Mistérios Ocultos
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Sua moto estava na velocidade máxima, enquanto dois carros pretos nos perseguiam. Patch correu até a rodovia, e conseguiu distrair os carros ao entrar em uma trilha na floresta ao lado da cidade. Ele dava várias voltar no lugar, provavelmente para não deixar rastros.
Ou porque ele gostava de andar de moto. Nunca se sabe.
Chegamos a uma cabana caindo aos pedaços e ele estacionou a moto em frente ao lugar. Ele pulou do assento e ficou andando de um lado para o outro, passando as mãos no cabelo negro freneticamente. Uma mania charmosa que demonstrava sua irritação.
Mas agora não era hora para pensar nesse tipo de coisa. Eu queria saber o que seria esses tais anjos caídos e nefilins. Minha cabeça estava confusa, zonza e eu me sentia mais desnorteada do que nunca.
- Por favor, não omita nada de mim. – sussurrei, fechando os olhos com força, rezando para que ele não tivesse uma explosão de raiva ali na minha frente.
Não escutei nenhuma resposta vinda dele. Abri os olhos e lá estava Patch, parado na minha frente. Seu olhar opaco parecia me absorver para dentro de sua mente obscura.
- Nem se eu quisesse poderia. – ele disse mais para si mesmo do que para mim, dando uma bufada de insatisfação. – Apagar sua mente de novo pode deixar seqüelas graves em seu cérebro. Ainda mais agora que sou meio humano e a precisão de entrar na sua cabeça diminuiu. Maldição, menina enxerida. Se nunca tivesse entrado no meu caminho, nada disso estaria acontecendo.
- O que?! – gritei, fazendo com que ele me encarasse surpreso. – Você me instigou no primeiro dia de aula, me ameaçou sem precisão, deu a entender que era perigoso. Que pessoa normal não ficaria curiosa? Me diz! – exclamei histérica.
Ele tentou esconder um sorriso, porém sem sucesso. E logo em seguida começou a gargalhar, colocando a mão em seu abdômen e se curvando de tanto rir.
- Ótimo. Qual é a graça? – a sua risada fazia minha irritação subir cada vez mais. Eu já estava prevendo a hora que eu iria pular em cima dele e o encher de socos.
Por que ele nunca me leva a sério.
- A graça... – ele andou até mim, me pegou pela cintura e me tirou da moto me elevando como se tivesse agarrando uma pena. Me colocou no chão, na sua frente. – A graça é que você está certa. Foi culpa minha. Eu fiz tudo isso. Fui arrogante. Eu estava entediado e queria alguém para brincar. Parabéns, Nora. Você está totalmente certa. – agora ele não ria mais, sua expressão era séria e sua boca fazia uma linha reta.
Minha cara caiu lá no chão. Patch admitindo um erro. Eu deveria ter uma câmera para gravar isso.
- Aqueles caras que estavam me perseguindo querem meu segredo. Eu me transformei em meio humano. – continuou, parecendo receoso. – Eu era um anjo caído. Daqueles com asinhas e tudo mais. Perdi minhas asas por fazer algumas besteiras que agora são irrelevantes. E quando vim para a Terra, meu corpo era como um espelho. Você podia me tocar, eu poderia te tocar. Você me sentiria, mas eu não. Quando eu descobri como virar meio humano e consegui, não só os anjos caídos vieram atrás de mim, mas os arcanjos também. A Terra é um castigo para os decaídos, não um playground. E é isso que eles querem deixar claro, quando me matarem.
Senti um nó se formando na minha garganta e o meu peito doendo. Era tudo tão surreal, mas eu via a sinceridade no olhar dele, que fez com que eu acreditasse em cada palavra que ele disse.
- Você está bem? – perguntou preocupado, colocando um cacho do meu cabelo atrás da minha orelha. Vacilei um pouco para trás. – Não fique com medo de mim.
- Não estou com medo. – respondi de imediato, balançando a cabeça freneticamente.
Ele sorriu e pegou meu rosto com as mãos.
- Por que você me encanta tanto, anjo? – ele sussurrou, fazendo minhas bochechas esquentarem e meu coração acelerar.
Que droga, você já transou com ele, não tem como sentir mais vergonha. Se controle.
Ele selou seus lábios aos meus, sua boca moldou a minha com calma e perfeição, e sua língua tocando a minha foi o paraíso. Suas mãos desceram até minha cintura e me colaram em seu corpo.
- Já que eu estou no meu momento honesto, não seria exagero eu dizer que me apaixonei por você. – ele disse, me fazendo perder a fala pela segunda vez hoje.
- Isso é bom. – gaguejei e ele riu. – Quer dizer, é ótimo.
- Você não precisa falar que me ama. – ele deu de ombros. – Eu sou um homem paciente.
Claro que é. Pensei, o puxando pela gola da camisa e o beijando de novo.
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