Mistérios Ocultos
16 Capítulo 15
Notas iniciais
A atmosfera da garagem se tornara altamente hostil. Patch deu um passo para trás a fim de entrar em casa e suas botas de cano médio fizeram um ruído irritante, quebrando o silêncio do lugar. Eu estava com medo. Aquele Francis não parecia amigável e provavelmente tinha uma enorme rixa com Patch.
- Se eu fosse você não entraria aí. – Francis disse entediado. – Você está cercado.
- Cercado? – Patch deu uma risada amarga. – Droga, você é o mesmo cara maçante e imprevisível de sempre. Achou mesmo que iria ser fácil assim? Você me cerca e tudo fica bem?
Francis pigarreou nervoso, porém sua expressão continuava séria e entediada como sempre. Ele tentava não demonstrar o que estava realmente sentindo por trás daquela face, mas Patch era o mestre em saber fazer a máscara dos outros cair.
Eu era a prova viva disso.
Patch andou até o homem lentamente, depois de me empurrar para trás. Ficou frente a frente de Francis, seus olhos pareciam calcular cada movimento que ele fazia. O jeito que Patch o encarou fora de um modo tão intenso, que eu cheguei a prender a respiração, esperando o que ele iria fazer.
- Você acha que eu tenho medo de você? – Francis perguntou arrogante, arqueando uma de suas sobrancelhas. – Agora você é um humano, Patch. Um simples e fraco humano. O que me diz disso?
Senti meu coração bater tão forte dentro de mim, que eu ouvia seu som adentrar meus ouvidos e envolver minha cabeça.
Agora você é humano, Patch. Então o que ele era antes?
- Deveria ter medo. – Patch respondeu solene. – Porque eu não sou apenas humano, velho amigo. – o som da sua voz saiu como um rosnado e suas mãos foram de encontro a cabeça do homem, a torcendo em um movimento tão rápido, que eu só tive uma reação quando vi o corpo de Francis estirado no chão, sem vida.
Levei as mãos a minha boca e abafei um grito de horror que estava preso em minha garganta.
- Não se preocupe, querida. – ele disse, se virando para mim e limpando as mãos em suas pernas. – Ele não está morto. Apenas imobilizado. Sabe o que isso significa? – ele sorriu docilmente. – Nunca subestime seu inimigo.
Ele pulou na moto e deu partida nela. Fiquei o encarando estupefata, ainda digerindo o fato de que ele tinha quebrado o pescoço de alguém e ainda falar que ele não está morto. Agora só falta uma legião de aliens invadir a Terra para as coisas ficarem mais malucas do que já estão.
- Estou escutando passos em direção a essa casa. Muitos. Então se eu fosse você escolheria rapidamente se quer montar na moto ou se deixar ser seqüestrada por um bando de anjos caídos. Eu não irei te salvar, anjo. – ele murmurou entediado.
Corri até a moto e pulei nela, e em poucos segundos Patch acelerou, fazendo com que eu desse um abraço de urso nele.
Quando saímos da garagem e Patch foi para as ruas, dois carros pretos estavam estacionados de frente à casa e homens enormes saiam de dentro dele.
- Malditos nefilins! – Patch rosnou quando os homens olharam para ele e correram para o carro.
A moto derrapou enquanto ele fazia a curva para a direção contrária. Quando olhei para trás, os carros, em alta velocidade, continuavam a se aproximar de nós.
Pela tensão que eu sentia emanar de Patch, nós estávamos ferrados.
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