Mistérios Ocultos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Vee Sky abria caminho por entre os alunos, parecendo ter saído de uma maratona. Quando chegou até mim e colocou suas mãos em meus ombros, uma legião de estudantes nos encarava descontentes.
- Desculpa aí, galera. – murmurei sentindo o peso dos braços de Vee me arrastando corredor afora.
- Professor substituto, professor substituto. – ela começou a bater palminhas e dar gritinhos escandalosos, já longe dos alunos mal humorados.
- Eu odeio professores substitutos. – ajeitei minha mochila nas costas e passei as mãos no meu cabelo encaracolado, agindo despreocupadamente. – Geralmente eles são nervosos e não sabem explicar porcaria nenhuma.
Uma carranca surgiu no meu rosto só de pensar que eu teria que aprender a matéria sozinha em casa, já que geralmente professores substitutos não ensinam, não impõem respeito e são um saco. Ele me faria perder tempo estudando coisas que eu poderia aprender na escola.
- Eu também, bobinha. – ela disse me dando um empurrãozinho e balançando seus cabelos loiros. – Mas em primeiro lugar, ele vai substituir o técnico.
Se havia algo que Vee odiava mais que Biologia, era o técnico McConaughy, que ironicamente era o professor dessa matéria.
- E em segundo... – ela continuou. – Me disseram que o professor substituto é um gato. Super, hiper, mega gato.
- Você me disse ontem que odiava homens muito velhos. – murmurei entediada, enquanto seguia em direção a classe de biologia, com Vee tagarelando do meu lado.
- É ai que você se engana, minha cara Nora. – seu tom sábio me fez rir. – Ele tem uns vinte anos e anda com jaqueta de couro.
- Que ótimo! – exclamei irônica. – Um professor motoqueiro. Isso era para ser um ponto positivo dele?
- Por que você não pode ficar feliz perante um fato que iluminou o dia de várias alunas?! Você é tão estranha! – ela exclamou incrédula.
Ótimo, agora eu sou estranha porque não tenho uma tara por um professor substituto que eu nunca vi na vida.
- Me sinto perfeitamente normal. – disse entrando na sala e deslizando em uma das carteiras. Vee se sentou do meu lado e retirou da mochila um pacote de balas. – Na verdade, gosto de saber que provavelmente vou ser a única que não vou babar em cima dele.
- Caramba... Eu já até imagino eu e ele tendo aqueles casos proibidos entre aluna e professor. Ia ser tão emocionante. – Vee mastigava várias balas enquanto eu abria meu caderno de biologia e o colocava alinhadamente em cima da mesa.
Impressão minha o Vee andava muito pervertida? Ok, ela sempre foi assim, desde que nós éramos criancinhas. Sempre foi a mais tudo. A mais alta, a mais comunicativa, a mais doida, a mais cheinha – não era gorda, só era alguns quilinhos a mais do gênero gostosa. – e a mais amiga.
O sinal bateu, fazendo ela se remexer ansiosa na carteira e me fazendo revirar os olhos. Todas as alunas pareciam excitadas para ver o professor entrar. Eu particularmente estava variando entre o tédio e a vontade de ir embora.
Quando o professor entrou, recusei a deixar meu queixo cair. Era difícil classificar o que deixava mais bonito. Seu corpo era esguio e alto como o de um leopardo, pronto para o ataque. Dava para perceber seus músculos magros e bem definidos nos braços. Se os braços eram assim, o abdômen deveria ser uma perdição. Seus cabelos negros se enrolavam atrás de sua orelha e seus olhos como a noite eram opacos e frios. Pareciam querer absorver tudo ao seu redor.
Ele não sorria, colocou seu material em cima da mesa e sentou em cima dela. Os alunos ficaram calados instantaneamente. Seus lábios se curvaram em um sorriso que não parecia nada simpático. Aquilo o deixou mais lindo ainda.
Sem chances daquele cara já ser professor.
- Meu nome é Patch Cipriano. – sua voz era grossa e máscula. – Sou o novo professor de biologia.
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