Mistérios Ocultos
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Virei para trás lentamente, sentindo meu coração batendo rápido no meu peito, quase pulando para fora. Patch estava atrás de mim, encostado no batente da porta e só de boxer preta.
Meu Deus, nem para vestir uma calça antes de vir aqui.
Se o auto controle fugisse de mim agora, pular pela janela seria uma boa opção. Provavelmente eu teria que fazer isso, já que o sorriso nada amigável de Patch o deixava mais bonito.
Isso sem contar que o abdomen definido dele e seus ombros largos conseguiam me deixar sem fôlego. Eu estava enfeitiçada por ele.
- Invasão de privacidade. A mais nova façanha da Nora. – seu sorriso se alargou e ele saiu do batente para caminhar até mim. Ele estava irritado, seus olhos transmitiam isso perfeitamente.
Não que eu estivesse intimidada, mas não queria que o calor do meu corpo sumisse de novo. Ou que meus pensamentos fossem invadidos pela voz rouca e sexy que ele tinha.
- Isso não é uma façanha tão nova assim. – respondi petulante, mas com receio da aproximação dele. A cada um passo para frente que ele dava, eu caminhava para trás.
Até que eu esbarrei no guarda roupa e me senti como uma ratinha de laboratório encurralada.
- O que é isso na sua mão, hein, Nora? – ele perguntou, parecendo mais irritado ainda ao ver a pena negra na minha mão.
Me devolva! Entregue-a para mim, Nora! Sua voz gritou na minha mente, me fazendo tampar meus ouvidos com as minhas mãos e agachar, devido a dor que minha cabeça começara a sentir de repente.
- Pare de gritar, pare! – choraminguei gritando. Ele olhou para mim com a expressão dura e revirou os olhos. Senti os ruídos e a voz dele sumirem da minha cabeça.
Suspirei aliviada e desabei no chão, sentindo atordoada.
- O que foi, Nora? Aconteceu alguma coisa? Um barulhinho na sua cabeça? – indagou irônico, se agachando na minha frente e segurando meu queixo de forma rude. Segurei a pena negra com força, sabendo que essa era a única coisa que ele queria.
Se ela estivesse no meu poder, ele não poderia me machucar. E eu estava ciente de que ele não mediria esforços para isso.
- O que você é? – sussurrei.
- O que eu sou? – ele se levantou bruscamente, andando pelo quarto de um lado para o outro. – Primeiramente, sou um homem. Também sou professor de biologia. Sou bonito. Sou um apostador em poker. Sou solteiro. – piscou para mim, insinuante. – Ah, acho que é só isso.
Senti meu sangue ferver dentro de mim. Patch olhou para mim com seus olhos negros e opacos, e sorriu de canto.
- Seu cretino! – gritei, levantando e tendo um súbito ataque de força. Comecei a esmurrar seu peitoral, ainda segurando a pena negra. Claro que não me esqueci de que ele estava apenas de cueca e essa imagem provavelmente seria objeto dos meus sonhos mais perversos. Maldito Patch! — Me fale o que você é! Me fale agora! Eu sei que você esta tentando me fazer passar como louca, mas eu não sou!
Continuei gritando, até que ele segurou meus pulsos e me empurrou até o guarda roupa de forma nada gentil. Ele prendeu minhas mão acima da minha cabeça e me olhou nos olhos.
- Você quer a verdade, senhorita Grey? Eu posso te contar. Eu irei te dar duas opções: eu te conto e se você ficar muito atordoada, posso apagar sua memória. Ou, você pode se lembrar de tudo, porém não acreditar em mim.
- Já pensou que eu posso acreditar em você e não ficar atordoada? – vociferei, tentando sair do aperto de suas mãos.
- Você é uma criancinha muito corajosa, Nora. Mas lembre-se sempre que os corajosos são os impulsivos. E os impulsivos são aqueles que se entregam ao perigo. Esse tipo de gente nunca termina com um final feliz. – suas sobrancelhas se levantaram desafiadoras.
- Melhor ter um final triste e corajoso do que um covarde e feliz. – respondi tranquila, sem separar seu olhar do meu. Ele sorriu sombriamente.
- Que bom que compartilhamos da mesma opinião. – ele soltou meus punhos já doloridos. Massageei eles, enquanto Patch me encarava com um olhar indecifrável.
- Então, a verdade, certo? – assenti com a cabeça, e ele deu de ombros. – Ok. Eu sou um anjo caído, que agora é metade humano e metade anjo, mas não tão humano para ser considerado nephillim. Perguntas?
Coloquei as mãos no bolso da calça jeans e andei de um lado para o outro. Tentei acalmar minha respiração. Eu falei que acreditaria. Então por que aquilo soava tão falso para mim?
Ah, é, por que eu sou cética demais para acreditar em algo como anjos.
Mas ele havia falado na minha mente. E roubado calor corporal de mim. Eu não estava na posição de não acreditar nisso.
Meu consciente gritava que era um absurdo, mas meu inconsciente venceu. Eu iria acreditar nele.
- Ah, um anjo? Daqueles com asas brancas? – perguntei, soando cética demais. Ele sorriu.
- Não. A minha era negra. Agora, se a senhorita não se importa. – ele arrancou a pena das minhas mãos. Resmunguei e cruzei os braços.
Lá se foi o meu objeto de barganha, caso ele tentasse alguma coisa comigo.
- Por que você caiu? E por que é metade humano? A vida no céu não era favorável para um mau caráter? – cruzei os braços e esperei a sua resposta. Pelo jeito que me olhava, parecia entediado.
- Você está me entediando, vou apagar sua memória.
- Não faça isso. – gritei. Suas sobrancelhas se arquearam em diversão. – Quer dizer, eu exijo explicações. Me fale o que eu preciso saber, e eu saio da sua vida.
Ele levou as mãos nos queixos, pensativo.
- Isso me soa tentador. – ele murmurou. – Você venceu, Nora Grey.
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