me forçou a isso. — Patch arrancou uma pena do bolso, juntamente com um isqueiro. Rixon arregalou seus olhos imediatamente.
Mesmo com a fraca iluminação do galpão, pude perceber que a pena tinha uma tonalidade dourada. Era do mesmo tamanho que a pena negra que eu havia achado na casa de Patch. Porém a dele era obscura, enquanto a dourada parecia irradiar orgulho e arrogância no seu brilho.
Do outro lado da sua mão, Patch segurava um isqueiro aceso. Ele o segurava com força, como se tivesse segurando sua vida.
Rixon não se movia. Não respirava. Apenas encarava Patch estático.
- Como... Como você...
- Eu sempre a tive. — Patch interrompeu a gagueira do anjo. — Eu achei logo depois de cairmos juntos. Nunca te contei por medo de você, um dia, se voltar contra mim. Claro que foi apenas uma medida de precaução, eu nunca o vi como inimigo. Mas parece que as coisas mudam. Como água que se transforma em vinho. — Rixon escutava cuidadosamente as palavras do ex-amigo. Patch acendeu o isqueiro e o aproximou da pena.
Quando o fogo e a pena entraram em contato, já era tarde demais para Rixon. Ele tentou gritar, porém a pena entrou em combustão e desapareceu quase que instantaneamente.
Uma explosão de luz tomou conta do lugar, fazendo com que minhas retinas ardessem e os meus sentidos começassem a desvanecer. A última coisa que eu ouvi antes de cair em um profundo e delicioso sono fora a venenosa e inebriante voz de Patch, ecoando em meus ouvidos.
Nora, Nora, Nora....
Fale com o autor